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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Ta na hora...


- Ta na hora pequenino, vamos lá?
Foi a primeira coisa que ele me disse, e eu fiquei derretido.
Completamente!
Bem, na verdade não foi no sentido que eu quis entender, mas não importa, para o impossível, tudo existe e pode acontecer do jeito que a gente quiser. E eu quero!
"Querer é poder", não é o que dizem? Então, vai ser assim... do meu querer.

Sentei na cadeira e ele me perguntou como eu estava me sentindo. Tão atencioso!
Eu estou bem, mas ultimamente tenho tido dores no peito. É bem estranho.
Começa no centro, bem no plexo solar e então a cabeça fica zonza.
Me sinto fraco, e cheio de esperanças.
Uma batedeira, sabe? Não sei explicar mesmo.

- O quê mais, meu rapaz?
E eu fico meio confuso de ouvir a pergunta.
Me dá uma falta de ar às vezes, só de pensar em responder, uma coisa meio quente nas faces, parece até febre.
E ele me pede pra sentar na maca, para me examinar.
O coração que ele ouviu, com certeza parecia uma escola de samba vencedora do Carnaval, e quando viu minhas pupilas, tenho quase certeza que não viu muita coisa.

Ele pediu alguns exames. Fiquei preocupado.
Mas no final foi tudo tranquilo, não acusaram nada.
Nada além do real motivo de estar me sentindo desse jeito.
Era paixão. Meu Deus, que dor que dá.
Ele ali e eu não poder tocar, como pode?

Bem, no fim da consulta ele me deu um remédio para me acalmar. Os médicos gostam de nos dar remédios que não trazem nenhuma solução.
E então, quando eu sai ele deu uma piscadinha.
Salafrário. Sabe do que se trata... e usa-me de piada.
Como ousa?! - Jogo a receita no chão, irado!

Do outro lado, estava escrito:
"Fica comigo?" e um número de telefone.
Olhei pra receita, meio desacreditado, e na prescrição estava meu nome, com a seguinte lista de cuidados:

- Primeiro, acalme-se.
- Me liga, e vamos tomar um café.
- No papo, me conta mais de ti.
- E um beijo de boa noite no final.

Me diz, o que acha que eu fiz?

Voltei pro consultório e dei de cara com ele tratando de uma paciente chorando.
Ele me deu um sorriso de lado, pediu um minuto e levou a mulher para outra sala.
Voltou, fechou a porta, e me disse baixinho e calmo:
- Uma coisa de cada vez, pra ansiedade te dar trégua. Agora o tratamento começa.
Deu um beijo demorado no meu rosto, e pediu que eu fosse pra casa e deitasse pra relaxar.

Sonhei e não sei nem contar, de tão piegas que foi.
Acordei com o celular tocando, ele dizendo que vem pra cá depois.
E no jantar tomamos um vinho no quintal, com sobremesa e tudo.
Não mais senti dores, palpitações ou mesmo zonzeiras. E a falta de ar acontece às vezes que a gente esquece de respirar quando se beija.

O remédio para as dores e para os amores, é amar.
Vamos parar com os problemas e nos entregar.
Assim a vida simplifica, porque em toda receita tem um número de telefone.
E nos versos de seus momentos ele escreve uma historinha que se passa num coração aflito que só quer descarregar num pequeno grito o que sente:
"EU AMO"!

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