All, as coisas não são tão simples assim...


Algumas vezes, All não queria acreditar no que via na tevê. Era um pequeno de 5 anos, tinha ficado 3 meses no jardim, mas seus pais não tinham condições de pagar a escolinha, então voltou a desenhar em casa mesmo, tinha seus amigos com quem brincava às tardes e também seus brinquedos e a tevê que o deixavam ocupado durante o restante do tempo. E mesmo assim, não entendia qual era o problema das pessoas grandes, por quê elas faziam as mesmas perguntas e, dentro das perguntas estavam as respostas, criavam um dilema impossível de se resolver.

All dizia aos seus pais a solução para aquele problema, a resposta para aquela pergunta irresolvível, e tudo que recebia como resposta era:
- All, as coisas não são tão simples assim.
- Por quê não pai? O que impede de ser?
- ... - nenhuma resposta.

E esse silêncio fazia com que All ficasse cada vez mais confuso. Não era complicado, era só dizer a verdade. Não é isso que os adultos nos ensinam, a não mentir e dizer a verdade mesmo que eu tenha quebrado o vaso da minha mãe, ou que eu tenha visto minha irmã roubando chocolates do meu pai na geladeira?
Ninguém acreditava que não tinha sido eu quem tinha pego o chocolate, ela era mais velha e eu era o comilão. Acho que era por isso que não era tão simples, eles nunca acreditam na verdade.

Por muitas vezes, falavam comigo de forma figurativa. Uma criança não entende o que é "forma figurativa", ela sabe que se alguém como seu pai ou sua professora te disser alguma coisa, aquilo é verdade. Quantas discussões eu tive com minha professora do pré e do 1º ano do ensino fundamental, porque elas queriam me ensinar coisas erradas. Para uma criança entender sobre certo e errado é muito fácil. Certo é certo e errado é errado, não existe nada no meio disto. Se você fala que uma criança está errada, ela fica triste; se fala que está certa, ela fica feliz. Simples assim, mas eu gostava de saber o "por quê?"! E isso rendia em uma discussão em que eu sabia que estava certo, mas estava errado porque para os adultos "as coisas não são tão simples assim" e eu não entendia o que podia ser mais complicado do que eles acharem algo errado certo.

Se eu fosse adulto, ouviria mais a opinião das crianças, elas sabem as respostas para as perguntas complicadas. Mas os adultos não gostam de resolver as coisas, é isso que eles mostram pelo menos.
Eu não sei tudo, não entendo a maioria das coisas que os adultos falam, mas na maioria das vezes deixo eles sem palavras, como meu pai não soube me explicar porquê "as coisas não são tão simples assim", e os adultos me olham diferente quando eu falo.
Mas eu sou só uma criança.
Ainda sou só uma criança, mesmo depois de adulto.
E ainda pendo diferente e tenho respostas para as perguntas irresolvíveis. Mas ainda sou uma criança.
E quando os adultos querem ser cabeça duras, eles fazem isso melhor que as crianças.
Só não conseguem resolver seus problemas, ou responder suas perguntas. Mesmo que seja simples.

Acredito, com a confiança de uma criança, que um dia eles aprendam.
Eu to aqui pra ensinar se precisar. Toda criança gostará de ajudar.
Basta pedir.


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