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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Arte: Carregado pelo vento...

Calafrios descem pela espinha e espalham-se pelo corpo todo, espasmos de um sentimento que não é meu, não fazem parte de mim. Eu não sou aquela pessoa substituta, coadjuvante e iniciante que acabei fazendo tão bem o papel. O cansaço que me toma conta, no corpo se prega e a alma ali dentro fica espremidinha, sem espaço pra reagir. Alguém me salva dessa pressão tão ardente de ser bom demais pra qualquer um que se apresente à mim?

Não... Todos vem, me roubam as energias, carregam suas bagagens extraviadas e vão embora felizes da vida. No caminho, perdem a chave da porta de entrada, ou livram-se dela como se fosse um peso da lembrança de um passado que lhes incomoda. Trocaria a fechadura se não tivesse dado a chave a outras pessoas também.
Mas que importa agora? Estou entregue à sarjeta da memória...

Calafrios me acordam, o choro me faz dormir.
As dores me lembram de estar vivo e continuar a seguir rumo ao caminho que sempre sonhei trilhar.
Ajuda vai e vem, sem eu prejudicar ninguém, pois eu sei o peso de carregar alguém nas costas, tendo que se aguentar sozinho.

Sozinho é a única coisa que me salva. E depois de um tempo, livre, me deixa abrir a porta de novo pra outro estranho, que dessa vez olha tudo em volta e sai sem nem dizer olá.

- Olá! - Eu dizia.
E o ar respondia:
- FFFoi-se, fffui ali levar...

Vincent Van Gogh - Wheat field with Cypresses, 1889

Um comentário :

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