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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Me contradigo...

"Me encare enquanto assopro o discreto poente,
Seja sincero, ninguém está te ouvindo, só vou ficar mais um minuto.

Me contradigo?
Tudo bem, então . . . . me contradigo;
Sou vasto . . . . contenho multidões.

Me concentro nos que estão perto . . . . espero na porta."

Trecho do poema 'Canção de Mim Mesmo' do fantástico autor Walt Whitman, publicado no livro 'Folhas de Relva' (Leaves of Grass), 1855.

Essa reflexão do Whitman me pegou de jeito e me fez pensar que aqui mesmo no Umikizu devo ter-me contradito tantas vezes, talvez mais do que alguém possa se fazer entender. Analisar isso, me desculpo já, não é meu papel. Não me contradigo de forma mesquinha, para satisfazer meus desejos, encontrar desculpas e me desviar de meus erros. Quando não é de forma inocente, me contradigo da melhor maneira que há: me corrigindo.

Acredito que quando nos contradizemos nesse sentido temos que ser corajosos. Lutamos contra nós mesmos, de um passado nem sempre distante, e vencemos a luta com humildade. Difícil reconhecer isso nós mesmos, pois a vida é curta para uma analise profunda do nosso caminho de quando em vez, visto que de dentro, nos vemos em primeira pessoa e olhamos somente nossos passos acontecendo. Não somos capazes de analisar o todo, não sem andar com um espelho de corpo inteiro sempre diante de nós. Só que isso é impossível, nos cegaria do caminho, nos impediria de caminhar. A imagem de nós mesmos todo o tempo nos paralisaria, temos o mal hábito de só analisar e procurar nos reflexos os nossos defeitos. Morreríamos, se não de desespero de atropelamento por não ver o que está logo adiante.

O espelho nos foi dado pela vaidade. Nele nos arrumamos, nele nos refletimos sempre da melhor forma possível e só saímos de lá, daquela imagem de nós mesmos, quando não mais somos nós, quando estamos melhor apresentáveis que antes. Pura estética. Ninguém gosta da imagem que é refletida quando acordamos e nos encaminhamos para o espelho: cabelos desarrumados, cara amassada, olhos inchados, roupa amarrotada. Quando saímos, de rosto lavado e cabelo arrumado e dentes escovados, saímos melhores. Até sorrimos. Ninguém gosta da imagem que o espelho reflete, pois recorremos a ele muito mais para ver o que está errado do que para ver o que está certo: é um retoque na maquiagem, arrumar a roupa torta, tirar o verdinho do dente. Nada de ver como somos bonitos como somos, nada de ver o que temos de bom naturalmente, nada disso. Bem, aí está uma das maiores contradições que não atentamos em nos presentear.

Contradiga-se hoje.
Presenteie-se com um elogio. Pode ser um sorriso amarelo com uma mentira sincera. Sim. Só hoje minta em frente ao espelho, mas minta em voz alta. Diga: Como sou bonito quando acordo com esse cabelo desgrenhado e essa cara de sapo boi! Enchendo o peito e fazendo pose de rei.
Se você não der risada, não fez direito. Se você não der risada, não é mentira, você realmente acha que é bonito e que o sapo boi também é bonito. Agora, se você rir, sustente o riso. Gargalhe! Que ridículo! Mentir assim nas próprias fuças! Ria de você mesmo. Ria com você e com seu espelho que só mostra a verdade. Mostra você como você é e como está. Aprenda a contradizer o que te fazem aceitar por vaidade e veja a beleza de cada momento e de cada estado do seu dia a dia.

Você vai rir, vai começar a acreditar mais em quem que você é. E vai valer a pena.
Diga-se do contra quando te disserem, seja quem for, o que você não gosta.
Diga que não. Ria, então. Contradiga quem é do contra, contra você.
Inclusive seu reflexo no espelho.

Um comentário :

  1. Adorei

    Acho que devemos contradizer sim, quem tem a intenção de nos sabotar.
    Acho que devemos contradizer sim, até mesmo o espelho.
    Agora , devemos prestar atenção quando estivermos em frente ao espelho que reflete nossa essência.

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