Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

In.finito...

Aproveite o final de ano, é a liquidação total!
Entramos num ritmo de finalização no astral.
Tudo que estava escondido, perdido ou,
de alguma forma deixado de lado,
tem a oportunidade de ser resolvido e enterrado.

As pessoas tornam-se mais animadas,
Tomadas por essa energia do Natal,
Uma verdade, independente da religião,
As pessoas se unem e tem mais amor,
Seja lá qual for a intenção, amor e união.


Mesmo que não acredite em energias ou,
Se sua religião não permite entender a questão,
As egrégoras não precisam, como você, de autoafirmação.
Que tal deixar de lado a ignorância e aceitar?
A seita que dói menos é a que leva a gente a amar.

Aceitar nunca é fácil, para alguns, fora de questão.
E bater a cabeça num muro de equívocos é mais atraente,
Não faz questão de saber seguir em frente? Meu caro,
Fique bem aí no final da fila, pois aqui há evolução.
Não finalize nada, mas pergunte-se: Onde foi que eu errei?

Não é erro, é só seu desespero de seguir uma receita,
Vinda de uma terra distante e sem nenhuma fartura,
Preparada para submissão.
Sirva sua gente, o importante é seu irmão.
E isso só funciona onde os olhos pelos olhos não te deixam cego!

Aproveite, aproveitem todos! Os olhos estão salvos nessa lunação.
O fim de ano fecha ciclos que estavam em looping
Ele auxilia os mais perdidos a encontrar a salvação.
Ainda deixa os dias mais lindos com um monte de pisca-pisca.
Como é lindo terminar tudo o que precisava acabar!
Como é bom saber que um dia todos vão saber amar!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Loucura da Paixão...

Aos poucos amadurecemos e todo o tempo, descobrimos algo bom em ter experiência. A gente assiste, como num flash back, alguém passando pela mesma situação, mesmo acontecimento, mas com reações e aprendizados diferentes. E você percebe pela observação de longe, que aprendeu mesmo a lidar com aquilo, que cada um tem o seu tempo e sua forma de aprender e que todas são válidas.
Isso se repete, diversas vezes. De maneiras cada vez mais diferentes e você aprende com cada uma delas. Você aprende mesmo é a aprender. Deixa de se surpreender demais com algumas pessoas, não se entusiasma tanto com novidades, especialmente não se deixa tomar louca e cegamente pela paixão.


O romance acontece para os outros. Acontece a sua volta, mas você prefere a companhia dos amigos, dos livros, das coisas que te fazem bem pra sempre, de verdade. Você vê o romance do amigo terminando, você assiste casamentos acabando, e o romance estudantil que nunca morre, ainda persiste e capta em suas garras até pessoas mais experientes que você. Um amigo de longa data, morre de amores por meninas que não são suas, com uma mulher, filhos e toda sorte de certezas em casa. Mas o desejo e a paixão ainda gritam na sua orelha. Eu assisto essas cenas e ele me pede ajuda, só repito as respostas que ele já sabe, mas mesmo assim ele quer seguir em frente com a aventura juvenil, enquanto eu vejo seu coração em pedaços e uma vida toda andando pela corda bamba.

São as emoções e as incertezas da vida que deixam tudo mais interessante, pelo menos é o que me dizem os que se aventuram pelas sombras e se deixam inebriar pelo doce e delirante cheiro da aventura. Viver no limite! Não, não me agrada mais. Das incertezas da vida, já me basta não saber onde eu vou estar amanhã, ou onde vou trabalhar, com quem, como. No mais, as pessoas tem se tornado bem previsíveis. Das 7 bilhões de pessoas no mundo, esbarramos sempre com as mesmas e sempre com o mesmo papo.

É duro se encontrar sempre com as mesmas pessoas, pois assim você reconhece a distância sempre crescente entre vocês. Encontrar um amigo que não via a algum tempo, reconhecer nele o mesmo buraco que existe em você e saber que você não pode fazer nada, porque você não cabe mais ali, é um tanto desolador. Tão pequeninhos eles estão. Tão iguais, enquanto você andou milhas e continua aqui. Sem caber em ninguém, sem que te preencham também.
O romance que preenche os dois são diferentes. Um pretende e o outro entende. Um quer ver quem cabe, o outro quer aprender a preencher espaços diferentes. Um é um buraco endurecido e permanente. O outro deixa um espaço reservado, mesmo sabendo ser autossuficiente.

Acredito que é nessas horas que a gente aprende que as emoções e as incertezas da vida são realmente alegres, pois te distraem das diferenças. No fundo, todos somos loucos pelo mistério de deixar os momentos te guiarem e que te levem de quem você é, de onde você está, que aquela sombra te carregue por um tempo, quando seus pés estão cansados de caminhar. É assim que é a humanidade. Flutuar de vez em quando, pela leveza que a loucura da paixão nos dá de vez em quando...

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

19 Frases de mãe representadas em livros...

Conheci essa listagem no blog Conversas Cartomânticas do meu querido amigo Emanuel J. Santos (acessem, é muito legal) e fiquei com vontade de trazer um pouco para vocês sobre os livros que eu já li, essa brincadeira é muito gostosa! Espero que mais gente se identifique.

E vamos começar uma conversa sobre livros!
Eu te convido para um debate literário, é só comentar aqui no blog.

Frases de Mãe e meus livros:

1 - Eu vou contar até 3... Um livro que você não via a hora de acabar. 

Iracema - José de Alencar.
Não que o livro fosse muito grande, tinha 92 páginas se não me engano, mas que martírio. Desculpe, é um clássico Brasileiro, é muita coisa, sim, mas uma coisa que ele também é: chato!


2 - Se você falar isso de novo, te arrebento os dentes! Um livro que você não suporta que falem mal.

Sinceramente não consigo me lembrar de nenhum agora. Então vou usar o espaço para divulgar um livro que não aguentaria que falassem mal, apesar de ser quase impossível:
Eu, Robô - Isaac Asimov


3 - Se você correr vai ser pior! Um livro que você corre dele, mas sabe que um dia vai ter que ler. 

São muitos. Tenho tantos livros aqui que eu estou tentando ler, mas que fogem de mim, e que eu quero, mas não consigo ler.
Mas estou fugindo de uma série que comprei: Deixados pra Trás - Tim Lahaye e Jerry Jenkins.


4 - Vem comer se não esfria! Um livro que você leu logo que lançou.

O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman
Pensa num livro bom! Triplica! `^^´


5 - Você não é todo mundo! Um livro que todo mundo odeia, menos você. 

Acho que Rangers: A Ordem dos Arqueiros - John Flanagan
Apesar de ser um best seller, só vi um amigo ler e foi porque eu indiquei e emprestei os livros. Mais ninguém, não por livre e espontânea vontade como eu.


6 - Quantas vezes eu já disse para você não fazer isso? Um personagem que mais te irritou e fez burrada. 

Em Drácula - Bram Stoker, a personagem Lucy Westenra.
E nem da pra matar essa mulher burra e fraca! Nossa........


7 - Não, quando digo não é não! Um livro que você não lerá, não importa o quanto as pessoas falem bem. 

A Bíblia? É...


8 - Não mente para mim! Um personagem mentiroso ou um personagem que te enganou direitinho. 

Em Extraordinário - R. J. Palacio, o August me fez passar perrengue até o fim do livro, porque eu tinha um medo terrível de que acabasse mal.


9 - Coração de mãe não se engana! Um livro que te conquistou pela capa e a leitura foi ainda melhor? 

O Lobo de Gaia - Daniel R. Salgado.
Comprei pelo lobo na capa, além de adorar o livro, descobri que ele era o segundo da série. Comprei o primeiro e gostei também. Ainda bem que não prejudicou em nada a história.
Melhor de tudo, livro bom de autor Brasileiro.


10 - Tá chorando sem motivo por quê? Pera aí que eu vou te dar motivo para chorar! Um personagem chorão, que te deu raiva. 

O Último Elfo - Silvana de Mari
Yosh é o último Elfo da Terra. Claro que ele vai se sentir sozinho, mas ele não deveria ser tão chato. Comprei o livro por causa de ser sobre Elfos, não me arrependo, mas poderia ser melhor. Menos mi mi mi.

11 - Come só mais um pouquinho! Um livro que fez você dizer: Vou ler só mais um pouquinho. 

Quase todos... Mas um em especial foi A Batalha do Apocalipse - Eduardo Spohr.
Eu lia e precisava parar, mas só mais uma página. Só mais um capítulo. Só vou esperar o sono me derrubar para parar de ler.


12 - Quantas vezes vou ter que repetir? Um livro que você teve ou terá que reler para entender melhor. 

O Silmarilion - J. R. R. Tolkien.
Foi difícil de ler, pela complexidade dos personagens e a descrição detalhadíssima do início da história, então acredito que não captei tudo que o mestre Tolkien quis passar. Mas to sem muita coragem para ler de novo. Não agora. haha


13 - Não fez mais que sua obrigação! Um livro que você leu por "obrigação". 

Não me lembro de nenhum que tenha lido por obrigação...
Infelizmente tenho memória ruim pra essas coisas.


14 - Coração de mãe sempre cabe mais um! Os três próximos livros que você está louco para comprar. 

Sobre a Escrita - Stephen King
Rangers 8 - John Flanagan
365 dias Extraordinário - R. J. Palacio

15 - Isso, quebra mesmo. Não foi você quem pagou! Um livro que você emprestou e voltou irreconhecível. 

Nada, nenhum, ainda bem!!!!

16 -Você acha que eu sou sócia da Light? Um livro que fez você ficar até tarde lendo. 

O Código Da Vinci - Dan Brown
Eu ficava até às 5 da manhã lendo, depois de chegar da escola.

17 -Se eu for aí e achar… Um livro onde a resposta tava na sua cara o tempo todo e você não percebeu.

Não sei. Depende da resposta. Acho que nenhum livro deu uma reviravolta grande demais. Não ainda.

18 -Não te carreguei 9 meses pra isso! Um livro que você demorou uma eternidade para acabar de ler.

A Hora da Estrela - Clarice Lispector.
O livro é excelente, mas até engrenar, eu demorei bastante pra ler.

19 -Em casa a gente conversa… Um livro que você precisava falar com alguém sobre, mas não conhecia ninguém que tinha lido.

Senti isso com O Oceano no Fim do Caminho e com Filha de Feiticeira - Celia Rees.
São livros intensos e de leitura fácil, mas que eu não conhecia ninguém que havia lido.


E pra você, como e quais são os livros que compõem essa lista?
Espero seus comentários.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Doe uma Palavra - Curta Textos do Curta Cenas...

Neste final de semana, nos dias 19 à 22 de novembro de 2015 aconteceu o 12 º Festival Curta Cenas de Sumaré. O encontro dos grupos teatrais, os artistas, técnicos e organizadores foi incrível e merece ser continuado.
Além da amizade que com certeza continuará, do contato que manteremos, dos vídeos e das fotos que registraram todo o evento, houve uma urgência em mim para que ele fosse eternizado de outra forma: através de textos!
Por isso, fui pedindo doação de palavras a todos que quisessem, e compilei aqui algumas delas em textos, tanto em poesia quanto em prosa. Expressando em mais uma modalidade a experiência e a minha gratidão!

Doe uma Palavra - Curta Textos do Curta Cenas

Aprendizado
Allan Lucena / anjo

O que tenho comigo é simples gratidão
Com vocês eu aprendi e me diverti
Não tenho como quantificar, mesmo se
Tentando, não vou conseguir medir.

Os sonhos de grupos mais jovens e jovens
De grupos mais experientes que explodiram,
Transformando 15 minutos em eternidade.
Como se faz isso sem nenhuma pretensão?

Isso eu também aprendi, vi e senti
Em cada palavra, sorriso e intenção,
Em cada explicação e na sóbredade.

Uma de cada vez, todas as histórias
Um de cada vez, todos os artistas
Um de cada lugar: uma só missão.

Início
Viviane / Coletivo Nós, Palhaços

Respeitável público!
Todos de pé, pois o espetáculo vai começar!
É dado o início da continuidade do nosso encontro.
É começado o meio dessa dramaturgia!

Houve o início do desconhecido,
Até que todo mundo ficou amigo
Tanto que nem queria ir embora.
Pois aqui está a chance de ficar,
Continuar em contato e deixar vivo
Tudo aquilo que é importante!

Aproveite, sente-se agora.
Pois o nosso espetáculo está só começando!
Chame todo mundo que couber na sua tela
E não deixe essa corrente se quebrar!

Bem vindos! 
Que comecem os espetáculos de se encontrar!


Olá
Wesley / Organizador

Olá!
Alô!
Quem é você?
Sou você!
Sou eu!
Estamos todos aqui, pode começar!
Então...

Olá a todos!!
Vamos aproveitar este grande espetáculo! Nossos amigos, nossas vidas e os ecos que isso causa. As luzes, as dificuldades, as alegrias que nos rodeiam e que complementam cada um, cada segundo.
Cada olhar, hoje muitos, estão todos aqui.

Olá!
Bem vindo!
Olá pra você!
Olá pra mim!
Olá e fim!

Divino
Deni / técnica de iluminação

Ah foi diferente, não é?
Eles estavam todos juntos e ninguém era estranho.
Não se conheciam. Não sabiam que estavam todos tão envolvidos.
Esperaram o momento certo e a poeira não baixava. Labutaram, um após o outro e hora após hora e nunca terminava, um encontro de meia hora, a cada turma nova. Meia hora e, de meia em meia, eles construíram tudo do nada.

Di.
Era de determinação e dividindo as suas angústias que eles entraram em harmonia.

Vi.
Eu observava, entende? Via tudo acontecendo, uma grande rede, concentrada pelas metades e pelos meios, pelas horas de poeira, lambuzadas e enroscadas no final das contas.
Eu via, via tudo.

No.
Era naquele lugar, dividido, subentendido e compreendido no coração, no espaço, no ar.

Respirando eu voltei a vê-los, dividindo eu fui compreendendo o quão divino era o momento em que, todos no mesmo palco, demos as mãos para abrir a cortina.

Afeto
Alex / Entre Corpos

Os efeitos coletivos
As grandes uniões
Acontecem fácil
É tudo certo, já!
O afeto que se cria
Numa onda de magia
Nunca pode se acabar.
Na bagunça de elementos
Entre sexos, corpos e mentes
Se esquecem de repente
Das disputas em questão.
Me afeiçoei demais...
Não largo mão, não!

Lindo
Rafael / Gargarejo

Me disseram lindo.
“Foi lindo!” e foi.
Meio desligado, sai atordoado
Tamanha a emoção.
Era lindo, não era?
Me perguntaram,
Só para confirmar.
Foi sim. Foi. Lindo!
Que mais podia dizer?
Sabia que o coração, ah
Ele não tinha palavras.
A mente extasiada
Não pensava outra coisa.
Lindo. Linda. Belo!
BRAVO! BRAVA!

Troca
Ricardo Miranda / jurado
Lilian / Entre Corpos

Duas pessoas pediram troca.
Todos trocaram sem reclamar.
Era muito orgânico, chegavam
Sentavam devagar, pianinho...
Num segundo instante riam
Juntos e concordando com tudo que se falava.

Mais duas, uma, três, seis.
Trocando de lugar, seis
Num só dia. E oito no outro.
Troca-troca?
Tem também. De tudo, tudo tem.
Sem nenhuma sacanagem.
Bem...
Pelo menos não foi além
Da pureza de uma troca
Que cabia mais que cem!

Vontade
Mário / Luiza Pinti

Tínhamos todos a mesma ambição
Sem deixar que a vontade passasse
Caímos na armadilha da arte
E no meio da festança, caminhamos
Dançamos, cantamos e comemoramos.
Cada vitória era a vontade de ganhar
Aliada numa só corrente,
Em que todo concorrente,
Mesmo sem troféu na mão,
Saiu de lá vitorioso pela vontade de união.

Intercâmbio
Cesar Póvero / jurado

Veio de onde?
Do Paraná. E você?
Minas. Tem gente do Rio.
E do interior de SP também.

Os sotaques misturados fica bonito, não é?
Parecem línguas diferentes. Mas olha:
Uma vem do Nordeste, outra do Norte.
Um vem de mais do Sul, outro de pertinho...

Que legal esse intercâmbio cultural, não é?
É gostoso conhecer tanta gente interessada,
Engajada em fazer acontecer o festival!

Se fosse antes de entrar, eu não falaria,
Mas hoje, depois do dia, sei que é amor.
Confirmado o presente dessa geração.

Leve
Maria Clara / jurada

Leve meu filho, depois você me devolve.
Não esquente com isso, eu tenho muito.
É importante que você me leve contigo,
Para que traga algo pra mim em troca.
Vai tranquilo e siga, leve, sem demora.
Vem de volta quando a leve brisa torna.
E não retorne sem bagagem cá embora.
Pois a vida e o encontro foram leves...
E logo leve, revigora.

Girassol
Laudemir / anjo

Havia luzes por todo lugar
Mas era noite, e nesta noite,
Não havia luar

Mas estava claro como o dia
E o mistério se estendia
Sem nenhum olhar se perder

Era noite de lua vazia, calada
Comprida naquele luzente,
Prendia toda a gente sem ar

Buscavam agora, saídos
No frenesi ardente de encontrar.
Onde estava aquele artifício?

Caminharam até as luzes,
Com medos crescentes e
No barranco, sorridentes:

Girassóis coloriam o abismo.
Iluminavam o lugar mais escuro
De um povo que acordou luz.

Encontro
Gabriel Augusto / Coletivo Nós, Palhaços

Mandei uma carta para cada um.
Era necessário a convocação, hoje é e-mail convite.
Na época era carta, convocação, necessidade
Que se tinha de encontrar-se com quem está longe.

Hoje foi encontro, de quem estava longe e veio,
Sem receio e de peito aberto para a reunião.
Ontem foi festa, comemorando o encontro de hoje.
Anteontem, era paixão, quando nos encontramos
Pela primeira vez!

Hoje eu tenho saudade de te abraçar, encontrar-me
Contigo de corpo e alma, ouvir com calma o que queria
Qualquer coisa que você, ele e ela, queriam me contar.
Ontem era a festa, para comemorar esse convite.

Hoje eu sou seu amigo e nosso encontro se tornará
Convívio.

Paralelepípedo
Gabriel Justino / Gargarejo

Andando em pleno meio dia.
Qual é a sua pira pra pensar na rua?
O sol a pino, meio dia de horário de verão.
Qual a necessidade dessa expressão?
Eu estava nu, ao meio dia, andando pela rua.
Eles me olhavam sem entender,
Mas eu sabia o que tinha que fazer.
Havia marcas de todos os paralelepípedos por onde pisei.
Havia mais que marcas, cicatrizes, havia raízes,
Ramas, flores e espinhos de todos os cantos que passei.

Parei.
Pensei...
Eles pararam.
E olharam...

Qual era a oração?
Ave Maria?
Pai Nosso?
Havia necessidade de santos e cantos pelo meio do povão.

Havia comoção, muitos olhos arregalados e os paralelepípedos marcados no meu corpo, quando chegaram os homens armados, moldados e incumbidos de manter o controle da nação.
O controle que não deixa que os paralelepípedos se expressassem pela rua e não no corpo de quem foi preso sem perdão.
Mas o coro se ergueu mais forte que a sirene do camburão e os artistas marcharam resistentes e salvaram seu bufão!

Cu
Caio / técnico de som

Como cabe tudo isso onde você me manda....
Manda? Ah vá!
Você não manda, véio.
Desencana, guarda isso em outro lugar
E vamo bebe uma breja!

Tu não curte? Eu gosto...
Eu não gosto, eu A-DO-RO!
Mano, que loko, eles dão tudo.
Ta tudo dentro do esquema
Sem enrosco...

De boa, não sei o que acontece, eu não curto essas paradas, mas se te faz feliz, manda vê!
Vai lá irmão, que no cu de quem gosta é refresco e ninguém mais tem que se meter.

Intoxicação
Guto / apresentador

Intoxicados e tensos, a plateia recheada de caras feias.
Preocupações, urgências e receios preenchendo o teatro.
Ele chegou. E num grito de boa noite, mandou pra longe
Tudo que estava errado.

Era cúmplice do humor, amigo íntimo do palhaço.
Não sabia ficar parado e num ritmo frenético,
Permeava a tensão, expulsando o mal humor.
Contava com a ajuda do público, que estava entediado.
Fazia da angústia riso, e do desastre gargalhada!

A lata na cabeça, da água que o passarinho não bebe,
Representava metade do povo que ria da sua piada.
Piada, que veio gelada, encarnada em princesa das neves.
Ah se ela soubesse, era ela quem iria gelar aquela lata pra gente!
Imagina, de repente, a lata quente, ficar logo congelada!

Deixa ir, meu rapaz, o calor dos risos e da falta de ar,
A dor na barriga e o encanto das crianças já mandou tudo embora.
A intoxicação, a briga, a disputa, o que eu pensava, a poesia,
A prosa, a pequena e a marvada! Foi tudo pras cucuias,
Com a simplicidade de uma boa e bem feita macumba apimentada!

Realmente, você não devia ter feito isso!
Ainda bem que fez! Obrigada!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Agora eu sou um adulto...

Por quê eu não gosto de você?
Primeiro porque a gente não se entende. Eu vou falar, mas você não vai me ouvir. E você vai me repetir, sem saber.
Existe dentro de você um instinto animal, mais forte que a razão ou até mesmo que as emoções. Você não vai parar, porque não se importa, não faz diferença. Não ainda.
Só peço que entenda, para mim tudo isso é sensível, é visível. Enquanto você se perde em sua vida aqui na Terra, eu estou viajando pelo espaço sideral, sem perder o foco nem a firmeza do que faço neste plano. E nos outros planos.
Não podemos nos gostar. Não agora. Seria desperdício de sentimento, seria como adiantar o seu relógio. E sabemos que isso pode não dar muito certo. E eu sei que estou cansado demais para sair mais cedo e, na hora que voltar, não ter ninguém me esperando.

Eu sou um adulto agora. Agora eu entendo o que significa ser adulto, sem perder a inocência, simplesmente vivendo o agora como se fosse uma criança, mas uma criança que sabe o que faz, o que dizer e como articular as vogais com perfeição. As consoantes também.
Comunicação é importante deveras e agora eu deixo claro minhas condições, quase confissões, porque nelas me resguardei sem necessidade. Nelas me deixei guardar por incerteza e cuidado exacerbado. Mas não mais, não preciso de proteção daquilo que nunca me fez mal. Se proteger da verdade é fazer o caminho contrário, começando pelo final e querendo um começo feliz. Não é bem assim, não é? Seja conturbado ou feliz (porque acontece) o começo vai ser sempre mais difícil, depois você se adapta e aprende a lidar, conduzindo com atenção e muita paciência, para que enfim o final seja de completude.

É um prazer sem igual, sabe? Não se preocupar demais com o outro, pois você sabe que ele sabe se cuidar. Olhar de canto de olho e vê-lo andando com as próprias pernas. Que tudo que você ensina ele experimenta, busca entender, pondera e encontra as próprias respostas. Afinal ninguém é perfeito e cada um é particularmente mais familiarizado com um jeito, com uma forma de fazer que as coisas aconteçam. Saber que ele sabe buscar. Isso te deixa em paz.
Por isso meu caro, minha doçura, não podemos, não ainda, ficar juntos. Seria acelerar seu passo e atrasar minha corrida, seria dizer aos deuses, "estamos errando", como erramos na vida, sabendo do problema no ato, mas deixando de lado, deixando que tudo caiba de novo na ilusão de uma criança.

Só que agora, eu sou um adulto.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Um convite passarinho...

Ah... O Amor...
É engraçado pensar no Amor com A maiúsculo sem um suspiro, sem uma pausa dramática e sem um olhar perdido, mas ultimamente é só nisso que penso, é só assim que eu vivo. E tudo ao meu redor tem cheiros, cores, sabores e energias de Amor. Aquele com A maiúsculo. Sem tantos suspiros, sem perder o foco no que é importante. Carregado de uma força e intensidade determinadas e, como me disse um amigo, firmes e sinceras. Firmeza nos faz continuar de pé quando a vida nos chacoalha para tirar o que não presta mais, se você não estiver firme, cai também, então segura e fique forte. Isso é reflexo do Amor também, um dos alicerces para nosso bem estar.

Sem pausa dramática ou olhar perdido para não perder nada. A pausa existe porque é necessária, só que ela acontece quando algo maravilhoso me rouba a atenção, como certo dia segui um pássaro em pleno voo sem nenhuma razão especial e ele me presenteou com um momento real da sua natureza e do seu dia a dia que nos passa desapercebido demais, o pássaro voou com calma e maestria e, numa cambalhota no ar, pegou um inseto que voava distraído. A lei da sobrevivência, do mais forte, da selva, da natureza, que também é Amor. E depois dessa cena inusitada olhei pro céu crepuscular e sorri. Nada de drama, nada de me perder, o foco me trouxe um espetáculo natural que cada vez mais estamos fadados a esquecer. Mas veja você... Eu não perdi nada. É por causa daquilo lá com A maiúsculo, sim.

O Amor que eu penso e com ele aproveito mais e mais os momentos únicos de cada dia, sem pensar em registrar, contar pra ninguém ou mesmo compartilhar, apenas aproveito aquele tempo, e o tempo é muito importante, comigo mesmo. Não é egoísmo, todo mundo pode viver tudo que eu vivo sem depender de mim, sem convites, pois eu não recebi convites do pássaro ou do inseto nem mesmo do céu, eu só aproveitei o Amor, as energias, minha intuição me guiou e eu parei de andar num dia corrido, deixei o tempo parar por um tempo e fiquei com os dois pés grudados no chão, ouvidos atentos, olhos abertos e sentindo o cheiro do vento. Tudo está acontecendo a todo momento ao nosso redor. Basta você se permitir firmar o olhar e sentir o Amor deixando-o levar. Leve, leve. Como riso de criança numa manhã de sábado de primavera.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Lágrimas de alegria...

"Chico Davincci"
por Cayo César dos Santos Gomes
Não poderia imaginar que no meio de uma semana estressante e cansativa eu seria recompensado com tanta emoção. Com lágrimas! Lágrimas de alegria e de pureza que vieram de pessoas desconhecidas, aleatórias, de suas histórias e, algumas vezes, só da sua presença, do olhar nos olhos (e que olhos grandes ele tem) de uma criança que tornou-se especial só por que sei que ela existe. Quantas recompensas cabem numa semana ruim? Quantas emoções cabem numa pessoa só?

Um menino de olhos grandes e voz doce, inocência mais que característica, uma criança muito especial e sensível, que me lembrou paz só de ver, que me preocupou ao ouvi-lo assustado com uma surpresa que era boa e bonita, mas que o pegou desprevenido e chocou, mas logo aliviou. O menino que gritou de susto, agora sorria contente, vendo as novidades mais de perto, vendo tudo com seus enormes olhos castanhos. Tão lindos e brilhantes. Tão curioso e animado, sem que isso o tornasse bagunceiro ou mal educado, uma criança extraordinária. Ele era mais que uma criança, era um anjo, que me tocou e me deixou feliz só de tê-lo conhecido. Só de poder falar com ele e ter olhado nos seus olhos inocentes, vivos como nunca vi; e puros. Eram de luz.

Uma senhora que se deixou emocionar, e me deixou emocionado, e me fez mais feliz num dia de loucura. Ela agradeceu e com lágrimas nos olhos, chorou sentido. Não parecia que era só o lugar, a decoração e o evento em que estávamos, mas que havia outra razão para tamanho sentimento, parecia que havia uma dor que estava sendo drenada e levada embora por um sonho realizado, por um espirito que sofreu por muito tempo e que encontrou um pouco de paz e acalanto onde não imaginava poder encontrar. Ela me olhou sem muita firmeza e agradeceu, agradeceu e me senti preenchido de uma preocupação fraternal pelos seus sentimentos, pelo que ela estava passando lá dentro de um peito que agora deixava vazar, transformando dor em alegria, lágrimas em sorrisos e palavras em poesia. Meu coração estava feliz, minha alma se despreocupou e eu relaxei ao ouvi-la sorrir com os olhos cheios de água. 

E na hora do descanso, assistir alguma coisa na televisão e então o que eu vi, mesmo sabendo que é ficção, me deixou chorar tranquilo e revigorado pela esperanças de amor e amizade, com a certeza de que cada um de nós é especial do seu jeito, únicos. Lembrar dos amigos, da família, dos pequenos presentes que recebemos quando menos esperamos. Mesmo cansado, chorando eu estava lavando minhas dores físicas e espirituais, mesmo me sentindo não tão bem como deveria, agora eu estava me deixando revigorar, praticamente revivendo!
Por essas lágrimas que me tornam tão humano, por esses sentimentos que me fizeram tão bem eu agradeço. E fico em paz.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

E se...

Vedran Blazinic
E se um tempo atrás, eu tivesse apertado o passo
E feito meus desejos mais íntimos uma realidade
E escolhido pagar mais caro, fazendo mais gastos
E com isso arcar com as consequências, os atos...

Teria comprado o carro que queria, a minha espada,
Teria viajado mais nas férias, encontrado os amigos
Teria me encantado o amor, mesmo o de interesse
Teria amado alguém? Teria ao menos tentado?

Eu não sei responder essas perguntas, é só que hoje
Eu me deixei reviver algumas passagens da vida...
Eu não sei o que seria de mim se eu tivesse mudado,
Eu seria diferente? Eu estaria mais magro ou ricaço?

Só sei que pensar isso mostra que não estou contente...
Só sei que não sei ao certo o que estou fazendo agora...
Só sei que tenho que mudar de novo, mesmo cansado...
Só sei fazer o que faço então, neste ensejo, renasço...

BOOM!

domingo, 1 de novembro de 2015

Amanhecer no campo de flores...

É acordar naturalmente às 06:00 horas da manhã.
Espreguiçar.
Olhar o céu, o sol raiar.
Tomar café com as flores
e saber amar...
Há café e fé, com amor,
em todo lugar
basta procurar sem pressa.
Bastaria amanhecer num campo de flores.

Amanhecer no Campo de Flores - acrílico sobre tela 16x22cm - Allan Lucena