Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Aproveite o verão...

Olhos nos olhos. Desde criança brincávamos para ver quem piscava primeiro. Dessa vez seria para decidir quem piscaria pela última vez.
Olhos nos olhos...

Emílio viajou para a Rússia, foi visitar e ajudar seu amigo Yerik que estava sendo acusado de um crime, que segundo ele, não cometeu. Emílio é advogado e desde pequeno era o juiz das brigas e dos desentendimentos que presenciasse. Muito esperto, na escola costumava salvar os colegas que fossem perseguidos pelos encrenqueiros. Dessa forma tornou-se amigo de Yerik, quando o defendeu de três garotos mais velhos que não gostavam do estrangeiro ruivo e raquítico.

- Primeiro dia - Kuzbass
Cheguei em Kemerovo e antes de visitar 'Yek' fui até o Instituto Kuzbass de Economia e Justiça para entender melhor como poderia ajudar meu amigo, de acordo com as leis russas. Lá encontrei meu guia, Gustav, um colega de trabalho de Yek, que me ajudou com as traduções e me encaminhou para os lugares certos na biblioteca do instituto. Por mais tensa que fosse a situação de Yek, Gustav estava muito inquieto e isso deixou-me bastante desconfiado, devido ao histórico de amizades de Yek depois que mudou-se para cá. Com isso em mente, peguei tudo o que precisava o mais rápido possível e pedi ao guia para me levar a um hotel onde eu pudesse ficar tranquilo para estudar, e que fosse atendido em inglês para não incomodá-lo mais por um tempo.

- Primeiro dia - Noite no hotel
A família de Yek já havia me passado os documentos sobre a investigação do crime, que vim estudado durante o voo. A lei russa é muito abrangente e deixa várias brechas das quais eu poderia utilizar para tirar todas as acusações de estupro e tráfico de drogas. Na ficha de Yerik também encontrei que ele foi encontrado bêbado e nu, rindo muito e gritando que havia matado uma pessoa nas ruas do centro da cidade. Isso me fez lembrar dos olhos amarelos e dissimulados de Gustav. Estudei a minha proposta de defesa e fui dormir, agora era só esperar o contato de Yerik.

- Segundo dia - Parque das Maravilhas
Como não recebi nenhum recado de Gustav ou Yek, fui conhecer mais da cidade. No hotel, fui indicado a visitar o Parque das Maravilhas, um dos mais famosos da cidade e o orgulho dos cidadãos, era um terreno baldio até que à partir de 1926 foi sendo transformado no jardim da cidade de Kemerovo. É lindo e com muitos cafés e lojas, que eu aproveitei bastante para comprar souvenires para entregar aos meus amigos quando voltar. Agradeci por ser verão.
A noite fui assistir à uma peça de teatro no "Drama Theatre", conhecendo melhor o teatro russo, tão aclamado e famoso. Assisti uma peça juvenil: Наташина мечта - Sonho de Natasha.
Depois de um jantar maravilhoso sob a luz das estrelas no restaurante "Piter", desmaiei feliz no hotel.

- Terceiro dia - Encontro com Yerik
Acordei e havia um bilhete de Yek embaixo da porta. Achei bastante imprudente. Como estava desacostumado com o fuso horário, no bilhete havia o horário do encontro também no fuso de Londres. Deveria me encontrar com ele em um café chamado "Кофе-Терра". Gustav já deveria estar chegando para me levar até lá.
Quando chegamos, avistei aqueles cabelos ruivos, sempre muito bem penteados, de um rapaz franzino vestido de preto, sentado de costas para a calçada. Depois que entrei, dois homens trancaram as portas e fecharam as cortinas enquanto os funcionários deixaram duas xícaras de café na mesa de Yerik. Gustav deu um tapinha nas minhas costas encorajando-me a sentar e também saiu.
Olhos nos olhos, e o silêncio que explodiu no café me deixava nervoso. Entre eu e meu melhor amigo estavam alguns crimes e a fumaça que subia da xícara. Não estávamos brincando de quem piscaria primeiro e eu não sabia se deveria falar alguma coisa. Um medo crescente tomou conta de mim.

- Últimas imagens...
Um carro parou à porta do estabelecimento, portas se abriram.
Yerik desviou o olhar.
"Огорченный".

Gustav: Ele não vai mais poder te ajudar.
Yerik: Já ajudou... Соболезнования.

Desculpe.
Meus pêsames.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A ignorância política...

E deixem-me dizer que tomaram a decisão certa ao elegerem-me.
Nota-se que são gente que sabe do que precisam.
Enquanto a população continuar a apoiar os partidos e lutar à favor de um partido e contra as pessoas, estarão lutando pela manutenção da divisão de tudo e de todos, ao invés da união pelo bem comum.
Estou sendo utópico? Estou sendo infantil? Eu poderia rimar, mas vou ser diferente.

Amigos, entendam que existe sempre um outro caminho, não é só de partidos e dos candidatos, eleitos ou não, que se faz política, e só será feita a verdadeira política, quando a população parar de delegar seus direitos e deveres como cidadãos aos nossos servidores que abusam do poder que lhes concedemos para administrar. Governar não deveria mais ser usado.

Parem de querer tirar um e colocar o outro, tomem a responsabilidade de que quem colocou eles lá foi a maioria da população e vamos trabalhar para que o candidato eleito faça o que precisa ser feito. Ele não é uma celebridade ou um deus, ele é um de nós.

Parem de separar ser humano de ser humano. Parem de ver diferença onde não existe. Não existem classes, não existem partidos, não existem cores, sexos ou regiões quando o assunto é que todos precisam de água, ar, comida e segurança para viver, todo o resto é resto!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sonhos que dão nos pés!

Nas pontas dos pés que saltam
O sonho de ser uma eterna criança
No sorriso e na graça, uma aliança
Força e desejos de muita esperança

Nos movimentos bem coordenados
Coreografias que a todos encanta
Magia, histórias de um príncipe ou um sapo
Fundem-se hoje no mar da lembrança

Quantos enredos já performaram
Sem nenhuma palavra, a plateia amarraram
O ritmo todo nos pés encontraram

Um menino, de corpo e de alma
Que leva no peito o sonho e a calma
De dançar com a vida e sonhar nas alturas!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

É um pouco estranho...


Sentimentos. Silenciosamente sentado na escada da entrada de casa, não sabia exatamente o que fazer, nem onde colocar a cabeça, se nos joelhos, nas mãos, no chão. Talvez deitar aqui um pouco... 'Sim, vou deitar um pouco, talvez seja isso, só cansaço...' Não era. Deitei todo torto, ficou tudo ainda mais desconfortável. Inconfortável!

Estar apaixonado e ao mesmo tempo não saber o que é que se sente, o que está realmente espremido no peito, ou exprimido na face, que se contorce à presença de certas pessoas, impossibilitada de esconder os pensamentos que fogem de uma raiva infantil até uma coerente vontade de sair do lugar, deixar vagar e passar todo esse ressentimento que prende o ar.

Eles não sabem o que acontece na mente e no coração da gente quando passam perto de nós, sem intenção nenhuma, mas que o corpo magnético e cheio de magia, puxa o olhar de forma que nem mesmo pretendemos disfarçar para não ficar pior a emenda. Eles passam, a gente fica de olho, olhando nos olhos, no peito, no queixo. Eles passam e a gente fica aqui, sentado e perdido em ilusões.

E se eles não passassem? Seria diferente? A gente esqueceria? Não saberia responder, pois eles passam insistentemente, e é recorrente esse momento, todos os dias, e todas as vezes a mesma coisa, olhando, sorrindo, o peito se enche de algo mais junto com o ar.
O que é estar sempre do lado de alguém que é estranho? O que é ser um estranho quando todos te conhecem, mas no fundo não fazem ideia de quem você é?

Estranhamente a gente entende então que a relação não é dentre duas pessoas e sim dois desconhecidos. O que se passa no meu mundo pode ser exatamente igual para aquele ser que tanto admiro ou que tanto desprezo. Qual é a diferença? Os corpos, os ventos, os anos, mas os sentimentos, inacessíveis pela distância de ambos, podem ser gêmeos idênticos.

É tão estranho que pessoas tão próximas fisicamente tornem-se estranhas conhecidas, que se cumprimentam por essa tal educação, que lhes falta no restante do dia, e da qual fazem uso a contragosto. Mas estranho mesmo é o amor que se sente por esse estranho tão próximo de ser indiferente sobre sua realidade, sobre sua existência. Mais estranho que isso tudo, é ser estranho para si mesmo...

Me levantei da escada, entrei em casa, tomei um banho e me deitei de verdade na minha cama. A cabeça continuava pesada de tantos sentimentos e pensamentos sobre você. Um esboço de sorriso apareceu e uma lágrima secou no travesseiro. O que se passa aqui dentro não é capaz de esconder que os olhares são verdadeiros e o sentimento que mais me agrada não é te ver todos os dias passar por mim, mas que por todos os dias eu vejo você passar e te olho nos olhos, vejo seu sorriso, seu queixo... e o peito se enche de ar, os olhos de água e, depois que se fecham, eu finalmente posso sonhar.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A Realidade...

Tudo em branco, uma folha, uma tela, o corpo nu, uma mente aberta. Isso é a realidade.
Foto de Mustafa Sabbagh
Uma vida sendo preenchida com o passar das experiências e acontecimentos, e não com o passar do tempo. Um animal agindo segundo seus instintos. Um olhar de quem ama. Os movimentos involuntários do corpo. Isso tudo é realidade. A união de tudo que existe agora.

A realidade é o presente, é o que está acontecendo nesse exato momento, ou seja, a primeira estrofe já não é mais realidade, nem este texto será quando for publicado, pois ele já foi real, agora é só um registro. Enquanto o autor escreve, é uma pessoa agindo autor e escritor, mas quando termina deixa de sê-lo e volta a ser humano. Essa é a realidade de todos nós, somos humanos que passam todo o tempo sendo outras coisas. A realidade relativa de ser várias coisas ao mesmo tempo, somos os únicos seres da Terra que querem ser o que não são.

- Olá, muito prazer, meu nome é Aurélio e sou enfermeiro.
- Muito prazer Aurélio, eu sou a Lúcia e me formei enfermeira.

Vivemos um sonho, pois não acreditamos completamente na nossa realidade, não acreditamos em nós mesmos. Por isso nos apoiamos em nossas profissões em algo que chamamos de status social. É difícil encontrar alguém que seja respeitado por ser ele mesmo, agora se você é um engenheiro, não importa se é ou não boa pessoa, você é respeitado. Isso não é real!

Pinte seu mundo de branco, comece de novo.
Respeite sua realidade e não deixe que nada bata de frente com quem você é, com sua realidade, que é única. Deixe a ilusão ir embora. Cores e status podem borrar, manchar e então você vai chamá-los de velhos, feios, fora de moda. O branco está lá exatamente pra ser riscado, manchado, marcado e desbotado, ele está lá para ser tudo que você quiser realizar, sem deixar de ser real.

A realidade é o seu agora, é o seu nome e quem você é, são seus pais e as pessoas com quem você vive. Você é o seu momento presente. E seu momento é todo o presente que você precisa para pintar e registrar tudo o que você já fez e aprendeu na vida (o passado) e planejar os seus caminhos (o futuro) mas nada acontece senão agora. Pinte seu momento e faça sua realidade acontecer.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Sem assunto...

Sem texto... Sem nada pra falar.
Não é que não tenha, só não sei como começar.
É estranho, tantas pessoas e tanta gente diferente, interessante, mas não consigo me conectar.
O que falta? Será que não sobra demais assunto de menos? Ou talvez seja que o santo não bate mesmo. E a admiração seja só platônica, irreal.

Sem saber dizer palavra, começar uma frase é um sacrifício infernal, explorar suas dificuldades, dizem, é o ideal, mesmo que seja pesaroso, vai melhorar no final. Mas só no final, e o final todo mundo sabe, é imprevisível.

Invisível. Relações não são de igual pra igual, enquanto eu sou diferente de todos e de tudo. Tudo é demais. Eu sou um apanhado do todo, misturado e sovado até ficar homogêneo, assando no Sol de São Paulo até chegar no ponto! Humm! Que cheiro gostoso!! Será que tá bom? Espeta com o garfo, quem sabe ainda não está crú no meio?

E estava bem crú, cozido pela metade, incompleto e sem sal. Ah quem me dera houvesse um fogo ardendo aqui dentro também, pra então coser tudo por igual. Quem dera fosse só uma corrente de ar que fez do tempo um vilão muito mal. Talvez fosse apenas uma memória ruim e que no final tudo ficaria bem, com chá de limão e biscoito integral. Só pra deixar a tarde mais interessante com você no quintal...

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Através do coração...

Se eu te der uma patada hoje, a culpa é da lua...
Se eu te der um beijo, guarde a sutileza, é leve.
Para todas as outras possibilidades, eu sou um ser emocionante!
Não me venha com razões cortantes cheias de palavras doces.
Sou inteligente o suficiente pra te desmascarar.
E racional o suficiente pra usar minha velocidade e te desarmar.
Agora com a suavidade de um elefante, e com toda sua memória, vou te deixar em paz.
Faça o mesmo comigo, ou esse paquiderme gigante vai se transformar num pequeno ferrão.
Invisível aos olhos, mas sincero e doloroso, quando toca o coração.

Procurando-se...

Second Life - Igor Morski
Incômodo silencioso.
Este é meu gozo!
Sou seu mistério
o ar que respira
e a sombra em gira
Espectro de carne
sangue e nada.

Incomodado? Mesmo?
Excelente sentimento.
É assim que te quero
desperto e atento
a tudo que não sou
Vou desfazendo-me
pânico e tormento.

A dúvida humilha
mas quando entende
perde-se no esquecimento
Espera, coopera comigo
brincar de deus é gostoso
até que você descobre
Deuses, são jogadores!

E eles riem de você
Lá no último lugar
lutando contra marés
Pés, mãos, correntes
que tu mesmo amarrou
Agradeça. Agradeço
Cobre-se tudo. Tapete.

"Memories" - Igor Morski
Qual a definição?
Ah sim, ladrão!
covarde e mesquinho
pega o que não lhe cabe
corre pronde não deve
tropeça nos próprios erros
Morre sem nenhum segredo.

Eu? Não tenho medo
estou pleno e pronto
quero fazer a diferença.
Procura-se paz de espirito
em toda parte da vida
e nisso, todos juntos
Procuramo-nos....

domingo, 5 de outubro de 2014

Há mar...


Fotografia: Kyle Thompson
Há mar e amores
lindas flores
de primavera
e no verão
calores
aquecem o coração
dando frutos
doce maçã
símbolo de amor
paixões sãs,
completas.

Amar faz bem
é que creio
nas cores
que o outono tem
discretas e puras
as árvores nuas
vivas como ninguém
folhas nas ruas
colorem tudo
até ventar.

Treme amado
caído de vez
braços de lado
troca a pele
agora a neve
branco vigora
a hora fria
gela o mar
que não cora
pois nessa hora
ele aquece alguém...

sábado, 4 de outubro de 2014

Assumir a responsabilidade...

Ser responsável não é ser certinho, é ser certeiro
Em frente a uma situação de escolha Eduardo se imagina num filme, com um anjinho em seu ombro esquerdo e um demoninho no seu ombro direito, discutindo, debatendo, apresentando seus argumentos para convencê-lo sobre a melhor alternativa a ser escolhida. Mas na verdade, o Eduardo e toda humanidade tem mesmo duas ou mais vozes que debatem as possibilidades em sua mente. O inconsciente se disfarça e da os conselhos com destreza e calma, enquanto nossa mente analisa todas as possibilidades, evidência os medos e coloca em cheque outras opiniões. E aí, o Eduardo fica perdido, qual escolha arriscar? "E se eu escolher errado e me der mal no final?"

Temos a racionalidade para nos guiar e fazer o melhor julgamento sobre as situações do cotidiano, usando nossas experiências como moderadores e a mente no papel de juiz. Mas toda a fase de escolha, por mais incerta e amedrontadora, pode ser mais fácil, basta o Eduardo ser firme e convicto! "Assim que fizer minha escolha, esta será minha decisão e tomarei responsabilidade por suas consequências!"

Essa atitude torna sua escolha, independente do resultado final, a escolha certa, já que impede sua mente de te boicotar com culpas caso algo não saia como o planejado. O Eduardo sabe que frente aquela decisão, ficar em cima do muro não ia ajudar em nada, e que para dar um passo adiante ele precisava tomar um caminho, por isso pensou, refletiu e escolheu uma das opções, assumindo que esta era sua escolha, entendendo que podia não dar certo, mas sabendo que fazer essa escolha era a coisa certa a se fazer.

Então Eduardo, obrigado por nos mostrar hoje que a vida não é um filme e que nem sempre podemos só ouvir os conselheiros em nossos ombros, mas que quando tomamos uma decisão a coisa certa a se fazer é continuar em frente e ser consciente que a sua vida é de caminhos incertos mas com passos firmes e decididos!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Tensões...

A mente inquieta como sempre
Os nervos a flor da pele
Refletem energeticamente
Intensas e frenéticas
As tensões do pensamento
Ferrão Inquieto e pontiagudo
Machucando o corpo e confundindo a razão.

Na dor não há certo ou errado
A dor é ser vivo independente
Te cerca, abraça e aperta com força
Impedindo a circulação do sangue
Pressionando a jugular nos dentes
Inflamando contente os músculos.
Falha tudo aos pouquinhos
E quando se percebe é tarde pra cuidar.

Pressão, sangue, delírios e sonhos se confundem
Uma corrente se desfaz em ferrugem de pensamentos
Uma serpente se entrelaça no coração
Ferindo qualquer aproximação sem cautela.

Ah tensões preditas e silenciadas
As que não saem pela boca e derramam pelos olhos
Das quais não queremos ouvir falar!

A corrente elétrica intensificada
A cobra estrangula o sangue
O ar lhe falta e toda vida se esvai
Feita a tragédia dessa trama
Sem remédio nem amenidades
Morre uma outra dama de qualquer enfermidade
Só não se sabe a causa.
Matou-se o trauma
tensionado e frio
Sob o peito do cadáver...