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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Doe uma Palavra - Curta Textos do Curta Cenas...

Neste final de semana, nos dias 19 à 22 de novembro de 2015 aconteceu o 12 º Festival Curta Cenas de Sumaré. O encontro dos grupos teatrais, os artistas, técnicos e organizadores foi incrível e merece ser continuado.
Além da amizade que com certeza continuará, do contato que manteremos, dos vídeos e das fotos que registraram todo o evento, houve uma urgência em mim para que ele fosse eternizado de outra forma: através de textos!
Por isso, fui pedindo doação de palavras a todos que quisessem, e compilei aqui algumas delas em textos, tanto em poesia quanto em prosa. Expressando em mais uma modalidade a experiência e a minha gratidão!

Doe uma Palavra - Curta Textos do Curta Cenas

Aprendizado
Allan Lucena / anjo

O que tenho comigo é simples gratidão
Com vocês eu aprendi e me diverti
Não tenho como quantificar, mesmo se
Tentando, não vou conseguir medir.

Os sonhos de grupos mais jovens e jovens
De grupos mais experientes que explodiram,
Transformando 15 minutos em eternidade.
Como se faz isso sem nenhuma pretensão?

Isso eu também aprendi, vi e senti
Em cada palavra, sorriso e intenção,
Em cada explicação e na sóbredade.

Uma de cada vez, todas as histórias
Um de cada vez, todos os artistas
Um de cada lugar: uma só missão.

Início
Viviane / Coletivo Nós, Palhaços

Respeitável público!
Todos de pé, pois o espetáculo vai começar!
É dado o início da continuidade do nosso encontro.
É começado o meio dessa dramaturgia!

Houve o início do desconhecido,
Até que todo mundo ficou amigo
Tanto que nem queria ir embora.
Pois aqui está a chance de ficar,
Continuar em contato e deixar vivo
Tudo aquilo que é importante!

Aproveite, sente-se agora.
Pois o nosso espetáculo está só começando!
Chame todo mundo que couber na sua tela
E não deixe essa corrente se quebrar!

Bem vindos! 
Que comecem os espetáculos de se encontrar!


Olá
Wesley / Organizador

Olá!
Alô!
Quem é você?
Sou você!
Sou eu!
Estamos todos aqui, pode começar!
Então...

Olá a todos!!
Vamos aproveitar este grande espetáculo! Nossos amigos, nossas vidas e os ecos que isso causa. As luzes, as dificuldades, as alegrias que nos rodeiam e que complementam cada um, cada segundo.
Cada olhar, hoje muitos, estão todos aqui.

Olá!
Bem vindo!
Olá pra você!
Olá pra mim!
Olá e fim!

Divino
Deni / técnica de iluminação

Ah foi diferente, não é?
Eles estavam todos juntos e ninguém era estranho.
Não se conheciam. Não sabiam que estavam todos tão envolvidos.
Esperaram o momento certo e a poeira não baixava. Labutaram, um após o outro e hora após hora e nunca terminava, um encontro de meia hora, a cada turma nova. Meia hora e, de meia em meia, eles construíram tudo do nada.

Di.
Era de determinação e dividindo as suas angústias que eles entraram em harmonia.

Vi.
Eu observava, entende? Via tudo acontecendo, uma grande rede, concentrada pelas metades e pelos meios, pelas horas de poeira, lambuzadas e enroscadas no final das contas.
Eu via, via tudo.

No.
Era naquele lugar, dividido, subentendido e compreendido no coração, no espaço, no ar.

Respirando eu voltei a vê-los, dividindo eu fui compreendendo o quão divino era o momento em que, todos no mesmo palco, demos as mãos para abrir a cortina.

Afeto
Alex / Entre Corpos

Os efeitos coletivos
As grandes uniões
Acontecem fácil
É tudo certo, já!
O afeto que se cria
Numa onda de magia
Nunca pode se acabar.
Na bagunça de elementos
Entre sexos, corpos e mentes
Se esquecem de repente
Das disputas em questão.
Me afeiçoei demais...
Não largo mão, não!

Lindo
Rafael / Gargarejo

Me disseram lindo.
“Foi lindo!” e foi.
Meio desligado, sai atordoado
Tamanha a emoção.
Era lindo, não era?
Me perguntaram,
Só para confirmar.
Foi sim. Foi. Lindo!
Que mais podia dizer?
Sabia que o coração, ah
Ele não tinha palavras.
A mente extasiada
Não pensava outra coisa.
Lindo. Linda. Belo!
BRAVO! BRAVA!

Troca
Ricardo Miranda / jurado
Lilian / Entre Corpos

Duas pessoas pediram troca.
Todos trocaram sem reclamar.
Era muito orgânico, chegavam
Sentavam devagar, pianinho...
Num segundo instante riam
Juntos e concordando com tudo que se falava.

Mais duas, uma, três, seis.
Trocando de lugar, seis
Num só dia. E oito no outro.
Troca-troca?
Tem também. De tudo, tudo tem.
Sem nenhuma sacanagem.
Bem...
Pelo menos não foi além
Da pureza de uma troca
Que cabia mais que cem!

Vontade
Mário / Luiza Pinti

Tínhamos todos a mesma ambição
Sem deixar que a vontade passasse
Caímos na armadilha da arte
E no meio da festança, caminhamos
Dançamos, cantamos e comemoramos.
Cada vitória era a vontade de ganhar
Aliada numa só corrente,
Em que todo concorrente,
Mesmo sem troféu na mão,
Saiu de lá vitorioso pela vontade de união.

Intercâmbio
Cesar Póvero / jurado

Veio de onde?
Do Paraná. E você?
Minas. Tem gente do Rio.
E do interior de SP também.

Os sotaques misturados fica bonito, não é?
Parecem línguas diferentes. Mas olha:
Uma vem do Nordeste, outra do Norte.
Um vem de mais do Sul, outro de pertinho...

Que legal esse intercâmbio cultural, não é?
É gostoso conhecer tanta gente interessada,
Engajada em fazer acontecer o festival!

Se fosse antes de entrar, eu não falaria,
Mas hoje, depois do dia, sei que é amor.
Confirmado o presente dessa geração.

Leve
Maria Clara / jurada

Leve meu filho, depois você me devolve.
Não esquente com isso, eu tenho muito.
É importante que você me leve contigo,
Para que traga algo pra mim em troca.
Vai tranquilo e siga, leve, sem demora.
Vem de volta quando a leve brisa torna.
E não retorne sem bagagem cá embora.
Pois a vida e o encontro foram leves...
E logo leve, revigora.

Girassol
Laudemir / anjo

Havia luzes por todo lugar
Mas era noite, e nesta noite,
Não havia luar

Mas estava claro como o dia
E o mistério se estendia
Sem nenhum olhar se perder

Era noite de lua vazia, calada
Comprida naquele luzente,
Prendia toda a gente sem ar

Buscavam agora, saídos
No frenesi ardente de encontrar.
Onde estava aquele artifício?

Caminharam até as luzes,
Com medos crescentes e
No barranco, sorridentes:

Girassóis coloriam o abismo.
Iluminavam o lugar mais escuro
De um povo que acordou luz.

Encontro
Gabriel Augusto / Coletivo Nós, Palhaços

Mandei uma carta para cada um.
Era necessário a convocação, hoje é e-mail convite.
Na época era carta, convocação, necessidade
Que se tinha de encontrar-se com quem está longe.

Hoje foi encontro, de quem estava longe e veio,
Sem receio e de peito aberto para a reunião.
Ontem foi festa, comemorando o encontro de hoje.
Anteontem, era paixão, quando nos encontramos
Pela primeira vez!

Hoje eu tenho saudade de te abraçar, encontrar-me
Contigo de corpo e alma, ouvir com calma o que queria
Qualquer coisa que você, ele e ela, queriam me contar.
Ontem era a festa, para comemorar esse convite.

Hoje eu sou seu amigo e nosso encontro se tornará
Convívio.

Paralelepípedo
Gabriel Justino / Gargarejo

Andando em pleno meio dia.
Qual é a sua pira pra pensar na rua?
O sol a pino, meio dia de horário de verão.
Qual a necessidade dessa expressão?
Eu estava nu, ao meio dia, andando pela rua.
Eles me olhavam sem entender,
Mas eu sabia o que tinha que fazer.
Havia marcas de todos os paralelepípedos por onde pisei.
Havia mais que marcas, cicatrizes, havia raízes,
Ramas, flores e espinhos de todos os cantos que passei.

Parei.
Pensei...
Eles pararam.
E olharam...

Qual era a oração?
Ave Maria?
Pai Nosso?
Havia necessidade de santos e cantos pelo meio do povão.

Havia comoção, muitos olhos arregalados e os paralelepípedos marcados no meu corpo, quando chegaram os homens armados, moldados e incumbidos de manter o controle da nação.
O controle que não deixa que os paralelepípedos se expressassem pela rua e não no corpo de quem foi preso sem perdão.
Mas o coro se ergueu mais forte que a sirene do camburão e os artistas marcharam resistentes e salvaram seu bufão!

Cu
Caio / técnico de som

Como cabe tudo isso onde você me manda....
Manda? Ah vá!
Você não manda, véio.
Desencana, guarda isso em outro lugar
E vamo bebe uma breja!

Tu não curte? Eu gosto...
Eu não gosto, eu A-DO-RO!
Mano, que loko, eles dão tudo.
Ta tudo dentro do esquema
Sem enrosco...

De boa, não sei o que acontece, eu não curto essas paradas, mas se te faz feliz, manda vê!
Vai lá irmão, que no cu de quem gosta é refresco e ninguém mais tem que se meter.

Intoxicação
Guto / apresentador

Intoxicados e tensos, a plateia recheada de caras feias.
Preocupações, urgências e receios preenchendo o teatro.
Ele chegou. E num grito de boa noite, mandou pra longe
Tudo que estava errado.

Era cúmplice do humor, amigo íntimo do palhaço.
Não sabia ficar parado e num ritmo frenético,
Permeava a tensão, expulsando o mal humor.
Contava com a ajuda do público, que estava entediado.
Fazia da angústia riso, e do desastre gargalhada!

A lata na cabeça, da água que o passarinho não bebe,
Representava metade do povo que ria da sua piada.
Piada, que veio gelada, encarnada em princesa das neves.
Ah se ela soubesse, era ela quem iria gelar aquela lata pra gente!
Imagina, de repente, a lata quente, ficar logo congelada!

Deixa ir, meu rapaz, o calor dos risos e da falta de ar,
A dor na barriga e o encanto das crianças já mandou tudo embora.
A intoxicação, a briga, a disputa, o que eu pensava, a poesia,
A prosa, a pequena e a marvada! Foi tudo pras cucuias,
Com a simplicidade de uma boa e bem feita macumba apimentada!

Realmente, você não devia ter feito isso!
Ainda bem que fez! Obrigada!

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