Grito por Esperança!

Em um bate papo informal e super edificante, recebi a doação de uma palavra linda: Esperança. Obrigado meninas, que me doaram também seu tempo numa conversa esclarecedora, que me fez querer gritar por esperança e esse grito não pode ficar calado nesse momento.
Agradeço a doação, mas minha inspiração de hoje é sobre a conversa e não sobre a palavra.

E que esperança eu posso dar para essas mulheres?
Eu que sou homem, branco, gay que não parece,
Sou privilegiado, mesmo que só por não sofrer preconceito,
Porque de privilégios, o pobre artista, pobre
Só tem depois dos aplausos, antes, é trabalho!

Esperança, que todos temos, é de que mais e mais pessoas
Compreendam seu papel e acolham seus iguais,
Mesmo aquele com diferente cor de pele,
Sotaque, sexualidade, religião ou disparidades pessoais.

Quem é privilegiado como eu, que nunca sofreu preconceito
Não entende, não sabe na verdade o que é ser ignorado.
Não sabe qual é o peso do descaso de não ser respeitado
Simplesmente por ser quem é.
POR SER QUEM É!

Imagine um homem branco não ser atendido numa loja por ser um homem branco?
O homem branco nunca vai passar por isso.
E quando dizem que ele não entende, mete os pés pelas mãos,
Diz a pior besteira que se pode conjurar:
Isso é racismo ao contrário!

Racismo ao contrário é o que o opressor fala quando não é respeitado.
E não sabe quão constrangedor é para ele se fazer vitimizado.
Relaxa, num debate onde o povo está te falando das dores da pele,
Você não vai ser escorraçado. No máximo, a gente tenta te mostrar,
A dor, os cortes, as marcas que ficam enraizadas no inconsciente.

Saiba, minha gente, que a esperança mora no tempo.
Estamos correndo contra ele tentando conscientizar,
Fazendo o possível para mostrar pro mundo o que é,
Qual é a sensação de ser vítima real de preconceito,
Aquele que mata todos os dias, milhares de pessoas reais!

Só por ser negro: 78% das vítimas de homicídios são negros.
Só por ser mulher: em média 13 mulheres morrem todos os dias.
Se for mulher e negra, mais ainda!

E ainda teimam em dizer que não existe racismo nem preconceito no Brasil.
O país que mais mata travestis e transsexuais no mundo todo.
Não tem preconceito nenhum, tem ódio mesmo.

Então, a Esperança está na informação,
Em mostrar pra todo mundo que as nossas diferenças
Não nos fazem inimigos, mas muito mais coloridos!
O que nos falta é tolerância e respeito, e pra isso precisamos de tempo.

Tempo para que se renove a mentalidade,
Para que passe quem era preconceituoso
Enquanto a juventude aprende a ver o diferente sem diferença nos olhos
E de coração aberto para entender que ser diferente é normal.

Sabendo que Mulher, Negro, Travesti, são todos gente como a gente.
E todos somos! Seres humanos!
Mesmo quando não se parece com quem aparece na TV.

Recorte da imagem de divulgação do sexto Encontro da Diversidade Cultural em Barroso 2017

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ensaios Umikizu - um sonho em forma de livro no Catarse!

O misterioso Escorpião!

Arte: Fine Art de Vladimir Kush...