Utopia é a realidade...


Entrando em uma casa humilde da periferia da cidade, qual foi meu espanto ao encontrar tudo muito bem organizado; as crianças bem vestidas, de acordo com as possibilidades, e cada uma com seu brinquedo bem cuidado, que era reciclado, mas colocado com carinho em cima dos travesseiros?

Nenhum!

Naquela sociedade, onde o que falta é emprego e segurança, as crianças estudam e são incentivadas a criar, experimentar e a lutar pelo que querem.
Paupérrimas, mas ricas em seus mundos e nas maneiras inúmeras de transformar o que tinham, que era tão pouco, naquilo que precisavam.

Ricas SIM!

Essas eram pessoas que não se importavam realmente com o que lhes faltava, mas faziam o possível, e algumas vezes o impossível, com o pouco que tinham. Não se incomodavam com o que falavam delas pois não conheciam sua realidade, já que nunca foram até a comunidade, então como saber?
Estavam seguras de que não seria importante fazer-se saber do que não lhes convinha. E assim carregavam o peso somente do que era seu.

Indiferentes, NÃO!

E entre eles existia um pequeno ritual, não pediam ajuda, pois se ajudavam por igual. Era o menino que precisava de leite, ou a mãe que precisasse de pão, era o pai que precisava de um cabo de enxada, ou o filho que precisava de carvão para a escola; um tinha a mais, então era de todos. E todos tinham mais do que realmente possuíam, sem sair de sua humilde pobreza por meios sem perdão.

Felizes!

Haviam sido roubados, mas não sofriam por isso, do pouco que tinham, muito foi levado, mas todos estavam bem, e isso é que era lembrado.
Mesmo depois de terem sofrido um roubo de suas economias, eles estavam ainda unidos, ainda vivos, ainda livres daquela escravidão que o mundo lhes queria impor. Não seriam nunca mais aprisionados naquela cela amargurada, chamada solidão.

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