Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Paixão passageira...

Hoje me apaixonei no ônibus.
Foi tão lindo, você me cativou.
O salmão da sua blusa brilhava.
E nos solavancos que a rua dava,
Você sorria.

Eu te olhava e você retribuía.
De rabo de olho, de esgueio.
Aos poucos, de vez em quando.
E eu me esperançava todo bobo.
Era uma passagem só de ida.

Fomos juntos até o ponto final.
E ao parar, na estação frenando.
Tu saiu voando na minha frente,
Como se nada tivesse acontecido.

Meu rumo era pro outro lado aquele dia.
E mesmo que não fosse, não te alcançaria.
Você me deixou sem cuidados de pronto.
Passageira ingrata, nem olhou pra trás...

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Dois passos pra lá...

- Oi, por favor, vá mais pra lá. Obrigado.
Não quero nem encostar, não quero ninguém colado em mim.
É que não estou com vontade de perder a concentração.
Ainda nem me encontrei, não quero perder o pouco que conquistei.

Mas o distúrbio é irrequieto, e aos poucos se aproxima.
- Amigo, já pedi, se aproxime da distância de mim.
- Desculpe. Mas até que te encoste, ainda estou longe.
- Não é bem assim. Sai de mim, que não quero nem mesmo te sentir.

Ele saiu. Tenho mais espaço para minha mente agora vazia.
Paz e um pouco de sossego. Só que me incomodava com ele.
Sua presença persistia, e minha cabeça não desligava da sua dança.
- Vai mais dois passos pra lá, vai? Me deixa pensar, eu imploro!

- Sente a música menino! Vem dançar comigo e se esquece...
Pegou minha mão, me segurou na cintura e carregou uma dança,
não era uma valsa, nem um jazz, mas era estranhamente bom.
Poderia ser tango, sempre quis aprender. Mas era uma dança qualquer.

Olhos nos olhos, os passos eram simples, dois pra lá, três pra cá,
um girinho no meio, nos separamos depois, sem parar de nos olhar.
Qualquer que fosse o objetivo do meu pensar, agora não era mais.
E dancei com aquele estranho, num desejo de jamais me afastar...

Estatua de David Wall, por Enzo Plazzotta - Londres - julho de 1985

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Tudo o que eu precisava saber, eu aprendi no Jardim de Infância...

Os adultos deveriam frequentar o jardim de infância de vez em quando...
Texto de Robert Fulghum.

A maior parte do que eu realmente precisava saber sobre viver e o que fazer e como ser, eu aprendi no Jardim da Infância. Na verdade, a sabedoria não está lá no alto morro da Faculdade, mas sim bem ali, na caixa de areia da escolinha.

As coisas que aprendi foram estas: reparta as coisas, jogue limpo, não bata nos outros, ponha as coisas de volta onde as encontrou, limpe a bagunça que você fez, não pegue coisas que não são suas, diga que você sente muito quando machucou alguém, lave as mãos antes de comer, puxe a descarga, biscoitos e leite quentinho fazem bem.

Viva uma vida equilibrada: aprenda um pouco, pense um pouco, desenhe e pinte e cante e dance e brinque e trabalhe um pouco... Todos os dias. Tire um cochilo todas as tardes. Quando você sair por ai preste atenção no trânsito e caminhe, de mãos dadas, junto com os outros.

Observe os milagres acontecerem ao seu redor. Lembre-se do feijãozinho no algodão molhado, no copinho plástico. As raízes crescem por baixo e ninguém sabe como e porque, mas todos somos assim. Peixinhos dourados e porquinhos da Índia e ratinhos brancos e mesmo o feijãozinho do copinho plástico – todos morrem. Nós também. E lembre do livro do Joãozinho e Maria e a primeira palavra que você aprendeu, sem perceber. A maior palavra de todas: OLHE!

Tudo o que você precisa mesmo saber está ai, em algum lugar. As regras básicas do convívio humano, o amor, os princípios de higiene; ecologia, política e saúde. Pense como o mundo seria melhor se todos, todo mundo na hora do lanche tomasse um copo de leite com biscoitos e depois pegasse o seu cobertorzinho e tirasse uma soneca. Ou se tivéssemos uma regra básica, na nossa nação e em todas as nações, de pôr as coisas de volta nos lugares onde as encontramos e de limpar a nossa própria bagunça.

E será sempre verdade, não importa quantos anos você tenha, se você sair por aí, pelo mundo afora, o melhor mesmo é poder dar as mãos aos outros, e caminhar sempre juntos.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Esqueça-me...

As 7 horas da manhã, numa sexta-feira azul, jazia no chão de olhos estatelados o corpo que já foi meu. Olhando a cena por um tempo, era quase cômico, engasgou-se com o orgulho e morreu de tanta vontade de matar quem nunca lhe fez mal. Pobre empregado que lhe passou a perna por ser mais competente, nem sabe que cometeu homicídio culposo, mas já está absolvido de culpa e nem mesmo vai ter que ir ao tribunal, afinal sou eu o culpado, confesso.

Amigos, não haverá enterro. Deixei claro que devo ser cremado, e nu. Não haverá velório, eu insisto. Aos amigos caros, amigos que me queriam bem e que me eram queridos, haverá uma pequena surpresa, preparada já quando sabia que meu destino era o precipício. Deixei a mocinha da loja de flores de olhos arregalados como os meus estão agora. Bem, os do corpo estão. 
- Deixo esses nomes e seus respectivos endereços para que no advento de minha morte, todos eles recebam este presente em casa. Quanto fica?
- Como saberemos, senhor?
- Te aviso "do outro lado". Não se preocupe. - E nessa hora, arregalou os olhos, contendo as mãos de fazer o sinal da cruz até que eu virasse as costas.

Claro que quem avisou de meu desgostoso fim foram os jornais da cidade. A maravilha de morar numa cidade pequena, qualquer notícia é notícia, especialmente a morte do coordenador do departamento administrativo da única empresa de informática da região: "Morre engasgado o coordenador administrativo da empresa MBJ nesta sexta-feira 13 de agosto." Não se engane, esta é só a chamada. Foi uma matéria de meia página, mais falando da empresa que perdia um "grande funcionário" que de mim.

Não chorem por mim, e não reclame que não quero velório. Para se despedir de mim, faça em casa, ouça uma música, converse comigo em uma oração, não importa de qual religião, faça uma festa, beba um vinho ou uma cerveja, sei lá! Mas não adianta nada ficar chorando e falando coisas bonitas em cima do meu ex-corpo, eu não estou mais lá, agora é só uma casca que, espero, as cinzas voem bem longe e me levem pra onde eu nunca fui. Para Madagascar! Não me pergunte o porquê.

Quando receber o seu presente, por favor use-o bem. Não é pra gastar tudo de uma vez, nem para ficar sozinho. Aproveite bastante, e de preferência, faça um novo amigo. Me esqueça, eu já não existo. E quando nos encontrarmos no infinito, me conte quem ganhou a corrida de fórmula 1 do domingo. O resto eu quero também esquecer.


sábado, 11 de abril de 2015

Vamos Amar...

Eu entendo que você queira me provocar, vida.
Perfumes que me estimulam a imaginação, recobram momentos maravilhosos e me fazem sonhar acordado. Músicas que tocam do nada, com toque de carinho e letras que me condenam aos sentimentos mais puros e românticos. Aquecem o coração e aguçam os sentidos ainda mais.
Um junto do outro e já estou fora de mim, dopado pelo Amor que já quer sair do peito e abraçar com força, beijar com paixão e ficar perto, deixar rolar, realizar o possível...

Há amor em mim, no ar que eu respiro, em cada célula do meu corpo, em cada música que eu canto e especialmente nos sorrisos que carrego sempre comigo pra onde quer que eu vá.
Pode me desafiar, me estimular e mandar indiretas, não tem problema. Só não brinca comigo. Quero um caso sério. Em que dadas as mãos, nós possamos sair espalhando esse dom de amar.
Vamos juntos semear Amor, até que o mundo seja um jardim repleto de flores, frutos e novas sementes que esbanjam alegria e continuam a perenizar esse sentimento. Seja onde for.
Então, façamos! Vamos Amar!!

Há amor em mim. E sementes pra um jardim...

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Enormidade...

Sou do tamanho do meu Ser...
- Ah... Eu adoro essa sensação.
- Qual sensação?
- Essa sensação de que a gente é enorme, bem maior do que a gente realmente é. Dai você se mexe um pouquinho e parece que tem algo pequenino que você envolve pela sua enormidade. Por exemplo, agora estou sentindo como se minha mandíbula fosse enorme e meus dentes fossem do tamanho normal, dai quando eu mexo a boca ou bato os dentes, parece que eles são bem pequenininhos, fazem barulho lá longe na enormidade que é minha boca.
Nunca sentiu isso?

Ou então, quando parece que a gente ta sozinho numa imensidão branca. É uma sensação gostosa, que pra mim relembra a sensação de tocar no veludo. Difícil de explicar porque parece veludo, entende? A gente é enorme por inteiro, parece que cabe naquele imenso branco inteirinho, e ao mesmo tempo é minusculo! E pode andar pra sempre e fazer o que quiser naquele espaço que é só seu, todinho branco, limpo, livre!

Nessas horas nem da vontade de se mexer muito, só o suficiente pra confirmar que você está daquele jeito, ou naquele estado de enormidade. Um movimento pequeno das articulações, com os olhos fechados, você comprova e aproveita aquele estado que só acontece de vez em quando, normalmente quando está distraído e então percebe o seu tamanho verdadeiro e se desprende desse mundo doido. É uma epifania imediata que te liberta dos limites do corpo, ou nesse caso que faz a gente sentir o corpo solto, enorme, gigante!
Sentir o corpo enorme naquele espaço branco então é experimentar o "Nirvana", com toque macio e nostálgico de veludo...
- Você ta sonhando acordado. Vira pro outro lado e dorme. - sorri meu amigo - Boa noite.
- Ahhh, sonho essa sensação desde criança... Humm, boa noite...

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Lá no céu, comigo...


Ontem olhei para o céu e vi aquele quadro maravilhoso, pintado pela magia da natureza, e isso me trouxe uma sensação tão boa, tão gostosa. Também me fez pensar... Será que tem alguém vendo essa mesma paisagem e se deixando tocar como estive? Por esse encanto, beleza e sensibilidade, pintado em cores de entardecer, revelando sentimentos e tramando a chegada do véu da noite? Quantas pessoas dividiram essa visão tão bela, mas especialmente, olharam para o céu e sentiram Amor?

Será que você que dividiu essa visão comigo, também abre seu coração, faz uma prece e eleva aos céus sua esperança, como eu fiz? E juntos trocamos energias e compartilhamos esse momento único, eu e você? Não sei se é sonho, mas gosto de acreditar que vamos nos encontrar no futuro, e mesmo que este dia não seja lembrado, que essa troca, essa sensação gostosa e tão bela se revele no nosso encontro. Encontro que eu aguardo tanto, que penso tanto, que te convido a muito tempo.

E neste fim de tarde, te convido mais uma vez a vir me conhecer, para num leve toque aproveitar a noite, dançando devagar à luz da Lua, até o Sol raiar. Conversar e dividir experiências, só lembrando dos bons momentos, pois os desafios da vida e as tristezas se encerraram no passado, ficando naquele momento em que compartilhamos a visão mais bela que nos encantou e uniu pela primeira vez.

Quando estivermos juntos, encontraremos um no outro a liberdade para realizar nossos sonhos. E o que mais você quer? Eu só quero compartilhar junto contigo mais e mais tardes como essa. Assistir o entardecer ao seu lado e esquecer por alguns minutos que o mundo existe. Sabendo e feliz porque você está comigo. Então... Até o nosso encontro!