Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

domingo, 31 de janeiro de 2016

Contradições...

Na ânsia de manter-me, perdi
As convergências de estar,
Divergências de encontrar,
Deixei ir embora o que decidi

E num desespero imediato, vendi
Todas as formas de amar
Me deixei facilmente enganar
Por uma ideia de fé, me iludi.

Foram as piores dores que senti
As contradições que eu mesmo criei
Demasiadas mazelas me permiti

O corpo, na mente, na alma, arrepiei
Trancado numa jaula de festim
Onde nunca antes me imaginei.

prisão
Prisão - Espaço Araguari Flickr

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Yeah, well, I'm dying...

Holdeath - Enzzo Barrena
Holdeath - Enzzo Barrena
De novo, estou morrendo.
Talvez me matando, não sei direito.
Tudo por causa dessa maldita humanidade
Ela que me impossibilidade de ficar à vontade
Que me pressiona, me faz sair do lugar e de lugar
Mesmo que eu não esteja muito afim.

Hoje eu sonhei que morria.
Não num caixão, não num velório, não morrendo
Estava vivendo minha vida e nada fazia muito sentido
Isso para mim, mais que tudo, é a morte chegando, de-va-gar...
Abrindo os braços e me colocando lá dentro, naquela sala escura.
Ela veio e eu gosto desse abraço.
O problema é o processo todo.

Morrer não é gostoso.
Ao contrário de matar, coisa que nós fazemos muito bem
Morrer requer tempo, paciência, calmaria, renascença!
Deuses, como é duro morrer. Como é terrível morrer de novo.
É como passar mal e ser obrigado a vomitar. Você vai melhorar depois.
Mas o processo, o corpo doendo, a cabeça girando, o estômago se apertando!
BHURG! BLERG! Uh... Uh... BLERG! ARGH! Eca...

Morreu e ninguém viu, nem sentiu.
Como ninguém sabe que você vomitou, mas depois vem os comentários.
- Nossa, como você ta mudado! O que aconteceu?
- Morri.
- Credo! Vira essa boca pra lá!
Ué... eu morri e nasci de novo, to diferente por isso... Qual o problema?
O problema é a morte. Ninguém sabe o que é morrer. Só acham que sabem.
Acham que morrer é desencarnar, ir pra cova, vestir paletó de madeira.
Não... morrer é muito mais que isso.

Morrer coloca uma luz em cima de você
Para enxergar o que é bonito e o que não é, o que fica e o que sai
Tirando tudo que tem de errado contigo, por bem ou por mal
Faz uma limpeza profunda e cheia de minúcias
Daí quando acaba nasce de novo outro dia.
Morrer é como vomitar. Só que melhor.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Frustrações do passado...

Me encontrei numa poesia
escrita em 99
que dizia que a família
era toda de artistas,
frustrados pela premissa
que viver de arte não daria.

Todo mundo tem um sonho
cada um conta para cada outro
e o da minha família toda
era de brilhar em algum canto
seja por meio da música,
da escrita ou num campo.

Todos frustrados, todos
colocando em outro a fé
trazendo para o do lado
a esperança de ter falhado.
Quem sabe não seja ele?
Quem sabe ele que é?

Quero que você perceba
que na frustração de um
cabe a infelicidade de tantos.
Saberia dizer se foi verdade,
te diria se fosse meu,
o final dessa maldade.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Formar opiniões...

Somos formadores de opinião.
Se não tivermos uma opinião formada, formaremos alienados. Não seja cabeça dura e permita que as pessoas confrontem suas ideias, reflita sobre o que elas te expõem construindo com mais informações e firmeza a sua opinião, buscando sempre atualizá-la com a verdade, acontecimentos e reflexões factuais. Defenda-a firme, mas pacificamente, com argumentos e não agressões, assim tornamo-nos todos mais críticos e menos "gado". Uma das formas de melhorar nossos argumentos em debates é não brigar e sim ouvir o que o outro tem a dizer. Independente se concorda ou não com o que ele tem a dizer, se não ouvir não poderá replicar e perde-se toda a razão de discutir o assunto; não acontece a criticidade necessária para formação de conhecimento e aprendizado. Quem ganha com isso são os bandidos, corruptos e aproveitadores, que agradecem a reclamação nos bares, das pessoas que não tomam atitudes contra os verdadeiros responsáveis pela sua situação.

formadores de opinião
É difícil ouvir o outro, mas ainda mais difícil é não se posicionar. Temos o instinto de defender o que acreditamos com unhas e dentes, tomando partido e repetindo discursos que não são nossos, perpetuando opiniões que são arquitetadas para esconder a real situação do país, da economia, da sociedade e do seu próprio emprego. Por mais que concordemos com a situação, temos que refletir sobre ela e não simplesmente aceitar; refletir inclusive se você está numa situação confortável, mas que outras pessoas não tenham conforto por essa razão. Criticar e questionar faz com que você tenha argumentos para debater, para defender sua opinião e ensinar outras pessoas sobre qualquer ponto de vista num debate onde os argumentos são vociferados e não debatidos. Quando conseguirmos criticar e debater sem que isso acabe em brigas ou discussões desfocadas pela emoção, então evoluímos para o próximo passo: uma comunidade unida e cheia de pessoas iluminadas, com seus dons e diferenças respeitados, livres e com oportunidades para mostrar talentos e habilidades sem medos ou preconceitos e assumindo suas próprias responsabilidades com consciência.
Muito Amor para todos!

Havia escrito este texto a bastante tempo, acredito que no ano passado.
Agora ele faz ainda mais sentido. Assistam o vídeo no canal Enquanto Allan Lucena sobre um exemplo de formadores de opinião na internet atualmente.

Compartilhem e curtam os vídeos. `^^´

sábado, 23 de janeiro de 2016

Projeto Arbmos - Mencontrei...

Eu queria muito que alguém chegasse pra mim, do nada mesmo, olhasse no fundo dos meus olhos e dissesse - Você é importante, acredite em você, não ligue para o que te digam depois disso, você importa e você é o melhor que você pode ser, faz o melhor que pode fazer, mas tem um longo caminho a percorrer. Só lembre-se: você importa. - Ninguém veio. E eu tive que continuar mesmo assim.
Hoje eu sou esse alguém e entendo o quanto eu importo, ainda que não esteja seguro de tudo que eu faço e não seja ciente de toda a minha capacidade. Eu importo. E eu me importo.
A minha batalha pelo entendimento acontece nas sombras. Ela ainda está acontecendo e continuará acontecendo até que eu deixe este corpo, até que eu esteja preparado para deixar de viver e enfim cessar minha existência como quem sou hoje, aqui neste mundo.
O que eu estou tentando fazer é encontrar a minha luz. E enquanto isso, eu luto e me divirto nas sombras.

Arbmos iertnocneM!



Desde então, quando acordo me chamo pelo nome, para que eu recorde quem sou.
Me coloco dentro de mim e não aceito ser menos, nem demais. Sou apenas o que sou hoje. E isso é o suficiente. E sei o que sei, não mais e nem menos. E faço bem o que me propuser a fazer, sem fazer mais do que preciso, nem fazer o que não gosto.
Desde então, faço uma oração antes de dormir, para agradecer pelo meu dia e para me lembrar que tudo que aconteceu, aconteceu porque eu permiti e não por bençãos do destino e dos deuses sem nenhuma intervenção de minha parte.

Desde então, eu me encontrei e não vou me desfazer das minhas próprias sombras, pois foi com elas que eu encontrei a minha própria luz.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Venta, Vento...

Poplars at Saint-Rémy - Van Gogh
Poplars at Saint-Rémy - Van Gogh
Venta, Vento! Continue a soprar.
Hoje a noite está tão linda, com a lua,
as estrelas todas e mesmo de madrugada,
nem parece noite. Acabou o dia
e continuou um dia iluminado.

Continua Vento! Venta em mim
e leva embora a solidão,
Busca um lugar seguro,
solitário e calmo, para ela.
No caminho me traz um rapazinho
pra morar no coração. E abre o nevoeiro
que se instalou no mundo sem permissão.

Vai Vento, vai ligeiro meu neguinho sem cor,
Voa de mansinho, sem provocar nenhum furacão!
Venta, menino travesso, parecendo Saci de tão arteiro.

Desarruma as folhas, espalha a areia, faz onda na lagoa,
Menino danado, Vento, vai voando e volta correndo na minha direção!
Vai meu menino, meu neguinho lindo, traz de volta uma paixão.

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Visite o meu canal do YouTube: Allan Lucena

Doe uma palavra - Piranha!

- PIRANHA!

Foi o que ela me disse, na cara dura. Mas a piranha mesmo, era ela. Se acabava por aí, bares, esquinas, avenidas, botecos, baladas e qualquer lugar onde tivesse alguém para flertar. Flertava, rodava de mão em mão, de boca em boca, de p... bem meu amigo, você já entendeu, não é? Piranha mesmo! Vagabunda que não sabia nem fazer conta pra saber quanto dava do dinheiro do aluguel. Tirava tudo do bolso dos bêbados e dos trocos do busão. Acordava, se lavava, passava um perfume forte pra esconder os cheiros de ontem, deixava a roupa de molho e saia depois do almoço, sem comer nada. Ia bebericar e beliscar o almoço dos peões de fábrica enquanto lhes dava alento e diversão. Conhecidíssima na vila, ninguém mais ligava para reputação, mas ninguém podia negar também, era uma piranha bonita. 1,75 de altura, pernas torneadas, cabelo preto e ondulado até o meio das costas, nunca estavam limpos, mas brilhavam muito, a pele era morena de tanto tomar sol na rua, por viver perambulando de bar em bar, de dormir na praça quando cheirava de madrugada. Era bonita a piranha.

- Só não me chama de puta, hein!? Que eu viro bicho!
- Puta, puta, puta puta puta! - gritava o "seu" Firmino, o bêbado mais gente boa que você poderia conhecer. - Nem ligo! - E caia na gargalhada.
- Puta é sua mãe, seu bêbado desgraçado!
- Puta e mãe de 10. Puta mais dava de comer pra nóis tudo. Verdade, ocê num é... - soluçou e demorou pra recuperar a voz - num é puta. É... - pegou todo o fôlego que pode e soltou numa palavra - PIRANHAAAA!!!
- Sô mêmo, Firmino. Sô muito! - E gargalhou também, enquanto piscava pro Zé da construção e roubava uma coxinha do Galego.

Piranha. Piranhona mesmo! Era assim que era conhecida.
- A Piranha vem aí! Segura os prato e fecha os bolso! - gritava quem a avistasse primeiro.
Ela não se incomodava, contanto que não se incomodassem com ela. Tinha sorte. Tinha sorte porque tinham pena da moça. E porque ela era bonita, bonita demais! Senão, já teriam-na espancado. Teriam deixado ela de lado, ninguém daria bola, ninguém daria comida, nem deixaria o dinheiro no bolso, metade pra fora, pra ajudar a coitada. Coitada. Foi abandonada, ainda criança, no altar. Cresceu louca, mesmo já não sendo muito certa quando aceitou se casar com o Marmelo aos 13 anos. O Marmelo era um traficante de meninas, ia casar com ela para levá-la para Aparecida de Bom Jesus, só não deu certo, porque o pai da melhor amiga da Piranha descobriu tudo, pegou o Marmelo no caminho pro casamento e meteu três tiros no infeliz. E a Piranha ficou doida. Esperou até o outro dia, porque quando o padre foi buscá-la para fechar a igreja, ela estava dormindo de tanto chorar no carpete do altar. Seus pais ninguém conhecia, ninguém sabia exatamente como ela tinha chegado na cidade, aos 8 anos, com olhos cor de mel estatelados, uma bolsa com duas trocas de roupa, uma piranha nos cabelos e uma carta onde estava escrito só uma palavra: Desiree.

Femmes de Maison - Henri de Toulouse-Lautrec
- Eu não sou piranha, eu sou puta. 50 reais a hora. Topa?






Palavra doada por Whintney Polato
Escreve no blog Traga meu Café.
E é uma artista de muitos talentos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Banho de canequinha...

Há experiências na infância que normalmente nos deixam nostálgicos na vida adulta, como por exemplo, deitar no sofá para assistir filmes da "Sessão da Tarde", ter a mamãe cuidando de você quando está doente, comer aquele doce que marcou sua infância, enfim, podemos pensar em várias coisas legais, porém tomar banho de canequinha não é comum entre elas. Só que para mim, foi uma experiência bastante interessante, mesmo que forçada pelo imprevisto, porque além de relembrar quando isso acontecia na infância, me fez analisar outras questões da vida adulta. Numa fatídica sexta-feira a noite, enquanto eu tomava banho, a resistência do meu chuveiro quebrou e para minha (falta de) sorte, o único lugar que vende a resistência fechou mais cedo no sábado, ou seja, nada de banho quente até segunda-feira. Minha irmã e um amigo até foram comigo em algumas lojas para procurar, mas não encontramos nada. Então a única saída era enfrentar o banho tcheco!

Comecei a preparar as coisas que ia usar no banho, um balde para colocar a água, coloquei uma caneca de água para esquentar, escolhi uma das minhas canecas da coleção para o banho e lá fui eu, encher o balde de água fria enquanto a água esquentava, coloquei um som ambiente, acendi um incenso. A água esquentou e chega a hora de temperar o banho, coloca mais água quente porque ainda está gelado, coloca mais água fria porque ficou quente demais. E durante o banho, oportunidades. Molhe o corpo todo com a caneca, para ensaboar e esfregar com a esponja. Sem pressa. Sem pressão de chuveiro aberto gastando água e energia. E não, não é a mesma coisa que desligar o chuveiro, você vai para um banho de canequinha com outra mentalidade, você vai para um ritual de banho. Faltou um pouco de água na perna direita, molha mais e ensaboa, esfrega, sente a perna, você não tem pressa, não mais. Enxágua o corpo, tira o sabão fazendo carinho e deixando a água cair como você quiser. Não mais um conjunto de gotas que batem no corpo e expulsam o sabão, mas uma onda calma e pequena de água tranquila que desliza pelo corpo e leva a mão e o sabão juntos. No final, sobra um pouco de água ainda no balde e você despeja na cabeça, sente a água passando pelo corpo te acariciando. Morna, leve, gratificante.

Mary Cassatt - The Child's Bath
Mary Cassatt - The Child's Bath - 1983
Você sai do banho de corpo e alma lavados, porque não tomou um banho para se limpar da sujeira do dia a dia, mas um banho que foi preparado por você, do jeito que você precisava, com a água na temperatura mais agradável, sem violência ou pressa. Você se limpou com cuidado, com atenção. Precisou prestar mais atenção onde ensaboar e sentiu seu corpo, precisou prestar mais atenção onde jogar mais água e sentiu seu corpo. Preparar o banho, tomar o banho, sair do banho e cuidar de tudo de novo, devolver as coisas no lugar, lavar o balde e a caneca, é um rito, longo e só seu, mas esquecido. Hoje entramos no chuveiro, colocamos sabão na esponja e esfregamos o corpo rápido, passa shampoo e se enxágua com pressa, sai do banho já se enxugando e vai embora de volta para sua vida corrida. Esquecemos do poder que tem um banho, da beleza desse rito que não é só de limpeza, mas de purificação. E tomar banho de canequinha me fez perceber a violência do chuveiro, da água esguichada e não passada pelo corpo, me fez perceber que não temos mais costume de preparar nada antes, nem de aproveitar o durante, nem de relaxar no depois. Tudo é correria. Um banho me fez perceber que preciso de mais preparar para que minha vida seja mais plena, preparação para executar, executar com calma e aproveitamento e refletir o seu efeito de corpo e alma. Sem pressa.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Filme - The Normal Heart...

Antes de mais nada, quero que leiam essa resenha sabendo que entro facilmente nos filmes que assisto e que sou manteiga derretida, então eu choro com pouca coisa, mas esse filme me chocou muito. "The Normal Heart" fala sobre assuntos que hoje são batidos, mas nas entrelinhas há uma batalha política e social que não queremos enxergar e ignoramos sempre. Ninguém gosta de quem põe a boca no trombone para as coisas que fazemos errado e que se não fizermos seremos excluídos dos círculos privilegiados da sociedade, do emprego e da galera dos que vivem de acordo com o status quo, mesmo que isso reprima quem realmente somos, mesmo que isso faça com que tenhamos que esconder nossa verdadeira vontade e prazeres.

Tanta coisa pra falar sobre esse filme com um grande nó na garganta. Um nó chamado "bom senso" que é aquela trava psicológica que somos ensinados desde criança para não falar coisas que vão envergonhar nossos familiares e amigos. É o que acontece no filme que se passa em 1981 quando uma epidemia começa a matar gays. Assumir sua sexualidade era um problema e continua sendo até hoje. Ned Weeks não tinha problemas em falar sobre assuntos polêmicos e após a morte de um amigo para o "câncer gay" começa uma batalha para que a doença fosse estudada e para ganhar a atenção e o cuidado dos jovens gays que corriam risco de contrair a misteriosa doença que só afetava homossexuais. Durante a trama os amigos de Ned ficavam cada vez mais apreensivos com a forma com seu comportamento sensacionalista ao se expressar, aberta e sinceramente, mas enquanto ninguém mais queria falar sobre o assunto, muitos homens morriam dia após dia. Isso continua acontecendo, mesmo hoje em pleno século XXI, 2016 e as pessoas ainda não aprenderam que precisam tornar públicos os assuntos complicados e responsabilizar as pessoas certas sobre os problemas. Não adianta ficar especulando, toda a nossa cultura é baseada em esconder os problemas e essa é uma das razões pelas quais ainda vivemos com medo. Vivemos com medo de viver.

Voltando ao filme, as atuações são sensacionais, Mark Ruffalo está brilhante como o gay "boca grande" com toques femininos naturais e na medida certa, acontecendo em momentos engraçados e tensos do filme, como que para nos lembrar que os gays não são afeminados porque querem ou em ocasiões especiais, é sua verdade. Ele nos faz rir, nos faz chorar, mas especialmente nos tira da zona de conforto, fazendo as perguntas certas e gritando o que  todo mundo deveria gritar junto: Se não fizermos alguma coisa, nada nunca vai mudar!
Julia Roberts é outro ponto forte do filme e quando tem seu trabalho sobre o HIV negligenciado, nos mostra uma cena incrível em uma atuação que faz valer a pena estar atento ao filme. Jim Parsons faz um papel coadjuvante sensível, ele liga os amigos do grupo de ajuda para os gays e se destaca no humor. Matt Bomer fica com as cenas fofas do filme, quando começa a namorar com Mark, faz com que qualquer um acredite num relacionamento tranquilo, até que ele descobre estar infectado e protagoniza cenas tensas e plásticas com talento. Joe Mantello tem um personagem carismático e excêntrico, mas assim como Julia, tem uma cena que o coloca em outro nível perto dos outros coadjuvantes.

Além de falar sobre a homossexualidade, o sexo, a Aids e os problemas políticos e sociais que os envolvem sem preconceitos, o texto nos coloca na posição desconfortável de questionar todos os dias por que não falamos sobre o que nos incomoda e por que não deixamos de fazer algo que nos faz mal ou pode causar doenças, que no caso do filme é sexo sem camisinha (já que na época não se usava). Todas as discussões do filme são um soco no estômago de quem vive escondendo seus problemas e sua sexualidade, ainda que seja um assunto delicado por sermos vítimas de preconceito.
A beleza plástica das cenas, cenário e figurinos é bastante simples, mas algumas cenas impressionam pela fotografia. E o que mais me tocou, em todos os personagens há emoção sincera no olhar. Não há uma única cena em que os atores não estão 100% entregues aos personagens.

Este é um filme que todos deveriam assistir, mas que especialmente nenhum LGBT deveria perder.
Baseado numa peça de teatro escrita por Larry Kramer em 1985 para chamar atenção sobre a doença que dizimava as pessoas e não tinha a devida atenção, a adaptação do longa metragem The Normal Heart é dirigido e produzido por Ryan Murphy e HBO e foi lançado em 2014.

the normal heart

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Corpos...

Movimentos, reações, espreguiçar...
Cada, sutil, subir e descer do peito
De olhos fechados, despreocupados
É desse jeito que quero me lembrar

Aos poucos reclama algo ininteligível
Vira-se, como numa pirueta onírica
Desenha com os braços uma parábola
E me beija num abraço inconsciente

Fico louco com seu sono profundo
Seu carinho incomum que surpreende
Nos momentos impensáveis de sonho

Mais uma espreguiçada e um bocejo
Tenta abrir os olhos, mas sorri primeiro
E quem sonha sou eu, ao te observar...


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Frequências do mundo novo...

Espelho de frequências - Allan Lucena

Menos empregos, mais corações livres
Mais máquinas e sustentabilidade
Para mais tempo e mais viagens
Para tudo novo, mais humanidade

Acontecerá quando acabar o mundo
Não com fogo ou desastres, não,
Mas com ideologias que já existem
Propagadas pelos loucos imundos

Acontece que o povo está se transformando
Para renascermos, todos nós, mais juntos
Justos e livres, livres mesmo, sem preceitos

No barulho da transição, ainda acontecendo
O resultado é demorado, sim, mas vale a pena
Vamos comemorar num mundo sem limites

Tão limpo quanto céu azul.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

As coisas mais difíceis...

Em conversas casuais, você e eu,
descubro que não há nada difícil,
diferentes entre o modo de fazer,
fácil pra mim, difícil para você.

Nos nossos bate-papos, eu entendo,
não bate nosso discurso, trocando
farpas e fiapos, mas sem desentender,
falamos diferente sobre o mesmo assunto.

Nas horas de silêncio, que mais gosto,
o papo é olho no olho, expressivos,
sobrancelhas arqueadas e sorrisos.
Gosto muito da sua voz, mas disso...

Me deleito nas suas formas e caretas.
Faz-me muito bem ser seu espelho,
preso numa parede e... você me beija.
É um sonho que não perco, não me deixa.

Opostos, eu tenho todos os seus lados.
Não faz ideia do que eu posso, e eu,
eu não tenho ideia do que é seu colo.
Essa é a coisa mais difícil de nós dois.

Ela e Ele - Allan Lucena - arte digital

sábado, 9 de janeiro de 2016

Crítica do filme "Bekas, para o alto e avante"...

Enquanto fazia uma pesquisa sobre o sonho de voar, me deparei com o filme iraquiano "Bekas, para o alto e avante" (2012) do diretor Karzan Kader e que é um longa inspirado no curta de mesmo nome feito em 2010. Fiquei impressionado com o filme, levando em consideração que não deve ser nada fácil fazer um filme no Iraque, especialmente um que leve ao público questões políticas, a qualidade técnica é boa, a fotografia é excelente e, o que pra mim foi mais importante, o roteiro condiz com a realidade do pensamento e da situação dos personagens: dois órfãos pobres que vivem no limite da sobrevivência, duas crianças, portanto eles pensam, agem e falam como criança. Vi criticas ao filme sobre diálogo pobre, penso o contrário, ele é rico em mostrar a realidade e não o que o público espera ver.

Bekas conta a história dos irmãos curdos, Dana e Zana, órfãos da guerra criada pelo ditador Saddam Hussein no país, que vivem em condição paupérrima e ganham dinheiro como engraxates. Apesar de algumas pessoas ajudarem os dois, eles não tem casa e vivem ao relento. A história começa quando eles assistem o Superman numa janela no telhado do cinema e Zana, o mais novo, decide que vai para a America para encontrar o Superman e pedir que ele resolva seus problemas, batendo em todos que fizeram mal aos irmãos, começando por Saddam. A história se desenrola de forma surpreendente pois mesmo sem dinheiro e sem condições de conseguir passaporte e passar pelas fronteiras do Curdistão e do Iraque, Zana e Dana não desistem da viagem e fazem tudo que podem para chegar até o Superman.

Além da fotografia e da habilidade com que o roteiro trabalhou a visão inocente e inexperiente dos dois meninos, trata de temas muito cativantes como o amor, as travessuras das crianças quando querem atingir seus objetivos e de temas mas sérios, de forma indireta, mas sempre presente, como a guerra e a situação de guerra e desprezo que vive o povo curdo. Com momentos de humor e de drama na medida certa, Bekas é um filme que vale a pena assistir e guardar os meninos Dana e Zana no coração.
Para quem ficou curioso, o filme está disponível no youtube:

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Guerreiro de casa...

Algumas vezes, dá uma agonia...
As paredes sujas se destacam, as manchas te machucam, como se você você o responsável por elas, como se você fosse responsável pelo tempo que elas estão de pé. Não fui eu quem te construiu, lugar que habito, mas é aqui onde eu sofro. Sofro contigo pela nossa impotência. Cumprimos os dois nosso tempo de prisão, um abriga o outro, um não liga a mínima. O outro, ninguém liga pra ele.

De vez em quando o sol bate.
Ilumina a cor real das paredes sujas. Elas já foram puras, já tiveram também outras cores, recobertas, mas que ainda estão lá, da pra ver nas rachaduras. Coitada, nem teve escolha porque não foi questionada, mas quando o sol bate, há esperança nas suas cores manchadas. Só que o sol está lá fora e ele está aqui dentro...

Acredite, não é uma lamúria não.
Os patamares e as paredes, todas elas e todos eles são apenas um desabafo. Não quereria incomodar, mesmo se precisasse muito de sua ajuda, pois é assim que as coisas acontecem por aqui, são feitas por cada um sozinho, de forma autônoma, da forma que der. E sempre deu. Agora também vai dar.

É que, às vezes, faz bem desopilar.
Deixar as manchas vazarem, como quando chove. Deixar os poros limpos, como quando a gente sua de calor e de tanto correr atrás do prejuízo. Deixar também as lágrimas correrem, como quando chove lá fora e também aqui dentro.

Hoje chove. Amanhã fará sol.
Hoje eu não caibo mais e amanhã ele que não me cabe, mas não me deixa, passará desapercebido de novo pelo mundo inteiro. Minha companhia.
Meu guerreiro.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Doe uma palavra - Oxalá...




Palavra doada pelo amigo Mateus Fardin
Designer gráfico, Astrólogo e estudioso!
Administra a página Sahasrara Astrologia no facelivro.
Oxalá, meu filho! Hoje é dia de comemorar, pois estamos reunidos.
E entre nós está o velho que não tem idade, a criança eterna
e sem vaidade, brilhando branquinho, com as costas curvadas,
não do peso dos anos, mas de tanto dar risada!

Alegria, axé e esperança, pois entre nós ele dança
e num átimo as pessoas levantam, começam a rodar,
não é a toa, os sorrisos clareiam ainda mais o enredo.
É a paz que chegou e trouxe consigo só coisa boa!

Dança, minha gente, dança que aqui só fica a festa,
dança e manda embora o que não presta.
Dança e canta e sua na roda, meu filho, sua o dilema,
essa visita não falha, a alegria se espalha e axé toma conta!

Chega mais perto, meu filho, Oxalá é contigo, se acalma.
A festa vai parando e aos poucos a verdadeira paz chega.
Ele vai embora, para outro terreiro, para outra festa embalar.
Mas aqui, no peito de cada um, resta sua presença, sua luz.

Descansa, meu filho, amanhã é novo dia pra festejar,
acredita na pureza do seu próprio coração, sempre!
Ah, meu filho, cuida dessa paz que te dei, cuida de manter
a chama desse coração acesa, sem queimar. Oxalá...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Doe uma palavra - Música!!!

Se algo nos abraça, envolve e toma por completo é a música.
Ela é dotada de braços que acalentam e de mãos suaves que secam as lágrimas de quem chora. Também é capaz de fazer vazar os sentimentos presos, tirando lá do fundo do baú todas as palavras que precisam ser ditas, com uma melodia que torna tudo leve. Faz apertos rápidos e suaves para que ninguém saia mais ferido. E o alívio é imediato.

Mas ela também é sua melhor amiga nos momentos de alegria! Vai contigo para festas, dá o tom certo para o seu momento de curtição, abre os poros e no meio da pista, ela dança, pula, sua, extravasa, dá risada, grita e flutua com você por risadas e alegrias. O ritmo é crescente, as luzes, os passos, a cabeça que balança, tudo segue seu comando que não tem nada de mandatório. A gente erra o tempo, mas ela não erra com a nossa diversão!

Ainda mais na hora de acreditar, ela preenche nosso coração e facilita a nossa paz. Com a música certa, a mente se conecta num acorde às energias e benfeitorias de Deus, como se os anjos em coro transformassem seu corpo em prana e, ao fechar os olhos, você estivesse na presença do paraíso, iluminado pelas graças de sua benevolência.
Divina, gratidão eterna pelas notas suaves e gregorianas dos anjos por nos ensinar a musicar...

Para todo momento existe uma música, para cada pessoa um ritmo, para cada sentimento uma nota, que acaricia e acalma, que alegra e que salva. Todas as notas e acordes de uma música são, por eles próprios, pedaços do mundo todo, compondo a partitura da qual o universo inteiro, desde um minúsculo átomo até o maior dos planetas que orbita a maior galáxia, tudo isso é música que de tão simples, tomou forma e transformou-se na inexplicável sensação de entregar-se à experiência única que a música nos traz, como se estivéssemos vivos duas vezes. Ou mais...

"A dream... the piano." by Ana Inigo Olea
Palavra doada pelo amigo Danilo Demori.
Músico, cantor e uma pessoa de luz!

domingo, 3 de janeiro de 2016

2016...

Imagem do site PulpyPics.com




No terceiro dia do primeiro mês
de dois mil e dezesseis, comecei
a escrever o primeiro post do ano.
Tem que ser especial, mas simples.

Dois mil e dezesseis chegou com:
obrigações com as novas regras de
ortografia da língua portuguesa e
de viver com menos que já tinha.

Dois mil e dezesseis anos depois,
você ainda nem viveu 100 anos, mas...
Sabe que seus anos são suficientes.

Dois mil e dezesseis chegou pleno de si.
Não vai deixar ninguém na mão, não.
Chegou pra fazer você mais feliz!

Feliz 2016, o ano de fazer acontecer.