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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Simplificar #3 - Liberte-se!

Nós ainda vivemos numa sociedade com papéis muito bem definidos, o papel do homem, o papel da mulher, o papel das crianças, e dentre esses papéis, os papéis que desempenhamos no trabalho: um empresário é mais importante que a faxineira, quem tem faculdade é mais importante que quem não cursou o ensino médio completo e por aí vai. A formação da família, o certo e o errado, a rotina, a disciplina, as regras, as leis, as ordens dos pais e dos superiores, o que fazer e o que não fazer, o fazer dos outros, mesmo que não interfira nas nossas vidas, e muitas outras convenções do conhecido "senso comum" são informações que crescem com a gente depois de introduzidas pela sociedade através da cultura herdada por ela. Essas informações determinam também quem você é, seu caráter, moldam a personagem que você vai desempenhar na sociedade. Quem é o personagem que você apresenta para todos, todos os dias? Você o reconhece nos momentos de intimidade, ou ao menos pode incluir a sua personalidade nesse personagem?

São perguntas cruciais para perceber até que ponto sua personalidade é livre para manifestar suas vontades e seu verdadeiro Eu. Por isso o Simplificar dessa vez vem para falar desse tema e pedir que você tente buscar alforria desses grilhões... quero dizer, padrões! Especialmente, de algumas amarras sociais que podem não te fazer tão bem quanto você imagina. Talvez por não combinarem com sua personalidade, mas você carrega para cima e para baixo porque aprendeu assim. E é muito simples se livrar dessas amarras e de coisas que não combinam com você: Questionando.

Não somos encorajados a questionar. Desde a infância, passando pelo colégio, no trabalho e especialmente pelo governo. Quando crianças, não podíamos perguntar aos nossos pais o porque de uma ordem, as crianças que questionam demais são chatas e irritantes, são reprimidas até que aprendam a não mais responder para os pais. Na escola, quem faz perguntas demais, especialmente no final da aula é o CDF que fica atrasando a saída da turma, é alvo do que hoje chamamos de bullying. Nas empresas, questionamentos são insubordinação. E o governo, bem, com a falta de encorajamento e prática no questionamento, os jovens adultos não sabem nem fazer o pedido do próprio lanche sozinhos, imagine fazer um questionamento correto aos governantes? Felizmente essa fase de "manda quem pode, obedece quem tem juízo" na criação dos filhos está acabando, mas a geração que foi criada por ela ainda tem esse efeito ativo de não questionar, não porque não queiram, mas porque foram educadas; o mais correto seria dizer doutrinadas; a não fazê-lo.

Psyche abrindo a caixa dourada
John Waterhouse (1903)
Indicação do artista Murilo Braga
Questione. Faça perguntas até que não tenha mais dúvidas. E o mais importante, antes de qualquer coisa, questione-se você mesmo. Pergunte se quer fazer algo ou não. Se quer estar naquele lugar, naquele emprego, com aquelas pessoas, ou não. Consulte seu Eu interior e sua personalidade, num momento calmo e sem influências externas, converse consigo mesmo e encontre suas vontades, sua moral, sua ética, todos as variáveis e interesses que fazem jus a quem você é, e que guiarão seus passos de forma clara e lúcida.

Sua personalidade e seus sentimentos estão de acordo com o que as outras pessoas acham que é o certo e o errado? Sua personalidade está em paz com as decisões que você toma e com o ritmo de vida que leva no dia a dia? Pergunte mais e consulte mais o seu inconsciente, converse com sua personalidade e então encontre pontos em comum entre você e ela. Sua verdade interior virá a tona e integrará suas ações como personagem. Suas convicções e seus objetivos estão aí dentro, gritando por atenção e devem ser ouvidos para que finalmente libertem-se! Largue as dúvidas e faça perguntas, questione, expresse sua vontade e sua real personalidade. Então você vai se encontrando, até que desperte e sua personagem torne-se sua personalidade. É um dos atos mais sublimes do ser humano.
Encontre-se, questione. Liberte-se!

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