Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

terça-feira, 9 de julho de 2013

O cego que escutava...

O menino Fawy era cego de nascença. Quando ainda tinha 3 anos, seus pais levaram ele em todos os médicos que podiam, todos os que ouviam dizer que poderia lhe devolver a visão (que nunca teve) e nada.
Quando fez 6 anos, eles deram uma mega festa de aniversário para Fawy, seu pai Duran fez uma brincadeira pela casa com placas em braile e que ele teria que seguir para encontrar os seus presentes.
Ficaram abismados quando o menino descobriu os presentes já logo na primeira pista, que só o levava até a próxima das 13 pistas! Era então declarado um menino prodígio.

Na escolinha, ele se destacava quanto aos demais alunos, mesmo sem poder ler as lições que o professor colocava na lousa, ele sabia todas as matérias de cor. E mesmo que os amiguinhos lhe tirassem muito sarro, ele não se deixava abater. Com 8 anos porém, ele fez com que os meninos parassem de pegar no seu pé, quando se defendeu sozinho de um dos valentões da sala. Sem poder ver, o menino desviou de uma bola de papel que lhe fora jogada por Heric, que acertou a coleguinha de Fawy, Deborinha, por quem ele sustentava um grande carinho, já que era ela quem o ajudava mais na escola. Fawy guardou a bola de papel e no intervalo, atirou direto na cabeça de Heric, sem ele saber de onde ela tinha vindo! Virou uma lenda no colégio.

Pediu aos pais quando fez 14 anos por algumas tábuas, pregos e um martelo.
Construiu para si algumas guias na casa e com elas não precisou mais da ajuda da mãe Marci para levantar, encontrar suas roupas preferidas e sair de casa. Os pais ficaram impressionados e disseram ao filho que ele poderia seguir a carreira de engenheiro se lhe fosse de gosto. Fawy por outro lado queria era outra coisa.
Era o único cego que conhecia e se sentia especial por isso. E então decidiu que queria ser marceneiro!
Foi taxado de louco.

Quando fez 21 anos, conseguiu com seu próprio dinheiro abrir um pequeno escritório para ser sua oficina.
Totalmente construído por ele, também de madeira e muito peculiar, já que ele nunca havia tido aulas de como trabalhar com madeira, nem havia qualquer referência de nenhum outro artista.
Com ajuda dos amigos que lhe pediram móveis para zombar de sua empreitada, Fawy fez os móveis mais incríveis que pudessem imaginar seus amigos e familiares! Fawy agora era famoso e renomado.

Com 55 anos, ele era avô de 3 pequenos meninos, trigêmeos, um deles também nasceu cego. Seu único filho Tessy queria que o filho cego ficasse o maior tempo possível com Fawy, para que este lhe ensinasse a ter o sucesso que o avô tivera.
Tessy e sua noiva Keira, eram muito orgulhosos dos filhos e de Fawy.
Mas Fawy não gostava de que ficassem sempre colocando o pequeno Deric com o avô, separando-o dos irmãos que corriam atrás de uma bola velha e suja de barro, enquanto ele brincava com seu carrinho preferido.

Fawy então pegou o pequeninho Deric e disse bem perto de seu ouvido:
- Meu menino se alguém te disser que é diferente, não acredite. Se disserem que você não pode ver diga-lhes somente que não é tolo. Toda minha vida eu pude ver muito mais do que todos os nossos amigos cujos olhos funcionam. Eles achavam que porque eu não podia ver, não podia fazer mais nada, mas eu os enxergava por quem eram, e podia ouvir tudo o que tramavam. Pois por acharem que eu não via, também não podia ouvir. Quando for assim meu pequeno, fique quietinho. E escute tudo.

Colocou o pequeno no chão, ele foi em linha reta para a bola que os irmãos jogavam e a chutou sem erro no gol improvisado com os chinelos velhos do pai, um deles mordido até a metade pelo Fred, o dog alemão.
Os pais e os irmãos ficaram boquiabertos. Fawy deu uma gargalhada bem alta, sentado em sua poltrona gorda e confortável na sala! Todos riram com ele.
Deric cresceu e se tornou corredor de Fórmula 1...


Nenhum comentário :

Postar um comentário

Comente. Há um mar de pensamentos e você pode pescar um peixe que ninguém mais conhece. Assim são as palavras no mar do Umikizu!