Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Como Agradar Um Orixá


~ Por Ronaldo Figueira


Certa vez, um homem foi se consultar com um Babalawo. Queria saber por que não dava nada certo em sua vida.
Ao receber a mensagem de Ifá, descobriu qual era o problema. O Babalawo lhe disse:

- Meu filho, sua vida não vai pra frente porque você não fez as oferendas que deveria.

Surpreso o homem indagou:

- Fiz oferendas a todos os Orixás. Como posso não ter feito as oferendas que deveria?! Fui à cachoeira, agradei mamãe Oxum com Ipetê. Fui até o mar, a Yemanjá ofertei flores e perfumes. Nos campos, ofereci a Ogum um cará regado com muito dendê. A Yansã, arriei nos pés de um bambuzal nove acarajés. Em um lindo bosque, oferendei um sarapatel à Nanã e na Calunga deixei junto ao cruzeiro um alguidar com pipocas à Obaluayê. Xangô comeu um saboroso amalá que arriei na pedreira e a Oxossi, levei até as matas um banquete com abóbora, milho, côco e muito mais. E ao glorioso pai Oxalá, oferendei, em um lindo jardim, uma saborosa canjica coberta com muito mel. Agora pergunto: - Ainda faltou alguma coisa?!

- Faltou o principal, meu filho!

Quando você foi à cachoeira agradar a Oxum, pediu-lhe amor e lhe deu um Ipetê. Mas não ofertou o amor que ela esperava que tivesse pela sua religião, pelos seus antepassados e pelo seu semelhante. Nas águas de Yemanjá, você pediu que abençoasse sua família, mas não é só com flores e perfumes que se agrada a rainha do mar. É preciso que trate a todos os seus irmãos com respeito, pois somos todos uma só família. Nos campos de Ogum, não basta lhe dar um cará. Necessita-se ter a bravura de um guerreiro para suportar os desafios inerentes à vitória almejada. Os ventos de Yansã, que sacodem o bambuzal, trazem os ares da certeza que põem em ordem os corações duvidosos, levando os eguns desorientados, desde que os acarajés ali arriados sejam regados com o fogo da coragem e do entusiasmo. Nos bosques sagrados de Nanã, só se consegue adentrar com profundidade quem traz consigo não só o sarapatel, mas a sabedoria, pois sem ela não se pode se livrar do lamaçal da vida causado pela maledicência, geradora da falta de fé. Na casa do velho Obaluayê, o senhor das passagens, não adianta arriar o deburu (pipoca) se não vivenciar o que isto representa. É necessário mergulhar no fogo da intolerância, deixar a casca dura da vingança e saltar como uma linda flor. O amalá deixado na pedreira só agrada a Xangô se seu coração não estiver como uma pedra, pois assim não adianta pedir para ele aplicar a justiça sobre seus desafetos, porque você não evoluiu o suficiente para discernir justiça de vingança. Seria melhor ter pedido que o ensinasse a proceder com justiça para com o próximo. Para Oxossi, não era necessário um banquete. A fartura em sua vida virá quando você repartir com os menos favorecidos aquilo que você tem em abundância, pois quem reparte aquilo que tem, nuca lhe faltará. Quanto ao bondoso e cristalino pai Oxalá, requer-se muito mais que uma canjica para agradá-lo. Sua oferenda é o seu coração.

Não basta que a canjica esteja cândida; seu coração é que deve estar tomado da mais pura brancura. Você pediu paz, mas não agiu de forma pacífica durante toda a sua vida. E ainda disse que os trabalhos não deram certo.

Ora! Não foram os trabalhos, ebós, sacrifícios e oferendas que fracassaram. Avalie sua vida até os dias de hoje. Coloque um ponto final no modo egoísta de viver. Volte até o recanto dos Orixás e lhes peça todo o axé necessário para que suas mãos possam produzir neste mundo a paz, o amor, a fartura, a justiça, a coragem, a sabedoria e a força geradora das obras do bem. Somente após mudar sua própria maneira de agir, de modo a poder plantar e regar boas sementes, você poderá colher os frutos de um novo amanhecer. Até lá, faça com fé suas oferendas. Os guias espirituais estarão junto de você.

Mas não esqueça que a maior oferenda é o seu coração!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Uma Estória do Mestre Benjamim

A tenda do Mestre Benjamim estava cheia. Uma velhinha de voz trêmula e pele cheia de rugas lhe pediu: "Mestre, fale-nos sobre Deus..."

Mestre Benjamim fez silêncio. Olhou para o vazio. Vagarosamente um sorriso foi-se abrindo.

"Quantas pessoas aqui, na minha tenda, estão pensando no ar? Por favor, levantem a mão..."

Ninguém levantou a mão.

"Ninguém levantou a mão... Ninguém está pensando no ar. E, no entanto, todos nós o estamos respirando. O ar é a nossa vida e não precisamos pensar nele nem dizer seu nome para que ele nos dê vida. Mas o homem que se afoga no fundo das águas só pensa no ar. Deus é assim. Não é preciso pensar nele e pronunciar seu nome. Ao contrário, quando se pensa nele o tempo todo é porque está se afogando...

" Que desejamos para nossos filhos? Que eles sejam felizes. Sorrimos ao vê-los por aí a correr, a cantar e a brincar, pensando nas coisas de criança.

Mas enquanto brincam e riem eles não pensam em nós. Se um filho, ao se levantar viesse até você e o elogiasse, e agradecesse porque você lhe deu a vida e jurasse amor para sempre, e fizesse a mesma coisa na hora do almoço, e repetisse ao meio da tarde e de noite fizesse tudo de novo, suspeitaríamos de que alguma coisa não está bem. O que desejamos é que eles gozem a vida sem pensar em nós. Quem pensa demais e fala demais sobre Deus é porque não o está respirando."

Fez-se silêncio. Foi quando uma lufada de vento entrou pela tenda, fazendo balançar a lâmpada de óleo que pendia do teto.

"Deus é como o vento. Sentimos na pele quando passa, ouvimos a sua música nas folhas das árvore e o seu assobio nas gretas das portas. Mas não sabemos de onde vem nem para onde vai. Na flauta o vento se transforma em melodia. Mas não é possível engarrafá-lo. Mas as religiões tentam engarrafá-lo em lugares fechados a que eles dão o nome de "casa de Deus". Mas se Deus mora numa casa estará ausente do resto do resto mundo? Vento engarrafado não sopra..."

Ouviu-se então o pio distante de uma coruja.

"Deus é como um pássaro encantado que nunca se vê. Só se ouve o seu canto... Deus é uma suspeita do nosso coração de que o universo tem um coração que pulsa como o nosso. Suspeita... Nenhuma certeza. Deus nos deu asas. mas as religiões inventaram gaiolas.

Tudo o que vive é pulsação do sagrado. As aves do céu, os lírios dos campos... Até o mais insignificante grilo, no seu cri-cri rítmico, é uma música do Grande Mistério.

É preciso esquecer os nomes de Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida. Não precisamos dizer o nome -rosa- para sentir seu perfume.

Deus mora no nosso mundo, passeia pelo jardim. Deus é beleza. Quer ver Deus? Veja a beleza do Sol que se põe. Quer ouvir Deus? Entregue-se à beleza da música.

Quer sentir o cheiro de Deus? Respire fundo o cheiro do jasmim. Quer saber como é o coração de Deus? Empurre uma criança num balanço.Eu vejo Deus em cada uma das vinte e quatro horas e em cada instante de cada uma delas, nos rostos dos homens e das mulheres eu vejo Deus."

Ouvindo estas palavras a velhinha sorriu para o mestre Benjamim e fez um sinal com a mão, abençoando-o.


Do livro "Perguntaram-me se acredito em Deus" de Rubem Alves

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O ponto Positivo...


Quando é difícil encontrar um ponto positivo na adversidade, significa que você não aprendeu sua lição.
É triste, mas outras virão lhe ensinar, até que você entenda.
~ Allan Lucena (Pandumiel)


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A Esperança é Carmim...

Enquanto caminhava na noite, cabisbaixo, Yansen pensava.
Era difícil focar em qualquer coisa diferente naquele momento, sua vida andava desestruturada. Toda ela.
Morava sozinho, e solitário, não sabia como ainda estava vivo, preso numa redoma que ele mesmo criou para se proteger do mundo, se viu enclausurado na própria casa, onde não havia qualquer possibilidade de encontrar uma saída.
Estava confinado em si mesmo, quando na verdade queria se assegurar de que poderia viver só, provar que conseguiria suporta sua própria presença.

Então andava olhando o chão, as outras casas, os céus e as estrelas procurando uma dica para libertar-se de sua maldição autoinoculada.
Numa rua sem saída, sentiu-se mal, como se ali fosse o fim do mundo, sentou-se na beira da rua e respirou fundo para espantar o sentimento de claustrofobia que o tomara de súbito.
Quase sem ar e com dores fortes no peito, ele gritou! Um gato assustou-se e correu para fora do beco.
A Lua não brilhava naquela noite, e a fraca luz do poste fazia aumentar ainda mais o sentimento de aperto e a solidão. Aquela era a única coisa que o mantinha vivo, e também o mantinha na sarjeta.

- Que posso fazer? AHH!! Alguém me ajude!

Uma estrela o ouviu, viu aquele homem agonizando e gritando, sofrendo com as dores da alma, mas pior, morrendo com as dúvidas de uma mente reclusa.

- Uma coisa de cada vez meu rapaz, ninguém pode te ajudar, senão tu mesmo. - Disse Thuban uma das estrelas mais brilhantes da constelação de Draco. - Mas posso entender que não conseguirá agora, sozinho, sem guia.
Existe um pensamento do oriente do seu planeta que diz assim... - E com voz suave e delicada, Thuban declamou o pensamento como se fosse um poema:

"Existe uma linha vermelha, invisível aos olhos, que conecta todos que estão destinados a se encontrar.
E não importa o tempo, o lugar ou as circunstâncias.
Esse fio pode ser apertado, ou emaranhado, mas nunca rompido."

Fonte: http://xdisenchantedx92.deviantart.com/
- Meu caro rapaz, quando estiver sentindo-se assim, lembre-se da linha vermelha que te trará o amor de sua vida, e saiba que estão ligados de forma que não está nunca sozinho...

Yansen acordou em sua cama, era 03:25 da manhã e ele não fazia ideia de como podia estar ali.
Foi um sonho, tudo aquilo? E aquele aperto em seu peito ainda existia.
Mas o que ficou foi aquela luz que lhe guiou para o encontro de uma esperança, uma esperança carmim...

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Diga não! Tudo bem...

Depois de perceber que o que aconteceu, um abuso de poder de um líder para fazer com que seus subordinados não mostrem os seus erros aos que podem fazê-lo pagar, entendi que eu sou realmente corajoso.

Por mais que tenha me feito mal, eu sei que isso acontece porque não sou como os outros que sofrem calados, ou pior, como os que preferem ficar inertes e seguir o fluxo do erro e da maldade.
Eu entendo que minha mente e meu corpo refletem o repúdio que sinto pela clara desordem em que vivemos inseridos e pela inversão de valores que engolimos.

E fiz minha decisão, não vou engolir sapo! Eles não merecem esse fim.
E os que se aproveitam disso, também não merecem minha cooperação.
Simples assim.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Começando Fevereiro...

Esse negócio de normal, 
'num é assim que se fala?',
é tudo igual o que eu sou,
só diferencia na lente dos olhos da mente de quem interpreta diferente...

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Quando perceber que tudo é igual, mude.
Quando entender que tudo é igual, aceite.
Quando aceitar que tudo é diferente, vai saber...

Mudança é o caminho para o entendimento, assim você conhece o que é Sabedoria.
Esses sãos os passos para acabar com o que te faz mal, te chateia ou te prende aos problemas cotidianos e chatos de resolver.
Te libertando.

Livre você acorda.
Acordado, você olha, vê e compreende.

Daí é só Viver!

BOM FEVEREIRO!
Abra a mente num mês do ar!