Desafio de Escrita #9 - Uma Experiência Triste...

Não existe um jeito fácil de falar sobre um momento triste. E no meu momento, não existe nada mais triste que a depressão. Não sentir nada.

#Desafio30DiasdeEscrita
#UmaExperiênciaTriste
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Estou com essa ciência depressiva desde o finzinho de 2011, quando no meu aniversário terminaram um relacionamento comigo que era meu último gancho me prendendo ao mundo dos vivos. Ao ser desconectado mergulhei num oceano de mim que nunca imaginei possível, obscuro, calado, de olhar distante e muito mais misterioso. Eu me perdi e me senti em paz naquele lugar úmido, ameno, onde me apequenei.
O primeiro mergulho é impactante, porém a descida é lenta, sutil, imperceptível.

Fiz terapia, pois solto como estava ainda havia esperanças de abrir as asas e conseguir enfim voar para qualquer direção que quisesse! Seria enfim livre! A terapia me resgatou, mesmo eu não percebendo que ao invés de voar, eu estava aprendendo a respirar embaixo d'água. Duas experiências parecidas e que agora percebo me complementam.

Afundando, respirando, experimentando outra realidade e de outros jeitos, completamente livre dentro desse oceano, preso sem muita luz. Afundando, afundando...
Penetrando em um local tão seguro e ao mesmo tempo inóspito, onde vivem os monstros, onde os monstros te convidam para dançar e daquela dança que te cansa constantemente, nada mais fora dalí faz sentido. Não há energia ou potência para movimentar o corpo e dessa forma o suor da dança infinita começa a molhar o travesseiro, escapando pelo cantinho dos olhos que ficam cada vez mais distantes.

Vaza, chora, alivia. Volta um pouco sua cor e seu corpo reage. Ao levantar-se e ver o sol, chora de novo e quer voltar para o seu mundo escuro que não te julga, que não te pune com uma luz que você sente falta, e ao mesmo tempo, não consegue mais suportar.

Chora. Deixa vazar.
É preciso chorar muito, muito mesmo, até que um oceano inteiro possa enxugar e dar espaço novamente ao seu coração pulsante, brilhante e que bombeava com toda força restante aquela água pesada para fora do peito.

Mais terapia, mais luz, mais paixão pela sua própria existência. E agora lucido, você entende que o mergulho dentro de si mesmo é o que você estava perdendo. Não era saudade da luz que o impedia de vê-la, era a negação do seu mais profundo estado de entrega e de toda sua tristeza que foi-se acumulando e aumentando e impedindo seu coração de brilhar, seus olhos de enxergar a beleza de tudo ao seu redor e te afogou de vez, sem uma onda para avisar que o tsunami ia te engolir e revirar até que encontrasse novamente seu equilibrio...

O momento mais triste da minha vida foi negar que a tristeza tinha o seu lugar e que lá eu posso habitar quando não me sentir bem, sem pesar. Sua luz não pode existir sem fazer sombras e nessas sombras você se encontra, e dança e destila tudo que carregou por tanto tempo sem perceber. E vaza, e chora e deixa que o mundo gire. E deixa que a alegria volte, porque na depressão ela não consegue te ver partir e na felicidade ela não pode existir. Incompleto. A nossa tristeza é isso... ser incompleto com medo de ser triste...


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