Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Um imprevisto de Ano Novo...

Pensar no amanhã é uma aventura à parte. Tantas possibilidades. Você viaja em você mesmo.
O que será que vai me acontecer daqui a 10 ou 30 ou 50 anos? E um você mais velho vem responder:

- Daqui 10 anos, você vai estar bem empregado, a economia ainda não ajuda e por isso você ainda paga sua casa com muito esforço, mas consegue viver bem. Você se casou, sabia? E é feliz!

- Mais 20 anos se passaram. Incrível como o tempo passa e a gente nem vê! Seus filhos já pensam que são grandes o suficiente para te dizer o que fazer. É engraçado e você concorda, claro. Você é feliz com seu companheiro, na sua própria casa e fazendo viagens legais conhecendo um pouco do seu país. Aqui é lindo, sabia?

- É... quando chegamos nessa idade a vida começa a fazer mais sentido. Quem me dera ter a sua idade com a cabeça que tenho hoje. Mas aí eu não teria chegado até essa idade. Não mesmo! Ai ai, como é bom relembrar o passado e ver que eu vivi muito, mesmo que naquela época achasse pouco. Veja! Eu estou mais que feliz. Só me doem as costas. hahaha

Apesar de essa ser a resposta de todo mundo quando pensamos nos anos vindouros, não concordo muito com essa generalização, e tive que controlar meu senso aventureiro e louco ao escrevê-las.
Por quê o fiz? Bem... não controlei tudo. Coloquei a impossível felicidade em todos eles, já que de tão impossível, ela me acompanha todos os meus dias, até hoje. Eu contrario o tempo e a mente coletiva de onde vivo e me convenço sem muito esforço de que sou feliz, e tenho momentos de infelicidade, apenas.

Quando penso em 10 anos à frente, me lembro dos 10 anos atrás primeiro, faço uma pequena retrospectiva que me mostra que nesses anos todos, eu pude sempre aumentar meus feitos em quantidade e qualidade, por isso não penso em uma vida pacata como nos comerciais de margarina. A vida nos filmes é atraente, mas insossa... Pode ser que de repente apareça na minha frente um alien, um espírito, um cabrito ou uma paca! E aí sim as coisas ficam interessantes. E ao contrário do faz de conta, não vai durar alguns minutos, mas sim todos os meus longos anos. E pra isso que nasci.
Pra isso que nascemos todos nós, para lidar com o imprevisto diário e fantástico que é viver.

Feliz Ano Novo! `^^´

Felicidade, Paz, Amor e Prosperidade!

sábado, 27 de dezembro de 2014

Magnético...

Foto de Gal Oppido
Tem algo no corpo humano que me prende.
Os meus sentidos se prendem nas linhas, nas curvas, nos sulcos que formam desenhos e relevos na pele, nas roupas, em tudo...
É hipinótico, sensual, erótico. E ainda assim é divino! Um misto de bom e mau, já que não sabemos realmente sobre anjos e demônios, mas acreditamos que são belos e perfeitos, como os corpos podem ser. Veja que não estou falando dos deuses gregos, não. Eu estou falando sobre a beleza natural do corpo que não é construído para ser bonito, mas é bonito por natureza. Como todo corpo o é.

O corpo e seus vincos, declives e afins é sexual, voraz movimentando-se com os músculos relaxando e contraindo, atraindo o olhar como uma serpente paralisa a vítima para o bote.
Ah, isso me deixa louco! Excitado e febril com tamanha ousadia! Rebeldia dos que aceitam o corpo como é, como nasceu. Felizes ou não, mas por serem únicos e cheios de prazer.
O corpo é um dos prazeres mais intensos do planeta, completa-se um com o outro, e cabem mais mesmo que pouco explorado. E explorar é de meu agrado.
Cada corpo, com sua peculiaridade, atravessando na intimidade uma ponte segura para descifrar essa fabulosa obra de arte. Arte que arde o coração de desejo e vontade. Arte que me deixa louco pra mergulhar nos mistérios do seu corpo e desvendar todos os pontos e segredos de seu charme sem igual...

Chega mais!

Estou tão perdido em preocupações, que me perdi de verdade, perdido da família, perdido dos amigos, perdido de tudo que me rodeava. A tecnologia que vem para unir e aproximar me afastou do mundo real, o digital tomou conta e tirou meu norte. O tempo não passa, as horas voam e os dias especiais, ocasiões e Natais tem-se perdido. "Nossa, já é Natal!" E eu nem comprei os presentes pro seu aniversário que foi 2 meses atrás. "Desculpe!" Não basta... Basta!

Totalmente inconsciente, descuidados dos dias que passam, que passam voando sem que nos demos conta das pessoas à nossa volta. "Poxa, é seu aniversário! Parabéns!" Felicidade passageira, de um dia que nem foi comemorado porque ninguém lembrou. Muito trabalho... O Facebook não avisou, desculpe... Já passou? Passa dessa vez, mas não da mais.

Na verdade, chegue mais, por favor! Chega aí, senta comigo e me fala dos seus dias. Me conta o que te faz mal, me conta, do que você riu hoje? Sei que temos muito a conversar, só não sabia como encontrar você. Nossa, como você cresceu! As novidades não tem final, por mais que não seja nada especial, o que torna tudo mais legal é que você está aqui, comigo. Me dê sua mão e vamos explorar esse mundo de nós dois. Acredite, o que pra você hoje é banal, para mim pode ser a melhor coisa do mundo. E como vamos saber? Temos que nos tocar, abraçar, encontrar nos papos bobos ou em um encontro de fila de supermercado. Um motivo para papear?! Não... Chega! Isso, chega mais!

Me estende sua mão, pois eu estou com as minhas mãos loucas de vontade de te levar pra outro lugar. Vamos viajar e presentear quem amamos com coisas que nós mesmos fizemos questão de criar. Sem deixar passar aqueles momentos brilhantes, nem as datas importantes, que ficam no calendário sem nenhuma marca, e que mesmo assim não saem da memória! Que festança! "E não tinha nada demais. Tínhamos nós, um churrasco e risadas." E foi incrível, foi especial!
Chega mais, senta ai, vamos embarcar nessa viagem do novo e do Ano Novo, sem superstições e com muito amor, luz e paz! Chega mais! Afinal.....

sábado, 20 de dezembro de 2014

Embora...

Desenho de Luiza Maciel Nogueira
Escreveria pela sua força.
Por saber que vai ler e por querer que não leia.
Somente para ser do contra.
Contra o seu poder sobre tudo que sou, e nem sei o que é.
Não saberia se te tocar só com palavras seria suficiente.
É melhor tocar com o toque de uma rosa enquanto beijo seus lábios.
Quanto mel, quanto açúcar numa só declaração que nem deveria ser doce.
Não te quero, mas mesmo assim espero te encontrar. Por quê!?

Esperança. Aquela que não morre. Ficou presa na caixa com Pandora.
Na hora que ia embora, a menina se prendeu.
Perdeu-se no limbo do Olimpo e foi pro fim do mundo.
Agora, ela vive em todos nós, parte desassociável do Eu.
Pregada na cruz e impedida pelo fio da espada, é a lei una.
Nossa sina só se separa com o fim dessa trama entravada.
Vida que não se perde e se agarra nas esperanças que não se realizaram.
Nem irão. Não se sabe. Nem se quer saber.

E para que os pronomes próprios se resguardem do páreo, minto.
Esqueço suas características mais marcantes e te torno ser comum.
Impossibilito qualquer ligação de carinho ou de assunto.
Seguimos nossos caminhos sem nenhum contato imediato.
O "bom dia" de sempre, "Como vai? Bem obrigado".
E deixo as lágrimas que não secaram guardadas no coração.
Não pra me lembrar de ti, nem dos seus segredos que compartilhamos.
Mas para me esquecer de te esquecer, e não abrir novamente as feridas que cicatrizaram depois de tantos pontos soltos pelos caminhos da nossa história. Que não acaba e nem vigora.
Agora, resta esperar pela nova aurora.
Quem sabe, eu te encontro e te deixo ir?
Já sei. Te encontro sim, mas dessa vez, te mando embora!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

E quando você vai melhorar?

"Bem que se quis, depois de tudo ainda ser feliz"...
Bem interpretou Marisa Monte, mas vamos levar essa reflexão além, pois precisamos ser felizes mesmo com o pouco que temos, e já que temos cada vez menos, que sejamos heróis de nós mesmos e não dos outros.
Individualize-se consigo mesmo, pense mais em você, mas não se iluda com a sensação de ser o dono do mundo. O mundo é maior e já aprendeu essa lição que todos nós patinamos a vida toda pra entender. Somos donos de nós mesmos, e só. Quiçá de nossos corpos que deterioram com o tempo e com o oxigênio que precisamos para sobreviver. Veja só a ironia de viver, precisamos do que nos destrói para continuarmos aqui, para conseguir continuar temos que usar de combustível o que no final nos matará. O mal mesmo é perder-se em mais uma ilusão, de que vivemos para sempre, ou pior, que não temos tempo suficiente pra viver.

Confuso como deve ser, viver não é bolinho de chuva com açúcar e canela. Viver é desafiar-se e destruir as ilusões que envolvem nosso mundo desde o nascimento até o fim dos tempos. Enquanto acreditarmos na pior das mentiras, a egótica máxima de que somos o centro do universo, estaremos presos na força gravitacional do Todo, o centro atrai tudo, bem e mal com toda intensidade. Que tal aproveitar o universo em seus vários ângulos e dimensões para desfrutar do Todo que é você? Basta morrer em si. É suficiente que se enforque em palavras que te deixam mais leve, ou em atitudes que vão contra sua zona de conforto, estourando essa bolha de perfeição que também é o véu ilusório que te deram de presente por ser humano.

Quantas vezes você já se deixou desafiar? Por quantas vezes você se questionou e argumentou contra o que você é hoje? Essa é a verdadeira liberdade, ir contra você mesmo e vencer. Enfrentar os seus medos e ser mais forte que suas coragens. Destruir o seu velho eu para que um novo você renasça melhor e menos covarde. Faz um teste. É difícil no começo, como tudo na vida, mas depois que você experimenta a leveza de se renovar, de mudar de opinião, a liberdade de estar errado sem ninguém pra te julgar... Liberdade e loucura sem nenhum remorso! É disso que to falando.

Assim quem sabe aquela luta que tanto te derruba passe de uma dificuldade para um desafio. Os problemas mudam de cor e de preto ganham tons acinzentados cada vez mais brandos, até sumirem. E a sua visão melhora, cresce, aumenta, te faz vez o que estava à um palmo do nariz, e além. Além do arco-íris! É pra esse lugar que você deve focar suas forças, ajustar as velas e seguir sem medo. Mas para saber que ele existe é preciso procurar, ele está dentro de você, aquele lugar ao Sol, que te fará feliz da vida e completo como um só.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Soneto da saudade...

A busca da felicidade
não é uma bobagem
é enfrentar toda a verdade
que não podemos negar

Interessante seria poder
acabar de vez com o sofrer
expressar os sentimentos sem medo
e poder confiar a um amigo um segredo

Tristeza não existe, amigo
o que existe é a falta de felicidade
que provoca na cabeça profundidade

Quem entende dos seus momentos
transforma a realidade dos eventos
que ocorrem no coração


Poema de 2007, quando estudava Comunicação, registrado num caderno perdido, cujo qual era também escrito de trás pra frente, com as coisas da cabeça quente de um jovem sem muita razão.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Tenho apenas 3 minutos...

Os meninos já foram-se deitar, a água do chá está quase fervendo, é tarde da noite e estou morrendo de sono. Coloco uma música calma para relaxar um pouco enquanto tudo vai aquietando por dentro também. Mas com esse silêncio no ar, as vozes em minha mente ficam ainda mais altas. Ouço-as perfeitamente bem e falam de tudo um pouco. Fico louco.
A chaleira apita, é hora de dissipar as ideias que me rodearam o dia todo, respirar fundo e sentir o ar preencher-se de erva-doce. Passando devagar a água quente pelo saquinho das ervas do chá, vendo colorir o incolor da água e perfumando de sabores dando água na boca. E nessa hora a campainha toca.

O chá ou a porta? Deixa o chá descansar, tampa a caneca e corre pra fora. Mas que surpresa é essa, você na entrada de casa, me fazendo esquecer de vez tudo que se passava na mente, e o coração pula como criança que tomou café. Faço-me de bobo e no escuro pergunto:
- Quem é?
Depois de um tempo, pareceu que te confundi ou te ofendi, respondeu baixinho:
- Seu carinho.
Derreti! Me recompus, acendi a luz e depois de esfregar os olhos, abri o portão. Bem pouquinho, o sono não deixou-me ter noção de espaço e mesmo espremidinho, você passou, veio me dar um abraço e eu não resisti.
- O que faz aqui?

Parou, me olhou com ternura, deixou a mão escorrer pelo meu rosto cansado e sem dizer palavra me levou pra cozinha. Me sentou na cadeira em frente ao chá já prontinho, colocou mais água na chaleira, espremeu duas gotinhas de beijos na minha boca e 3 de adoçante no meu chá. Me esperou recuperar os sentidos, colocou a água fervendo no chá de limão e sentando do outro lado da mesa me deu a mão.
- Vim te colocar pra dormir. - disse com cara de satisfação.
Tomamos nosso chá juntos e em silêncio. Nada mais se passava na minha mente e meu coração estava calmo e mais aquecido que o líquido em minha boca; mas não mais doce. Ele me olhava nos olhos, um sorriso torto e safado no rosto. Derreti; de novo. Me colocou na cama e apagou as luzes, me enchendo de beijos até que caí no sono. Era um sonho...

Acordei e o sol já estava alto no céu, o dia era lindo e ele dormia tranquilo ao meu lado. No criado da esquerda uma caixinha e no outro da direita uma tábua com café, torradas com margarina derretida e umas bolachinhas de nata, que só a mãe dele sabe fazer. Ele já estava acordado e agora com um olho só aberto me olhava com um sorriso largo de satisfação.
Levantou, serviu meu café e antes que eu saísse do banho estava pronto para me acompanhar. Levou-me ao trabalho e de lá se despediu.
- Amanhã eu volto. Cuidado quando voltar pra casa.
Deu um beijo tranquilo, demorou pra perceber que tinha me deixado em frente ao escritório, e saiu andando enquanto cantarolava:

- Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim,
Que nada nesse mundo levará... você de mim...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Eu sei!

Eu prometo!
Eu sei, pode brigar comigo. (Especialmente pelos erros, livres, espalhados por aí). Pode brigar! Eu não vou te impedir. Eu sei que faz tempo que não apareço, que não te dou a devida atenção. Não encana, não é nada com você. O problema é que não é nada em especial.
Eu sei que você vai reclamar demais, e você devia saber que eu vou ouvir tudo com atenção, te olhando bobo e querendo te parar só pra destacar o quanto você é lindo(a)! Mas seria pior que declarar a 3º grande guerra mundial. (em caixa baixa... guerra não tem que ter destaque).

Sabia que eu acho você linda(o)!?
Eu sabia. E sei. Sei também que não importa que você brigue comigo. O que importa é estar com você! (Que tapa ardido! poxa...) Mesmo assim, eu sei que o tapa foi na emoção e a dor passa; o amor não. Estava morrendo de saudades dessa briga boba, e mesmo que sem razão, já faz parte da minha sina.

É, demora mas não falha, essa nossa vida de cão e gato é o que alimenta meu desejo. Dizem ser assim que tem que ser pra dar certo, não é? Eu sei que você vai me perdoar depois de aliviar o estresse, eu estarei pronto pra te dar um abraço apertado, dar risada de você e caçoar da sua cara; só pra começar outra discussão. É divertida demais sua cara de bravo(a) quando não faço o que quer. E mesmo depois de tanto tempo, você não aprende, não se controla. Basta uma risada franca e uma piada fora de hora e pronto: você fica pistola!

Ah fazia tanto tempo que eu não vinha pra cá... mas as aventuras que vou te contar vão pagar essa ausência. E sei que mesmo que te tire do sério, eu sabia que ia me esperar...
Adoro esse seu jeito bobo de ser previsível e indescritível sem se importar com mais nada, senão ser você mesmo(a). Só pra me endoidar...

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Quando te vi em meus sonhos...

Não sei dizer quando nem onde nos encontramos pela primeira vez. Os sonhos pregam essas peças na gente. Sei que te encontrei e foi amor à primeira vista. Passeamos, conversamos, tudo era tão sutil e tão verdadeiro! Eu estava com você e nada mais importava. Até que eu acordei e sua presença não foi embora, você estava ali comigo e nada do que sonhei foi em vão.

Sonhos são desejos em manifestação. Nunca desejei tanto te encontrar. Sei que estou pronto, mas não sei nada mais sobre você além do sonho bom que dividimos essa noite. Inegável, foi real.
E nesse momento eu sei que você existe, e eu estou aqui, contigo na pele, seu...


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Sumiu o espetacular crepúsculo...

Passeio ao Crepúsculo - Van Gogh
O céu, agora escuro, mostra só o que ninguém quer ver. Escuridão de uma cidade velha, com ruas sem ninguém e um miado bravio da orgia felina.
Uma vez por dia, essa escuridão desaparece com as esperanças, já que as estrelas não brilham através da poluição humana. E a Lua cansou de se misturar ao monóxido de carbono, escondeu-se em meio as nuvens e perdeu o brilho.

Mas a cidade quieta na penumbra tem guardados em cada prédio diversos sonhos, alguns pesadelos e poucos insones jogados pelos cantos. Serve-se aguardente no copinho de café, uns petiscos fresquinhos e no alto de uma torre um gringo toma whisky regado à música clássica. Cenário típico de uma periferia ousada, que se auto intitula cidade moderna.

E de lá surgiu certa vez um rapazote de incrível destreza manual, que esculpia em pedra e madeira suas lamúrias, tentativas frustradas de deixar a cidadezinha e partir pra capital. "De lá sim, poderia fazer arte que fosse boa pra fora do meu quintal". Juntou as trouxas, vendeu seus móveis, guardou o resto embaixo do braço e partiu à pé pro rumo errado. Caiu nas graças de uma diaba brava que lhe roubou tudo que já não tinha. Perdeu-se na penumbra de mais um dia, de um sonho com cor de  cinzas.

Sumiu o espetacular crepúsculo, donde a Lua não saia, nem arte ou rapazote sem alegria. E outra noite enevoada fez calar a gataria com o choro surdo e doído dos pesadelos ganhados pela pinga nos copinhos e pelo whisky batizado de um falso doutor ancorado na chaminé.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sinta...

Algumas vezes quando estamos distraídos temos momentos surpreendentes. Pode parecer besteira, mas dia desses no camarim eu estava sentado na cadeira de bobeira, brincando, quando fechei os olhos e fiz a cadeira girar. Um sentimento de leveza tomou conta de mim. De olhos abertos, eu fiquei zonzo, mas quando fechava os olhos, eu podia sentir o vento, sentir o espaço e a velocidade que ia bem aos pouquinhos diminuindo, pude também me sentir girando, experimentando uma sensação diferente dentro e fora de mim. Então me cresceu uma euforia, havia mais além de um simples giro numa cadeira. Talvez seja por isso que as crianças adoram brincar assim, porque você consegue sentir-se!

Deve ser a mesma coisa que balançar numa rede, de olhos fechados e de braços abertos. É uma sensação gostosa de suspensão, um pouco da liberdade que tanto queremos e não conseguimos encontrar. Saímos do corpo. É o nosso voar!
É tão bom, às vezes, tirar os pés do chão e "voar". Sem ilusões de que somos como os pássaros, sem ficar planando entre nuvens que nublam nossa visão do que realmente estamos fazendo, e mesmo assim sentirmo-nos livres!

Sentir-se por completo, pois todo o corpo se move e temos a clareza de cada canto do nosso ser. Sermos completos, num momento em que deixamos o mundo de lado e dedicamos um sentimento de paz focado somente em nosso bem estar. Uma risada gostosa que sai sem esforço com o frio na barriga de estar com receio de cair na real quando abrirmos os olhos. Não abra os olhos. Não ainda. Se a rede ou a cadeira pararem, mantenha-se por mais um tempo parado, na inercia segura de você mesmo. Permitindo esses segundos de paz para voltar ao seu corpo, pois quando estamos felizes a alma viaja e deixa essa dimensão para brincar de ser criança lá no mundo da memória.

Agora, depois de algum tempo de tranquilidade, abra os olhos devagar... E aos pouquinhos vá reconhecendo seu espaço físico. Primeiro dentro de você, seus sentimentos, depois o seu entorno e o que te toca, a rede ou a cadeira. E então o ambiente. Volte pra sua cena, para a realidade em que você é você, onde você existe e seu lugar para fazer com que seus sonhos aconteçam. Volte pra si sempre que precisar, e viaje para relaxar quando precisar tirar os pés do chão, centrar os pensamentos e fazer valer a pena essa sua história.

Volare! Oh oh oh oh!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

#1 Bi - Que inquietação!

- Pare! Será que não consegue ficar um minutinho só parado?
- Tá difícil! To ansioso, essa espera tá me matando! Como consegue ficar tão calmo!?
- Quem disse que estou calmo, criatura? Só não vou deixar isso tomar conta de mim, ou eu vou pirar. Respira fundo, vai tomar uma água e ver o dia lá fora. Tente se acalmar.
- Vou pegar um chá. Já volto.

- Melhor?
- Está chovendo lá fora, assistir a chuva, sentir o vento suave e tomar um copinho de chá, ajudou sim. É chá de camomila. - suspiro profundo. - Eu gosto.
- Vou pegar um copo. Já está adoçado?
- Sim, tá bem doce, e meio fraco.
- Não gosto fraco, mas tudo bem. Já volto.
- Tá, vai lá logo!

- Acabei pegando café, a menina trouxe bem na hora que fui buscar. Está quentinho! Quer um gole?
- Você queria que eu me acalmasse, agora me oferece café?
- Café me acalma, oras. - suspiro - Que delícia, não está muito doce, mas quente e forte. Posso até dormir agora.
- Tá com sono? Como pode pensar em dormir numa situação dessas?
- Que diferença vai fazer ficar acordado? O tempo não vai passar mais depressa, nem vai parar também. E estamos aqui. Pelo menos podemos descansar... Afinal de contas não vamos sair do lugar.
- Mas é exatamente por isso que não consigo me acalmar, nem ter sono, nem nada! Olha só, você acabou de me provocar, relembrei a inquietação! Ficar parado aqui chega até a doer, sabia?
- Não, o que tá doendo são as faixas. Mas eu já estou me acostumando. Já acabou o chá?
- Não me fale de chá! Quem vai querer tomar chá numa situação dessas!? Até a chuva parou. Abriu aquele sol! Olha esse sol!! Tá me queimando inteiro! Vou ficar todo vermelho de novo!
- Vamos dormir, vai. Eu to bem mais calmo depois de tomar meu café. To indo tá? - bocejando - Boa noite...

- Parece que funcionou. Ele dormiu.
- Vão lá e coloquem ele deitado.
- Desamarre as pernas. Agora leve-o pra maca.
- Bons sonhos, seu maluco.

- Hum... Obrigado...

sábado, 1 de novembro de 2014

Uma noite de prazer...


Uma noite quente e dois amantes na relva faziam o barulho do vento desaparecer.
Era quase meia noite, quase um orgasmo e eles deitados. 
Dez vezes mais não seria tão intenso ou tão selvagem.
Um uivo na escuridão da mata, alto, perdendo-se na noite.
Era noite de lua cheia. Dia de Halloween.

Amor e paixão misturados na sede do fim da primavera.
Estava quase na hora e eles não conseguiam parar, perdiam o ar.
Haviam deixado tudo para trás, pelo caminho percorrido até ali.
Não podiam mais esperar, pararam e então, o primeiro beijo.
A magia foi feita. Os deuses dançavam ao seu redor, celebrando Beltane!

As fogueiras são acesas por todos os lados. É o dia do fogo!
Hora de comemorar a maior de todas as bênçãos da humanidade.
Fertilidade e abundância, a época da luz. Chega o verão e tudo é sorte!
A dança na relva acelera em ritmo e intensidade. As canções eclodem por todos os lugares.
Iluminadas, mente e razão pulsam fortes, no sangue e na carne, cada emoção.
O coração ataca, queima no peito, é a noite da abençoada sensualidade.

Está chegando à meia noite, eles dançam, festejam, flutuam na clareira.
O ritmo agitado, batidas de tambor acompanham as labaredas envolvendo os amantes.
Todos numa grande roda, girando em espiral para trazer energias ao casal.
Paixão e pureza, ecoam no grito de prazer e tesão dos deuses, que agora são um.
As chamas saltam, fortalecidas iluminam as suas feições, deitados, olho no olho.
O suor que escorre no rosto, salgado e dourado pela luz do fogo, é agora mais bonito.
Os olhos brilham e música continua, os amantes se abraçam e a multidão grita.

A noite que não se abate, meia noite enfim, as corujas piam incomodadas com a claridade.
Risada e festa, o amor está no ar, nas gargalhadas e nos gritos de prazer que ecoam ao luar.
É dia de fogueira, festejar a luz do dia que fica mais tempo no céu.
Festejar a verdadeira magia, que faz do homem um ser sagrado. Instintivo e animal.
Sagrados e eternos os que participaram dessa noite, que vieram de longe para comemorar.
A união da luz e das sombras, no ritual em que dois são um, um para o outro afinal.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Aproveite o verão...

Olhos nos olhos. Desde criança brincávamos para ver quem piscava primeiro. Dessa vez seria para decidir quem piscaria pela última vez.
Olhos nos olhos...

Emílio viajou para a Rússia, foi visitar e ajudar seu amigo Yerik que estava sendo acusado de um crime, que segundo ele, não cometeu. Emílio é advogado e desde pequeno era o juiz das brigas e dos desentendimentos que presenciasse. Muito esperto, na escola costumava salvar os colegas que fossem perseguidos pelos encrenqueiros. Dessa forma tornou-se amigo de Yerik, quando o defendeu de três garotos mais velhos que não gostavam do estrangeiro ruivo e raquítico.

- Primeiro dia - Kuzbass
Cheguei em Kemerovo e antes de visitar 'Yek' fui até o Instituto Kuzbass de Economia e Justiça para entender melhor como poderia ajudar meu amigo, de acordo com as leis russas. Lá encontrei meu guia, Gustav, um colega de trabalho de Yek, que me ajudou com as traduções e me encaminhou para os lugares certos na biblioteca do instituto. Por mais tensa que fosse a situação de Yek, Gustav estava muito inquieto e isso deixou-me bastante desconfiado, devido ao histórico de amizades de Yek depois que mudou-se para cá. Com isso em mente, peguei tudo o que precisava o mais rápido possível e pedi ao guia para me levar a um hotel onde eu pudesse ficar tranquilo para estudar, e que fosse atendido em inglês para não incomodá-lo mais por um tempo.

- Primeiro dia - Noite no hotel
A família de Yek já havia me passado os documentos sobre a investigação do crime, que vim estudado durante o voo. A lei russa é muito abrangente e deixa várias brechas das quais eu poderia utilizar para tirar todas as acusações de estupro e tráfico de drogas. Na ficha de Yerik também encontrei que ele foi encontrado bêbado e nu, rindo muito e gritando que havia matado uma pessoa nas ruas do centro da cidade. Isso me fez lembrar dos olhos amarelos e dissimulados de Gustav. Estudei a minha proposta de defesa e fui dormir, agora era só esperar o contato de Yerik.

- Segundo dia - Parque das Maravilhas
Como não recebi nenhum recado de Gustav ou Yek, fui conhecer mais da cidade. No hotel, fui indicado a visitar o Parque das Maravilhas, um dos mais famosos da cidade e o orgulho dos cidadãos, era um terreno baldio até que à partir de 1926 foi sendo transformado no jardim da cidade de Kemerovo. É lindo e com muitos cafés e lojas, que eu aproveitei bastante para comprar souvenires para entregar aos meus amigos quando voltar. Agradeci por ser verão.
A noite fui assistir à uma peça de teatro no "Drama Theatre", conhecendo melhor o teatro russo, tão aclamado e famoso. Assisti uma peça juvenil: Наташина мечта - Sonho de Natasha.
Depois de um jantar maravilhoso sob a luz das estrelas no restaurante "Piter", desmaiei feliz no hotel.

- Terceiro dia - Encontro com Yerik
Acordei e havia um bilhete de Yek embaixo da porta. Achei bastante imprudente. Como estava desacostumado com o fuso horário, no bilhete havia o horário do encontro também no fuso de Londres. Deveria me encontrar com ele em um café chamado "Кофе-Терра". Gustav já deveria estar chegando para me levar até lá.
Quando chegamos, avistei aqueles cabelos ruivos, sempre muito bem penteados, de um rapaz franzino vestido de preto, sentado de costas para a calçada. Depois que entrei, dois homens trancaram as portas e fecharam as cortinas enquanto os funcionários deixaram duas xícaras de café na mesa de Yerik. Gustav deu um tapinha nas minhas costas encorajando-me a sentar e também saiu.
Olhos nos olhos, e o silêncio que explodiu no café me deixava nervoso. Entre eu e meu melhor amigo estavam alguns crimes e a fumaça que subia da xícara. Não estávamos brincando de quem piscaria primeiro e eu não sabia se deveria falar alguma coisa. Um medo crescente tomou conta de mim.

- Últimas imagens...
Um carro parou à porta do estabelecimento, portas se abriram.
Yerik desviou o olhar.
"Огорченный".

Gustav: Ele não vai mais poder te ajudar.
Yerik: Já ajudou... Соболезнования.

Desculpe.
Meus pêsames.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A ignorância política...

E deixem-me dizer que tomaram a decisão certa ao elegerem-me.
Nota-se que são gente que sabe do que precisam.
Enquanto a população continuar a apoiar os partidos e lutar à favor de um partido e contra as pessoas, estarão lutando pela manutenção da divisão de tudo e de todos, ao invés da união pelo bem comum.
Estou sendo utópico? Estou sendo infantil? Eu poderia rimar, mas vou ser diferente.

Amigos, entendam que existe sempre um outro caminho, não é só de partidos e dos candidatos, eleitos ou não, que se faz política, e só será feita a verdadeira política, quando a população parar de delegar seus direitos e deveres como cidadãos aos nossos servidores que abusam do poder que lhes concedemos para administrar. Governar não deveria mais ser usado.

Parem de querer tirar um e colocar o outro, tomem a responsabilidade de que quem colocou eles lá foi a maioria da população e vamos trabalhar para que o candidato eleito faça o que precisa ser feito. Ele não é uma celebridade ou um deus, ele é um de nós.

Parem de separar ser humano de ser humano. Parem de ver diferença onde não existe. Não existem classes, não existem partidos, não existem cores, sexos ou regiões quando o assunto é que todos precisam de água, ar, comida e segurança para viver, todo o resto é resto!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sonhos que dão nos pés!

Nas pontas dos pés que saltam
O sonho de ser uma eterna criança
No sorriso e na graça, uma aliança
Força e desejos de muita esperança

Nos movimentos bem coordenados
Coreografias que a todos encanta
Magia, histórias de um príncipe ou um sapo
Fundem-se hoje no mar da lembrança

Quantos enredos já performaram
Sem nenhuma palavra, a plateia amarraram
O ritmo todo nos pés encontraram

Um menino, de corpo e de alma
Que leva no peito o sonho e a calma
De dançar com a vida e sonhar nas alturas!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

É um pouco estranho...


Sentimentos. Silenciosamente sentado na escada da entrada de casa, não sabia exatamente o que fazer, nem onde colocar a cabeça, se nos joelhos, nas mãos, no chão. Talvez deitar aqui um pouco... 'Sim, vou deitar um pouco, talvez seja isso, só cansaço...' Não era. Deitei todo torto, ficou tudo ainda mais desconfortável. Inconfortável!

Estar apaixonado e ao mesmo tempo não saber o que é que se sente, o que está realmente espremido no peito, ou exprimido na face, que se contorce à presença de certas pessoas, impossibilitada de esconder os pensamentos que fogem de uma raiva infantil até uma coerente vontade de sair do lugar, deixar vagar e passar todo esse ressentimento que prende o ar.

Eles não sabem o que acontece na mente e no coração da gente quando passam perto de nós, sem intenção nenhuma, mas que o corpo magnético e cheio de magia, puxa o olhar de forma que nem mesmo pretendemos disfarçar para não ficar pior a emenda. Eles passam, a gente fica de olho, olhando nos olhos, no peito, no queixo. Eles passam e a gente fica aqui, sentado e perdido em ilusões.

E se eles não passassem? Seria diferente? A gente esqueceria? Não saberia responder, pois eles passam insistentemente, e é recorrente esse momento, todos os dias, e todas as vezes a mesma coisa, olhando, sorrindo, o peito se enche de algo mais junto com o ar.
O que é estar sempre do lado de alguém que é estranho? O que é ser um estranho quando todos te conhecem, mas no fundo não fazem ideia de quem você é?

Estranhamente a gente entende então que a relação não é dentre duas pessoas e sim dois desconhecidos. O que se passa no meu mundo pode ser exatamente igual para aquele ser que tanto admiro ou que tanto desprezo. Qual é a diferença? Os corpos, os ventos, os anos, mas os sentimentos, inacessíveis pela distância de ambos, podem ser gêmeos idênticos.

É tão estranho que pessoas tão próximas fisicamente tornem-se estranhas conhecidas, que se cumprimentam por essa tal educação, que lhes falta no restante do dia, e da qual fazem uso a contragosto. Mas estranho mesmo é o amor que se sente por esse estranho tão próximo de ser indiferente sobre sua realidade, sobre sua existência. Mais estranho que isso tudo, é ser estranho para si mesmo...

Me levantei da escada, entrei em casa, tomei um banho e me deitei de verdade na minha cama. A cabeça continuava pesada de tantos sentimentos e pensamentos sobre você. Um esboço de sorriso apareceu e uma lágrima secou no travesseiro. O que se passa aqui dentro não é capaz de esconder que os olhares são verdadeiros e o sentimento que mais me agrada não é te ver todos os dias passar por mim, mas que por todos os dias eu vejo você passar e te olho nos olhos, vejo seu sorriso, seu queixo... e o peito se enche de ar, os olhos de água e, depois que se fecham, eu finalmente posso sonhar.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A Realidade...

Tudo em branco, uma folha, uma tela, o corpo nu, uma mente aberta. Isso é a realidade.
Foto de Mustafa Sabbagh
Uma vida sendo preenchida com o passar das experiências e acontecimentos, e não com o passar do tempo. Um animal agindo segundo seus instintos. Um olhar de quem ama. Os movimentos involuntários do corpo. Isso tudo é realidade. A união de tudo que existe agora.

A realidade é o presente, é o que está acontecendo nesse exato momento, ou seja, a primeira estrofe já não é mais realidade, nem este texto será quando for publicado, pois ele já foi real, agora é só um registro. Enquanto o autor escreve, é uma pessoa agindo autor e escritor, mas quando termina deixa de sê-lo e volta a ser humano. Essa é a realidade de todos nós, somos humanos que passam todo o tempo sendo outras coisas. A realidade relativa de ser várias coisas ao mesmo tempo, somos os únicos seres da Terra que querem ser o que não são.

- Olá, muito prazer, meu nome é Aurélio e sou enfermeiro.
- Muito prazer Aurélio, eu sou a Lúcia e me formei enfermeira.

Vivemos um sonho, pois não acreditamos completamente na nossa realidade, não acreditamos em nós mesmos. Por isso nos apoiamos em nossas profissões em algo que chamamos de status social. É difícil encontrar alguém que seja respeitado por ser ele mesmo, agora se você é um engenheiro, não importa se é ou não boa pessoa, você é respeitado. Isso não é real!

Pinte seu mundo de branco, comece de novo.
Respeite sua realidade e não deixe que nada bata de frente com quem você é, com sua realidade, que é única. Deixe a ilusão ir embora. Cores e status podem borrar, manchar e então você vai chamá-los de velhos, feios, fora de moda. O branco está lá exatamente pra ser riscado, manchado, marcado e desbotado, ele está lá para ser tudo que você quiser realizar, sem deixar de ser real.

A realidade é o seu agora, é o seu nome e quem você é, são seus pais e as pessoas com quem você vive. Você é o seu momento presente. E seu momento é todo o presente que você precisa para pintar e registrar tudo o que você já fez e aprendeu na vida (o passado) e planejar os seus caminhos (o futuro) mas nada acontece senão agora. Pinte seu momento e faça sua realidade acontecer.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Sem assunto...

Sem texto... Sem nada pra falar.
Não é que não tenha, só não sei como começar.
É estranho, tantas pessoas e tanta gente diferente, interessante, mas não consigo me conectar.
O que falta? Será que não sobra demais assunto de menos? Ou talvez seja que o santo não bate mesmo. E a admiração seja só platônica, irreal.

Sem saber dizer palavra, começar uma frase é um sacrifício infernal, explorar suas dificuldades, dizem, é o ideal, mesmo que seja pesaroso, vai melhorar no final. Mas só no final, e o final todo mundo sabe, é imprevisível.

Invisível. Relações não são de igual pra igual, enquanto eu sou diferente de todos e de tudo. Tudo é demais. Eu sou um apanhado do todo, misturado e sovado até ficar homogêneo, assando no Sol de São Paulo até chegar no ponto! Humm! Que cheiro gostoso!! Será que tá bom? Espeta com o garfo, quem sabe ainda não está crú no meio?

E estava bem crú, cozido pela metade, incompleto e sem sal. Ah quem me dera houvesse um fogo ardendo aqui dentro também, pra então coser tudo por igual. Quem dera fosse só uma corrente de ar que fez do tempo um vilão muito mal. Talvez fosse apenas uma memória ruim e que no final tudo ficaria bem, com chá de limão e biscoito integral. Só pra deixar a tarde mais interessante com você no quintal...

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Através do coração...

Se eu te der uma patada hoje, a culpa é da lua...
Se eu te der um beijo, guarde a sutileza, é leve.
Para todas as outras possibilidades, eu sou um ser emocionante!
Não me venha com razões cortantes cheias de palavras doces.
Sou inteligente o suficiente pra te desmascarar.
E racional o suficiente pra usar minha velocidade e te desarmar.
Agora com a suavidade de um elefante, e com toda sua memória, vou te deixar em paz.
Faça o mesmo comigo, ou esse paquiderme gigante vai se transformar num pequeno ferrão.
Invisível aos olhos, mas sincero e doloroso, quando toca o coração.

Procurando-se...

Second Life - Igor Morski
Incômodo silencioso.
Este é meu gozo!
Sou seu mistério
o ar que respira
e a sombra em gira
Espectro de carne
sangue e nada.

Incomodado? Mesmo?
Excelente sentimento.
É assim que te quero
desperto e atento
a tudo que não sou
Vou desfazendo-me
pânico e tormento.

A dúvida humilha
mas quando entende
perde-se no esquecimento
Espera, coopera comigo
brincar de deus é gostoso
até que você descobre
Deuses, são jogadores!

E eles riem de você
Lá no último lugar
lutando contra marés
Pés, mãos, correntes
que tu mesmo amarrou
Agradeça. Agradeço
Cobre-se tudo. Tapete.

"Memories" - Igor Morski
Qual a definição?
Ah sim, ladrão!
covarde e mesquinho
pega o que não lhe cabe
corre pronde não deve
tropeça nos próprios erros
Morre sem nenhum segredo.

Eu? Não tenho medo
estou pleno e pronto
quero fazer a diferença.
Procura-se paz de espirito
em toda parte da vida
e nisso, todos juntos
Procuramo-nos....

domingo, 5 de outubro de 2014

Há mar...


Fotografia: Kyle Thompson
Há mar e amores
lindas flores
de primavera
e no verão
calores
aquecem o coração
dando frutos
doce maçã
símbolo de amor
paixões sãs,
completas.

Amar faz bem
é que creio
nas cores
que o outono tem
discretas e puras
as árvores nuas
vivas como ninguém
folhas nas ruas
colorem tudo
até ventar.

Treme amado
caído de vez
braços de lado
troca a pele
agora a neve
branco vigora
a hora fria
gela o mar
que não cora
pois nessa hora
ele aquece alguém...

sábado, 4 de outubro de 2014

Assumir a responsabilidade...

Ser responsável não é ser certinho, é ser certeiro
Em frente a uma situação de escolha Eduardo se imagina num filme, com um anjinho em seu ombro esquerdo e um demoninho no seu ombro direito, discutindo, debatendo, apresentando seus argumentos para convencê-lo sobre a melhor alternativa a ser escolhida. Mas na verdade, o Eduardo e toda humanidade tem mesmo duas ou mais vozes que debatem as possibilidades em sua mente. O inconsciente se disfarça e da os conselhos com destreza e calma, enquanto nossa mente analisa todas as possibilidades, evidência os medos e coloca em cheque outras opiniões. E aí, o Eduardo fica perdido, qual escolha arriscar? "E se eu escolher errado e me der mal no final?"

Temos a racionalidade para nos guiar e fazer o melhor julgamento sobre as situações do cotidiano, usando nossas experiências como moderadores e a mente no papel de juiz. Mas toda a fase de escolha, por mais incerta e amedrontadora, pode ser mais fácil, basta o Eduardo ser firme e convicto! "Assim que fizer minha escolha, esta será minha decisão e tomarei responsabilidade por suas consequências!"

Essa atitude torna sua escolha, independente do resultado final, a escolha certa, já que impede sua mente de te boicotar com culpas caso algo não saia como o planejado. O Eduardo sabe que frente aquela decisão, ficar em cima do muro não ia ajudar em nada, e que para dar um passo adiante ele precisava tomar um caminho, por isso pensou, refletiu e escolheu uma das opções, assumindo que esta era sua escolha, entendendo que podia não dar certo, mas sabendo que fazer essa escolha era a coisa certa a se fazer.

Então Eduardo, obrigado por nos mostrar hoje que a vida não é um filme e que nem sempre podemos só ouvir os conselheiros em nossos ombros, mas que quando tomamos uma decisão a coisa certa a se fazer é continuar em frente e ser consciente que a sua vida é de caminhos incertos mas com passos firmes e decididos!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Tensões...

A mente inquieta como sempre
Os nervos a flor da pele
Refletem energeticamente
Intensas e frenéticas
As tensões do pensamento
Ferrão Inquieto e pontiagudo
Machucando o corpo e confundindo a razão.

Na dor não há certo ou errado
A dor é ser vivo independente
Te cerca, abraça e aperta com força
Impedindo a circulação do sangue
Pressionando a jugular nos dentes
Inflamando contente os músculos.
Falha tudo aos pouquinhos
E quando se percebe é tarde pra cuidar.

Pressão, sangue, delírios e sonhos se confundem
Uma corrente se desfaz em ferrugem de pensamentos
Uma serpente se entrelaça no coração
Ferindo qualquer aproximação sem cautela.

Ah tensões preditas e silenciadas
As que não saem pela boca e derramam pelos olhos
Das quais não queremos ouvir falar!

A corrente elétrica intensificada
A cobra estrangula o sangue
O ar lhe falta e toda vida se esvai
Feita a tragédia dessa trama
Sem remédio nem amenidades
Morre uma outra dama de qualquer enfermidade
Só não se sabe a causa.
Matou-se o trauma
tensionado e frio
Sob o peito do cadáver...

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Ame ao próximo...

Amar ao próximo como a ti mesmo.
Bem... se hoje a sociedade ama batendo e discriminando, devemos retribuir?
Religiosos e heterossexuais, imaginem um milhão de gays, lésbicas, travestis e transsexuais começando a matar seus filhos, comendo suas esposas e maridos na porrada, e gritando pra Deus e o mundo ouvir: Aqui não toleramos FANATISMO!
Bem, nesse caso, os homossexuais seriam criminosos, nesse caso estariam errados, reacionários. Afinal de contas "Sempre tem um jeito melhor de resolver um problema". Pena que não existe o incentivo para as pessoas que querem resolver tudo na mão, porque os que poderiam dar o exemplo, não o fazem, pois também são homofóbicos e discriminam as minorias. Na verdade, eles comemoram com cada morte de um gay, de negros, não é pastores retrógrados e narcisistas?

POIS BEM! Temos muita sorte, já que as PESSOAS LGBT são cultas, educadas e inteligentes, ao contrário da maioria dos fiéis fanáticos e heterossexuais bombados, que tem pouca instrução para seguir suas regras distorcidas de sociedade e espiritualidade.

Hoje, a homofobia e a discriminação são um problema muito grande e que ainda não tem direcionamento e destaque efetivos para sua contenção, em todas as camadas sociais. E estamos enfrentando esse dilema também na política, já que o casamento igualitário e a discussão sobre a criminalização da homofobia são destaques e geram embates ferrenhos. De um lado quem luta pelas libertação desse estigma colocado sobre pessoas como nós, mas que amam pessoas do mesmo sexo, que tem a cor da pele diferente, ainda lutando pelo fim da violência contra as mulheres, e tantas outras práticas que vão contra o "Ame ao próximo como a ti mesmo". E do outro lado das discussões estão pastores e fanáticos, que usam palavras venenosas amparadas por distorções dos textos bíblicos para conseguir destaque e tirar o foco e a força de uma luta pacífica que tem o objetivo de salvar vidas e garantir direitos que toda pessoa normal já tem quando nasce, mas que tem que ficar relembrando ao mundo todo, que antes de qualquer comportamento e estereótipo, ela continua sendo uma pessoa como todas as outras.

Ame ao próximo, não como a ti mesmo, pois existem muitas pessoas que são incapazes de amar a si próprios. Ame, no real significado da palavra, e independente de cor ou orientação, comportamento ou profissão. Ame somente. Ame e viva...

domingo, 14 de setembro de 2014

E onde está a chegada?

Eu estava preocupado por nunca conseguir alcançar a linha de chegada, pois por mais que eu me aproximasse parecia que ela corria junto comigo. E ainda mais rápido na maioria das vezes.
A pouco entendi que é natural. E que é também o melhor que pode me acontecer, afinal de contas, que faria ao chegar? Sou o único competidor e chegarei em primeiro lugar mesmo que chegue tarde. Não é por isso que vou parar, nem é por isso que vou me matar para chegar lá rápido demais e acabar com a diversão!

Por diversas vezes eu passo pelos mesmos lugares de novo e de novo, mas sempre em situações diferentes, 'acontecimentos' tão pouco aleatórios que me pego pensando o que estou fazendo de errado. Errado? A linha de chegada está começando a correr mais rápido de novo, não tem absolutamente nada de errado em passar pelos mesmos lugares mais de uma vez! Só não podemos parar ou demorar neles. Passamos por eles e já conhecemos o caminho. Portanto compreendemos o que mudou, ou não, do lugar e seguimos em frente.

Uma nova lição, uma nova opção, mais uma experiência, e com certeza uma coletânea de informações que complementam o passado, construindo para o futuro uma base estável. Não tenho do que reclamar com todas essas possibilidades positivas.

É engraçado, pois a reação da maioria das pessoas é contrária, e com isso eu me divirto muito! Sou louco e louco sabe bem que nem tudo que é considerado "normal" é bom pra gente. E rimos com o acaso de cada situação que temos que passar e reviver, sem tirar os mortos do chão, mas sim lhes desenhando um túmulo bonito, que visitamos sem pesar.

Os acontecimentos que envolvem cada um de nós são bem maiores e mais significativos que os fatos que podemos determinar, mas que ao serem contados ou transcritos não passam de palavras, que só farão sentido pra gente que o vivenciou. Por isso não peso, só me permito!

Permito-me perder, fazer uma parada para respirar e, as vezes, reencontrar o que esqueci pra trás...

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Paixões íntimas...

Tudo que você precisa sou Eu...
Eu estou apaixonado. Não sei se você sabe ou não, mas caso não saiba, melhor assim. Me apaixonei por você, como as pessoas gostam automaticamente de um filhote de cachorro, e talvez seja assim que acontecem as paixões à primeira vista.

Eu estou simplesmente apaixonado por você, e isso independe de permissão. E, se eu não contasse aqui, talvez essa paixão não existiria fora do mundo secreto que existe em mim. Essa dimensão só nossa onde os sonhos são possíveis e a gente experimenta coisas tolas.

Me apaixonei por você e acredito que a gente se apaixona sem saber o que vai acontecer, mas pelas pessoas certas, mesmo que na maioria das vezes não seja exatamente assim. Cada um tem uma forma de se apaixonar e ninguém controla ou escolhe como nem quando vai acontecer.

Eu me apaixonei por você simplesmente pelo silêncio cúmplice que dividimos por alguns momentos, mas que me falava tanto de tudo que eu tinha pra desabafar. E depois confirmei o que senti quando eu continuava em silêncio ao observar você falar. Sobre qualquer coisa.

Me apaixonei e me perdi dentro do meu mundo particular. Percebi que minha paixão realmente era só minha, nossas vidas não se cruzariam nessa vida, pois nossa equação resultaria num gráfico de retas paralelas. Pode ser que eu tenha errado na conta, apesar de não acreditar, pois quando vivemos juntos no meu mundo, mais uma vez era minha imaginação ajudando a dar certo. A vida real é imprevisível e um pouco menos lúdica.

Mas eu me apaixonei por você, e mesmo sabendo lidar com essa situação, não saberia lidar com você... O que quer que eu faça, minha relação contigo é muito minha, só minha, e você não faz parte desse romance. É uma relação íntima comigo mesmo, e você foi usado para ser meu outro eu, que me deixa de lado por outros você. Agora que tudo está entendido, muito obrigado. Obrigado por me mostrar que eu gosto de você, mas que meu amor sou eu!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Nadar contra a maré...

Existem muitos padrões no mundo e um dos mais CULT de hoje em dia é "Nadar contra a maré". 
Pra mim, nadar contra a maré é não aceitar o meio de vida que te empurram ou não aceitar as coisas como elas são, por isso, quem 'nada contra a maré' pra mim, tem que fazer as suas coisas e tomar atitudes diferentes das pessoas que não estão nem aí pro resto do mundo.

Porém, muito do que eu vejo em ambos os casos é só um oportunismo diferente. Um nada com a maré, se aproveitando de pessoas inocentes. O outro nada contra a maré, mas se aproveitando das pessoas que acham o modo de vida ousado, criativo e os inspira, no final das contas, eles nadam com a maré, só que de ré!

Eu nado contra a maré, indo contra tudo que a sociedade acha normal, indo contra os pensamentos conformistas e acreditando que essa atitude não precisa ser violenta ou caótica (apesar de acreditar noa máxima: o caos gera mudança), acreditando que os exemplos e as boas práticas podem ser muito mais eficazes. Por isso, fico muito puto quando vejo pessoas que usam um modo de vida mais hippie mas com auxilio de fãs para angariar fundos e fazer dos seus sonhos uma realidade.

Fico mais puto ainda quando vejo nos discursos dessas pessoas uma atitude imperativa e despudorada de política e marketing. Simplesmente trocando as qualidades de um produto que você compra com cartão de crédito por um ideal que você paga com dinheiro vivo, e recebe uma lembrancinha ou um brinde feito à mão. Uma bela forma mascarada de vender sem o verbo "vender".

Podemos ver muitas das atitudes que achamos abusivas e o marketing agressivo adotando uma nova cara para agradar o público mais crítico e inteligente de hoje em dia, mas que na verdade é somente uma mudança de sentido, uma estratégia diferente para atingir o mesmo objetivo capitalista e comercial de sempre. Mas basta olhar com mais cuidado que vemos que nada mudou, só o garoto propaganda e as formas de pagamento. É a modernidade, não é?

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Coração...

Luzes que vem do coração...

Senti que não daria mais para aguentar, depois de já ter passado alguns limites, sentei-me e respirei bem fundo. Não sabia o que fazer, meu coração batia tão forte que parecia que ia pular do peito, o sangue fluía em alta velocidade e quando cruzava com as equações da minha mente, tudo ficava ainda mais confuso. Tudo na velocidade da luz, e minha reação explosiva e impulsiva seria ainda mais rápida. Se pudesse, cortaria uma garganta, só para ver outro sangue além do meu escorrer.

Não estaria satisfeito, nem mesmo iria resolver alguma coisa, mas quem nunca fez algo paliativo e inútil, que deu bem errado no final das contas? Alguém sabe me dizer qual seria a graça de não fazer nada errado pra variar? Ai, eu sei que faço muitas perguntas aqui, mas veja bem, perguntas são as chaves que abrem as portas para o pensamento agir. Se não houvessem perguntas, nosso mundo ainda seria feito de pedra, homens de neandertal e mulheres sendo puxadas pelos cabelos. Só não haveria dinossauros porque eles foram extintos antes do ser humano.

O nosso coração humano precisa sempre do desconhecido, e irritado como estou, não preciso de nada que conheço, pois exatamente os erros dos quais precisamos cometer, são os erros que muito estão me irritando nesse momento. Estaria mais tranquilo se pudesse simplesmente encontrar alguma coisa certa entre nós, mas pouca coisa certa tem acontecido comigo, só mesmo as grandes perguntas que deixa todo mundo sem jeito, porque além de sinceras, tocam nas feridas abertas, dos erros que cometemos de forma pensada, para que se apazigue o problema ao invés de resolvê-lo.

Ah o coração onde acreditamos guardar todos os sentimentos, que é o onde o peito dói, ou sentimos plenitude quando estamos bem. É bem no meu coração, acelerado como ele está agora, que estou com essa plena raiva, preenchendo tudo com um mal estar de que algo está sendo arrancado de mim, sem eu saber bem o que é. E o tempo no relógio está lutando contra minha recuperação. Talvez seja somente a vontade de continuar sendo eu mesmo, mesmo não podendo ser, completamente, nesse momento.

O que está passando pelo seu coração agora? Sim, vou fazer mais e mais perguntas, porque sim, eu me interesso em saber! E quem sabe, se for algo interessante, eu me distraia e tire do meu coração essa sensação de querer matar alguém por prazer? Quem sabe seja isso que eu precise fazer, para enfim encontrar prazer... Prazer! Essa é a resposta para sair desse estado frio de irritação perene que tem me pegado de jeito esses dias. Prazer... é esse o foco do coração... a felicidade de sentir prazer, para preencher os espaços vazios e então, a plenitude do coração ser para sempre, completa.

Objetivar...

Você precisa de um alvo para atirar uma flecha...
Você tem objetivos?
Você tem um objetivo se quer?
Não precisa me contar, só estou perguntando para te provocar, porque 'apesar de ser uma delícia abrir a geladeira para refletir sobre a vida', isso só te causa prejuízos: energia e geladeiras estão muito caras hoje em dia. A não ser que você tenha uma ideia tão inovadora que lhe renda milhões! Então pense bem antes de simplesmente "abrir sua geladeira".

Um ótimo exemplo disso é aquela piada sobre a diferença entre o homem e a mulher que vão ao shopping comprar uma calça. O homem entra no shopping, compra a calça e vai embora. Já a mulher entra no shopping, visita todas as lojas e depois de comprar várias outras coisas, compra a calça, vai comer e só depois vai embora. Os dois casos são extremos, mas mostram bem dois objetivos diferentes porém definidos. Todo mundo sabe que as mulheres, geralmente e não exclusivamente, vão ao shopping não com o objetivo de comprar uma calça e sim de passear, olhar todas as vitrines e se divertir com as amigas, e aproveita para comprar uma calça, mas ela abre exceções ao objetivo várias vezes, depois descobre que gastou demais, comprou um sapato que machuca e toma prejuízo com isso. O homem só vai ao shopping quando absolutamente necessário, cumpre seu objetivo de comprar a calça e pronto. Ter um objetivo e segui-lo é facilitar uma tarefa e, com disciplina, melhorar sua vida. Claro que não por comprar uma calça no shopping, mas por objetivar uma ação e seguir os passos exigidos para que o objetivo torne-se realidade.

Mulheres, não fiquem bravas com a analogia, os homens também sofrem por não objetivar suas ações, em especial com o futebol de domingo, que pode acabar numa ressaca e uma boa briga com namoradas e esposas por esticar numa cervejinha ou, hoje em dia, baladinha. Seja por falta de atenção ou cuidado, dessa vez ele fez o seu objetivo de relaxar acabar numa fria, talvez por seguir a cabeça dos amigos, ou por falta de cuidado mesmo. Veja que objetivar as ações nos ajuda a evitar problemas, alcançar eficiência e economia de tempo e recursos com sucesso.

Não devemos ser caxias a ponto de transformar tudo em objetivos bem definidos, tarefas diárias acabariam sendo programadas e tirariam todo o gosto que temos por viver, somos humanos e não robôs que seguem um protocolo e não tem espaço para improvisos. Objetivar é encontrar uma razão tanto para a realização de uma ação, como para tornar aquela ação racional. O exemplo da geladeira é importante, afinal de contas, pra quê você vai abrir uma geladeira se não quer nada de lá de dentro? Ou melhor, por quê você abriria a geladeira para pegar algo que não guarda lá dentro? Objetivar não é simplesmente fazer uma lista de ações e objetivos que quer atingir na vida, mas colocar significado no que você faz, tornar suas ações e também pensamentos trabalharem em seu favor, tornando-os significativos e para que lhe tragam benefícios. E isso depende de você, trazer objetividade para sua vida e então, realizar seus sonhos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sonhos de verdade...

Que os sonhos sejam realizados!
Eu sonho muito, e erroneamente chamo a mim mesmo de utópico.
Errado sim! Errado, porque sonhar não é errado.
E os meus sonhos eu realizo no interior, acredito neles e um dia, eu sei, eles vão se realizar.

Eu sonho no dia em que as pessoas serão justas umas com as outras;
Eu sonho com o dia em que haverá respeito independente de quem ou o que sejamos;
Eu sonho que as pessoas não tenham medo de ouvir verdades e sim mentiras;
Eu sonho com o dia em que a eficiência seja planejada para nos dar tempo livre e não nos tirar a paz;
Eu sonho com a educação de qualidade e igualitária;
Eu sonho com condições de trabalho justas para todos;
Eu sonho com o dia em que cada um vai cuidar da sua vida;
Eu sonho com o dia em que cada pessoa vai ajudar os que tem dificuldade, até que não haja mais ninguém com dificuldade;
Eu sonho com o dia em que a luxúria, a futilidade e o materialismo vão acabar;
Eu sonho com o dia em que não haverá mais pré-conceitos;
Eu sonho com o dia em que as discussões serão argumentadas e não brigadas;
Eu sonho com o dia em que só gritaremos para que pessoas que estão longe possam ouvir;
Eu sonho com bondade nos corações;
Eu sonho com amores e paixões decididos e felizes;
Eu sonho com pessoas tolerantes e inteligentes;
Eu sonho com o fim do dinheiro;
Eu sonho finalmente com pessoas, que sejam humanas e únicas, capazes de realizar seus próprios sonhos!
Eu sonho com um mundo melhor...

domingo, 31 de agosto de 2014

Ca.fé não costuma faiá...

Café não costuma faiá!
Andá cá fé eu vou...
Café não costuma faiá!

Bom dia e ótima semana!
Com música boa, com fé e com objetivos!
E "objetivar" será o tema dos próximos dias.
Então olho vivo e bora planejar antes de bater a cabeça por aí.

Andá café eu vou...
que a Fé não costuma faiá!

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Crônicas do Guardião #6: Efêmeros...

Por muito tempo tive que pensar e refletir sobre a razão pela qual retomei uma vida mortal depois de tanto tempo vivendo entre os imortais. Pois que era para entender a urgência que acomete ambas as vidas, mortais e imortais. E a efemeridade de ser mortal, que se completa com o final daquela existência, exaltando seus feitos e suas vitórias, a remissão de todos os erros e defeitos. Já para os imortais, existe a eterna necessidade de ser, a responsabilidade pelo que se é e se faz, pois a morte não se permite para o perdão do que fazemos, portanto vitórias e defeitos assombram os imortais eternamente.

Contudo, a existência imortal não é do conhecimento mortal deste plano, pois tudo que se sabe sobre a imortalidade são contos de fadas, dos mais sangrentos, tática humana para doutrinar os jovens e acalentar os velhos. Futilidades, como tudo que costumam fazer com o pouquíssimo tempo que tem em vida. Cada um lutando bravamente contra o relógio e o calendário, imaginando que o Tempo é só isso. E acreditando que se sua existência é curta, deve ser memorável! Mas eles próprios não tem boa memória, esquecendo o que realmente importa, trocando por algo que passa ainda mais cedo que seu tempo de vida.

Tudo na vida humana é muito rápido, inclusive seus sentimentos e pensamentos, tudo tem de acontecer em velocidade máxima, para que possam aproveitar e aprender muitas coisas em sua existência, porém pouquíssimos aproveitam ao máximo a vida que tem, pois a velocidade os impede de observar a beleza de cada momento e cada pessoa. Em especial esquecem-se de dar valor às pessoas e preferem dar atenção ao que passa mais rápido que eles, as novidades e os projetos, pois as pessoas vivem tanto quanto podem e as novidades e oportunidades morrem bem mais cedo. Quanto mais curta a vida útil, mais e mais interessante para os mortais, mas perdem o intereresse em algo tão rápido quanto ganham. Talvez seja alguma compensação, que nas mentes mortais possa fazer algum sentido. Algo como: "eu vou morrer, mas aquele objeto vai antes de mim."

Isso também acontece com os animais de estimação, que eles querem como companheiros, mas não passam de objetos. É triste ver a realidade mortal, entende?
Mas há muitos pontos positivos, como a capacidade que tem, a força de vontade com que lutam pelo que querem e a felicidade e leveza com que são capazes de viver, sem o peso da imortalidade, eles são livres para experimentação e sabem que tanto as falhas quanto os acertos serão apagados pela senhora Morte, e que no final das contas abraçarão o destino em paz de espírito. Uma paz que não tarda e é certa de chegar.

domingo, 17 de agosto de 2014

A porta aberta...

Exatamente, eu estou pronto, desejoso e corajoso para enfrentar essa jornada fantástica que é amar.
Ainda mais depois de tudo que passei, é mais certo que estou preparado para encontrar-me com a felicidade de estar lado a lado de alguém.

Precisa ser real, nada de perfeição ou preferências. As extremidades ou o lado externo não vai fazer muita diferença, o que me importa é a presença ser intensa, completa e repleta de boas energias. Me interessa que o papo seja bom, que a falta seja sentida e que cada momento junto seja uma nova alegria, que tenha novidade e que a rotina seja apreciada, gostosa e preguiçosa numa rede de solteiro. E claro, nos momentos ainda mais apertadinhos, que haja calor, paixão, sabores e desejos, que aconteçam descobertas inesperadas e prazerosas. Aquele frio na barriga, uma emoção fluida de cumplicidade e simples de fidelidade.

Haverá também, com o passar do tempo e do sucesso, uma grande casa onde caibam todas as vontades, onde há uma base para realização dos sonhos e que seja um porto seguro para onde se possa voltar. Naquele lugar haverá de tudo, haverá também espaço para o respeito da individualidade e das características pessoais, da prática de si mesmo, para que o plural exista sem pesar. Para que esse lugar seja então chamado de lar.

O que eu sei é que haverá alegrias e prazeres de montão, muitos desafios também, mas tudo sempre é resolvido com paciência e empatia singulares, preliminares à felicidade. Esse momento é essencial, o abrir as portas e deixar a oportunidade certa entrar, sem limites mas com justiça e saúde de critérios. Muita saúde! E só um critério: ser feliz!

sábado, 16 de agosto de 2014

Gratidão em soneto...

Grato à Vida!
Mestra querida!
Agradeço de coração!
Por mais um dia de ação!

Rimas rápidas e pequeninas,
Pelo dia que me ilumina,
Pela tarde que me cativa
E pela noite que me anima!

É na hora mais ferina
Que as coisas acontecem
Em plenitude tudo se determina

É na adversidade que encontramos
Dentro de um baú sem fim
Tudo que realmente precisamos!

Boa noite!
Boa sorte!

domingo, 10 de agosto de 2014

Looks like a memorie...

I cannot love you by your looks. I will only love you for who you are.
I can desire you by your looks, but it will be just a little while...
Once your looks are done, my desire won't hold you near.
Once my love is found, you are nothing but a memorie...


Eu não posso te amar pela sua aparência. Eu só vou te amar por quem você é.
Eu posso te desejar pela sua aparência, mas isso será por pouco tempo...
Assim que sua beleza acabar, meu desejo não vai te manter por perto.
Assim que eu encontrar meu amor, você não será nada senão uma lembrança...

Indicação: Cheiro de Tinta, Wigvan...

Bom dia pessoal!
Hoje venho trazer um pouco de cultura, responsabilidade social e um trabalho maravilhoso do escritor Wigvan Pereira, que além de tocar nos assuntos mais polêmicos sem pesar, faz isso com sensibilidade e muito carinho. Esse é o resumo de tudo que ele escreve, uma conversa frente à frente e olhando nos olhos com cuidado ao dizer cada palavra.

Para maiores informações sobre o E-book acesse o site Cheiro de Tinta, que tem até uma trilha sonora de arrepiar para acompanhar a obra, além de comentários, detalhes sobre o autor, obra e fotos bem legais.
E para os que se interessaram, a renda do E-book vai ser revertida para o projeto social SalvaCão então entre aqui para COMPRAR O LIVRO!

Sinopse:
A população da Rua G se divide em três grupos: uma única família que tem um salão anexo à garagem, as outras casas todas habitadas por mulheres e os homens que visitam as casas das mulheres de madrugada ou o salão durante as tardes.

A geografia daquela rua é composta por calçadas onde as mulheres, quase todas jovens, conversam em seus momentos de folga, um terreno baldio onde vez ou outra aparece um bebê não querido e uma casa quase sempre inabitada.

A única criança que mora ali, um menino, transita por todos esses espaços - calçada, salão e terreno baldio - acompanhado de seu coelho.

Também passa a frequentar a casa de Célia quando ela volta do estrangeiro. Visita constante para ouvir música e ler revista de novela, o menino acaba por descobrir, entre as frestas, que Seu Gaspar, marido de Célia, esconde um segredo.

Um episódio envolvendo Dylan, o cachorro que para Célia e Seu Gaspar é um filho, e Algodão, o coelho do menino, traz à tona o racismo e a intolerância que até então todos extravasavam apenas em rabiscos na parede da frente da casa dos vizinhos indesejados.


Crônicas do Guardião #5: Sentidos...

Landscape at Fontainebleau Forest
Arte de Abbott Handerson Thayer
Depois de quase 3 anos sem ter notícias, contato ou mesmo de ter estado no onírico, hoje ele sentiu seu corpo arrepiar daquele jeito peculiar e gostoso quando abriu o chuveiro. A água trouxe sensações a muito esquecidas, vividas a muito mais tempo, mas que estavam de novo palpáveis e reais, abrindo um portal para suas sensações mais excitantes.
Treinado e preparado para aquele momento, ao sair do banho refrescante naquela manhã de primavera, caminhou até a janela ainda molhado e completamente nu, olhou para o mais longe que seus olhos poderiam alcançar e vibrou constatando que sua visão estava também relembrando como é que devem funcionar.
Secou-se devagar, examinando cada parte do corpo, sentindo seus braços mais volumosos e tonificados em resultado do trabalho duro de carregar caixas em seu novo trabalho, o peito também estava mais forte e sua cintura muito mais fina. As pernas que sempre foram torneadas devido a prática de caminhar muito, estavam mais tonificadas e resistentes.

Vestiu-se e saiu para caminhar, sentindo o cheiro da natureza abundante ao seu redor de uma nova maneira, como se estivesse revivendo, uma nostalgia alegre que fazia seus passos acelerarem, e ir aumentando a velocidade até que ele estivesse correndo pelo bosque, cheio de vida e energia, ao contrário do que sentia nos últimos meses. Percebeu que não estava só nessa corrida de reconhecimento, e percebeu que seus companheiros de outras vidas e de outros mundos estavam tão ansiosos quanto ele para esse dia, mesmo sabendo que essa alegria de voltar ao pleno usufruto de seus sentidos e habilidades significavam problemas porvir. Mas pelo dia de hoje aproveitaram todas as alegrias de reunir os amigos em volta de uma fogueira, conversar sobre as novidades e comemorar uma vitória que será certa!

Ao final do dia, ele voltou para casa sozinho, enviou uma mensagem para quem quer que tivesse sentido sua falta durante a ausência e depois de uma ducha deitou-se na cama e dormiu rapidamente, pois em seus sonhos, ele iria continuar sua jornada, trilhando caminhos desafiadores e perigosos, fazendo jus à sua reputação de Guardião de Aeon, feliz em estar novamente em ação.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Procura-te...

E que só passem os anos...
Busque-se no mar de memórias que passadas com o tempo, amareladas e rosas te mostrem quem você realmente é. Olhe com atenção, com auxilio de uma lupa para todos os detalhes desfocados das fotos antigas e desgastadas, que guardam como você foi feliz. Mostre pra todo mundo aquele álbum de fotografias da infância, onde só cabiam sorrisos, desejos e sonhos, coloridos com canetinha em papel sulfite ou em folhas de rascunho.

Lembre-se dos momentos que fogem da memória, como também as vitórias de todo dia nas brincadeiras na rua, com os amigos da vizinhança ou mesmo com o pessoal da escola. Esconde-esconde, pega-pega, "Stop" e tantas outras. Quem aqui nunca brincou de pera-uva-maçã-salada-mista, hein? Que delícia...

Então vai pra esses lugares onde você é feliz sem preço, onde você sorria de orelha à orelha sem nenhuma necessidade de tecnologia, fama, ego ou bens materiais, em que a bola era improvisada, mas a alegria era autêntica e todas as ocasiões eram de brincadeira e alegria.

Volte para a nostalgia...
Procure-te criança, encontra-te com quem ainda mora dentro de ti.
Quem sabe, no presente, ele te ensine a ser verdadeiramente feliz?

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Das possibilidades de amar...

É possível?
Chegando em casa, deixo as chaves do carro na estante, tomo um copo de água e caio pesadamente no colchão. Mãos na cabeça e a luz do Sol ardendo nos olhos. Por todo o caminho eu ainda podia sentir sua presença no carro, que me fazia tanta falta, por quê eu não te levei pra qualquer outro lugar junto comigo? Sua falta é uma companhia muito desagradável, silenciosa e fria. Minha mente queima mais que meus olhos, então fico ali, estatelado sem nenhuma vontade de me mexer.

Eu sabia que era uma má ideia me envolver, nós dois estamos machucados, mas você bem mais. Pessoas machucadas não percebem o quanto podem machucar os outros, e eu não quero mais me machucar pelo sentimento que tenho. Muito menos, quero machucar ninguém. Ironicamente, se nos afastarmos agora, os dois já sairão muito machucados. É triste, que dilema lazarento, que me perturba já há algum tempo.

Se estivéssemos em condições menos críticas, ou se estivéssemos bem, poderíamos ter alguma coisa juntos? Somos tão diferentes e ao mesmo tempo tão compatíveis, o papo rola solto, e como sempre se eu pudesse me perderia no tempo de te ouvir infinitamente, pois o simples fato de estar próximo de ti já me deixa feliz. Essa é a ponta do iceberg, aquela que assusta quando vemos fora da água e que afunda os navios porque há muito mais lá dentro de um mar de emoções.

Sei bem que sou uma boa pessoa para você e estou disposto a tentar, mas não posso dizer o mesmo de você. Não me decepcionou em nenhum momento e pelo seu comportamento não acredito que isso possa acontecer com facilidade. Eu já pensei isso antes de alguém. Eu estava errado. Dizer que você é diferente é muito mais que cliché, é ridículo! Todos são diferentes, porém ninguém se mostrou disposto a deixar isso mais claro e real.

Talvez dessa vez, pela primeira vez, eu tenha sorte. Aquela sorte de um amor tranquilo, regado de bom papo, uma boa relação com respeito e carinho. Talvez dessa vez você fique do meu lado, para variar. Talvez dessa vez, pela sua própria vontade, haja um final feliz. Eu não sei, e mesmo acreditando sempre que sim, pode ser que dessa vez torne-se um bom começo...