Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Tudo que eu preciso...


Continuar seguindo seu caminho, sem se envolver demais, sem dar corda pra forca torta, fazendo seu melhor.
É a sina do ser humano, continuar sem nenhum engano, seguindo na direção do coração.
Fazer valer a pena sem ficar fazendo cena por não estar num pedestal.
Perdoar qualquer desgosto, de quem provou um pouco do que é ser um igual e levar pra toda gente, mesmo ao descontente, o que é essencial!

Bom descanso!
Vamos cantar no quintal.
Ser feliz até meia noite.
Ser gente até que a gente não seja mais nada.
E se der pra ser alguma coisa depois, que seja feliz!
Se puder, que nunca pare.
Até que a história chegue ao final...

terça-feira, 29 de julho de 2014

O meu sonho...

Domi by Miklós Földi & Petur Nagy
E finalmente, quando teve um minuto de silêncio, um grito explodiu do inconsciente e libertou sua fúria. Foi assim que encontrou a bravura para suportar aquele momento de ruptura. Depois de tanta turbulência externa, no momento que ele parou de falar para puxar o fôlego, aquela pausa tornou-se pesadelo. Era tudo de que precisava para colocar fogo na casa, queimar os registros guardados por mais de um ano e fazer de tudo isso página virada, amassada e queimada numa fogueira de esquecimento e libertação.

Os cômodos já incandescidos, iluminados de vermelho e amarelo vivos, não eram mais refúgio para nenhum de nós dois, o gelo derreteu e eu sabia que você arrependeria-se de suas palavras vazias e de seu pouco afeto. Indiferença, indelicadeza e infidelidade. Qual é o romance que vivemos? Não houve nada mais que um só lado, dedicado e deixado de escanteio pela sua ignorância sem fim, desconfiando de mim sem ao menos me dar uma chance de provar o contrário. Mas que adiantaria, não é? Bastava que fosse contra sua imaginação infantil, que tudo se transformava num inferno. Agora o inferno é aqui.

Se estou sempre errado e culpado, que seja! Que então eu seja a razão pela qual você esteja certo o tempo todo, pois sei que agora você tem certeza que não vai sair dessa ileso. Qual a sensação? A pele queimando, vermelha como um pimentão e predestinada à presenciar o final no chão, ou mais de baixo, enquanto eu vejo você em chamas! Fervendo com sua própria fama de bonzinho, indo embora com a fumaça negra de ciúmes e possessividade que só você tem.

O fogo, assim como você, é agitado e inconstante, hora está alto, e depois fica bem baixinho, fraco e quase extingui-se. Pobrezinho, nem ele aguenta suas irregularidades e desejos invejosos de ter o que não é seu, o poder que tem sobre os vivos não mais me engana, e das vampiresas que trama não vão sair mais nenhum homem ou tesouro. Basta desse ato de terror, sem moral e nem final, que me faz perder o controle e a atração. Basta, já que o fogo estingue-se vagaroso, com o fim de todo desejo que havia em mim, e agora que tudo foi embora, eu me deixo levar pela maré, pelos meus sonhos, morais e descendentes diretos de tudo que você não pode me prover.

E no fim desse crematório, renasci como uma fênix, porém não das cinzas, mas diretamente das suas chamas que me tocavam sem queimar, que mentiram para mim, e que na verdade mostraram que minha armadura era mais forte e preparada que sua escassa maldade endiabrada, preguiçosa e mal criada. Vai embora, para onde vai descansar, repensar e renascer também, não purificado, mas enclausurado por seus crimes e pela cínica risada que morreu nos seus lábios enquanto eu reencontrava o Amor.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Autêntico...

Não sou daqueles que se penteiam, maquiam e perfumam para ir pra cama. 
Nem faço isso com tanta atenção quando saio de casa...
A aparência não é o mais importante.
E eu não acho que as pessoas devem gostar mais do gel que do meu cabelo, 
mais da base que da minha pele, e mais do perfume que do meu cheiro.
Nem gostar mais do meu casco que do meu ser!


Cama, lençol, luz do Sol...


Havia água por todos os lados, o que eu mais estranhava, no entanto, não era isso, mas que eu tateava em volta e não encontrava nada, não o tocava! Onde você está? Afogou-se? Não... Não se vá, não me deixe aqui sozinho! Não... Não agora! Não!!!

Acordei muito suado, deitado de cabeça pra baixo na cama sozinho. Foi um pesadelo. O corpo todo doía, pelos sinais nos lençóis cinzentos, houve uma luta muito agitada para que eu acordasse, fiz um esforço tremendo para me virar e consegui ver o relógio. Eram 09:37 da manhã e eu não me importei muito por ser tão tarde, o sonho me deixou sem energias, mesmo que tivesse dormido demais, e nos lençóis havia calor e a luz dourada do Sol.

Levantei-me diretamente para a cozinha, e na toalha quadriculada de branco e vermelho deixei o bule de café preto um pouco amargo, umas torradas queimadas, que tinham desenhos amarelos irregulares de manteiga derretida e sentado na cadeira azul fiz o desjejum. Pensando no que aquilo significava. As dores apertaram, deixei o café pela metade na caneca e entrei ainda com as roupas no banho bem quente.

Pelos encantos da mente e da água quente, eu estava de volta naquele mar, agora eu via claramente por todo lado, estava sozinho, o Sol brilhava sobre minha cabeça e eu não precisava respirar. Até que sem ar eu recobrei a consciência e sai do banho implorando para que os pulmões se enchessem novamente. Tossi. Sobrevivi. O banheiro de azulejo esverdeado, com desenhos de gramíneas e flores frágeis estava ensopado, e eu estava sozinho.

Voltei para o quarto, deitei na cama enxugando-me nos lençóis, enrolando-me na cama como um gato se espreguiçando, rolando de um lado ao outro do colchão tão usado. Vesti minhas roupas mais confortáveis e sai para olhar a cidade. Caminhando devagar, passando pelas grades prateadas do condomínio, virando à direita e descendo a rua mais calma dali. E a tranquilidade me alcançou. Sentei-me num banco branco, desligado finalmente, a mente sem atividade. Ali havia a sombra do que eu havia passado, mesmo que o passado não estivesse de volta. Olhando pro céu, as nuvens voando vagarosas sem nenhum impedimento mostrando a beleza natural de um dia de primavera em que as flores são rosas, vermelhas e alaranjadas.

Anoiteceu, e o frescor da noite me levou pra casa, onde sentado no sofá eu observava pela janela o mundo todo diminuindo o ritmo, as pessoas voltavam do trabalho, relaxavam e gradualmente as luzes da rua iam se apagando, tudo ficando quieto e os ruídos noturnos complementavam o clima aconchegante. Devagar eu escolho a trilha sonora, pego o vinil da prateleira, tiro da caixa, coloco na vitrola e a agulha traduz a música para as caixas de som.
"Strangers in the night exchanging glances
Wondering in the night
What were the chances we'd be sharing love
Before the night was through."
Uma taça de vinho, e o sono veio vindo sorrateiro, a vitrola continuava a cantar comigo, um baile estava formado e eu dançava sozinho pela madrugada na boa companhia de mim mesmo. Dançamos pela sala sem esbarrar nos vasos de barro marrom desenhados com detalhes em preto e dourado, em passos largos e firmes, o corredor foi atravessado sem esforço, e mais aconchegante foi a valsa que me levou ao quarto. A cama desarrumada tornou-se novamente um ninho, para um animal cansado que deitou-se em silêncio ao mesmo tempo que acabava a música. A vitrola parou e todos dormimos, a Lua se escondeu antes disso, e quando fechei os olhos, mergulhando novamente no mar de águas límpidas e claras, o sol nascente brilhava, trazendo de volta o dia e nos lençóis eu mergulhei até te encontrar...

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Caminho pra casa...

Caminhava! Sim, eu caminhava, e chegava um passo de cada vez mais longe de onde realmente queria chegar. Seria simples explicar, dizer que na realidade não devia partir, mas precisei, então fiz. Fiz aquele cruel esforço de romper a casca e sair. Saí!

E daí? Nada mudou, sabia? Eu estava bem, e agora estou bem mau! Enrascado e enrolado com a justiça e com o fiscal, tudo ao mesmo tempo. Talvez agora me candidate a presidente! Se não ganhar torno-me então oficial perdedor, apoiador do povo que perdeu tudo e talvez sobre uma sobrinha no ministério. Quem sabe?

Daí eu estou com a vida resolvida de novo. Não importa muito qual será o próximo escândalo no qual me envolva, virei mídia, to na boa! E as cumplicidades de ser um errante tornam-se pura estória! Sabia? É, estou eu na primeira página do jornal, na teve e no comercial.

Sou artista! Riam e chorem com minha trama dramática, minhas poses históricas e minhas vestes de luxo, que vieram diretamente do brechó arsenal. Que incrível! Ele é genial! Estou feito, sou sucesso internacional! E qual a barreira agora?

Não há! Não tenho nada pra me barrar e o único jeito é continuar a caminhar, sempre em frente, mesmo querendo dar meia volta e retornar ao meu próprio lugar. Continua, caminha, voa, navega e dirija-se ao infinito. E nem um pouco me surpreendo ao perceber que meus passos deram a volta por si próprios e no mundo todo. E lá estava eu de novo no meu recanto, no meu lar!


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Beijo e o sangue...

Henri de Toulouse-Lautrec - O Beijo
Me diz aí, qual é a dificuldade?
Um ato, um movimento intenso
Duas vidas e um único momento
Suas almas integras e completas.

Qual é o sentimento que te impede?
Aquele que vem de dentro e morre
O que falta vontade e então explode
Ou aquele que a gente suspira e engole?

Há nesse impasse a nítida passividade
Descuidada e retocada de pura vaidade
Hipócrita, com requintes de crueldade.

Havia em mim a saudade e a força
Minadas, destruídas por uma coça
Me resta o beijo, e o sangue, em poça...

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Degustação, não...

Não to afim de experimentar mais nada.
Nem de mudar de novo, pra ficar na moda.
Eu era mais forte quando não me incomodava.
Mas agora não dá mais, é tudo página virada.

Estou mais maduro, mais forte e decidido,
ou vai embora logo, ou fica de vez comigo.
Não me enrola mais, não me deixa de lado,
Quero um amor tranquilo, quero ser amado.

Diferente de quando era jovem e muito apressado,
só quero ser realmente correspondido,
quero ser finalmente um namorado.

Então não vem de mi mi mi pro meu lado.
Se joga na vida e assume seu verdadeiro estado,
ou vai achar outro colo pra chorar, seu viado!

domingo, 20 de julho de 2014

A inocência...

Estamos perdendo a inocência...
Não há músicas ou borboletas no estômago.
O sorriso dos amigos ao contar um com o outro.
As reuniões de família no almoço do domingo.
Tudo perdido no desejo do bom futuro.

Os esforços pelo progresso e a necessidade de chegar rápido à estabilidade econômica, ainda jovem, mata a juventude e condena os adultos ao estresse precoce. Trazendo a pressa ao amadurecer, pela aparência de estar equiparado aos outros. "Não sou mais inocente, sei do que falo!" com o queixo erguido, disse alto uma criança mimada. Porque hoje em dia ser criança é ruim, ser infantil é coisa de bebê! E quem não tem um "rolo", é porque tá encalhado. Sofremos pelo amor perdido, já que o Amor verdadeiro nunca foi encontrado. E de onde vem os sonhos? Não importa, não tenho tempo para cuidar muito da mente ou do espírito já que o corpo, o status e o dinheiro preenchem todo esse espaço.

Um trabalho árduo de competição contra o relógio biológico.
Pra quê esperar o amanhã, se posso fazer 2 coisas hoje? É uma pergunta frequente. Hoje eu me pergunto isso, todos os hoje da minha vida! E não há melhor resposta que: Pra nada além de sobrecarregar-se!! Desgastar-se de forma tão bruta, que nem mesmo serviria para bijuteria depois que passasse o tempo, pois estaria completamente acabado.

É a infância que deixa seu espaço ser ocupado pelo sucesso, fica para então ser aproveitada, pela carência e depressão, companheiras tão fiéis dos novos bem sucedidos, e também dos pais de família que são obrigados a trabalhar triplicado pra criar melhor os filhos.
Não haveria problemas graves, caso a inocência simplesmente não fosse deixada de lado. Substituiríamos o tempo gasto para o "teatro do ego" na realização de um grande espetáculo, com um novo enredo todos os dias e que aproveitaríamos tanto mais que não sobraria tempo para reclamar. Viveríamos então, nossos verdadeiros papéis... protagonistas de nós mesmos!

"Inocência, na acepção em que tomamos a palavra, quer dizer ignorância do que é impuro. Quem cora ao ouvir uma imprudência, claro é que distingue, e quem distingue duas coisas conhece-as ambas."
~ Ramalho Ortigão

terça-feira, 15 de julho de 2014

Indo embora pra sempre...

Obrigado Takira!
Pisando na bola, ele me chamou pra sair. Segurou as minhas mãos na rua, sem se importar. Pediu-me um beijo, enquanto estávamos sentados no banco da praça. Foi tão bom. Depois de uma discussão, estávamos bem.

Por tudo que eu estava passando, ela indo embora e eu sem saber o que fazer... Era tudo que eu precisava, alguém pra me dar um pouco de força, de alegria e carinho. Pena minha, ai de mim! Era tudo ilusão. Mentira e alucinação de quem ama sem condição. Havia outro, e eu não tinha como perceber... Mantive minha atenção em quem importava...

Elas precisavam muito mais de mim. E eu sabia que não tinha muito mais tempo. Ela piorou muito, um dia depois que descobri toda a verdade, e fraquejei. Não tinha força alguma para suportar o que estava para acontecer. Ela... Ah meu coração não podia aguentar. E não tinha forças para doar para que elas estivessem bem.

Foi um final de semana terrível! E quando vi o fim se aproximar, ela já estava totalmente envenenada. Chorei mais do que podia, agarrado à ela, que me olhava sem entender nada, eu chorei mais que nunca! Passamos aqueles dois dias juntos, eu não saia do seu lado, e por mais que ela estivesse "bem", eu fiquei. E ela também ficou ao meu lado. Não dei atenção à mais nada. Ela era quem me importava.

No dia seguinte ela piorou demais. Estava tão fraca, tão pequenina, levamos aos cuidados médicos. E infelizmente, o que mais temíamos tornou-se real. Ela não sobreviveu. Porém, ela descansou. Foi tornar-se uma estrela, um anjinho a olhar-nos de longe. Foi-se embora para sempre... E claro que nunca vai nos deixar, pois ela ficou guardada no nosso coração, na mente, no tato.

Toda a tristeza que envolveu esses momentos não significa nada, pois ela está livre. Foi ter com quem pode amá-la e ajudá-la muito mais que nós por aqui, e eu bem sei, está num lugar melhor. Não posso agradecer o suficiente por ter-me dado tanta força durante a vida. Nem por salvar-me. Mas posso sempre olhar pro céu e saber que ela vive, mais feliz que nunca foi!

Obrigado por salvar a minha história.
Obrigado por fazer parte de nossas vidas.
Só tive forças pra escrever agora.
É que você faz falta... Te Amo!

O verdadeiro Hino Nacional Brasileiro...

Poucos dias atrás, minha grande amiga Anna Basseto, jornalista e escritora fantástica no blog 'Diário de uma Neurótica', publicou o vídeo de uma senhora contando sobre a parte da "introdução" mas que na verdade possui uma letra que não mais é usada. Uma letra maravilhosa e cívica, com uma mensagem realmente completa em nosso Hino que já é lindo e muito bem escrito.

Segue primeiro o vídeo da senhora, que nos explica bem melhor sobre a "introdução" do Hino Nacional Brasileiro e faz críticas importantes, para que todos nós reflitamos sobre nossos atos e sobre todos rituais que deixamos de praticar por motivos escusos.



E aqui está a letra completa do nosso belo Hino Nacional Brasileiro, como ele deve ser, acompanhado da canção também completa:



HINO NACIONAL BRASILEIRO

Espera o Brasil
Que todos cumprais
Com o vosso dever.
Eia avante, brasileiros,
Sempre avante!

Gravai o buril
Nos pátrios anais
Do vosso poder.
Eia avante, brasileiros,
Sempre avante!

Servir o Brasil
Sem esmorecer,
Com ânimo audaz
Cumprir o dever,
Na guerra e na paz,
À sombra da lei,
À brisa gentil
O lábaro erguei
Do belo Brasil.
Eia sus, oh sus!

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida no teu seio mais amores.

Ó pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
Paz no futuro e glória no passado.

Mas se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!


domingo, 6 de julho de 2014

Malvados...

Arte: Helen Stratton
Eu observo o mundo moderno como um mundo malvado. As pessoas não se ajudam, não tem compaixão e nem tem o mesmo relacionamento que tinham alguns anos atrás, quando o conceito de comunidade era fortemente praticado. Hoje cada um vive no seu próprio mundo, cercado de grades e muros altos por todos os lados, protegendo seus pertences e sentimentos do mal do mundo, mas trancando-se com seu próprio mal.

É um mundo frágil, cheio de complexos e doenças psicológicas, repleto de saídas cientificamente provadas e desculpas de matérias que encontramos em revistas de bem estar, preocupados em manter um padrão que ninguém quer, mas precisa seguir, para ser aceito pela maioria, para ter status. Um padrão que já lutamos tanto, e por tanto tempo, para nos libertar.

É um mundo de insegurança, com tanta informação sendo arremessada por todos os lados ao mesmo tempo é muito fácil se confundir, já que há muita informação contraditória e, no pior dos casos, inútil! Porém, pintadas de cores vibrantes, algumas até com led piscante pra ficar mais bonito, e com selo de alguma instituição de renome para completar e trazer credibilidade.

O mal desse mundo não me tocou, continuo vivendo como se estivesse no tempo que ninguém tinha Internet, os muros eram baixos e que para conversar com os amigos bastava sair na rua e brincavam a tarde toda. Telefone era muito caro, então falávamos com a família, com quem realmente se importava com a gente, e matava-se a saudade numa visita de final de semana que não precisava ser agendada para não ser inconveniente. Um mundo sem muitos recursos e mordomias, mas também sem a escravidão de padrões de conduta ou de beleza, em que se aceitava sua real condição e fazia-se o possível, sem sacrifícios malucos, para melhorar. As melhorias aconteciam progressivamente em proporção ao seu esforço.

Me chame de chato, de velho ou de retrô, mas o mal desse mundo não me tocou e não preciso mudar o que eu sou, os valores que aprendi, e que realmente valem alguma coisa, pela loucura da modernidade e tecnologia, que transformou nossa humanidade em automática aceitação e reprodutora do pensamento de outrem em realidade, mesmo contra sua real vontade.