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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Quando te vi em meus sonhos...

Não sei dizer quando nem onde nos encontramos pela primeira vez. Os sonhos pregam essas peças na gente. Sei que te encontrei e foi amor à primeira vista. Passeamos, conversamos, tudo era tão sutil e tão verdadeiro! Eu estava com você e nada mais importava. Até que eu acordei e sua presença não foi embora, você estava ali comigo e nada do que sonhei foi em vão.

Sonhos são desejos em manifestação. Nunca desejei tanto te encontrar. Sei que estou pronto, mas não sei nada mais sobre você além do sonho bom que dividimos essa noite. Inegável, foi real.
E nesse momento eu sei que você existe, e eu estou aqui, contigo na pele, seu...


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Sumiu o espetacular crepúsculo...

Passeio ao Crepúsculo - Van Gogh
O céu, agora escuro, mostra só o que ninguém quer ver. Escuridão de uma cidade velha, com ruas sem ninguém e um miado bravio da orgia felina.
Uma vez por dia, essa escuridão desaparece com as esperanças, já que as estrelas não brilham através da poluição humana. E a Lua cansou de se misturar ao monóxido de carbono, escondeu-se em meio as nuvens e perdeu o brilho.

Mas a cidade quieta na penumbra tem guardados em cada prédio diversos sonhos, alguns pesadelos e poucos insones jogados pelos cantos. Serve-se aguardente no copinho de café, uns petiscos fresquinhos e no alto de uma torre um gringo toma whisky regado à música clássica. Cenário típico de uma periferia ousada, que se auto intitula cidade moderna.

E de lá surgiu certa vez um rapazote de incrível destreza manual, que esculpia em pedra e madeira suas lamúrias, tentativas frustradas de deixar a cidadezinha e partir pra capital. "De lá sim, poderia fazer arte que fosse boa pra fora do meu quintal". Juntou as trouxas, vendeu seus móveis, guardou o resto embaixo do braço e partiu à pé pro rumo errado. Caiu nas graças de uma diaba brava que lhe roubou tudo que já não tinha. Perdeu-se na penumbra de mais um dia, de um sonho com cor de  cinzas.

Sumiu o espetacular crepúsculo, donde a Lua não saia, nem arte ou rapazote sem alegria. E outra noite enevoada fez calar a gataria com o choro surdo e doído dos pesadelos ganhados pela pinga nos copinhos e pelo whisky batizado de um falso doutor ancorado na chaminé.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sinta...

Algumas vezes quando estamos distraídos temos momentos surpreendentes. Pode parecer besteira, mas dia desses no camarim eu estava sentado na cadeira de bobeira, brincando, quando fechei os olhos e fiz a cadeira girar. Um sentimento de leveza tomou conta de mim. De olhos abertos, eu fiquei zonzo, mas quando fechava os olhos, eu podia sentir o vento, sentir o espaço e a velocidade que ia bem aos pouquinhos diminuindo, pude também me sentir girando, experimentando uma sensação diferente dentro e fora de mim. Então me cresceu uma euforia, havia mais além de um simples giro numa cadeira. Talvez seja por isso que as crianças adoram brincar assim, porque você consegue sentir-se!

Deve ser a mesma coisa que balançar numa rede, de olhos fechados e de braços abertos. É uma sensação gostosa de suspensão, um pouco da liberdade que tanto queremos e não conseguimos encontrar. Saímos do corpo. É o nosso voar!
É tão bom, às vezes, tirar os pés do chão e "voar". Sem ilusões de que somos como os pássaros, sem ficar planando entre nuvens que nublam nossa visão do que realmente estamos fazendo, e mesmo assim sentirmo-nos livres!

Sentir-se por completo, pois todo o corpo se move e temos a clareza de cada canto do nosso ser. Sermos completos, num momento em que deixamos o mundo de lado e dedicamos um sentimento de paz focado somente em nosso bem estar. Uma risada gostosa que sai sem esforço com o frio na barriga de estar com receio de cair na real quando abrirmos os olhos. Não abra os olhos. Não ainda. Se a rede ou a cadeira pararem, mantenha-se por mais um tempo parado, na inercia segura de você mesmo. Permitindo esses segundos de paz para voltar ao seu corpo, pois quando estamos felizes a alma viaja e deixa essa dimensão para brincar de ser criança lá no mundo da memória.

Agora, depois de algum tempo de tranquilidade, abra os olhos devagar... E aos pouquinhos vá reconhecendo seu espaço físico. Primeiro dentro de você, seus sentimentos, depois o seu entorno e o que te toca, a rede ou a cadeira. E então o ambiente. Volte pra sua cena, para a realidade em que você é você, onde você existe e seu lugar para fazer com que seus sonhos aconteçam. Volte pra si sempre que precisar, e viaje para relaxar quando precisar tirar os pés do chão, centrar os pensamentos e fazer valer a pena essa sua história.

Volare! Oh oh oh oh!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

#1 Bi - Que inquietação!

- Pare! Será que não consegue ficar um minutinho só parado?
- Tá difícil! To ansioso, essa espera tá me matando! Como consegue ficar tão calmo!?
- Quem disse que estou calmo, criatura? Só não vou deixar isso tomar conta de mim, ou eu vou pirar. Respira fundo, vai tomar uma água e ver o dia lá fora. Tente se acalmar.
- Vou pegar um chá. Já volto.

- Melhor?
- Está chovendo lá fora, assistir a chuva, sentir o vento suave e tomar um copinho de chá, ajudou sim. É chá de camomila. - suspiro profundo. - Eu gosto.
- Vou pegar um copo. Já está adoçado?
- Sim, tá bem doce, e meio fraco.
- Não gosto fraco, mas tudo bem. Já volto.
- Tá, vai lá logo!

- Acabei pegando café, a menina trouxe bem na hora que fui buscar. Está quentinho! Quer um gole?
- Você queria que eu me acalmasse, agora me oferece café?
- Café me acalma, oras. - suspiro - Que delícia, não está muito doce, mas quente e forte. Posso até dormir agora.
- Tá com sono? Como pode pensar em dormir numa situação dessas?
- Que diferença vai fazer ficar acordado? O tempo não vai passar mais depressa, nem vai parar também. E estamos aqui. Pelo menos podemos descansar... Afinal de contas não vamos sair do lugar.
- Mas é exatamente por isso que não consigo me acalmar, nem ter sono, nem nada! Olha só, você acabou de me provocar, relembrei a inquietação! Ficar parado aqui chega até a doer, sabia?
- Não, o que tá doendo são as faixas. Mas eu já estou me acostumando. Já acabou o chá?
- Não me fale de chá! Quem vai querer tomar chá numa situação dessas!? Até a chuva parou. Abriu aquele sol! Olha esse sol!! Tá me queimando inteiro! Vou ficar todo vermelho de novo!
- Vamos dormir, vai. Eu to bem mais calmo depois de tomar meu café. To indo tá? - bocejando - Boa noite...

- Parece que funcionou. Ele dormiu.
- Vão lá e coloquem ele deitado.
- Desamarre as pernas. Agora leve-o pra maca.
- Bons sonhos, seu maluco.

- Hum... Obrigado...

sábado, 1 de novembro de 2014

Uma noite de prazer...


Uma noite quente e dois amantes na relva faziam o barulho do vento desaparecer.
Era quase meia noite, quase um orgasmo e eles deitados. 
Dez vezes mais não seria tão intenso ou tão selvagem.
Um uivo na escuridão da mata, alto, perdendo-se na noite.
Era noite de lua cheia. Dia de Halloween.

Amor e paixão misturados na sede do fim da primavera.
Estava quase na hora e eles não conseguiam parar, perdiam o ar.
Haviam deixado tudo para trás, pelo caminho percorrido até ali.
Não podiam mais esperar, pararam e então, o primeiro beijo.
A magia foi feita. Os deuses dançavam ao seu redor, celebrando Beltane!

As fogueiras são acesas por todos os lados. É o dia do fogo!
Hora de comemorar a maior de todas as bênçãos da humanidade.
Fertilidade e abundância, a época da luz. Chega o verão e tudo é sorte!
A dança na relva acelera em ritmo e intensidade. As canções eclodem por todos os lugares.
Iluminadas, mente e razão pulsam fortes, no sangue e na carne, cada emoção.
O coração ataca, queima no peito, é a noite da abençoada sensualidade.

Está chegando à meia noite, eles dançam, festejam, flutuam na clareira.
O ritmo agitado, batidas de tambor acompanham as labaredas envolvendo os amantes.
Todos numa grande roda, girando em espiral para trazer energias ao casal.
Paixão e pureza, ecoam no grito de prazer e tesão dos deuses, que agora são um.
As chamas saltam, fortalecidas iluminam as suas feições, deitados, olho no olho.
O suor que escorre no rosto, salgado e dourado pela luz do fogo, é agora mais bonito.
Os olhos brilham e música continua, os amantes se abraçam e a multidão grita.

A noite que não se abate, meia noite enfim, as corujas piam incomodadas com a claridade.
Risada e festa, o amor está no ar, nas gargalhadas e nos gritos de prazer que ecoam ao luar.
É dia de fogueira, festejar a luz do dia que fica mais tempo no céu.
Festejar a verdadeira magia, que faz do homem um ser sagrado. Instintivo e animal.
Sagrados e eternos os que participaram dessa noite, que vieram de longe para comemorar.
A união da luz e das sombras, no ritual em que dois são um, um para o outro afinal.