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domingo, 7 de junho de 2015

Ode às mãos...

Num cantinho, todo escuro, estávamos de mãos dadas, os dois sem nunca termos visto nada do outro antes. Sem saber quem era quem no breu, mesmo tendo um passado, madrugadas inteiras, coberto de reflexões. Maldita hora da bendita tecnologia.

Nasce dum lugar que não se definia uma luz vermelha, e uma luz branca dava o halo de paz que não deixa o calor rubro subir o sangue. No ar uma música batuca, dando ritmo e completando as cores. Ahh o branco toma conta, rodeado de vermelho, que da vida as mãos.

Tum...               Tutum...              Tucutum...
Mão com mão, há uma pequena ação, leve menção de correr, movimentos trêmulos que guardam energia para o certo momento. Era involuntário. Uma mão puxa a outra. E começa a dança. O branco rodeado no vermelho ganhando força, tocam-se revelando os dedos espalmados, duma à outra mão do mesmo corpo, e a mão estranha se deixa dominar pela batida, pela luz, pelo ar. Rola pelo espaço, pelas mãos, pelo tronco.

Tututum... Branco!
Tucutucutum... Vermelho!
BARUMMM!!!

O ritmo aumentando aos poucos, a mão não era mais estranha ao corpo, que se sentia à vontade com as intermináveis voltas, apertos, passadas vagarosas e firmes daquela mão insensata. A forma mudava, alternando os dedos, a palma contorcia-se e esticava para fazer jus às curvas, e para se encaixar entre as mãos e o volume que crescia entre elas. As costas retas, os dedos fortes daquele ser invasor, tão frenético e delirante, saltavam das mãos para o corpo e do corpo saltava para o mais sensível dos pontos da cabeça, que enlouquecem a mente de qualquer um.

A luz agora plenamente vermelha sobrepujava o branco cada vez mais leve. Frenéticos movimentos chegando ao ápice da cena e os corpos moviam-se precisamente sem fazer qualquer barulho.

Paralisou-se o tempo e se houvesse como, fariam um registro completo daquele momento, com os sons do coração em uníssono. Tutucutum... Tum... Tutum... Tum... Tum... E a música abaixou a luz, nas costas de uma das mãos a outra repousava saciada, mesmo que ainda desejosa, mas plena, enrolada num braço apoiado na cadeira. Não houve aplausos para os corpos que sentiam a energia do espetáculo inteiro, e a força que expeliram era infinita. Não ouve aplausos pois os corações se abraçavam enquanto a luz vermelha sumia, deixando um halo branco pairando com o som satisfeito e pleno dos dois ao respirar...

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