Escuridão...

Ela parece que me encontra onde quer que eu vá...
Não precisa se esconder, ela nunca realmente está.
Não corra...

Existe uma coisa além, maior, e simples, ela está lá, está em todos e está sozinha.
Pensa demais na própria solidão e aprisionada em si mesma, não deixa ninguém mais escapar.

De tantas vezes que se veste de azul bem escuro, é até encarada como uma nobre princesa.
Nas noites de Lua cheia, se encanta e desata a exibir tons que vão do preto ao violeta, totalmente vestida em seda esvoaçante e coberta levemente de muitos e muitos véus, para esconder-se de si mesma.

Num lugar especial ela estoca a beleza que nunca vai deixar nenhum olhar mortal tocar.
Nem mortal, nem sobrenatural. Uma vez um deles a viu, e coitado, não sobreviveu a visão.
E você pode pensar o que quiser, era indescritível de qualquer forma.

Mas se queres mesmo conquistar essa menina acuada, que te olha nervosa e trevosa sem nenhum medo ou coragem, sente-se.
Espere a noite chegar, conte uma história de horror em frente à fogueira, que depois de apagada, ela surgirá das cinzas.
Numa dança sensual, sem necessidade de ensaio ou preparo.
Sobe e desce, gira e rodopia sem fazer nenhum barulho.
A cidade toda se afasta e quem está perto, fica olhando hipnotizado.


É a fumaça que lhe veste, num único véu.
Ela toda faceira se embebeda daquela história e antes da luz do dia raiar e o Sol transformá-la mais uma vez em fugitiva, ela dança.
Talvez o que ela mais queira é que a Lua permitisse que ela tivesse seu espaço pelo menos durante a noite.
Mas é feliz naquele momento.
E volta a ser plena e se esconde de novo, soprada pelo vento...

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