Saber para dizer...

Disse-me aquele senhor alto, cuja idade já se parecia com muitas vidas humanas, disse-me bem baixinho, com o peso de sua sabedoria e com palavras suaves, já era grande em tamanho, não precisava também fazer-se ouvir no fim do mundo.
Não tinha pressa, não tinha como ter pressa, e sabia que depois de muito tempo, ter pressa não o levaria mais a lugar nenhum.
Falou-me sobre sua vida, mas não suas decepções ou frustrações, contou-me das vezes que riu muito, e das várias vezes que riu em muitos, quando ele não estava só naquela imensidão de lugar. Hoje com uma grama rasa, sem animais, sem mais nada senão aquele gigante.

Mas era bem vivo, e vivia desse espetáculo de observar e ouvir as estrelas que Olavo Bilac tão bem falou sobre em sua Via Láctea, vive sobre o amor, e sabe que é eterno enquanto dure, sabe tão bem quanto Vinícius.
Não irá nunca realmente embora, embora Manoel lhe tenha convidado para visitar Pasárgada várias vezes sem sucesso, seu santo era forte, tão forte quanto suas raízes fincadas naquela Terra que lhe servia à vida.
Não era exilado de sua terra como os Dias.
E me ofereceu um convite, que lhe foi feito tem muito tempo, por Drummond, para passear pela Máquina do Mundo.

E depois desse passeio maravilhoso, que se abriu em meu caminho após encontro tão bem quisto com esse senhor de plenos anos vividos e conviver com tão boa companhia durante o passeio que me levou, terminou assim:

"Um sábio pensa rápido, mas fala bem devagar"

E essas palavras ecoaram pela minha mente imensa, e sem pestanejar eu pensei, mas não disse nada.
Ele me olhou satisfeito, continuando onde estava parecendo entender, absolutamente, o que eu pensara e sentira.
Meu pensamento, inquieto, aprendeu a esperar e separar as coisas umas das outras, para então com calma e serenidade expressar todas as ideias em sua devida ordem, todos os fatos com seus devidos acentos e exclamações, sem valorizar demais o que não carecia.

Merecida essa sabedoria de dizer o que deve ser dito, raciocinando rapidamente o que houver de imprevisto, e com todo o cuidado colocar o texto sem medo e sem apressar o passo no papel e na memória de todos que nele tocarem.
Contagiar sem remédio aqueles que estiverem ao alcance e sem distinção.
Sem pressa de chegar ao Fim.

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