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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

É tão difícil?



Estamos acostumados com tragédias, com incompetência, com vilania e desonestidade. Acostumados a ver algo ruim acontecendo e simplesmente dizer que "é a vida". Não é tão simples. Fomos desencorajados desde os tempos da escravidão (talvez antes) e isso é reforçado pela mídia e até por algumas brincadeiras, a não ir contra o poderio do imperador, do rei ou do barão, que hoje é qualquer figura de poder, desde os líderes políticos aos nossos superiores diretos, gerente da empresa, ou até mesmo o professor ou diretor da escola, que deveriam quebrar essa corrente que ainda nos prende. Poder corrompe e em um cargo de liderança é fácil manter os subordinados com um pouco de medo, é conveniente manter o controle de forma tão fácil, herdada e inconsciente, sem a necessidade de esforçar-se para consegui-lo. E muita gente acaba se aproveitando disso e mantendo o status quo. Somos humanos e pode ser que não sejamos somente corrompidos pelo poder, mas que nos apossamos dessa facilidade que o poder nos dá de forma inconsciente também.

Pois é tão difícil assim imaginar um mundo sem medos? Sem esse controle? Sem problemas. É tão difícil imaginar um mundo onde os líderes são realmente guias de seus liderados?
Um mundo é muito grande. Vamos diminuir o espectro.

É tão difícil imaginar uma cidade em que os impostos sejam usados para seus fins corretamente? É tão difícil que o líder dessa cidade analise a necessidade da população e comece a investir em educação, saúde e segurança como prioridades, sabendo que diminuirá seus lucros diretos? Por não se envolver em propinas em alguns anos a qualidade de vida e as oportunidades que a educação de qualidade vai trazer para essa cidade vão beneficiá-lo também, em escala muito maior que uma propina que ele provavelmente vai ter que gastar com a educação dos filhos e a própria saúde e segurança no modelo de sociedade em que vivemos hoje.

Não é tão difícil imaginar, nem mesmo acreditar, que o mundo pode ser um lugar melhor, em que investiremos onde realmente seja necessário e não seremos mais responsáveis pela miséria e decadência de alguém próximo de nós. Os exemplos que temos são Temerosos, eu sei! Mas eles estão aí para nos chocar e nos mover para mudar esse cenário. Não virá deles a mudança, não partirá dessas figuras que são diretamente beneficiadas pelos atos falhos o fim dessa conduta criminosa e mesquinha. Quem pode trazer essa mudança é somente quem é diretamente afetado por ela, passando a mensagem para quem vem depois, assistindo a próxima geração e instruindo que eles neguem absurdos acabando de vez com o argumento dos acomodados "porque a vida é assim". Não, a vida não é assim, não somos tão pequenos, não somos tão fracos, não somos tão passivos.

Tem que começar por mim, por você, pelas pessoas ao seu redor. Temos que ser o exemplo a ser seguido, mesmo que algumas pessoas não acreditem, não se deixe desanimar. Quando você mostrar como é diferente e bom pensar no próximo, ser paciente, consciente e honesto em tudo que faz, partilhar o que sobra e fazer sua parte para melhorar o mundo, alguém vai perceber que é possível.
Não tente mudar o mundo todo num único dia, faça sua parte e mude o mundo como o mundo muda: aos poucos, pacientemente e através de influências sutis, como ondas que se tocam e vão se transformando através dessa troca de energias. Aos poucos e em constante sintonia, para mudar no começo e assim chegar num novo futuro.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Fiz 30...

E eu não comemorei.
Não tive forças, como não tive força para muita coisa nesses 30 anos.
Imaturo, indeciso, inseguro... Não que isso seja extremamente diferente agora, mas algo mudou, definitivamente é diferente atingir os inta.

Escrevo este texto tomando um moscatel que comprei só pra mim. Tomei um no Ano Novo, mas não senti o gosto. Não fazia sentido tomar um bom espumante na virada do ano sendo que eu não me sentia novo, me sentia fazendo coisas que sempre fiz mecanicamente, sem empolgação, simplesmente porque era assim que se fazia desde sempre.
Hoje é quarta-feira a noite e eu estou tomando um moscatel porque eu quero! Já fiz muito disso, mas hoje eu to fazendo com uma propriedade absurda. Com a calma de ter 30 anos e isso ser argumento suficiente para justificar qualquer coisa. Queria ter 30 aos 15, para poder dizer tenho 30 anos, não me encha o saco!

Não tive força alguma antes dos 30. Não me mantive onde meu coração me implorou para ficar, ouvi pessoas menos e mais experientes que eu e aceitei a realidade deles como se fosse uma verdade maior que a minha. Agora eu posso simplesmente quebrar a cara sozinho, tenho 30 anos e você não pode mais me dizer o que fazer.
Inclusive, aos 30 a gente começa a escolher. Eu escolho se eu falo com você ou não, se eu quero sair ou não, se eu tomo moscatel ou não. De manhã, de tarde ou de noite.

Esse poder de escolha é algo muito interessante. Antes dos 30 é comum dizer o que a gente não quer ou não gosta, à partir dos 30 você começa a pensar no que quer e do que gosta e corre atrás disso, deixando de fugir do que não gosta. É tão simples, mas parece que antes a gente não consegue ver. Se você viu e vê mais jovem, parabéns, problema seu! Saca? Ouve o que eu to dizendo e tenha 30 antes dos 30. Quanto mais cedo descobrir o poder dos 30 melhor para você.

Eu não fui forte nem resiliente o suficiente para conseguir o que eu lutei para ter. Não por um tempo, na verdade eu consegui tudo que eu queria, mas eu não sabia que eu podia querer mais, não sabia que dava para ter tudo. Programação da minha criação, do meu crescimento e de minhas experiências pessoais até agora, que finalmente posso trintar e destrancar. Hoje estamos buscando essa mudança que era impossível na minha infância. Tínhamos que escolher ganhar dinheiro, estudar para passar na faculdade e conseguir um bom emprego, sem nem saber como o mundo seria transformado em alguns anos. Essa foi minha realidade até agora e vejo pouca saída mesmo hoje. Poxa, muita gente já chegou em mim antes e me disse que eu podia ter sido e feito diferente. Não podia não. É estúpido demais pensar que eu posso mudar o passado, não dá. Eu posso fazer diferente à partir de agora. Com 30, já estou fazendo diferente, deixando o passado passar, aprendendo com ele sem deixar que ele controle meus passos daqui em diante.

Hoje eu estou completando 30 e vendo meus amigos e conhecidos que tiveram a força que eu não tive, a resiliência de permanecer e continuar a buscar enquanto eu fui peregrinando por outros caminhos e aprendo com eles o que preciso trazer para mais perto de mim e não o que eu queria afastar. Precisamos todos fazer 30. Até fazer 40 e depois 50. Cada década com sua sabedoria para passar. Só que os 30 são os divisores de água de uma vida e à partir deles tudo só melhora como vinhos, como o moscatel que eu abri só para escrever sobre meus 30, comemorar o ano novo de verdade e tomar saboreando tudo isso porque é o que eu quero e o que eu gosto. Trintei de vez.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Quando vamos colher?

Plante boas sementes para colher bons frutos

É o ditado mais popular para a esperança de um futuro melhor. Mas nunca perguntamos para quem nos dá esse conselho quando vamos colher esse futuro. E tenho plena certeza que ninguém tem uma resposta exata. Porém eu tenho uma e você não vai gostar muito...

Futuro não é um fruto, não é um fruturo. A piada é horrível! HA! Eu sei! Feliz Ano Novo babe! ahahah

Antes do fruto tem a folhinha que saí da semente e brota pra fora da terra, e então ela começa lentamente a crescer, para só depois que virar uma árvore razoavelmente grande para aguentar o peso dos frutos, eles começarem a nascer. Pelo menos era assim antes da ciência desvirtuar a genética das plantas. No tempo que a gente não tinha nem pressa, nem estresse. Nem câncer. Uhum... Onde eu estava?

Quando colher os frutos? Humm simples, quando eles estiverem maduros, alguns anos depois de plantar as fucking sementes, caro padawan.
Demora.
E você tem que esperar! AHÃ, TEM QUE ESPERAR!

Pergunto, você quer colher por quê?
Estamos fazendo tanta coisa, estamos nos melhorando tanto, pensando tanto no futuro, mas agora estamos colhendo os frutos das sementes que plantamos lá atrás, não é? Parece que nem todo mundo está feliz com a colheita... Well, a semente da política tava podre, a semente do dinheiro não vingou, as sementes de respeito, solidariedade, confiança, fidelidade, as sementes das coisas boas, das nossas bases para sermos humanos estão morrendo porque só estamos aguando as novas sementes e esquecendo das antigas, nas mudas que já nasceram, das árvores que já estão dando frutos. Ta amargo o gosto, não estamos felizes com elas. Só que fomos nós quem plantamos.

Hora de parar de criar novos futuros e concertar o presente. Afinal de contas sem um presente criança não fica feliz! Ops, sem um presente não há futuro, é o que eu quis dizer. Uhum.

Sabe nossa colheita tem que ser de passado por um tempo. Estamos esquecendo demais das coisas que passamos e caindo em armadilhas que já caímos anteriormente. Aprender com o passado, comendo aquela fruta amarga para aprender a plantar e fazer esse ditado aí valer a pena é o mote.

2018 não será um ano de bons frutos. E nem é tempo de colher, porque as sementes de 2017 estavam bem ruins. É ano de aprender a plantar. Reaprender muita coisa que a gente deixou escapar por não prestar atenção no passado.

Aprenda a plantar e selecionar boas sementes para colher melhores fruturos, é esse o mote.

Feliz aprendizado, 2018  agradece.