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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Consorte da Noite...

E a Noite mais uma vez me chama, tirando-me da cama, fazendo de mim seu consorte e deixa-me acordado num frenesi sem sentido. O que ela realmente quer comigo? Me deixa ansioso, desperta a curiosidade e fica em silêncio absoluto.
O momento é mágico, repleto de sentimentos, e completando o rito todos os espíritos fazem um círculo de proteção, invocando boas energias e banindo qualquer um que nos atrapalhe.

Qualquer coisa é fora dos limites desse feitiço.
Qualquer um é uma ameaça à essa amante implacável!

Um gato no telhado provoca os cachorros da vizinhança, é um coro composto pelos cães, seguido pela represalha de seus donos, cortado apenas pela buzina do guarda noturno e então ninguém mais dorme, só os que "dormem como pedra".
Pedras de proteção e plumas de imaginação levam os pequenos pelos sonhos e os mais velhos são perseguidos por pesadelos.
Não exclusivamente, nem definitivamente, tudo pode ser trocado no instante em que os sons sessam e a turma toda se confunde com as tramas de tantos fios de prata em um artesanato de deuses e demônios.

É única a Lua no céu e mesmo assim o ser humano consegue se perder.
São muitas as estrelas e então elas são a desculpa para não se encontrarem.
São tantas as desculpas, tantas as razões sem nenhuma certeza, que no final tudo está perdoado.

Pelos meus dedos deixo um pouco de água fluir, escapar,
Perder-se por um buraco negro que não consigo entender.
Pelos meus olhos eu vejo tudo isso dissolvendo-se no espaço, influenciado pela minha leve imaginação perturbada pelo desejo de voar, pelo desejo de dormir e ao mesmo tempo pelo desejo de fazer outras milhares de tarefas incompletas no dia que ainda não acabou.
Porque não acaba.
Nunca acaba....

E a Noite fala-me então:
- Hora de entregar-se, meu filho.
Sem pensar, sem negar, sem olhar. Pule!

Pulei pro lado, pra frente ou proutro ponto sem nenhuma luz. Fora do foco, do eixo, fora do Todo. E se o Todo é tudo, como posso então estar fora?
Ora essa, Nada pode estar fora do Todo e é disso que muita gente se aproveita, principalmente à noite.

E a Noite pede pelo bem de todos nós. Para que então o Sol nasça e para que quase ninguém acorde com ele.
Dias vem e vão.
Tudo no seu lugar. Fora do curso.
Dentro do respiro e da margem de erro.
Perdidos no azul, claro ou escuro, do Dia ou da Noite.

Noite amando.
Dia rumando.
Tarde acabando.
Você vai ficando, assim...
Sonado.
Xonado.
Enciumado.
Dourado.
Azul...

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