Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

domingo, 31 de maio de 2015

frio...

poxa, que dia frio. a chuva passou por aqui e já foi embora, mas o sol não deu as caras. e o dia continua frio. bateu um sono, um arrependimento de ter levantado da cama. passou por aqui também a família, passou voando, apenas para fazer vento, fazer vento e deixar o frio mais gelado.
passaram as horas e o cobertor, meu amigo, não largou de mim. nem o frio. mesmo o frio não sendo meu melhor amigo já faz um tempo.

eu mudei um pouquinho. gostava de algumas coisas que não gosto mais. gosto de algumas coisas que nunca gostei antes. só não sei dizer o que mudou, nem como, não percebi acontecendo e o frio aqui comigo. algo ficou mais gelado com o passar do tempo, e divagando não sei dizer porque, nem pensando dia e noite eu encontrei razão. também não me encontrei mais com você.

viver sozinho, ficar quietinho, esperar com calma, lutar cada dia, cada batalha e seguir com o ciclo. é assim que eu fui ensinado e por mais que haja diferenças no percurso, o plano já estava traçado, e eu não percebi. nem reclamei disso quando me dei conta tarde demais. agradeci e segui meu rumo sem culpar ninguém, guardando pra mim a lição e o frio.

estou gelado, com a garganta doída; será o frio, será o vento ou será alguma coisa presa? deve ser a saudade do frio de quando era criança, que quando vestia calça e blusa comprida se sentia um super herói com capa e, quando colocava a touca em dias de muito vento, tinha até um capacete! eram os heróis da minha infância, o frio e a roupa comprida, mas eu não sabia. e hoje eles são minhas companhias. só por hoje.

é que hoje eu não sei de mais nada, e não sei nem onde estou, apesar de estar em casa. hoje eu estou perdido e com frio, com dor de garganta e sem saber o que preparar para o jantar. quem sabe macarrão? é domingo, ou talvez frutos do mar, já sei! omelete! talvez peça uma pizza se tiver dinheiro. o que eu queria era receber uma visita que ficasse, um amigo para conversar, ou um pouquinho de carinho. talvez desse tipo de alimento que eu estou precisando para finalmente me esquentar... É...


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Está nos olhos verdes...

Logan Lerman
Ele terá olhos verdes...
E nestes olhos sede!
Sede que me segue
e que ceda aos meus desejos.

Ele terá muito amor...
Amor que me enxergue!
Que não se entregue
sem saber onde vai dar.

Eu e ele seremos um...
Para sempre até acabar.
Devagar, mas sem pensar

Ele vai me fazer feliz,
Ele vai me fazer pensar...
E nós dois vamos acreditar...


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Blog: Mulher Sonhadora - Talita Nieps...

A Arte de hoje no Umikizu é da super energética Talita Nieps, ela começou a escrever a pouco tempo, mas encanta com a verdade em suas palavras e relatos. Para quem tiver a oportunidade de conhecê-la, vai perceber que cada palavra é autenticidade e entusiasmo puros! Por isso tenho muito orgulho em colocar aqui a arte da Talita, pois é de coração e tem uma energia super positiva!
Blog também é Arte e das boas! Especialmente quando transforma a vida das pessoas que leem. Parabéns pelo trabalho Talita! E obrigado por compartilhar aqui com a gente.

Confira toda essa energia boa da Talita, acesse: Mulher Sonhadora


Leia um pouco sobre o blog e o mojo que faz a Talita escrever:

"Decidi escrever um blog motivacional, onde conto um pouco da minha vida, mas também tento incentivar as pessoas a seguirem seus sonhos. Muitas vezes não ligamos muito para o que sonhamos, e é isso que quero resgatar com 'Mulher Sonhadora'. Compartilharei meus sonhos futuros e, quero com isso, quem sabe, ajudar pessoas que tenham os mesmos sonhos que eu, compartilhando informações valiosas e que possam ajudar."

Talita Nieps

é bailarina e amante de tecnologia, tem 23 anos e atualmente é professora de inglês, mas quer se formar Gerente de Projetos de TI. 
Gosta muito de escrever... mas escreve só por hobby mesmo! Tem uma admiração muito grande pelas artes em geral e se emociona (de verdade!) com óperas e espetáculos de ballet.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Realeza desprezível...

A nossa gente toda não passa de um punhado de serzinhos pequeninos e desprezíveis. Acredite ou não, essa é só uma maneira menos sofrida de compreender o nosso papel no mundo, e é só isso mesmo. Todo o resto depende de cada um de nós.


Você ainda está impressionado por ter sido chamado de desprezível. Se realmente está eu fico muito triste por você, afinal de contas, por ter ficado tão chocado em ser colocado no seu devido lugar, perdeu a segunda parte, que te faz senhor de si mesmo, lorde do seu destino e capaz de fazer absolutamente tudo que sua mente conseguir imaginar. Legal isso, não é? Então concentre-se no que importa e mude o foco.

O que é mais importante, o que acham de você, ou quem você é? Sinceramente? Não importa sua resposta. É fácil demais se importar com cada palavra que nos direcionam, ou que lemos por aí, e nos irritar, levar pro lado pessoal, ficar ofendido e fazer guerra! Eu faço muito isso, me condoo com injúrias que nem são minhas, e me desespero por ver o mundo fazer exatamente isso. Contraditório, eu sei. Humano eu diria. Estamos aqui para aprender a não mais reagir por impulsos, especialmente os explosivos e destrutivos. É difícil, ainda mais com todo mundo dizendo o quão difícil isso é, sem fazer nada para facilitar.

Nosso entendimento e atenção são limitados primeiro ao que nos parece comum, e depois disso reconhecido, só então nos preocupamos em prestar atenção no que está além. Se você se identifica demais com guerras, verá guerra em todo lugar que for. E por aí vai. Quem se acha mais que os outros, vai sempre estar rodeado de serzinhos desprezivelmente pequeninos. O que é uma pena, sofremos disso hoje em dia, já que os "15 minutos de fama" são toda a fama de muitos e facilmente sobe-lhes à cabeça, assim uma nova classe real é instaurada: a realeza efêmera e desprezível dos seres pequeninos. Tão iguais a toda a nossa gente, só com um pequeno problema com a aceitação de ser apenas mais um, esquecendo que é exatamente isso que o torna: um serzinho único.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sabedoria Zen - Chuang Tzu...

"O fácil é o certo. Comece certo e você estará sendo natural; continue natural e você estará certo. O caminho certo para seguir facilmente é se esquecer do caminho certo e se esquecer de que seguir é fácil."

"Todas as religiões tornam o certo, difícil, porque o difícil é atraente, atraente para o ego. Mas o ego não é a verdade, não é o certo. Você percebe o dilema? O ego só é atraído pelo difícil. Se você quiser que as pessoas sejam santas, precisará tornar muito difícil o seu certo, a sua verdade, a sua disciplina. Quanto mais difícil, mais as pessoas egoicas serão atraídas, serão praticamente puxadas como que por um ímã. Mas o ego não está certo. Ele é a pior coisa que pode acontecer a uma pessoa, e não pode lhe entregar o certo, a verdade, mas apenas fortalecer-se mais."

— Chuang Tzu


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Outros Condicionamentos - Alexandre Soares...

Respiro. Expiro.
Estranhamento me define. Me desfine.
Ao que era. Ao que sou.
Um casamento que foi desfeito pelo tempo.
Pelo processo doloroso e camuflado, a mudança.
Mudei. Viajei. Destranquei. Não sei se tranquei.

Às portas da confusão: estou aqui.
No fundo, claro, não poderia me faltar a canção que tanto me transpõe no velho e complicado vórtice temporal onde sou acima de tudo colocado e tudo vejo.
Agora, com um olhar mais estranho. Ao que chamam de maduro.
Algumas lágrimas que me vem aos olhos por um não sei porque.

É passado. Tornar à escrita eu ainda não sei.
Ou sei, mas sei que sei que não sei.
Novamente, torno a me utilizar de licença poética.
Vadeio pelo papel. Vadeio pela vida.
Não mandrio, vivo.
E agora sou um pedaço consciente.
E agora tenho que pegar em minhas mãos e tracejar com os olhos abertos.
E agora me tatuaram a palavra autonomia nas costas.
Na testa. Nos braços. No olho.
Eu olho.
Sou sujeito.
Sujeitamente sujeitado, tenho que me sujeitar.
É para isso que vim.
Para isso que fomos e vamos.
Sujeitem-se a si,
A sis (porque são muitos)
A meu pai eterno no céu (não esse céu que rola à boca solta, mas um lugar que só ele sabe e conhece, e que talvez jamais saberei em vida)

Minhas gratificações pela espera
Pela esperança
Pela bonança.
Pela boa vizinhança.
E pelos tantos momentos de deslágrimas (quem não souber, me pergunte) que tenho vivido.
Não sei o que escrever agora.
Paro, pego meu resto de bolo barato.
Meu leite ralo que quase não existe no copo.
Poemar. Poemar. Poemar.
Mar. Chorar?
Não chorei.
Nem tudo são lágrimas.
Quase sinto saudade das lágrimas.
Um condicionamento não muito salutar, que se vai e me deixa o gosto de falta.

Tenho um computador!
Tenho um diário!
Tenho um local pra jogar!
Tenho!
São poucas bobagens, simplicidades, em muito vaidades, mas que só me sabem escorrer pelos olhos um dia sofridos - e hoje regados - como o que chamam de felicidade.

Acho que se não tirar a música não pararei de escrever.
Outros condicionamentos…

Alexandre Soares
Estudante de Artes Visuais, tenho 20 anos e sou morador de Goiânia. Para mim, só algumas letras, desabafos. Para alguns, poema. Gosto de desenhar, e aquilo que escrevo é o meu pedaço mais sincero. Meu envolvimento com a arte começou em 2013 e, apesar de em um momento ter tentado me desligar, ela ainda faz parte de mim. Talvez eu seja feito disso. Ainda não descobri.

Blog: http://gritossuspiroseais.blogspot.com.br/ 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Mundo de valores...

Bom dia, gostaria de falar com você sobre valores...
- Poxa... já desistiu do post? Só na primeira frase?

Pois é.. eu sei porque. É que você vive uma vida tão perfeita, em que pode zoar dos seus amigos, zoar das ações das outras pessoas, ser tão descolado que todo mundo ri de qualquer merda que você fala, uma vida onde valores só importam quando acompanhados de cifras. "O que eu vou ganhar com isso"?
Tranquilo... você não vai ganhar nada de valor. Mas poderia ser melhor, poderia prestar mais atenção no que acontece a sua volta, mas isso não te leva pra lugar algum...

É uma pena, que tantas pessoas instruídas, bem empregadas, cheias de saúde e disposição, sejam tão mesquinhas. Mesquinhas, ridículas, podres e hipócritas. Ao ponto de olhar para alguém que passa necessidade e dizer que está assim porque não quer trabalhar, porque não quer estudar, porque o governo banca. Pior que isso, quando alguma campanha contra violência, racismo, sexismo, e tantas outras formas de preconceito são veiculadas, tiram sarro, acham desnecessário, acham apelativas demais. Pobres coitados os que vivem no mundo perfeito.

Desculpe, estou sendo muito irônico? Ah, tudo bem. Vamos ali visitar uma ong que está trabalhando no seu bairro e que tem centenas de pessoas que não sabem ler ou escrever, que não tem o que comer, que não sabem usar o computador e que não pronunciam direito o nome do WhatsApp? Vamos conhecer a realidade das mulheres que não são de família de classe média, que ainda sofrem preconceito só por serem mulheres e são discriminadas? Vamos conhecer a realidade do "neguinho" que vende balas no semáforo, o vagabundinho que pede dinheiro nas ruas, e melhor ainda, aquele barrigudinho que vem pedir um pedaço do seu pastel na feira aos sábados?

Não... esse povo é sujo, é fedido, é bandido, é tudo escória que não cabe na cidade grande. Será que eles não conhecem os seus lugares? Aqui, a gente tem respeito um pelo outro, a gente toma banho todos os dias, e ta cansado demais de tanto trabalhar para manter o sistema e o mundo EXATAMENTE como ele está. E é assim que tem que continuar. Porque é bom pra mim! Ponto! Sabe... só quero sair do trabalho, chegar em casa e assistir aquele programa de tv descontraído, em que um humorista que tem vários processos nas costas, continua falando mal, caçoando e denegrindo a imagem das outras pessoas! Isso é tão divertido! Comédia da vida real! Não é, não? Fala ae!

Não é não, né? A vida real é uma coisa muito diferente da que você vive. A classe média está vivendo uma ilusão tão grande! Tão catastrófica! Como a classe alta viveu no século XIX. Longe de tudo que é errado, ditando as regras do que é bom e do que é ruim, e a sociedade acatando tudo, porque eles são importantes.
Hoje a classe alta se esbanja e só move os trilhos em que a classe média acredita que tem poder, seguindo no caminho que lhes é dado, sem perceber, sem querer, seguindo em direção ao precipício. Trabalham para manter os seus "mestres da vida" que hoje também são os "mestres espirituais" de muitos. Dão o sangue para fazer girar a roda que mói sua carne aos pouquinhos e que leva 60% do seu capital por não ter nada a mais que levar sem causar suspeitas.

Parabéns. Esse mundo é o que construímos com tanto suor, com tanta luta, com tanta glória! Parabéns, você vive uma ilusão de que a sociedade é justa, que só o governo é corrupto e que tudo que não está nesse círculo é errado. Complementando tudo, tem uma mídia, a sua fonte de informações, tão boazinha que te envolve num mistério, reforçando o seu papel neste ciclo e fazendo com que todos trabalhem juntos pelo contínuo estado de apatia que vivemos desde que se sabe. Afinal de contas, manda quem pode, obedece quem tem juízo e o resto, é resto, pode ser morto e escorraçado, afinal de contas, esses são os papéis da nossa Organização.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Sua liberdade...


Você é um pássaro numa gaiola.
Tem tudo o que precisa, mas não está feliz, porque não pode voar. Pode escolher cultivar a tristeza de não voar ou a felicidade de um dia finalmente poder abrir suas asas e explorar o infinito ar.
Se cultivar a felicidade, correrá menos riscos, pois quando conquistar os céus, terá cuidado com os predadores, para que você possa curtir com prazer a liberdade.
Caso cultive a tristeza, vai querer tanto a liberdade, que no dia que consegui-la, pode ser um único dia de felicidade, até que encontre algo a mais para ficar triste.

Você é um pássaro numa gaiola. 
E a porta está aberta...

segunda-feira, 11 de maio de 2015

O Mago e o Homem - Laudemir Merlini...

O Mago disse ao Homem: - Posso realizar todos os seus sonhos, menos um.
Curioso o Homem indagou: - E qual é este “um”?
Mago: - O maior que há em seu coração.
Homem: - Sendo assim, pode ir-se.
Mago (admirado): - Mas... e todos seus outros sonhos!?
Homem: - Os outros, posso realizar eu mesmo, sozinho, porém consciente de que felicidade incompleta não é felicidade.


Laudemir Merlini

Professor de Língua Espanhola e Literatura; trabalha também com Revisão de Textos e Traduções (português-espanhol). Como ator atuou nas peças “Em busca do sonho”, “Luar em qualquer cidade”, “Café”, “A pequena sereia”, “O rei do cangaço”, “Rua da amargura” e “Paixão, vida e morte”.

sábado, 9 de maio de 2015

Não-Tempo - Danilo Pessôa...

Se desconsiderarmos o tempo, estou em todos os lugares.

Tal como um ser supremo, sou onipresente.

Estou em casa, dormindo ou no computador. Mas em qual das casas que já tive? Ou em qual das casas que terei?

Na faculdade, no colégio, no primário, e ainda não estudo, devido a minha pouca idade.

Estou jantando, feliz, com minha família. Estou sozinho, comendo doces, como se isso fosse aliviar a melancolia. É um dia qualquer, de um mês qualquer, de um ano qualquer. Mas também é natal, réveillon, meu aniversário e o dia da morte de um ente querido.

Está Sol. Estou na praia. Caraguá, Ubatuba, Rio de Janeiro... sinto a água caindo do céu. É também uma noite chuvosa.

Vejo pela primeira vez aquela pessoa que, pela ausência do tempo, já conheço tão bem.
Estou em Brasília, São Paulo, Araxá, Poços de Caldas, Sumaré, Caldas Novas e - por que não? - Miami, Johanesburgo, Pequim, Bagdá, São Luís... quais lugares estou, e que ainda não estive?

Se não considerarmos o tempo, eu ainda não sou, estou nascendo, vivo, acabo de morrer e já não existo mais.

Danilo Pessôa

O governo me chama de pessoa física, a igreja me chama de filho do Senhor e a ciência me chama de homo sapiens. Eu me chamo Danilo de Oliveira Pessôa, ou, simplesmente, Dan. Sou jornalista, ator, funcionário público, blogueiro, leitor, espectador e protagonista. - não necessariamente nessa ordem.

Blog do Dan: http://danpessoa.blogspot.com.br/

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O Descobridor da América - Wesley Silva...

THE DISCOVER OF AMERICA
(O DESCOBRIDOR DA AMERICA)
*Traduzido do Inglês Britânico
*Manuscrito encontrado numa garra no litoral brasileiro

19 de julho de 1348
“Eu, Eduard Wolf, estou aqui sozinho na porta de minha casa cheia de lembranças tristes e fúnebres, para não ser pessimista. Acabo de chegar do enterro dos meus pais, ambos vítimas desta desgraça que devasta a Europa, a peste negra, doença que a cerca de seis meses vem matando milhares de pessoas na Inglaterra. Não tenho muito o que fazer agora, além de escrever neste meu diário, sempre amigo, confidente dos males que passo frequentemente, que aceita estas quase sempre malditas palavras e as guarda com toda restrição.
Há tempos que ouço falar de uma nova terra, onde meus ancestrais celtas teriam já pisado, desvirginando suas praias, mas ninguém que tenha ido após eles voltou para confirmar se esta história era real ou não. Eu não tenho mais esperanças de viver em terras britânicas, amanhã mesmo partirei em meu barco em busca de encontrar esta terra nova, e juro por meus pais que não serei vítima desta terrível doença.”
Assim como havia escrito, no dia seguinte bem cedo Eduard, junto ao seu barco lançaram-se ao mar, sem a mínima noção de que o que ele queria era quase impossível. Quem iria imaginar que entre onde ele estava agora, e a tal terra nova, existia um gigante chamado Oceano Atlântico, que era muito cruel e poderia engoli-lo em suas águas sem nem mesmo perceber. Wolf deixava sua vida certa naquele país para se perder em incerto mar.
“Diário de Bordo, 20 de julho. A viagem está tranquila, já não vejo mais minha maldita terra natal. Durante o dia fez muito calor, mas bastou o manto noturno cair e o clima mudou. Está muito frio agora no convés. Sinto saudades da minha família, apesar de saber que eles estarão sempre comigo, também sinto falta dos meus amigos, mas este sentimento com certeza vai se desfazer conforme eu me distanciar da Inglaterra. Assim espero”.
Deitado em sua cama Wolf sente as águas do Canal da Mancha batendo em seu barco, que ele batizou de Fugitivo, ao tentar dormir pensa mais uma vez em seus pais, George e Mary Wolf. Vendo os dois felizes, correndo um atrás do outro, e assim por dias ele teve o mesmo sonho. Por três meses Eduard sobreviveu do que havia trazido no barco, pão e vinho. Mas o suprimento estava acabando juntamente a água pura e cristalina. As noites eram muito frias e ele se espantava ao ver as imensas pedras de gelo (icebergs) sobre as águas marítimas, que o fazia achar que ter bebido muito vinho e estava delirando.
“Diário de Bordo, 12 de outubro. O suprimento já está acabando. Estou quase sem água e poucas esperanças me restam de encontrar terra nova.”
            Eduard foi dormir e então sentiu uma pancada barulhenta vindo de fora do barco. No primeiro momento pensou estar sonhando, mas logo em seguida escutou novamente o estrondo e resolveu subir até o convés para ver o que estava acontecendo. Aves sobrevoavam o mastro do barco e o homem começou a comemorar, pois se haviam aves, haveria terra firme, e isso significava que ele havia conseguido, encontrou a terra nova. Ao longe viu um verde vasto na costa e o quanto mais sua embarcação se aproximava ele pode constatar que eram arvores.
            “Diário de Bordo, madrugada de 13 de outubro. Pisei em terra firme após dois meses e vinte e cinco dias, não sabia o que fazer o dia já estava amanhecendo. O local é muito bonito, cheio de árvores e aves cantando por toda parte. Agora vou caminhar e ver se encontro algo para comer.”
            Eduard caminhou por volta de uma hora e meia, mais ou menos seis quilômetros. Como não sabia caçar se contentou comendo raízes e pequenas frutas. Depois voltou para a margem, onde se encontrava seu barco. Com galhos e folhas de bananeira construiu uma pequena cobertura na praia e com alguns gravetos fez uma fogueira.
            Algum tempo depois o inglês se aquecia na fogueira, enquanto o limiar da noite, um som adentrava seus ouvidos. Parecia de pessoas cantando numa língua estranha e resolveu procurar a origem daquele som. Andou no meio da mata virgem algum tempo até que encontrou uns vinte homens pulando e cantarolando ritmicamente em volta de uma fogueira, com um tipo de bambu enfumaçado na boca. Ele ficou espantado vendo aqueles seres de pele vermelha e longos cabelos negros, de corpos pintados, e ficou bem quieto para que não o vissem. Ao tentar se afastar acabou se embaralhando nas arvores e chamando atenção dos nativos. Estes pararam o ritual e foram em direção a ele, que chamou atenção ao espiar. Eduard se afastava bem devagar, não ouvia mais os sons e começou a correr com certo pavor entrelaçado nos olhos, temendo a reação daquela espécie para ele desconhecida. Correu incessante com o suor deslizando sobre seu rosto e num olhar rápido e certeiro, a surpresa e o medo se demonstravam presentes no jovem, pois os pele vermelhas estava ao seu redor, com lanças e arco e flechas nas mãos. De repente, numa fração de segundos todos eles se ajoelharam e levantando as mãos ao alto gritavam: “Anhangá”. O britânico se espantou com aquela reação e ficou observando aqueles homens selvagens num rito de adoração para com ele, o tratando como um deus.
            Nesse espírito de “eu teocêntrico” ele se deixou levar e uma hora depois estava sentado em uma cadeira feita de bambus e cipó bem no meio da floresta. Isso o fez perceber a inteligência daqueles seres humanos que ficavam a sua volta dançando, cantando e o servindo com o mais variado tipo de frutas. Aquele idioma era estranho e para um homem criado no berço da literatura inglesa era no mínimo incompreensível.
            Os dias se passavam seguidos pela noite e assim foi-se uma semana. O estranho era que Eduard não aceitava as carnes de caças que aqueles homens o oferecia, era vegetariano.
            Naquela mesma noite dois nativos, fortes e armados se aproximaram dele e o seguraram pelos braços, enquanto um terceiro acertou uma lança bem no lado esquerdo do seu peito, atingindo o coração. Enquanto seu corpo agonizava, sangrando, Wolf se lembrou de seus pais antes de morrer dizendo: “I discovered the new world!”

28 de julho de 2014
Um paleontólogo estuda fosseis em um sitio de antigas tribos indígenas que viveram no litoral americano e encontra uma ossada diferente dos nativos.
Obs: Só mais uma coisinha. Estudos linguísticos sobre as antigas tribos indígenas constataram que “Anhangá” significa: Deus protetor das caças.

The end


Wesley Silva

Wesley Silva Oliveira nasceu em Uberaba – MG no dia 22/12/1984. Capricorniano, sempre gostou de literatura. Ingressou na faculdade de Letras, mas não terminou. Aos 22 anos mudou-se para Sumaré-SP, apaixonou-se e reside na cidade até hoje. Compositor, poeta e gestor cultural é funcionário da Secretaria de Cultura Esporte e Lazer de Sumaré.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Eu sou forte...

Eu sou o forte por aqui
Não deixo nada de lado
Tomo conta de tudo só,
Sem ajuda ou descanso.

Não dependo de ninguém
Não paro nos problemas
Quero, faço, e pronto.
A vida gira ao meu redor.

Quero acreditar nesse sonho
Nessa força que nem é minha
Me esforço, me desdobro todo

Quero companhia, mas a solidão,
Ela me cativa e tranquiliza, sim
Continuo sozinho até o final...

quarta-feira, 6 de maio de 2015

3 Haikai e 1 Pássaro - Ayron Barsan...

Para um pássaro,
Pousar num galho,
Pode indicar presságio. 
Para um pássaro,
Pousar em folhas,
Diz estar sem escolhas. 
Para um pássaro,
Sair do ninho,
Só diz ser desalinho.

Ayron Barsan
São Paulo, 27 de Abril de 2015.


"Embora alguns me chamam de Iron Man e outros Iron Maiden, pode me chamar mesmo de Ayron. Sou estudante de administração, mas busco viver a vida intensamente, logo, me deixo levar pela arte de atuar e escrever, todos os dias."

Visitem o blog do Ayron: Divagações de um Andarilho

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sua Arte no Umikizu!

Sua arte no Umikizu

O Umikizu está cada vez mais crescendo e dessa vez vamos abrir as portas para novos artistas que queiram fazer parcerias e divulgar seu trabalho. Todos estão convidados a divulgar seu talento e suas obras aqui no blog. Hoje é um dia especial para mim em que nasci novamente para a Arte. Foi no dia 4 de maio de 2012 que começou minha caminhada como artista e quero que este dia seja marcado também pela abertura desse espaço para mais e mais pessoas que queiram prosperar e viver da maravilha que é ser artista.

Para participar é muito simples:

- Envie sua arte para o e-mail allan@umikizu.com
- Adicione uma foto sua, ou que te represente.
- Junto escreva uma pequena biografia, mais ou menos 3 linhas, de quem você é e o que faz. 
- Caso tenha um blog, site, portfólio, mande o link para divulgar seu trabalho completo.

Eu não vou editar ou mudar a sua obra, nem a forma de escrita, nem colocar efeitos em fotos, nem marcas d'água. Aqui somos fiéis com a Arte e não permitiremos que ninguém mude a sua expressão artística. Porém, a fonte dos textos serão as padrões do blog: Trebuchet, cor preta, normal.

Quando enviarem imagens priorizem a máxima resolução possível para valorizar sua obra. Caso seja um quadro, tente tirar a foto mais real possível, com boa luminosidade e sem flash para não mudar a tonalidade das cores. Para desenhos no papel é melhor que sejam scanneados.

Todas as obras que receber vou passar um feedback para o autor por e-mail e confirmar quaisquer dúvidas antes de publicar aqui. Vocês poderão revisar e mudar o que for necessário, afinal é a sua ARTE.

Bem vindos e vamos encher o mundo, e a internet, de boa Arte!