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Branco...

Escultura de Peter Callesen que achei no MDig

Estou uma folha em branco, mas sem tinta, sem escritor, sem nada mais que isso.
Uma folha em branco, solta, no vento, no tempo, mas espero o alento de descorar.
Que tinta, de que cor, de que dor, qual amor, passará por mim para me alegrar?
Que sentimento, que tormento, vão me olhar, me encarar, vão falar disso?

Não dá pra saber, não se pode perceber os sentimentos de alguém em branco.
Parece pálido, parece triste, parece em paz, parece igual, mas nada é certo.
Espera um pouco, talvez um minuto, talvez alguns séculos, olhe de perto.
Hoje papel, amanhã cinzas, talvez azul, quem sabe rosa, na parede ou num banco?

Parece que estou levíssimo, mas estou pesando mais que o mundo por amar.
Essa obra em branco vale um conto, dois reais, noventa dólares ou um pranto?
Ou num momento de deslize, cai na lama e deita no sono de quem é omisso.

Eu entendo que esse momento branco passa logo, mas o agora é um cancro
Pra quem torce pro branco e preto num mundo todo de arco-íris, como?
Que o branco perca-se. Preencha-se de tons, cores, sombras ou amores...

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