Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Can't Connect...

O tempo todo conectado.
O tempo TODO!
Não sobrou porta, wi-fi, contato nenhum, para mais nada, nem ninguém!

Não posso mais me conectar, pois perdi a conexão comigo mesmo.
Perdi-me dentro de algum lugar escuro, cheio de coisas artificiais e pessoas distantes, com pouco ou nenhum tempo, sem tempo pra mim, sem mim, sem nada.
Perdi.
Sinto que perdi, pra sempre, o jogo da vida.

É um sentimento que não pertence a ninguém e nesse espaço vazio e escuro, não cabemos porém ficamos. É confortável, te deixa ficar lá e todo mundo respeita. Te deixa lá na zona de desconforto que te liberta de compromissos e de pessoas. Te liberta para uma nova prisão.

Não quero me conectar com mais ninguém, não antes de religar meu coração com minha mente, que está perdida e escondida até de mim mesmo. Sem ver luzes, vozes, risos, incapaz de conseguir entender pelo que está realmente passando.
Impossível é a palavra mais simples que passa por essa mente.

É impossível me mover. Mesmo que esteja me movimentando o tempo todo.
É impossível sair. Apesar das obrigações te forçarem.
É impossível sorrir, mesmo que você não esteja necessariamente chorando.

O que é impossível mesmo é continuar assim, mas nada parece conseguir te tirar de lá por muito tempo.
Sabe aquela coisa que você mais gosta? Você não sente mais...
Sabe aquele chocolate que te relaxa e acalma? Não tem mais gosto...
Sabe aquela música que você adora, canta junto e dança onde quer que esteja? Não faz nem cócegas...

E é assim que se sente, perdido e quase inconsciente quem não tem mais nada.
Quem passa por essa depressão na vida, não tem muita saída.
Não tem força, nem adianta forçar, já que nada agrada.
O caminho para se libertar dessa liberdade é a esperança de um dia poder dizer não e ser respeitado.
É um dia poder dizer sim, porque se sente bem em querer algo de novo.
Entender que não é nesse vazio escuro e curto que se está livre, mas na imensidão confusa do mundo. Onde ir pra qualquer lugar pode parecer pouco, mas a liberdade de poder fazê-lo é que faz toda a diferença....

Talvez, não conseguir conectar com mais nada seja a chave, a resposta de dentro que está tentando ajudar a desligar tudo e reiniciar o sistema. Recomeçar, já que seguir adiante não está funcionando.
Re-começar para se re-encontrar.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Primeiros passos para espiritualidade...


Bem vindos ao primeiro curso online... mentira! Não tem nada a ver com curso, nem com ensinar alguma coisa. Meu objetivo aqui é só proporcionar algumas reflexões e minha experiência com a espiritualidade. O primeiro passo você já deu, que é procurar sobre o assunto, isso significa que você está afim de aprender e precisamos de gente interessada, senão fica muito mais difícil. Explicar a espiritualidade para uma pessoa interessada é mais tranquilo.

Espiritualidade é a busca pela verdade, plena e simplesmente. Quando estamos em comunhão e em paz com nosso Eu interior, buscamos contato com o mundo como ele realmente é, com a liberdade em sua forma mais pura e à partir disso temos disposição e discernimento para a realidade como ela é. Cada um tem sua forma de entrar em contato com a espiritualidade, alguns buscam um ser superior, outros encontram espiritualidade na ciência, outros em culturas antigas, etc. E acredite ou não, está tudo bem!

A busca pela verdade acontece durante nossa vida de forma natural, mas em pequena escala e inconscientemente, porém quando despertamos para a espiritualidade, esse processo passa a ser consciente e mais proveitoso, pois a busca é ativa e racional. Podemos tomar decisões usando toda nossa capacidade de pensamento e percepção, através dos sentidos, de pesquisas e um pouco de intuição. Desmistificar os véus e a ignorância perpetuada pela massa, que nublam nossa visão e o mundo ao nosso redor torna-se uma atividade comum e passa a ser mais fácil do que parece.
Portanto o caminho para a evolução está inexoravelmente ligado com a espiritualidade. E quando falo espiritualidade não quero dizer religião, de forma alguma, mesmo que o Religare faça parte constante do caminho e muitas religiões são estudadas por serem portadoras de informação importante, cultural e espiritualmente, deixe de lado a doutrina e os rituais específicos, pois são apenas uma face da verdade.

Falei, falei, falei e não falei muito, eu sei. Paciência é o que mais precisamos para uma vida espiritualizada ou podemos ficar loucos com o tanto de informações que temos acesso. Processar tudo isso, discernir o que é informação e o que é opinião ou piração não é fácil. Vai chegar uma hora que você não vai mais querer saber e é bom fazer uma pausa de vez em quando. Paciência pois a espiritualidade é para a vida toda, você não vai começar a estudar e em pouco tempo entender as verdades do mundo. Um excelente exemplo disso é o que Douglas Adams nos diz brilhantemente em uma brincadeira no livro O Guia do Mochileiro das Galáxias:
- A resposta para a vida, o universo e tudo mais é: 42.
A resposta para a verdade do mundo, da vida, não é simples. E isso também não é um problema, pois a verdade para a espiritualidade é a união de todas as verdades do universo. Não temos como adquirir todas as verdades do universo inteiro em somente uma vida, é humanamente impossível. Muita gente desiste, mas essa é a razão pela qual eu continuo buscando, para conseguir ajudar a chegar nessa resposta um dia, para fazer minha parte e tornar a tarefa cada vez mais fácil e no futuro ser parte da luz que ilumina o mundo. Por isso paciência e humildade, não fazemos nada para ganho pessoal, mas coletivo. O que consigo fazer hoje, nesta vida, auxilia que daqui pra frente deem o próximo passo.

A questão não é querer, é definir se você vai fazer parte dessa descoberta de forma consciente ou inconsciente, dedicar um tempo para isso: estudar, ler, debater, descobrir e compartilhar. Ou se vai fazer isso naturalmente. É uma escolha sem pesos. Pode ser um tempinho e se sentir bem, mas depois parar. Pode ser que não queira hoje, mas depois passe a se dedicar à espiritualidade. É recompensador, exige trabalho, mas sem pressão. Esse é o primeiro passo, então escolha e não tenha medo nem receio de mudar de ideia, ok?

Logo logo, venho compartilhar mais, tem bastante textos sobre espiritualidade aqui no blog, clica na palavra chave "espiritualidade" que você vê mais.
Abraços e muita luz pra todos nós.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Ensaios Umikizu - um sonho em forma de livro no Catarse!

Oi! Eu sou o Allan e estou aqui para realizar meu sonho: publicar meu livro!
Eu não sabia começar esse post então comecei igual o projeto, mas posso fazer melhor, começar com a inspiração do maior sonhador da literatura Dom Quixote de La Mancha:



E essa é a minha realidade agora, só se conseguir que mais pessoas sonhem comigo vou transformar meu sonho em realidade. Por isso estou aqui para te contar mais detalhes sobre o meu projeto e tirar dúvidas sobre o financiamento coletivo no Catarse. 

Antes de mais nada, para você me ajudar, basta acessar esse link: https://www.catarse.me/ensaios_umikizu
Todo apoio, por menor que ele seja, é bem vindo e será agradecido com a mesma alegria!
  • Anda Allan, conta pra gente o que é esse projeto?
A capa do livro ta lindona!
O projeto é o lançamento do meu livro: Ensaios Umikizu! E olha a capa como ta linda!
Estou tentando publicar um livro com os meus textos desde 2014, quando deixei o meu trabalho para me dedicar integralmente ao desenvolvimento desse sonho. Cheguei a publicar duas versões em e-book e também me aventurei em uma publicação autônoma, só que tudo isso foi muito difícil e não consegui sozinho. Até em julho de 2017, a Editora Madrepérola entrou nesse sonho comigo e agora o livro vai ser publicado enfim!
Neste livro, eu escrevo sobre o amor e a loucura, em poesias e contos. Mais que isso, eu falo sobre os amores e as loucuras do dia a dia, que todos nós vivemos e falo isso diretamente com você, que está lendo, porque cada texto é único para cada um que ler.
  • Que legal Allan, mas agora onde eu entro nessa?
Eu preciso da sua ajuda para fazer tudo isso realidade, porque uma parte dos custos do livro são por conta do autor, mas como o meu objetivo é fazer com que você tenha em mãos todo o meu carinho e minha forma louca de escrever, estou fazendo a campanha no Catarse de financiamento coletivo, onde você me ajuda a realizar o meu sonho e eu te dou várias recompensas por sua ajuda! Legal, né?
  • E como funciona o Catarse?
O Catarse é uma plataforma digital de financiamento coletivo, onde quem tem um sonho vai lá, cria uma campanha bem bonita e atraente para que as pessoas financiem com dinheiro o sonho dela. Em troca, o criador do projeto oferece recompensas de acordo com o valor que você quiser ajudar.
Tudo isso de forma super segura e fácil. Como fazer uma compra na internet.
  • Mas como eu sei que vou receber minhas recompensas?
No próprio Catarse, os criadores tem que prestar contas das recompensas para os apoios recebidos no financiamento, então depois que terminar a campanha cada apoiador pode avaliar o projeto e dizer se recebeu ou não suas recompensas.
Claro que o contato é direto com o criador da campanha e isso tem que ficar claro, que qualquer problema, dúvida ou esclarecimentos necessário os apoiadores devem entrar em contato com o responsável pelo projeto, no caso comigo, de preferência através da ferramenta, mas mesmo aqui no blog, todas as dúvidas serão sanadas.

É interessante para mim que vocês apoiem o meu projeto, por isso me comprometo com qualquer coisa que vocês precisarem, podem me chamar direto também!
  • Como eu te encontro? Entro em contato? Tiro minhas dúvidas?
Aqui no blog, no Facebook, na página do Umikizu, mas de preferência no próprio Catarse, lá vocês podem comentar e me enviar mensagens que ficam registradas na plataforma, assim a própria equipe do Catarse tem uma visão melhor de como eu estou cuidando da minha campanha e de quem está me ajudando.

Aqui estão meus perfis para qualquer emergência:

O perfil lá no Catarse: https://www.catarse.me/pt/users/393596/
Página Umikizu no Facebook: https://www.facebook.com/Umikizu/
Meu perfil pessoal: https://www.facebook.com/pandumiel

Qualquer um desses canais eu respondo bem rápido!
  • E como eu faço para ser um apoiador?
É bem simples! Você entra lá no Catarse (https://www.catarse.me/ensaios_umikizu), na página da campanha e clica na recompensa que mais te agradar e depois em continuar.
Você será redirecionado para uma página onde faz o seu cadastro, é super rápido e você pode usar sua conta do Facebook para isso. Depois coloca seus dados de pagamento, como numa compra normal na internet, tem várias formas de pagamento disponíveis e tudo de forma bem segura.

E pronto! Você me ajudou e ainda leva meu livro para ler, fica feliz e meu sonho fica mais e mais próximo de se realizar! E eu te agradeço muito, além de te mandar suas recompensas.

É simples realizar nossos sonhos e muito mais gratificante quando sonhamos juntos!
Sou muito grato a todos que já apoiaram e quero que você faça parte desse grupo de pessoas que acreditam que o Amor pode ser espalhado por aí, como a loucura pode libertar nossas vidas e nossos corações!

Aguardo suas perguntas e seus apoios, para que possamos bater um papo, tomar um café e amar muito, juntos!

Obrigado!
Abraços!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Branco...

Escultura de Peter Callesen que achei no MDig

Estou uma folha em branco, mas sem tinta, sem escritor, sem nada mais que isso.
Uma folha em branco, solta, no vento, no tempo, mas espero o alento de descorar.
Que tinta, de que cor, de que dor, qual amor, passará por mim para me alegrar?
Que sentimento, que tormento, vão me olhar, me encarar, vão falar disso?

Não dá pra saber, não se pode perceber os sentimentos de alguém em branco.
Parece pálido, parece triste, parece em paz, parece igual, mas nada é certo.
Espera um pouco, talvez um minuto, talvez alguns séculos, olhe de perto.
Hoje papel, amanhã cinzas, talvez azul, quem sabe rosa, na parede ou num banco?

Parece que estou levíssimo, mas estou pesando mais que o mundo por amar.
Essa obra em branco vale um conto, dois reais, noventa dólares ou um pranto?
Ou num momento de deslize, cai na lama e deita no sono de quem é omisso.

Eu entendo que esse momento branco passa logo, mas o agora é um cancro
Pra quem torce pro branco e preto num mundo todo de arco-íris, como?
Que o branco perca-se. Preencha-se de tons, cores, sombras ou amores...

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Doe uma Palavra - Doação...

Palavra doada pela querida Fabiana Mota, que me surpreendeu muito! Danada essa menina, mas me permitiu adaptar uma história me baseando em fatos reais! Gratidão Fabi!
Visitem a página da Fafá Parfum, a Fabi faz com carinho os cheirinhos mais gostosos do mundo!

Uma vez me contaram uma história bonita que tocou meu coração de um jeito sem igual, essa história falava de um certo casal, do interior do Mato Grosso que, vendo a situação de seus semelhantes, começou a ajudar os que não tinham como sozinhos dar conta das demandas do lar.


Eram uma senhora muito pequenina e um cavalheiro muito grande e desajeitado, que moravam numa casa boa e afastada da cidade, cercada por uma plantação de cana de dar gosto de ver! Era o orgulho do seu Carlos! Enquanto dona Vera dava um duro danado na casa pra dar conta de tanta cana e tanto caldo que sobrava depois de dada a colheita. Um casal solitário e muito peculiar, que iam pouco para a cidade, mandavam o menino de um dos trabalhadores resolver as demandas mais simples, como buscar algum ingrediente mais difícil de cultivar, pegar e levar as correspondências, esse tipo de tarefa mais simples. Uma vez por mês apenas, Vera ia ao banco enquanto Carlos fazia as negociações com os comerciantes no Mercado Municipal.

Conhecia-se bem a fazenda dos Tremembé, fazedores de açúcar e que tinham a melhor cana do estado, mas no geral, não se sabia demais sobre seus responsáveis, para falar a verdade, a situação na cidadezinha não ia bem e por isso a fofoca não tinha muita importância.
Verinha decidiu que tinham que fazer algo pra ajudar, mas os Tremembé eram muito reservados para tomar alguma atitude pública, também não queriam ferir o orgulho dos trabalhadores da cidade, que mesmo sofridos, não pensavam em pedir ajuda, mesmo nos momentos mais complicados. Era questão importante, mas não encontravam um jeito de ajudar.

Até que belo dia, seu Carlos percebeu, no meio das gaiolas de seus passarinhos, um em particular, que todos os dias de manhã dava um jeito de se esgueirar pela cozinha, pegava uma migalha de pão seco da dona Vera e ia compartilhar com seus amigos aprisionados no quintal. No outro dia, se escondeu no corredor para ver se o que vira foi só ocasional, mas repetiu-se o fato do passarinho que corria perigo para dividir um pãozinho com seus amigos. Pequenininho, sem ninguém saber, fazia a festa com sua liberdade. Seu Carlos então teve a ideia de ir ele mesmo levar o que podia doar, antes de amanhecer, na casa dos que sabiam ter crianças sem leite e mães sem ter com o que se alimentar.
Passou o dia e antes do galo cantar, seu Carlos foi fazer a primeira doação do dia, mas ao passar pela janela de uma casinha, seu tamanho e desjeito fez uma criança acordar, na meia luz, ao colocar a cesta com leite, 5 pães e um queijo branco fresco na porta da frente, a criança abriu o berreiro e acordou a casa toda!

- O Gigante Veio Me Matar!! Buaaaaa!!

Seu Carlos assustou, agarrou o cesto no impulso e correu pro matagal mais próximo com seus passos largos! Naquele dia, a cidade toda achou que tinha um bicho a solta nas redondezas e ficou em alerta máximo!
Dona Vera ao ouvir a história de seu Carlos caiu na gargalhada!
- Como pode um homem desse tamanho sair por aí de manhãzinha sem ser notado no ato? Mas foi muito bonito o que você fez, se tivesse ao menos deixado o cesto por lá por perto. Vamos pensar em alguma coisa diferente, tá bem?

Durante uma semana, os homens faziam ronda, a polícia dobrou o turno dos guardas e o prefeito fez até uma campanha para que as pessoas não andassem sozinhas, trancassem as portas e janelas, além de colocar cortinas em suas casas para não chamar a atenção da fera. Na outra semana, o pessoal já tinha esquecido do gigante, já que ele não voltou a aparecer. Foi então que Dona Vera numa terça-feira bem calminha resolveu acordar cedinho e partiu para completar a missão que o marido tinha começado, mas dessa vez de um jeito diferente.
Eles tinham uma carroça de garapa, que usavam na época de safra muito boa para aumentar a renda da fazenda e não perder cana que não fosse vendida. Dona Vera escondeu-se no carroção e pediu que um dos empregados saísse pela cidade oferecendo garapa gratuita para as crianças. Foi uma festança da garotada, se lambuzavam de garapa e algumas guardavam um pouco para levar para os pais em casa. Só que enquanto estavam lá na praça, bebendo a refrescante atração dos Tremembé, a dona Vera saiu pelo fundo da carroça com 2 sacolinhas em cada mão, visitou 4 casas que sabia passar por uma difícil situação e deixou na porta da frente uma sacolinha para cada uma. Na sacolinha havia 5 pães, uma garrafinha de leite, 5 ovos e um punhado de açúcar refinado. Não era muito, mas não tinha como carregar sozinha muito mais que isso. Ao acabar a cana que levaram para as crianças, o empregado passou com a carroça pelo meio da vila para voltar à fazenda Tremembé, sem esquecer de pegar dona Vera no caminho.

Ao chegar em casa, estava toda feliz e foi contar a novidade ao seu Carlos, mas não conseguiu o encontrar. Uns 20 minutos depois, seu Carlos chega em casa com dois filhos dos empregados da fazenda, com um sorriso de orelha a orelha estampado no rosto dos três.
- Distribuímos duas cestas cada um para as famílias lá de cima e ainda dei garapa para os meninos, lá na praça onde o Geraldo estava com você. Boa ideia minha pequena.
Durante os períodos de maior crise na cidadezinha, dona Vera e seu Carlos trabalhavam com as crianças para distribuir as sacolinhas e cestinhas para quem precisava de mais ajuda. Não era muito, mas supria o mínimo para as famílias que passavam necessidade.

Claro que depois de um tempo todo mundo descobriu a verdadeira identidade dos benfeitores. Inclusive a menina que o seu Carlos assustou fez uma surpresa para ele, em uma de suas visitas ao mercado.
Jussara ficou andando escondida por onde ele fosse, de barraca em barraca, até que quando percebeu que ele estava bem distraído numa conversa com seus amigos, deixou nos seus pés uma cestinha com flores amarelas. Desajeitado que só ele, ao mudar o passo, seu Carlos tropeçou na cestinha e quase caiu em cima da barraca de tomates, ainda assim, não conseguiu evitar cair de bunda no chão. Quando levantou e sacudiu a poeira, pegou o cesto, sorriu com as flores e percebeu que havia um papelzinho dobrado com elas, desdobrou o pedaço de folha e viu um desenho de criança de um homem muito grande com uma senhora muito pequena ao seu lado e em cima, duas palavras escritas em letras de forma bem grande: DESCULPA E OBRIGADA.
Seu Carlos não conteve as lágrimas, a menina então saiu correndo e abraçou as pernas do seu benfeitor. Depois pediu que ele se abaixasse, pegou o paninho que usou para forrar o fundo da cestinha e enxugou o rosto dele sorrindo.
As famílias que foram ajudadas pelos Tremembé fizeram um apelo ao prefeito, que declarou os dois os benfeitores da cidade. E até hoje é comemorado por lá, no dia 8 de agosto o Dia da Doação dos Tremembé.

Quem me contou essa história foi um conhecido de lá do Mato Grosso, eu nem sei se é verdade ou se ficção, mas eu fiquei tão feliz com a possibilidade do seu Carlos e a Dona Verinha terem feito tão bem para uma porção de gente que eu to ajudando a passar adiante esse bom exemplo pra todo mundo. Para que nunca falte bondade e generosidade quando alguém passar necessidade, não é não?
Passar bem, meus amigos e não esqueçam de, sempre que puder, fazer uma boa ação. Até mais!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Enquantos ciclos...

Ciclos Mayas - Laura S. Dorado
Enquanto somos adultos aprendemos a mostrar que sempre estamos bem, mesmo quando por dentro tudo está uma bagunça, porque a vida segue seu curso natural.
É um eterno baile entre certezas e confusões, mas aos poucos tudo vai fazendo sentido. Um pouquinho a cada dia, a cada pôr do sol com cores estonteantes e cada lua e suas fases, faces e seu movimento pelas estrelas.

Hoje você é uma criança, cheia de esperanças e com o sorriso mais sincero que existe! Cativante, brilhante e inocente em cada passo aventureiro. E gosta de aventuras mais que tudo!
Amanhã, você é um jovem, cheio de medos e inseguranças, preparado para nada: emocional, passional, apaixonante, a beleza é abundante, a idade das experiências, das primeiras vezes!
Depois de amanhã é um jovem adulto, começa a trabalhar enquanto ainda termina a faculdade e define seu futuro, o que fazer daqui 1 ano, daqui 5 anos, talvez, onde estará quando fizer 30 ou 40. Parece distante, parece eternamente distante e, por enquanto, ainda é.

Você talvez tome rumos muito diferentes. Diferentes de "todo mundo". Já acabou aquela receita pronta para uma vida de sucesso: crescer, trabalhar numa boa empresa, casar, ter filhos e envelhecer cercado de netos e natureza. Que tolo sou de relembrar essa regra batida! Só que tolo mesmo era quem acreditava, antigamente, enquanto todo mundo fazia coisas diferentes, senão no dia a dia, nas sombras dos segredos! E quantos segredos se guarda nessa fase da vida? Quantos segredos temos quando somos jovens e os medos e as vontades estão em eterno conflito? Mas a coragem sempre vence, e a gente bate a cara em vários obstáculos até que aprendemos a desviar e navegar pelos mares do amadurecimento.

Semana que vem, porque a juventude é longa e gostosa de viver, só na semana que vem, somos adultos. Pés no chão e dinheiro no bolso, não muito, mas temos, as mesmas incertezas com um pouco mais de experiência, poder de escolha, mente em turbilhão pelas contas, pela rotina, pela parceria e as poucas e boas amizades que ainda são frequentes. Tudo parece em ordem. Tudo segue um fluxo que, de agora em diante, é cada vez menos acidentado. Um pouco mais confortável.
Enquanto houver conforto, tudo parece em paz.

E na outra semana, os cabelos embranquecem. Como é mágico envelhecer, ver o tempo fazer suas contas, explodir de alegria, mas com calma para não comprometer as costas, nem o coração! Ai meu coração!
É a vez de aproveitar, desacelerar para quem consegue, acelerar ainda mais para aproveitar tudo que segurou, enquanto não tinha a liberdade do tempo e da maturidade.

Enquanto tudo isso acontece contigo, comigo, com todos ao nosso redor, inúmeros outros ciclos, pequenos e rápidos, grandes e lentos, rápidos e gigantescos, e claro, os eternos, estão também seguindo seus cursos, na grande espiral de enquantos, de entantos, de tantos que somos.
E enquanto isso: respire fundo...

sábado, 15 de julho de 2017

Parando de graça...

Meu rei, se achegue porque tenho algo importante pra lhe falar.
Não to aqui pra rir da desgraça, não! Essa ideia é muito maquiavélica pra quem pensa bem.
Rir do tombo ao invés de ajudar, fazer graça com a morte de inocente, transformar abuso de poder em paródia só pra rir, rir de graça, sem nenhuma frustração? Não, não e não!
Amigo, vem mais perto, pra ouvir direitinho, sem deixar nada de fora dessa cabeça oca que tu tem, rir da desgraça, de graça, não tem graça nenhuma, vice? Rir dos problemas, sem prestar serviço de ajudar quem sofre é a mesma coisa que quando a gente era zoado na escolinha e ninguém te ajudava. Não era legal na época, continua não sendo legal agora, aquele monte de coleguinha rindo de rolar no chão, enquanto você chorava vermelho de vergonha, sem ninguém pra te estender a mão.
Então quando parar de rir, presta bem atenção, que por mais que você não seja mais zoado hoje, outro está sendo feito de bode expiatório no seu lugar, sentindo o que você sentiu quando seu coleguinha te sacaneou, a classe inteira riu, a professora não acudiu e você se sentiu um nadinha no seu canto, sozinho.
Não tem graça, né? Pois é. Acorda piá!
Vamo se ajudá, pra modi'muda um pouquinho o nosso quintal.


A situação no país ta uma caca, não que seja exclusividade, já que o planeta todo ta em crise. Essa crise que não se acha solução, começa na ganância dos grandes e termina na risada dos pobres. Coitados.
Uma crise inventada, acreditada e perpetuada, enfeitada com um período de bonança antes da tempestade, que veio desproporcional, muito mais forte que a festa. Crueldade de quem não passa fome nem tem crediário que não seja milionário. Consequência dos abusos e das impunidades, que continuam como o pó pesado que não foi condenado e voltou ao senado, empurrado pra debaixo do tapete. Tudo isso é pior que bullying. Tudo isso é mais real do que a televisão mostra, com um condenado pra parecer que o problema ta resolvido. A vida real não é filme pra ter um final tão rápido assim, não.
Nosso problema pra solucionar precisa de coragem, muita coragem de gente unida e que não pense só na própria barriga, que abra mão um pouquinho do que quer, pra conseguir pra todo mundo o que a gente precisa!
Vamo se ajuda? Assim é que nossa vida vai miorá de verdade. Sem rir das desgraças e sim tirando a graça de quem se aproveita da gente, acabando com a festa de quem usa nossos recursos e nosso suor pra coisa errada.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Simplificar #3 - Liberte-se!

Nós ainda vivemos numa sociedade com papéis muito bem definidos, o papel do homem, o papel da mulher, o papel das crianças, e dentre esses papéis, os papéis que desempenhamos no trabalho: um empresário é mais importante que a faxineira, quem tem faculdade é mais importante que quem não cursou o ensino médio completo e por aí vai. A formação da família, o certo e o errado, a rotina, a disciplina, as regras, as leis, as ordens dos pais e dos superiores, o que fazer e o que não fazer, o fazer dos outros, mesmo que não interfira nas nossas vidas, e muitas outras convenções do conhecido "senso comum" são informações que crescem com a gente depois de introduzidas pela sociedade através da cultura herdada por ela. Essas informações determinam também quem você é, seu caráter, moldam a personagem que você vai desempenhar na sociedade. Quem é o personagem que você apresenta para todos, todos os dias? Você o reconhece nos momentos de intimidade, ou ao menos pode incluir a sua personalidade nesse personagem?

São perguntas cruciais para perceber até que ponto sua personalidade é livre para manifestar suas vontades e seu verdadeiro Eu. Por isso o Simplificar dessa vez vem para falar desse tema e pedir que você tente buscar alforria desses grilhões... quero dizer, padrões! Especialmente, de algumas amarras sociais que podem não te fazer tão bem quanto você imagina. Talvez por não combinarem com sua personalidade, mas você carrega para cima e para baixo porque aprendeu assim. E é muito simples se livrar dessas amarras e de coisas que não combinam com você: Questionando.

Não somos encorajados a questionar. Desde a infância, passando pelo colégio, no trabalho e especialmente pelo governo. Quando crianças, não podíamos perguntar aos nossos pais o porque de uma ordem, as crianças que questionam demais são chatas e irritantes, são reprimidas até que aprendam a não mais responder para os pais. Na escola, quem faz perguntas demais, especialmente no final da aula é o CDF que fica atrasando a saída da turma, é alvo do que hoje chamamos de bullying. Nas empresas, questionamentos são insubordinação. E o governo, bem, com a falta de encorajamento e prática no questionamento, os jovens adultos não sabem nem fazer o pedido do próprio lanche sozinhos, imagine fazer um questionamento correto aos governantes? Felizmente essa fase de "manda quem pode, obedece quem tem juízo" na criação dos filhos está acabando, mas a geração que foi criada por ela ainda tem esse efeito ativo de não questionar, não porque não queiram, mas porque foram educadas; o mais correto seria dizer doutrinadas; a não fazê-lo.

Psyche abrindo a caixa dourada
John Waterhouse (1903)
Indicação do artista Murilo Braga
Questione. Faça perguntas até que não tenha mais dúvidas. E o mais importante, antes de qualquer coisa, questione-se você mesmo. Pergunte se quer fazer algo ou não. Se quer estar naquele lugar, naquele emprego, com aquelas pessoas, ou não. Consulte seu Eu interior e sua personalidade, num momento calmo e sem influências externas, converse consigo mesmo e encontre suas vontades, sua moral, sua ética, todos as variáveis e interesses que fazem jus a quem você é, e que guiarão seus passos de forma clara e lúcida.

Sua personalidade e seus sentimentos estão de acordo com o que as outras pessoas acham que é o certo e o errado? Sua personalidade está em paz com as decisões que você toma e com o ritmo de vida que leva no dia a dia? Pergunte mais e consulte mais o seu inconsciente, converse com sua personalidade e então encontre pontos em comum entre você e ela. Sua verdade interior virá a tona e integrará suas ações como personagem. Suas convicções e seus objetivos estão aí dentro, gritando por atenção e devem ser ouvidos para que finalmente libertem-se! Largue as dúvidas e faça perguntas, questione, expresse sua vontade e sua real personalidade. Então você vai se encontrando, até que desperte e sua personagem torne-se sua personalidade. É um dos atos mais sublimes do ser humano.
Encontre-se, questione. Liberte-se!

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Ignorar...

Não tenho o dom
E não acho de bom tom
Ignorar qualquer pessoa

Ninguém merece ignorância
Não importa quem é, quem seja
Ignorar alguém por divergência
Deveria ser pensado duas vezes
Vinte vezes mais, de cabeça fresca

Não concordo com você
Não posso te ignorar

Não confio em você
Não devo te ignorar

Não gosto de você
Pra quê te ignorar?

Ignorar alguém é tão pequeno
Ignorância é tão inferior
De opinião a posição social
Ignorar é um ato tão brutal,
Tão mesquinho e egótico
Que me da ânsia!

Ignorar e ser ignorado
Dois ignorantes tão preocupados
Com o que o outro sente,
Sabe e pensa, que não veem.
O ignorante não aprende
Não compartilha, não tenta
Segue sem saber que ignorar
Não compensa...