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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

#1 - Um Pequeno Brasileiro - A Caipora...

Numa tarde normal, com temperatura amena, a sociedade se comportando normalmente, um garoto normal de 8 anos passeava pela rua de sua casa. Sim, a casa também era normal.
Naquele dia, não houve aula, e o sol brilhava de modo que estava triste de ficar dentro de casa. Ele mora num bairro de classe média da cidade de Vivá, pequena mas bem cuidada, as ruas asfaltadas, bastante praças e áreas de preservação da natureza que é ainda abundante na região.

No final da rua, ouviu uma risada que terminava num assovio, bem baixinho, vindo do pé de uma mangueira carregada no quintal da Dona Anna, uma senhora graciosa, que adorava contar histórias. Sua casa tinha um quintal grande e recheado de árvores de frutas, além da mangueira também tinha goiabeira, limoeiro e laranjeiras, um pé de amora que abrigava muitos pássaros, e também jabuticabeira.
O assovio virou um vulto, que correu pra dentro da casa.

O menino chamou:
- Dona Anna, é o Caio. Posso entrar?
E ela veio até a porta da frente, arrastando os velhos chinelos de dedo, baixinha, com cabelos grisalhos amarrados num coque, vestido branco com flores rosas que ela mesma costurou e era preso pela cintura por seu avental azul e vermelho.
- Entra menino! - disse com voz rouca demonstrando a idade e a alegria. - Estava te esperando.

Pela primeira vez Caio entrou na casa e sentiu-se tonto. Dona Anna trouxe logo um copo de leite com biscoitos, e pediu que o menino se sentasse. Depois que o menino comeu alguns biscoitos e tomou o leite, ela então explicou:
- Desculpe, devia ter avisado, você não é a única visita hoje, e ela não gosta de quem não conhece. Está melhor?
- Estou sim, e seus biscoitos são deliciosos! Mas quem é a outra visita? E por quê não gosta de mim?
- Não é que ela não goste, só não te conhece ainda. - riu Dona Anna - É uma Caipora, e ela é muito tímida, mas depois vira uma tagarela! Na verdade, foi ela quem te chamou pra entrar, você ouviu uma risada assobiada, não foi?
Ele concordou com um sinal de cabeça, a boca cheia de biscoitos, e então, Caipora apareceu atrás do sofá, curiosa, apontou para o menino e sumiu.
Pegou um cigarro e fugiu.

- Ela gostou de você. - Mas séria, ela perguntou - Caio, você tem medo dela?
- Eu não sei, acho que ela foi a primeira que eu vi. Mas não senti medo não.
- Que bom, meu filho. Gostou dos biscoitos? Uhum. Que bom, então aproveite os biscoitos, vou te contar uma história.

A Caipora, menino, é uma das defensoras das nossas florestas mas principalmente dos animais, contam-nos os índios Tupi-Guarani.
De cabelos bem vermelhos, pelos pelo corpo todo, e orelhas pontudas, ela patrulha as matas montada num porco-do-mato, e quando ela vê um caçador ela fica bem esperta, se ele caça mais do que precisa ou faz os animais sofrerem, ela imita os sonhos dos animais mais ferozes e afugenta as presas, mexendo galhos e os fazem correr da mata ou se perderem dentro dela!
Como você sabe, hoje em dia, nossa mata e a Natureza está ameaçada, mas a Caipora não consegue mais proteger os animais e as florestas sozinha, os homens desenvolveram tecnologia e com ela, conseguem derrubar mais árvores e matar mais bichos, sem nem escutar o alerta da Caipora, sem medo.
Por isso nós precisamos da sua ajuda, Caio.

- Mas Dona Anna, como eu vou ajudar? Sou só um menino. E não gosto de me meter nos assuntos dos adultos.
- É um menino muito inteligente! E é exatamente das crianças que precisamos de ajuda. As crianças crescem e se tornam adultos, e então, terão de tomar conta dos mesmos "assuntos dos adultos" que você não quer se meter.
- Eu sei, mas vou pensar nisso quando eu for adulto. Agora eu quero brincar com a Caipora!


Caio saiu no quintal e viu a Caipora encostada na mangueira, correu até ela e parou assustado. A Caipora riu e correu assoviando, enquanto Dona Anna olhava da porta da sua casinha.

O que será que Caio viu?
Qual é a necessidade de Dona Anna para com o menino que só quer brincar?

Quer descobrir? Assovie pra Caipora e espere até o próximo capítulo!

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