Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

quarta-feira, 25 de março de 2015

Cartas...

Eu escrevi uma carta pra você. Sim, havia escrito uma carta pra você Gabriel, pra te contar o quanto eu te odeio! Eu te odeio Gabriel, eu te odeio tanto, tanto, tanto!

Eu te amei, você não quis perceber, e numa ingenuidade cega me traiu, por poder! Por um poder que nunca será seu. Me traiu pelo Ego. Para segui-lo!
Louco! Você não é Judas, Gabriel. Não, não é seu papel sê-lo.

Veja que situação nos encontramos agora. Consegue perceber que tornamo-nos inimigos de uma guerra sem vencedores? Que estamos agora um de cada lado, numa batalha que eu nunca quis fazer parte, mas sua presença me obrigou a segui-lo. Não quero ser responsável pelo que acontecerá, mas não admito que você enfrente essa batalha sozinho. Haverá alguém te esperando para um duelo sem fim e sem razão.

O que poderia ser uma chuva de rosas vermelhas e suaves, tornou-se um banho de sangue. Carmesim, puro e quente que implorei por não ver.

Não queira me encontrar... Eu estou armado e protegido contra sua lábia. E seus lábios... Contra minhas dores. Contudo, nossos destinos não perdoaram os pecados que cometemos juntos. Nem sua falta de escrúpulos, nem meu sacrifício por amor.

No final da batalha estávamos nós dois em pé, feridos e famintos, com o olhar tão próximo que pude ver seu coração, agora negro. Um único golpe, e senti seus batimentos fortes, seus lábios próximos a mim. Lágrimas correram mais rápido que minha mão, e sua última palavra destruiu o que restava da minha existência. "Desculpe". E apagou-se.

Hoje erro por aí, de cidade em cidade, perdido na vida que você recusou. Em paz e sem uma espada empunhada, sem uma rosa apanhada e de mãos vazias eu me entreguei ao mundo, para que não haja mais guerras como as nossas. Nunca mais.
Não deu certo, não ainda. Mas a certeza que não tarda também não é minha. Se há castigo após a vida ou redenção dos que lutaram pelos seus ideais, então aguardo meu julgamento sem nenhum pesar.

Só espero não vê-lo novamente. Pois o amor ainda mora aqui comigo. E você nunca soube o que te fazia amar ou morrer. Sabe menos ainda depois da morte, sua doce enamorada...

sexta-feira, 13 de março de 2015

Sexta-feira 13, de novo...

Dia de Bruxaria
E mais uma vez é sexta-feira.
Todo mundo comemorando.
Não sei porquê esse alvoroço.
É sexta-feira 13, nada de novo.

Sabia que esse dia ia perder-se.
Deram-lhe outros significados.
Deixou de ser um dia sagrado.
Virou festa ao fim de semana.

Queimava-se incenso de mirra.
Dançando num círculo à Lua.
Era todo o bando na mata crua.

Saudade dos tempos de magia.
Os ritos cortavam a noite fria.
Brilhando forte ao amanhecer.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Dê um tempo...

Time to sleep...
Obrigado, agradeço de coração, Vida! Gratidão pela pausa que me deu, por esses dias que pude descansar e refletir. Tanta coisa acontecendo, dias cheios e mesmo assim eu nem dormir estava conseguindo. E os dias longos não me satisfaziam. As madrugadas não mais inspiravam. Eu me perdi.

Até que certo dia, acordo atrasado e perdido, depois de uma madrugada de insonia, leitura e várias tentativas de dormir mal sucedidas. Corro, tomo café e sem pensar muito saio de casa à pé na garoa, sem antes ouvir o subconsciente avisar: "Você não dormiu nada, cara. Deixa isso pra lá."
Não, eu tenho que ir, é minha responsabilidade, não posso faltar.

Desci a rua de casa, virei a primeira esquina devagar, encontro com meus amigos fazendo um belo churrasco. Me convidam na boa: "Chega ae cara! Come uma carninha." Afinal de contas, é domingo, dia de reunir os amigos, tomar uma cerveja e não pensar demais em nada.
Não, não posso agora, tenho um compromisso e não posso faltar. Já estou atrasado! Valeu.

Aperto o passo e ao virar a próxima esquina, dou de frente com motociclista. Fui carregado por uns metros, até que ele me derrubou no chão com força e sumiu na descida da rua dos ônibus. Que dor horrível. Filho da mãe! As pessoas do bar da outra esquina me socorreram, fui levado pro hospital, onde demorou muito para me atenderem. A dor já era minha, quase amiga, não fosse tão forte. No fim não foi nada grave e fui liberado para ir pra casa, mancando.

Alguns dias de cama para desinchar e sumirem os hematomas nas costas e na perna direita, anti-inflamatórios e relaxante muscular para ajudar, e dipirona enganando a dor. E tudo que posso fazer é agradecer esses dias de folga, de repouso e de reflexão. Gratidão pela pausa e pelo descanso que a senhora vida me deu. Lembrei que estava pedindo, não fazia muito tempo, por um descanso. A Vida ouviu meu desejo, e aproveitou o caso para me ensinar mais uma lição. Eu vou deitar agora, descansar só mais um pouquinho... pra esquecer dos problemas... pra relaxar e... depois... voltar...

domingo, 8 de março de 2015

Nu não, livre...

Ele estava nu! Nu em pelo!
Era ele e ele, sozinho, inteiro.
Estava sem roupas, sem zelo.
Estava perdido dentro de si.

Não seria sábio fazê-lo.
Mas não havia problema
Não para quem o via.
Era só uma poesia viva.

Encorpado, num corpo sem cuidados
Havia tudo que em qualquer outro tinha
Corpo de homem. Corpo pelado.
Era um corpo, mas havia mais à vista.

Aliás, não havia, e tudo estava exposto.
Não havia vergonha, não havia falsidade.
Não estava pelado, estava nu, sem medos.
Estava nu e aberto aos olhos sem pudor.

Mas que vergonha! gritou um senhor indisposto.
É uma maravilha! suspirou uma estudante.
Será uma pegadinha? Indagou uma senhorita.
Era um corpo sem embalagem por inteiro.

Parado, observou os passantes e riu-se.
Sacudiu-se todo, como se dançasse.
E em passos longos, braços no ar, girava
Passeou pelo gramado, cantarolando baixo.

Ouviu um som agudo, e o giroflex ligado,
Foi levado algemado para o primeiro DP
Julgado e condenado pela liberdade de ser.
Foi preso e morreu vestido sem seu querer.

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Um vídeo muito legal me chamou atenção quando pesquisava para o texto. Uma montagem do Musée d'Orsay que representa algumas obras de arte com o tema do homem nu.


Masculin / Masculin - Musée d'Orsay
Filme de Titi Gonzalez Garcia e David Kammenos
Direção artística e música de Lorenzo Papace

Obras representadas:

William Adolphe Bouguereau (1825-1905)
Egalité devant la mort, 1848

Jean Jules Antoine Lecompte du Noüy (1842-1923)
Mart pour la patrie, Salão de Arte em Paris de 1892

Jacquer Louis David (1748-1825)
Académie d'homme, dite Patrocle, 1780

Hippolyte Flandrin (1809-1864)
Jeune Homme nu assis au bord de la mer, 1836

Karl Sterrer (1885-1972)
Atlas, 1910

Eugène Fredrik Jansson (1862-1915)
Epaulé-jeté à deux bras II, 1913

Eadweard Muybridge (1830-1904)
Animal Locomotion. PI. 347, 1887

Paul Cadmus (1904-1999)
Le bain, 1951

Kehnide Wiley (1977)
Etude pour La Mort d'Abel, 2008

Henri Camille Danger (1857-1939)
Fléau!, 1901

Pierre et Gilles (1959 e 1953, respectivamente)
Mercure (enzo Junior), 2001

Jean-Baptiste Frédéric Desmarais (1756-1813)
Le Berger Pàris, 1787

quinta-feira, 5 de março de 2015

O poder da Virgem...

"Antigas sacerdotisas da lua eram chamadas de virgens. 'Virgem' significava não-casada, não-pertencente a um homem - uma mulher que era UMA EM SI MESMA. A palavra deriva do Latim, significando força, habilidade, e mais tarde foi aplicada a homens como 'viril'. Ishtar, Diana, Astarte, Isis eram todas chamadas Virgens, o que não se referia à sua castidade sexual, mas à sua independência sexual. E todos os grandes heróis de culturas passadas, míticos ou históricos, eram ditos serem nascidos de mães virgens: Marduk, Gilgamesh, Buda, Osíris, Dionísio, Genghis Khan, Jesus - todos eram reconhecidos como filhos da Grande Mãe, a Força Original, e seus enormes poderes provinham dela.
Quando os Hebreus usaram a palavra, no original em Aramaico significava "mulher jovem", "donzela", sem conotações de castidade sexual. Mas mais tarde tradutores cristãos não puderam conceber a "Virgem Maria" como uma mulher de sexualidade independente; eles distorceram o significado para sexualmente pura, intocada, casta".
Monica Sjöö, The Great Cosmic Mother: 
Rediscovering the Religion of the Earth

Após encontrarmos este texto publicado no Facebook, que é autoexplicativo, fico pensando como foi fácil para algumas religiões deturparem a visão do Sagrado feminino, enquanto o Sagrado masculino foi transformado, ganhando um poder que não possui e perdendo o poder de fertilidade e cônjuge para assumir o de ditador. Porém isso não aconteceu do dia para a noite e foi trabalho dos evangelistas, que saiam de cidade em cidade, peregrinando e levando as famosas "palavras de Deus" aos povos de diferentes culturas. Em vários lugares porém eles encontraram conhecimentos nessas diferentes culturas e, desses encontros, nasceram as mais variadas formas que hoje existem das religiões cristãs. Infelizmente, nenhuma delas respeita as mulheres como faziam as religiões pagãs. E imagino que os cristãos ficarão chocados ao ver essa imagem de "Nossa Senhora" como uma vagina. Porém peço que reflitam, ela era uma mulher, santa ou não, possuía uma vagina.

No universo existem leis, nada acontece por vão acaso, e essas leis ficaram conhecidas pela compilação de Hermes Trimegisto como "Leis Herméticas", clique no link para conhecer as leis. Uma dessas leis é a Lei do Gênero: "O Gênero está em tudo: tudo tem seus princípios Masculino e Feminino, o gênero se manifesta em todos os planos da criação". Quando diz-se que o Gênero está em tudo, ele se apresenta em todos os seres vivos, de todas as formas e pode ser predominante ou não. Por exemplo: Um homem tem predominância do gênero Masculino, mas possui tanto cromossomos, hormônios e energia feminina, e com as mulheres o exato oposto. Por isso o Masculino e o Feminino são sagrados e importantes. Ambos são equivalentes e como a Luz e a Sombra, precisam um do outro para que possam existir.

Espero que todos reflitam e comecem a perceber a importância uns dos outros em sua vida, e a importância de cada vida, gênero, espécie e consciência para o seu mundo. Compreenda que antes das religiões, havia ordem no caos e que havia equilíbrio no mundo principalmente. Antes das religiões havia liberdade para os instintos e para a manifestação da sexualidade, individualidade e pureza que há em cada um de nós. Como eram os índios antes de encontrarem o homem civilizado, que viviam nus sem pudores ou preocupações com o físico, mas que seguiam a natureza e dela tiravam seu sustento e sua sabedoria.

Antes de mais nada, acredito que o respeito e o amor por si mesmo e pelos seus semelhantes pode nos libertar desses preconceito e preceitos tão limitadores que não mais combinam com a escala evolutiva da humanidade, nem com as manifestações atuais da sociedade que clama por respeito pelas diferenças e que elas sejam aceitas como são. As mulheres que já tinham sua conquista sagrada estão voltando a ser as líderes e poderosas rainhas mães, e essa tomada de poder vai ser a chave para a mudança que pede o novo milênio. Coragem mulheres, coragem para gerar essa nova vida para todos.

quarta-feira, 4 de março de 2015

A disputa...

O resultado do duelo
Existe um duelo na população, pois dizem
que há no corpo duas forças em constante atrito
e que mente e coração não se encontram,
quando chegam na equação, o amor e a paixão.

Qual é a vantagem de entrar em duelo?
Pra mim é ilusão, causada pelo descaso desse mistério
e de gente que tem preguiça, piedade do ego.
Deve ser mesmo é pirraça por amar sem ser sério.

Mas meu amor! Deixa disso.
O duelo só existe na filosofia furada
de quem tem o coração partido
e de quem não faz nada pra isso mudar.

Então me responda: qual a razão desse sentimento
que não tem conhecimento da ferida que causa por dentro?
E a cabeça nesse meio todo, fica perdida sem alento
e sem nenhum ressentimento, diz pro coração: não aguento mais!

Mas esse dilema não é meu
eu tenho a chave e a palavra
só preciso do gosto que ta na sua boca
e dos sons que batem no seu sentimento.
Tum-tum, tum-tum, tum-tum...

Então o povo acha que a razão bate de frente com o coração,
mas quando o sentimento se apaixona e se perde em juras de amor,
não sabem que na primeira vez, a paixão se aproxima sem leis.
E se não prende raiz, não há nada no mundo, que a faça feliz
acaba todo mundo aflito, sozinhos, cada um numa direção.

domingo, 1 de março de 2015

Crie seu caminho...

Esquerda ou direita? Pra frente ou pra trás?
(Artista desconhecido)
Tanto faz? Talvez. Quem realmente sabe?
Não nos ensinam a pensar nisso, só seguir.
Você vê possibilidades e prende-se numa.
Por que limitar-se em uma única opção?

É para sua segurança? Ou é só convenção?
Mesmo com duas pernas, o caminho é uno.
Há vários caminhos, é você quem escolhe.
Se não escolher, fica parado, perdido em si.
Ao passar do tempo falta-lhe vontade, só.

Para te facilitar a decisão, entenda assim:
Não haverá caminho sem o primeiro passo.
Vários caminhos são nenhum, se ficar aqui.
As possibilidades anulam-se, caso preferir
entre duas portas, tentar atravessar a parede.

Difícil avançar assim e é capaz que machuque.
Qual dos caminhos seguir, então? Você saberá.
Entrar ou não entrar? Meu rapaz, é sua vontade.
Deixar-se decidir é uma das suas possibilidades.
Sem pressão, não se cobre demais numa decisão.

Se estiver preso, solte as amarras com o perdão.
Encontre na mente intensão caso sinta-se fraco.
Se o terreno é escuro, peça ajuda e informação.
A luz do coração é a nossa guia mais procurada.
Decidir não deve ser às cegas. Vale a reflexão.