O dia tem que raiar por aqui...


Começou com um frio na barriga, sabe?
Eu estava lá, tranquilo, quando aquele negócio começou a se mexer dentro do peito.
Dá um medinho, te deixa desconcertado e algumas vezes faz você ficar meio zonzo.
Estando junto, tá tudo bem, tranquilo.
Mas quando separa, é uma dorzinha no fundo da alma que não se explica.

Começou numa fatídica terça-feira de muito calor. Ok, não estava tanto calor, mas era terça.
Finalmente algo bom ia acontecer e eu, dessa vez, não estava ansioso.
Combinado o dia e nada da hora chegar, e estava tudo bem, tinha tanta coisa na cabeça e tão pouca necessidade de me estressar que realmente não ligava tanto para você.

Nos encontramos e foi mágico.
Um dia todo juntos, um abraço mais apertado que o outro, e a vontade que sentia desse dia foi proporcionalmente saciada.
O dia terminou, o até logo chegou, e foi o fim de tudo.
Pelo menos era o que eu achava.

Tudo que ficou foi a saudade, e um sentimento bom, a saciedade plena.
O que se seguiu é que foi um problema, porque depois de um tempo, o primeiro encontro tornou-se outro.
E neste segundo foi de lascar!
Se a gente alimenta a saudade ela quer é ficar por perto, e a gula de você cresceu mais uma vez.
Não quero ir embora, não quero te deixar ir também.

Entenda, o que me toma não voltou ou nasceu agora, eu já havia dominado e dobrado com carinho, colocando com jeitinho no armário das boas memórias que a gente sempre guarda no coração.
Mas tem gente que gosta de colocar isso pra arejar, tomar Sol, reavivar e algumas das coisas não precisam.
Bem, o Sol chegou, e ele é você.
Mas o Sol é da gente. O Sol sou Eu! Então a confusão se instalou.

Na verdade, eu só queria poder ter-te comigo mais um pouquinho.
Ter-te.
Não é pra mim, não é pra te tirar a liberdade, ou muito menos te fazer só meu.
É só para que a saudade cometa suicídio, e o coração se encha de tanta luz, que o Sol volte pro lugar que tem de estar.
A noite é linda, mas o dia tem que raiar por aqui.

O sentimento nunca vai mudar, sua presença é cativa e cativante no meu coração, então me encarrego de sair daqui com o brilho que me agrega, sem mais nenhuma dor.
Tendo-o ou não.
Tê-lo não é o ponto, mas você ter-me.
Não vou negar, mas é que agora, depende só de você.
E de você, eu já não sei mais nada...

Comentários

  1. Lindo, realmente perfeito... Adorei o 6º estrofe, o escritor esta de parabéns.

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  2. Aiaiai, viu.....rss
    Amo dum tanto!
    Vc, as palavras e o significado apropriado que só vc sabe dar a elas com tanta precisão.
    Abraço de urso, meu amigo!

    ResponderExcluir

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Comente. Há um mar de pensamentos e você pode pescar um peixe que ninguém mais conhece. Assim são as palavras no mar do Umikizu!

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