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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Cama, lençol, luz do Sol...


Havia água por todos os lados, o que eu mais estranhava, no entanto, não era isso, mas que eu tateava em volta e não encontrava nada, não o tocava! Onde você está? Afogou-se? Não... Não se vá, não me deixe aqui sozinho! Não... Não agora! Não!!!

Acordei muito suado, deitado de cabeça pra baixo na cama sozinho. Foi um pesadelo. O corpo todo doía, pelos sinais nos lençóis cinzentos, houve uma luta muito agitada para que eu acordasse, fiz um esforço tremendo para me virar e consegui ver o relógio. Eram 09:37 da manhã e eu não me importei muito por ser tão tarde, o sonho me deixou sem energias, mesmo que tivesse dormido demais, e nos lençóis havia calor e a luz dourada do Sol.

Levantei-me diretamente para a cozinha, e na toalha quadriculada de branco e vermelho deixei o bule de café preto um pouco amargo, umas torradas queimadas, que tinham desenhos amarelos irregulares de manteiga derretida e sentado na cadeira azul fiz o desjejum. Pensando no que aquilo significava. As dores apertaram, deixei o café pela metade na caneca e entrei ainda com as roupas no banho bem quente.

Pelos encantos da mente e da água quente, eu estava de volta naquele mar, agora eu via claramente por todo lado, estava sozinho, o Sol brilhava sobre minha cabeça e eu não precisava respirar. Até que sem ar eu recobrei a consciência e sai do banho implorando para que os pulmões se enchessem novamente. Tossi. Sobrevivi. O banheiro de azulejo esverdeado, com desenhos de gramíneas e flores frágeis estava ensopado, e eu estava sozinho.

Voltei para o quarto, deitei na cama enxugando-me nos lençóis, enrolando-me na cama como um gato se espreguiçando, rolando de um lado ao outro do colchão tão usado. Vesti minhas roupas mais confortáveis e sai para olhar a cidade. Caminhando devagar, passando pelas grades prateadas do condomínio, virando à direita e descendo a rua mais calma dali. E a tranquilidade me alcançou. Sentei-me num banco branco, desligado finalmente, a mente sem atividade. Ali havia a sombra do que eu havia passado, mesmo que o passado não estivesse de volta. Olhando pro céu, as nuvens voando vagarosas sem nenhum impedimento mostrando a beleza natural de um dia de primavera em que as flores são rosas, vermelhas e alaranjadas.

Anoiteceu, e o frescor da noite me levou pra casa, onde sentado no sofá eu observava pela janela o mundo todo diminuindo o ritmo, as pessoas voltavam do trabalho, relaxavam e gradualmente as luzes da rua iam se apagando, tudo ficando quieto e os ruídos noturnos complementavam o clima aconchegante. Devagar eu escolho a trilha sonora, pego o vinil da prateleira, tiro da caixa, coloco na vitrola e a agulha traduz a música para as caixas de som.
"Strangers in the night exchanging glances
Wondering in the night
What were the chances we'd be sharing love
Before the night was through."
Uma taça de vinho, e o sono veio vindo sorrateiro, a vitrola continuava a cantar comigo, um baile estava formado e eu dançava sozinho pela madrugada na boa companhia de mim mesmo. Dançamos pela sala sem esbarrar nos vasos de barro marrom desenhados com detalhes em preto e dourado, em passos largos e firmes, o corredor foi atravessado sem esforço, e mais aconchegante foi a valsa que me levou ao quarto. A cama desarrumada tornou-se novamente um ninho, para um animal cansado que deitou-se em silêncio ao mesmo tempo que acabava a música. A vitrola parou e todos dormimos, a Lua se escondeu antes disso, e quando fechei os olhos, mergulhando novamente no mar de águas límpidas e claras, o sol nascente brilhava, trazendo de volta o dia e nos lençóis eu mergulhei até te encontrar...

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