Porta nenhuma...

Deixei depois de anos a porta semi aberta.
Ela vivia escancarada, empoeirada e triste.
Não deu dois enganos, tinha gente entrando.
O que mudou? Quem mudou? E a porta?

Cabia numa mão o que me aconteceu até aquele dia,
ninguém muito se interessava, alguns talvez me queriam.
Depois de buscar a fundo, percebi que eu mesmo é quem estava lá,
escondido de todo mundo, perdido no meu próprio lugar.

E era tanta gente, era tanta coisa nova, vezes
nem sabia como tratar, mas percebi também
nada importava, o que os mandava lá era mesmo
a curiosidade e não saber o que iam encontrar.

Desde quando a porta nunca mais abriu,
e além de todas as possibilidades que se podia
também nunca mais conseguiu-se fechar,
é que soube encontrar o que realmente mostrava.

E quando aparecia gente que não sabia de nada, nem quê queria
eu dizia: - Endereço errado! A felicidade foi por ali, saída da coxia!
E de descontentamento zerado, saiam sem problemas proutro lado.
Se ficava na casa era porque queria. Sem precisar de motivo.

Aquele céu depois da porta
numa seca desgraçada ficava
seus olhares estavam mesmo
voltados de verdade pro nada.
Fecha a porta, e tudo acaba!

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