Desafio de Escrita #6 - Um Sonho Recorrente...

Caraca, essa é difícil.
Quando se vive nos sonhos em outra realidade é praticamente impossível ter sonhos recorrentes, e como faz muito, muito tempo que não os tenho, não consegui lembrar de nenhum especificamente.
Agora, sonhos para contar, tenho todos! Os meus que sonho acordado e os sonhos que se sonha dormindo. Vou contar um dos últimos que sonhei dormindo, a mensagem é boa para nosso momento.

#Desafio30DiasdeEscrita
#UmSonhoRecorrente
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Estava no trabalho, computadores para todos os lados, três grandes telas na nossa frente, mas os colegas que estavam comigo não eram os de sempre. Em uma sala pequena estávamos em quatro pessoas. Minha amiga estava trabalhando em um jogo de defesa da torre, desenvolvendo e testando ao mesmo tempo, em que os jogadores pelo mundo todo utilizavam suas estratégias de reconhecimento. Além dela e eu, um dos colegas era seu namorado, o outro não faço a menor ideia. Sonhos também tem coadjuvantes! Haha

No meio do trabalho, pegamos imagens virtuais de onde os jogadores de uma tela específica estavam e descobrimos que eram estudantes da escola onde eu me formei no ensino médio e técnico. Um deja vu! Claro que quando estudei lá não havia smartphones e por isso eu não poderia ser um daqueles alunos jogando, mas a sensação foi muito familiar de quando eu e meus amigos jogávamos RPG de mesa naquele mesmo pátio.

Então por um momento minha amiga ficou um pouco alheia a tudo que estávamos fazendo, ela estava vagando nas próprias memórias. Seu namorado a chamou e ela demorou um bom tempo para voltar de onde estava. Ficou mais alguns segundos em silêncio e nos perguntou:

- O que nós fazemos é legal, não é?
- É sim, divertimos as pessoas - respondeu o namorado.
Nessa hora o coadjuvante nos olhou um pouco assustado ou indignado, como se aquela pergunta fosse uma ofensa, mas ela prosseguiu:

- Criamos esses jogos, tantos programas de computador, aplicativos maravilhosos para divertir, facilitar o dia a dia e até mesmo melhorar algumas tarefas que são demoradas para nós humanos, mas para os computadores são moleza. Só que eu vejo as pessoas transformando tudo isso em programas em suas vidas. - Fez mais uma pausa reflexiva.
- Como assim? - perguntei para tira-la do transe.

- Usamos esses aplicativos e computadores e jogos 100% do tempo. Estamos vivendo no automático sem ao menos perceber. Como esses garotos, eles estão olhando para a tela dos celulares hipnotizados enquanto o jogo faz tudo sozinho. Não aproveitam esse tempo livre para conversar, nem mesmo sobre estratégias do próprio jogo, ou de coisas legais que fizeram no final de semana, nem de assuntos gerais, nada. São autômatos. Jogam e acham que ali estão vivos. Vivem e querem voltar ao jogo independente de qualquer outra coisa que façam.

Todos paramos e contemplamos a tela que mostrava os três garotos sentados no pátio do colégio enquanto tantos outros também estavam parados em seus cantos olhando para a tela de seus smartphones. Minha amiga disse:

- Estamos vivendo no modo automático...

E eu acordei.

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