Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Ubuntu - Você sabe quem é? Vem conhecer...

 ~ Um antropólogo estava estudando os usos e costumes de uma tribo africana e, quando terminou seu trabalho, sugeriu uma brincadeira para as crianças: pôs um cesto muito bonito, cheio de doces embaixo de uma árvore e propôs às crianças uma corrida. Quem vencesse ganharia o bonito e delicioso presente.
As crianças se colocaram em linha e quando ele disse “já”, todas deram as mãos e saíram correndo em direção ao cesto. Dividiram os doces entre si muito felizes.
O antropólogo ficou surpreso com a atitude das crianças e elas lhe explicaram: “Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”
Ele, então, percebeu a essência daquele povo: não havia competição, mas sim colaboração. Mesmo depois de meses estudando aquela tribo, somente agora ele entendeu sua verdadeira essência. Ubuntu ~


Ubuntu é uma filosofia Africana que fornece uma compreensão do ser humano em relação com o mundo. Trata-se de ter um espírito de cuidado e comunidade, harmonia e hospitalidade, respeito e responsabilidade com os outros, e em uma tradução livre significa: “Sou quem sou, porque somos todos nós!”

Como uma política ética e ideológica, trata da relação e aliança dos países e também das relações das pessoas umas com as outras em igualdade.
Uma das definições para o termo foi feita pelo Arcebispo Desmond Mpilo Tutu que lutou contra o apartheid na África do Sul:
"Uma pessoa com Ubuntu está aberta e disponível aos outros, não-preocupada em julgar os outros como bons ou maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos"

É de imensa importância para um país que tem uma cultura tão forte, porém em contrapartida uma desigualdade social e ainda sofre tanto preconceito, ter uma filosofia de união e principalmente de colaboração entre seus habitantes. Entendo agora como eles conseguem sobreviver e passar por todas as dificuldades sem perder as esperanças de dias melhores. Uma lição de humanidade e humildade.
Ao invés de disputar uma posição, uma conquista ou uma ajuda, eles compartilham as bençãos que recebem, e portanto também compartilham as dores e os problemas, tornando-os menores.

Uma nova cultura para mim, apesar de viver o Ubuntu no dia a dia, não conhecia o termo, nem a sua história. E Ubuntu não é só uma palavra mas um conjunto de aspectos de um povo: respeito, partilha, comunhão, empatia, humildade, carinho, confiança, altruísmo, entre tantos outros.
Como o ano ainda está começando, e também ontem (30 de janeiro) também foi o Ano Novo Chinês, eu acredito que conhecer Ubuntu e colocá-lo em prática pode fazer desse 2014 um excelente ano para todos.

"Ubuntu não significa que a pessoa não se preocupe com o seu progresso pessoal. A questão é: o meu progresso pessoal está a serviço do progresso da minha comunidade?
Essas são coisas importantes na vida, e se alguém pode fazer isso, teremos feito algo muito importante e admirável."
~ Nelson Mandela

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

#3 - Crônicas do Guardião - O teatro da vida...

art by Stephanie Pui-Mun Law
Na vida, com os acontecimentos, vem uma maneira muito simples de aceitar as mudanças: elas acontecem.
E o que você pode fazer? Acontecido, ficará assim. Isso não é ruim, veja, é só a melhor forma de aprender que quando você não faz o que deve, faz-se a vida. E a vida é fantástica.

Hoje, eu compro almas, eu faço escolhas, eu dou escolhas, eu ofereço favores a preços curtos de vida.
Vida, é o preço mais alto a se pagar, e o que ninguém realmente liga em pagar pelo que deseja. O desejo é o fim da vida.
O desejo é tudo para os negócios!

Começamos com a liberdade, depois com posses, depois com paixões, amores, saúde, ninguém pede por vida, pois a vida é o preço que se paga, moeda de troca, que ninguém sabe o real valor. Meu reino por um desejo! Minha alma pelo meu reino!
E estou com a vida ganha.

Que nada. Condenada!
Esperam tudo de uma vez só. Tudo de mão beijada.
E vem. Não nego, claro que não nego, quem ganha com isso sou eu. Mas...
Queria que fosse diferente.

Aprendi que não adianta ser luz todo o tempo. As trevas é que ensinam, a luz mostra as claras tudo que ninguém quer ver. As trevas escondem e abraçam o indivíduo como uma mãe. Não se sente a facada. Deite-se, chore um pouco e me entregue o que deve.

Morrem sem muita mágoa. Entendem finalmente o que vale e o que não vale nada.
Desgraça é ter que carregar essa cruz de ser o professor do inferno. Mas é aquilo que cada um deve fazer, que no final das contas fica tudo no saldo positivo.

A vida, aquela danada, que jogam em mim aos baldes por coisas miúdas, faz os cálculos com sabedoria titânica, sem peso na consciência. E agentes fazem acontecer. A gente faz acontecer. As partes se fazem inteiras nessa pequena encenação.

O mundo nunca,... bem... as peças que se mexem e mudam de lugar.
Agora mais que nunca eu sei que não podemos mais desafiar a sorte de ser o que se é. E segue-se o caminho que sempre quisemos e, claro, não vamos admitir nunca.
Não serei eu, quem vai contrariar.

Mais um desejo realizado, e eu estou rico.
Mais uma vez rico, sem necessidade, sem pedidos, sem desejos.
Mais vivo do que nunca. E não me arrependo. Lidero sim, o topo dos rankings, e também o fundo dos poços. E fico olhando a vida acontecer.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Política não é tão simples...

Esta é uma redação de 2002 que encontrei em casa, a proposta era dissertar sobre a seguinte frase na avaliação mensal da disciplina de filosofia:
"Política é o processo de formação, distribuição e exercício do poder"
~ Lasswell e Kaplan

Política não é tão simples

Penso que política é uma ciência muito complexa que não deve ser jugada e classificada em formação, distribuição e exercício do poder, já que não existe realmente uma formação para o uso desse poder, que por ser adquirido de forma injusta, fraudulenta e criminosa em grande parte dos casos, e não deveria ser deixada nas mãos de tantas pessoas, se pensarmos bem quatro pessoas seriam o suficiente.

Meu ponto de vista é: em uma câmara de vereadores, sempre existem os que são honestos, que não aceitam serem comprados e os que se vendem porque não se importam com ninguém além deles próprios e o dinheiro que vão ganhar. Uma chapa com apenas quatro pessoas seria formada de: prefeito, dois vereadores e um executivo fiscal, sendo que o prefeito é quem toma as principais decisões, os vereadores o auxiliam e trazem projetos, enquanto o executivo fiscal tomaria as providências para que tudo fosse feito exatamente como decidido.

O papel da população é de fiscalizar e cobrar o prefeito por melhorias para a qualidade da cidade.
Acredito que em quatro pessoas no poder, a corrupção e a compra dos candidatos seria mais difícil e a população teria maior controle e atenção nos candidatos no período de eleição, fiscalizariam melhor os eleitos e cobrariam mais por saber à quem e quando recorrer.

A formação do poder é feita de forma ineficaz, contra a lei e usando dinheiro que não lhe pertence. A população não é formada para decidir o futuro da cidade e eleger os candidatos corretamente. Enquanto a população for ignorante, os problemas vão continuar.
A distribuição do poder é mal feita, não é digna de confiança, e sempre cai nas mãos de corruptos.

O exercício do poder não ocorre de forma aproveitável para a cidade e não ajuda em nada para seu crescimento, já que mesmo com tantos cargos e tantos representantes políticos, o poder está concentrado nas mãos de poucos "manda-chuvas" que controlam todo o sistema. A limitação de poder em poucos representantes facilitaria a formação de uma população consciente, inibindo a desonestidade, e diretamente colocando parte da responsabilidade desse poder também para o povo, que precisa participar ativamente da política para não mais ser enganado.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Assumindo a parada...

Com tanta discussão sobre homossexualidade, acredito que é importante que casos positivos se manifestem, portanto vou lhes contar sobre a minha experiência.
Faz 10 anos que eu me reconheci e assumi gay, e 8 anos que assumi minha sexualidade para meus pais.
Devo ressaltar que fui abençoado com uma família maravilhosa, mas a aceitação partiu primeiro de mim e com isso em mente lhes digo: assumir-se gay é finalmente libertar-se das correntes que tanto nos impunha a sociedade e entender que sua sexualidade não define quem você é.

Depois de me assumir, mesmo não tendo ainda contado aos meus pais, eu já senti a diferença de me sentir mais solto ao falar sobre o assunto com meus amigos, sem medo que alguém ouvisse ou que fosse descoberto, e à partir deste ponto entendi uma coisa muito importante, que temos um medo imaginário que todos estão prestando atenção em você e são vigias dos seus atos e da sua sexualidade, ou que qualquer palavra relacionada à homossexualidade mesmo cochichada seria audível até da China se pronunciada por você. A grande maioria desses medos ou receios são bobagem, pois assim como você, as outras pessoas estão cuidando de suas próprias vidas e, se ainda não chegou, vai chegar uma hora que você vai se preocupar tanto com a opinião dos outros como se preocupa com o anel em torno de Saturno, vai por mim.

Uma experiência: para a audição do musical "Wicked" eu fui pintado de verde, como a personagem Elphaba, e depois da audição, saí para tomar um café ainda pintado de verde. Eu estava receoso que as pessoas fossem olhar, brincar, zoar, mas fui mesmo assim, e para minha total surpresa, só duas pessoas olharam e riram, o resto nem percebeu! no meio de uma cafeteria cheia. Então, meus caros, esqueçam o heliocentrismo! Os gays são mais comuns que uma pessoa verde!

Contar para os pais é uma tarefa titânica, exige confiança e planejamento. Se você ensaiar o discurso é melhor, mas você tem mesmo é que se preparar psicologicamente para possíveis perguntas e principalmente para acusações. Importante dizer: você se aceita? Se você mesmo tem dúvidas, ou receios sobre sua sexualidade, primeiro entenda-se, e isso vai tornar o papo com os pais verdadeiro e esclarecedor.
Comigo foi tranquilo porque eu me preparei bem, escolhi as palavras e o momento em que meus pais estavam mais calmos, acredito que isso é importante, eu escolhi falar individualmente com minha mãe e com meu pai, lidar com um de cada vez e do seu jeito, pois cada um age de forma diferente e você deve saber sobre o temperamento dos seus pais, então prepare-se de acordo.

Com minha mãe foi muito simples, as mães tem mais facilidade de ler e entender os filhos e saber pelo que eles passam, e bem clichê, minha mãe já sabia. Mesmo que sua mãe já saiba, ou não, dedique um pouco de atenção sobre o assunto com ela porque elas podem aceitar com mais facilidade, mas entender é outra história. Então sente com ela e converse, pergunte se ela tem alguma dúvida, explique que nada muda, a única coisa que muda é que para ter um neto seu, vai ter que provavelmente adotar. E isso é um dilema para as mães, elas normalmente esperam um netinho da gente.
Sua mãe pode lhe dar conselhos sobre como conversar com seu pai, afinal ela o conhece a mais tempo que você, mas não a envolva na conversa que tiver com ele. E caso fale primeiro com seu pai, a mesma coisa, não o envolva na conversa com sua mãe, eles podem achar que o outro estava guardando segredo, entre outras coisas.

Quanto ao pai, dobre o tempo de atenção que vai dar a ele, pois ele sente isso como uma culpa, indireta e inconscientemente ele se culpa pela homossexualidade nos filhos seja homem ou mulher.
A reação do meu pai não foi das melhores, ele não acreditava que tinha me "criado para isso" e que eu fosse me tornar "mulher dos outros", o que eu tive que explicar muito bem detalhado para ele que ser gay é simplesmente amar pessoas do mesmo sexo e isso não significa que você vai mudar de sexo ou se submeter à qualquer coisa. Demorou um tempo para que ele digerisse a informação, eu fiquei com medo, mas era a coisa certa a se fazer, afinal de contas nossos pais são as únicas pessoas no mundo todo a quem devemos sim explicação, por respeito à vida que nos deram e aos sacrifícios que fizeram pela nossa criação e educação.

Hoje temos muito mais liberdade e informações sobre a homossexualidade, porém à 8 anos atrás, havia muitos mitos que tornavam o preconceito mais medonho, especialmente que gays se vestiam de mulher e saíam por aí transando e transmitindo doenças. E infelizmente algumas pessoas continuam preconceituosas e violentas contra os homossexuais, portanto todo cuidado é importante, mas não devemos ter medo de ser quem realmente somos e amar, quem quer que seja.

Finalmente eu acredito também que por ser gay não precisamos bater com os cílios postiços e de vestido brilhante na cara de ninguém para conseguir respeito, a luta pelos nossos direitos é diária e progressiva, mostrando que somos seres humanos acima de tudo, que amamos, trabalhamos, festejamos e erramos como todos fazem, por isso não adianta querer conseguir as coisas à força, daremos nós também o exemplo de respeito e cidadania que queremos e sabemos, com as conquistas que já aconteceram, que é possível, basta ter paciência e não desistir.
Beijos, abraços e paciência.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Não quero mais chorar...


Chega! Eu não quero mais chorar, chorar por tudo!
Digo que chega porque me basta o tanto que sofremos!
E que acabe aqui, que seja o fim, que não volte mais!
Eu não sei o que fazer, então eu grito, eu peço, eu rezo.
Deuses, que o fim seja definitivo, mas que a vida continue.

Você que também não aguenta mais o sofrer, esse vai e vem,
esses problemas que não são nossos, dessa gente que não sabe
nada do que é ser gente, que sabe tanto, mas que não usa isso
para suas próprias vidas, como existir se não para ser vivo?
Me choca! Sério! Me dói e me alarma tanta escrotidão!

O tempo da tecnologia é o fim da humanidade.
Já que nada mais funciona se não estiver ligado à força,
e à força é que tudo funciona na verdade, sem sentido,
nenhuma energia humana é capaz de fazer uma máquina
funcionar e parar, pois agora nada mais para também.

Não basta, não acaba, não escorre ou descansa.
Nem a gente, nem as máquinas, nem as lágrimas e
quem não consegue mais ficar em pé, é trocado, é
só uma coisa para quem pode ter várias coisas,
vários humanos, números, frágeis e mutáveis na tela
do computador que  nunca erra, o erro é do humano.

E o humano é quem paga o pato, todos os humanos
mas os humanos da tecnologia não conseguem ver nada
se os números estiverem favoráveis, então está tudo bem.
Eu queria só entender, qual é a lógica que faz a máquina
humana funcionar? Qual a energia que nos faz girar?
É aquela que morre a cada dia por não ser importante.

A natureza que é a única capaz de realmente dar
sem receber nada em troca e sem exigir demais.
Morremos quando morrer a natureza. E não sabemos.
Simplesmente ignoramos, como se nada fosse finito.
Infinita nossa ignorância e petulância. Infinitos sejamos
e que os computadores estejam inteligentes até então,
pois eles não choram, e mortos também não, não é?

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Na mira!

Pense sobre a incontável quantidade de ações que você executa no dia a dia.
Agora pergunte-se: todas elas são necessárias? Todas elas são agradáveis? Tem alguma que você pode eliminar, ou talvez, até deva eliminar?
Mesmo que essa seja uma reflexão um pouco extensa e entediante, eu sugiro que a faça sem se preocupar com o tempo que ela vai levar, durante o seu dia simplesmente repare a quantidade de coisas e até mesmo situações que você poderia evitar fazendo uma faxina na sua rotina e quebrando a barra do conforto que é repetir e refazer algo que está acostumado porém, não te traz mais os mesmos benefícios.

E é sobre isso mesmo que você realmente deve pensar e analisar no seu modo de vida, a sua "zona de conforto" tão famigerada e comentada.
Vamos primeiro aos fatos:
- Se fizer sempre as mesmas coisas, muito provável que não terá novidades ou melhorias nos seus projetos, trabalho e casa.
- Zona de conforto não é a mesma coisa que rotina.
- Rotina é necessária para ajudar o nosso cérebro a focar nas atividades complexas, mas temos que ter um dia pelo menos para a quebra da rotina. Sem uma lubrificada nas engrenagens, quebrando a rotina para relaxar e dar um desafio ao corpo e à mente, sobrecarregamos nosso sistema.
- A diferença entre rotina e disciplina é o que vai te salvar da zona de conforto.

Então trocando em miúdos:
Rotina: repetição mecânica de ações ou responsabilidades do dia a dia, apego ao uso geral, sem nenhum interesse pelo progresso.
Disciplina: foco em ações e boas práticas/regras que auxiliam na realização das tarefas e aprendizado para que se atinja um objetivo. Organização e administração do tempo e das ações que levam a um determinado fim.

Sem um foco, a disciplina é impossível, portanto faça um plano e limpe a sua rotina para que execute somente as tarefas necessárias para que seu objetivo seja alcançado e, disciplinadamente, siga o roteiro traçado. Durante o caminho dependendo das interferências da vida, seu plano terá que ser adaptado ou talvez ele até mude por completo, não tenha medo dessa mudança, mas continue focado no que deseja e continue a executar os seus planos.
Quebre a rotina aos finais de semana, relaxe! E faça o que ama. Senão não tem graça.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Um espetáculo - Murmuration

Quando essas duas jovens resolveram viajar de canoa, não imagino que isso tenha passado pela cabeça delas.
Um espetáculo mesmo, desses dançarinos dos céus.
Incrível e emocionante assistir!

Um grupo de Estorninhos é chamado de Murmuration.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Exterior ou Interior?

Inside-Outside - FredG
Estamos acostumados demais ao exterior.
Temos uma imagem construída de tudo, pois o que vemos é o que está do lado de fora.
Desafio: pense como um rato!
Você não pensou como um rato, nem vai pensar...

Você primeiro visualizou o rato, pensou na orelhas, nas patas pequenas e nos movimentos rápidos.
Você só pensou EM um rato e não COMO um rato.
Temos memória relativa, relacionamos palavras com as imagens que conhecemos e quando pensamos na palavra, vem sua imagem automaticamente no grande telão que temos no nosso cérebro.
Dessa imagem é que tiramos o que fazer, o que sentir, o que somos.

Espera! O que somos...
O que somos?
Estamos muito acostumados a achar que somos muita coisa, que sabemos muitas coisas, que podemos muitas coisas.
Somos? Sabemos? Podemos?
Mesmo?

Bem, sei que o rato foi um exemplo bem besta, mas seja sincero, você consegue pensar como um rato?
Eu sei que não sabemos como um rato pensa por não sermos ratos, e por eles não poderem nos contar, mas então já derrubamos o "achar que sabemos".
Sei também que não é tão simples assim você sair fazendo tudo que te pedem ou te desafiam, pois é por essas e outras razões que também derrubamos o "achar que podemos".
E então a questão é: quem somos?

Não somos ratos, disso nós já sabemos! Mas não devemos nos espelhar nas imagens que temos de outras pessoas para entender quem somos. Já vimos com os ratos que isso não funciona, então também sabemos que estamos muito exteriorizados, o que não é bom, portanto a solução é simples, é olhar pra dentro!
Assusta! Porque você nunca olhou pra dentro, nunca deixou entrar luz então tá tudo escuro e muito fechado, isso quando não está bagunçado. (e quando não estamos bagunçados?)

Então, primeiro comece a conversar com você mesmo. Em voz alta é mais eficaz. Não use um espelho, pois vai ficar preso de novo no exterior. Fale. A primeira coisa que vier na sua cabeça. (na minha veio "Bixcoito" agora.)
É sim o primeiro passo, pois da primeira palavra você vai quebrar o gelo, você precisa falar com você mesmo porque ouvir seus próprios problemas te dá outra perspectiva, você estará falando com seu interior, com seu subconsciente, o que ativa uma perspectiva diferente sobre o seu próprio mundo.
Ouça seu nome saindo da sua boca, é totalmente diferente quando alguém te chama e quando você mesmo se chama. Experimente e deixe fluir. Converse em voz alta consigo mesmo e veja quantas coisas estavam escondidas de você sobre você mesmo. E entenda como é descobrir seus próprios tesouros...

sábado, 18 de janeiro de 2014

Você tem a razão...


A minha razão é diferente da sua e, naturalmente, a sua é diferente da minha.
Isso só seria definitivo se fosse uma equação matemática onde com algum trabalho chegaríamos à uma resposta exata, e tratando-se de matemática como ciência, indiscutível.
Porém não acontece com a teoria nem com as nossas opiniões, que podem gerar uma discussão infinita e, que sem ultrapassar outras barreiras psicossociais, não levariam à resposta alguma.
Analisando essa afirmação, não existe razão alguma que possa ser exata.

Do pouco que conheço sobre a razão, se existem outras formas de pensamento, ela deve analisar cada uma com justiça considerando todas as possibilidades para encontrar o denominador comum e então esta resposta estará mais próxima da Verdade, mas não deve ser considerada absoluta, pois não sabemos quantos outros fragmentos ainda podem ter sido deixados de lado ou são desconhecidos até então.

Para fins da decisão de uma discussão sobre ideias onde são apresentados um número limitado de opiniões, pode-se chegar à uma conclusão satisfatória para todas as partes daquele cenário, a racionalidade então mostraria uma face da verdade, que resolveria o problema e finalizaria a discussão de forma equilibrada e lógica, mas de maneira alguma seria a Verdade absoluta que instintivamente buscamos.

"Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas."
~ Friedrich Nietzsche

Opiniões mudam com o tempo e com as descobertas que desconstroem antigas teorias e pensamentos, mesmo assim a Verdade absoluta é desconhecida por uma simples razão: continuamos a descobrir novas informações sobre o que já conhecemos, e seria muito precipitado dizer que a encontramos por entender de uma ou outra teoria ou mesmo ciência considerada exata.
A busca da Verdade é a razão que faz com que a humanidade toda levante-se da cama, trabalhe, comunique-se, pesquise, etc. A nossa vida é uma eterna busca pelo que não conhecemos ainda.

A humanidade tem um grande caminho a percorrer, já que muitos param suas buscas ao encontrar sua parte da verdade e frustram-se com facilidade ao perceber algo incorreto em suas afirmações, até aquele ponto, tão certas. Neste contexto, eu costumo dizer: "Você tem a razão, mas não busque por certezas."
A certeza é a abstinência de dúvidas, e quando se trata de assuntos tão abstratos como a Verdade absoluta, é possível fazer uma afirmação certeira e errar. A certeza é exata e até mesmo nas disciplinas exatas muitas descobertas que eram certezas comprovadas são reavaliadas com a aparição de novos fatos, portanto não eram completas.

O que conhecemos até agora é a nossa verdade e para encontrar paz na nossa existência ela deve ser vivida plenamente, porém sem fechar nossa visão para o novo, sem fazer-se uma certeza que não existe.
Acreditando que a vida é uma eterna busca pela Verdade deixamos ligada a nossa capacidade de aprender e compreender com humildade novas informações, que devem ser avaliadas pela razão e então transformadas em conhecimento. Isso é possível em qualquer parte da vida pessoal ou acadêmica, psicológica e espiritual, nossa existência é uma contínua sinapse de informações que são processadas, analisadas e transformadas em conhecimento, retendo o que nos faz bem e eliminando o que não nos interessa.

Com esse texto espero que perguntem-se sobre sua verdade e antes de dizer que tem certeza de algo, ou que a opinião e informações que lhe são apresentadas são certas ou erradas, analise com base na razão e não na emoção sobre o assunto.
Boa reflexão.

"Não há nada no mundo que esteja melhor repartido do que a razão: toda a gente está convencida de que a tem de sobra."
~ René Descartes

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Portal Zen: Aparências...

Um samurai, conhecido por todos pela sua nobreza e honestidade, veio visitar um monge Zen em busca de conselhos. Entretanto, assim que entrou no templo onde o mestre rezava, sentiu-se inferior, e concluiu que, apesar de toda a sua vida ter lutado por justiça e paz, não tinha sequer chegado perto ao estado de graça do homem que tinha à sua frente.
- Por que razão me estou a sentir tão inferior a si? Já enfrentei a morte muitas vezes, defendi os mais fracos, sei que não tenho nada do que me envergonhar. Entretanto, ao vê-lo meditar, senti que a minha vida não tem a menor importância.
- Espere. Assim que eu tiver atendido todos os que me procurarem hoje, eu dou-te a resposta.

Durante o resto do dia o samurai ficou sentado no jardim do templo, a olhar para as pessoas que entraram e saíram à procura de conselhos. Viu como o monge atendia a todos com a mesma paciência e com o mesmo sorriso luminoso no seu rosto. Mas o seu estado de ânimo ficava cada vez pior, pois tinha nascido para agir, não para esperar.
De noite, quando todos já tinham partido, ele insistiu:
- Agora podes-me ensinar?
O mestre pediu que entrasse, e conduziu-o até o seu quarto.

A lua cheia brilhava no céu, e todo o ambiente inspirava uma profunda tranquilidade.
- Estás a ver esta lua, como ela é linda? Ela vai cruzar todo o firmamento, e amanhã o sol tornará de novo a brilhar. Só que a luz do sol é muito mais forte, e consegue mostrar os detalhes da paisagem que temos à nossa frente: árvores, montanhas, nuvens. Tenho contemplado os dois durante anos, e nunca escutei a lua a dizer: por que não tenho o mesmo brilho do sol? Será que sou inferior a ele?
- Claro que não - respondeu o samurai. - lua e sol são coisas diferentes, e cada um tem sua própria beleza. Não podemos comparar os dois.
- Então, tu sabes a resposta. Somos duas pessoas diferentes, cada qual a lutar à sua maneira por aquilo que acredita, e a fazer o possível para tornar este mundo melhor; o resto são apenas aparências.

Autumn moon - JungShan Ink

domingo, 12 de janeiro de 2014

O dia tem que raiar por aqui...


Começou com um frio na barriga, sabe?
Eu estava lá, tranquilo, quando aquele negócio começou a se mexer dentro do peito.
Dá um medinho, te deixa desconcertado e algumas vezes faz você ficar meio zonzo.
Estando junto, tá tudo bem, tranquilo.
Mas quando separa, é uma dorzinha no fundo da alma que não se explica.

Começou numa fatídica terça-feira de muito calor. Ok, não estava tanto calor, mas era terça.
Finalmente algo bom ia acontecer e eu, dessa vez, não estava ansioso.
Combinado o dia e nada da hora chegar, e estava tudo bem, tinha tanta coisa na cabeça e tão pouca necessidade de me estressar que realmente não ligava tanto para você.

Nos encontramos e foi mágico.
Um dia todo juntos, um abraço mais apertado que o outro, e a vontade que sentia desse dia foi proporcionalmente saciada.
O dia terminou, o até logo chegou, e foi o fim de tudo.
Pelo menos era o que eu achava.

Tudo que ficou foi a saudade, e um sentimento bom, a saciedade plena.
O que se seguiu é que foi um problema, porque depois de um tempo, o primeiro encontro tornou-se outro.
E neste segundo foi de lascar!
Se a gente alimenta a saudade ela quer é ficar por perto, e a gula de você cresceu mais uma vez.
Não quero ir embora, não quero te deixar ir também.

Entenda, o que me toma não voltou ou nasceu agora, eu já havia dominado e dobrado com carinho, colocando com jeitinho no armário das boas memórias que a gente sempre guarda no coração.
Mas tem gente que gosta de colocar isso pra arejar, tomar Sol, reavivar e algumas das coisas não precisam.
Bem, o Sol chegou, e ele é você.
Mas o Sol é da gente. O Sol sou Eu! Então a confusão se instalou.

Na verdade, eu só queria poder ter-te comigo mais um pouquinho.
Ter-te.
Não é pra mim, não é pra te tirar a liberdade, ou muito menos te fazer só meu.
É só para que a saudade cometa suicídio, e o coração se encha de tanta luz, que o Sol volte pro lugar que tem de estar.
A noite é linda, mas o dia tem que raiar por aqui.

O sentimento nunca vai mudar, sua presença é cativa e cativante no meu coração, então me encarrego de sair daqui com o brilho que me agrega, sem mais nenhuma dor.
Tendo-o ou não.
Tê-lo não é o ponto, mas você ter-me.
Não vou negar, mas é que agora, depende só de você.
E de você, eu já não sei mais nada...

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Fúria!!!


Quem nunca teve aquela fase ruim.
Quando você quer que o mundo se foda, que foda-se o mundo e todo mundo se fodendo não cala o sentimento de frustração que cresce.
Um tesão por drama, cuidado de um extremo oposto das sensações e das extremidades do corpo já quase sem sangue corrente, que se esvaiu enquanto tentava cortar os gastos, nos pulsos desgastados do trabalhador com filhos pra cuidar e um desejo desenfreado por menos TV e mais realidade sem pudores, sem promessas descumpridas de uma corja mal comida que não liga pra mais ninguém.

Se fosse meu esse filho mal criado que vivemos hoje no país mais feliz do mundo, eu faria pagar dobrado os pecados contra essa nação tão bruta com seu rebanho. Fossemos gado de corte, que se arranca os pedaços e se acaba com a danação num só golpe de facão ou um tiro de calibre 12.
Mas morremos na mão do próprio povo que carrega um revolver 38ão e pede uma moeda pra ajudar na refeição ou na passagem do busão pra voltar pra sua cidade.

A gasolina já acabou, porque subiu de novo e não tenho mais condições pra encher nem mesmo a geladeira, e o álcool nacional é mesmo a cachaça, mais pura que o mel de abelhas dos lugares mais exóticos do interior, talvez, mais forte que o sal que colocam nas feridas de quem realmente passa os dias de sol a sol para conquistar em 5 anos um carro usado e o sonho de ter casa própria para chamar de lar.
Uma realidade muito próxima de quem vive longe de qualquer condição de educação e também longe dos recursos que produz pra exportação.

O deleite de uns poucos no esforço redobrado desse povo estropiado, que vive mal vestido, não fosse um sorriso largo no rosto, o samba no pé e o desejo de ser feliz que veste corpo e alma daqueles que carregam no peito um coração de verdade.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Polvo ladrão - a aventura!

Achei esse vídeo por acaso, enquanto via vídeos de animais engraçados com meu amigo Mateus Dk, e me encantei demais com a história e a situação vivida por esse mergulhador.

Enquanto Victor tentava filmar um polvo selvagem na Nova Zelândia, então o danado esticou seus tentáculos e roubou a câmera do cinegrafista, e saiu nadando com ela ainda gravando.
O Victor foi atrás do polvo trombadinha por 5 minutos e depois de várias tentativas sem sucesso, usou um arpão pra tirar os tentáculos da câmera.
Deu certo, mas veja só o que acontece depois no vídeo:


Foi bem legal o que o Victor fez, uma aventura e muitas risadas.
Espero que tenham gostado!

Compartilhem.

E a música é essa aqui: Octopus I love you - Dalmatian Rex and the Eigentones

Saber para dizer...

Disse-me aquele senhor alto, cuja idade já se parecia com muitas vidas humanas, disse-me bem baixinho, com o peso de sua sabedoria e com palavras suaves, já era grande em tamanho, não precisava também fazer-se ouvir no fim do mundo.
Não tinha pressa, não tinha como ter pressa, e sabia que depois de muito tempo, ter pressa não o levaria mais a lugar nenhum.
Falou-me sobre sua vida, mas não suas decepções ou frustrações, contou-me das vezes que riu muito, e das várias vezes que riu em muitos, quando ele não estava só naquela imensidão de lugar. Hoje com uma grama rasa, sem animais, sem mais nada senão aquele gigante.

Mas era bem vivo, e vivia desse espetáculo de observar e ouvir as estrelas que Olavo Bilac tão bem falou sobre em sua Via Láctea, vive sobre o amor, e sabe que é eterno enquanto dure, sabe tão bem quanto Vinícius.
Não irá nunca realmente embora, embora Manoel lhe tenha convidado para visitar Pasárgada várias vezes sem sucesso, seu santo era forte, tão forte quanto suas raízes fincadas naquela Terra que lhe servia à vida.
Não era exilado de sua terra como os Dias.
E me ofereceu um convite, que lhe foi feito tem muito tempo, por Drummond, para passear pela Máquina do Mundo.

E depois desse passeio maravilhoso, que se abriu em meu caminho após encontro tão bem quisto com esse senhor de plenos anos vividos e conviver com tão boa companhia durante o passeio que me levou, terminou assim:

"Um sábio pensa rápido, mas fala bem devagar"

E essas palavras ecoaram pela minha mente imensa, e sem pestanejar eu pensei, mas não disse nada.
Ele me olhou satisfeito, continuando onde estava parecendo entender, absolutamente, o que eu pensara e sentira.
Meu pensamento, inquieto, aprendeu a esperar e separar as coisas umas das outras, para então com calma e serenidade expressar todas as ideias em sua devida ordem, todos os fatos com seus devidos acentos e exclamações, sem valorizar demais o que não carecia.

Merecida essa sabedoria de dizer o que deve ser dito, raciocinando rapidamente o que houver de imprevisto, e com todo o cuidado colocar o texto sem medo e sem apressar o passo no papel e na memória de todos que nele tocarem.
Contagiar sem remédio aqueles que estiverem ao alcance e sem distinção.
Sem pressa de chegar ao Fim.