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terça-feira, 29 de julho de 2014

O meu sonho...

Domi by Miklós Földi & Petur Nagy
E finalmente, quando teve um minuto de silêncio, um grito explodiu do inconsciente e libertou sua fúria. Foi assim que encontrou a bravura para suportar aquele momento de ruptura. Depois de tanta turbulência externa, no momento que ele parou de falar para puxar o fôlego, aquela pausa tornou-se pesadelo. Era tudo de que precisava para colocar fogo na casa, queimar os registros guardados por mais de um ano e fazer de tudo isso página virada, amassada e queimada numa fogueira de esquecimento e libertação.

Os cômodos já incandescidos, iluminados de vermelho e amarelo vivos, não eram mais refúgio para nenhum de nós dois, o gelo derreteu e eu sabia que você arrependeria-se de suas palavras vazias e de seu pouco afeto. Indiferença, indelicadeza e infidelidade. Qual é o romance que vivemos? Não houve nada mais que um só lado, dedicado e deixado de escanteio pela sua ignorância sem fim, desconfiando de mim sem ao menos me dar uma chance de provar o contrário. Mas que adiantaria, não é? Bastava que fosse contra sua imaginação infantil, que tudo se transformava num inferno. Agora o inferno é aqui.

Se estou sempre errado e culpado, que seja! Que então eu seja a razão pela qual você esteja certo o tempo todo, pois sei que agora você tem certeza que não vai sair dessa ileso. Qual a sensação? A pele queimando, vermelha como um pimentão e predestinada à presenciar o final no chão, ou mais de baixo, enquanto eu vejo você em chamas! Fervendo com sua própria fama de bonzinho, indo embora com a fumaça negra de ciúmes e possessividade que só você tem.

O fogo, assim como você, é agitado e inconstante, hora está alto, e depois fica bem baixinho, fraco e quase extingui-se. Pobrezinho, nem ele aguenta suas irregularidades e desejos invejosos de ter o que não é seu, o poder que tem sobre os vivos não mais me engana, e das vampiresas que trama não vão sair mais nenhum homem ou tesouro. Basta desse ato de terror, sem moral e nem final, que me faz perder o controle e a atração. Basta, já que o fogo estingue-se vagaroso, com o fim de todo desejo que havia em mim, e agora que tudo foi embora, eu me deixo levar pela maré, pelos meus sonhos, morais e descendentes diretos de tudo que você não pode me prover.

E no fim desse crematório, renasci como uma fênix, porém não das cinzas, mas diretamente das suas chamas que me tocavam sem queimar, que mentiram para mim, e que na verdade mostraram que minha armadura era mais forte e preparada que sua escassa maldade endiabrada, preguiçosa e mal criada. Vai embora, para onde vai descansar, repensar e renascer também, não purificado, mas enclausurado por seus crimes e pela cínica risada que morreu nos seus lábios enquanto eu reencontrava o Amor.

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