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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Dias de chuva...

"These are the seasons of emotion
And like the winds they rise and fall
This is the wonder of devotion
I see the torch we all must hold
This is the mystery of the quotient
Upon us all, a little rain must fall"




Chovia no mundo todo, ninguém saía de casa e a neblina cobria o chão. Um ar, um som, uma visão de terror nos olhos da janela da casa da frente. ~ Que será que pensava?
Dentro de casa, as goteiras haviam começado a cantar. Chovia a tanto tempo, que a água encontrava lugares para passar, à força e com toda paciência que eu não tinha.
Era bonito.

Imaginar que sou assim tão ligado à água e não conseguia entender essa magia que ela me ensinava gota a gota. E que vendo assim ficava tão pequeno, mas lá fora, tudo inundado.
Qual força é a da união dessas pequenas células de H2O.

Um som se destacava. Eram duas gotas mais rápidas, em sintonia e harmonia.
A casa era só música e aquelas duas eram as protagonistas do musical.
Estavam próximas e mesmo assim não se tocavam antes de chegar ao solo. Separadas por menos de um milímetro, vinham da mesma fonte, tinham a mesma energia, mas eram únicas como cada um de nós.
E cantavam repetidas vezes cada vez num tom e alternando suas notas sem perder a voz, nem errar o tom.

O som que ouvi todo o dia foi o daquele casal que falava sem que eu pudesse entender, mas que faziam-se sentir.
Estavam felizes e sorriam ao cantar, quando tocavam o piso gelado, gritavam a nota mais alta, carregadas do que aprenderam no caminho até lá e o melhor acontecia. ~ Elas se juntavam!

Os olhos da casa além da rua brilhavam, como se vissem minha alegria pelo casal que pingava, cantando sem se perder.
Uma figura saiu do escuro da casa. Tinha uma vela nas mãos agora que iluminaram melhor os olhos negros.
Não o via piscar.

Inconscientemente, observando os olhos sempre abertos, percebi que as gotas e eles tinham alguma ligação.
E que eu também estava naquela canção. ~ Os olhos e as gotas.
Pingava e eu piscava. Ele também.
Nada mais era que a chuva, as goteiras, o casal de gotas, meus olhos e seus olhos, completando aquela apresentação sem um final.

~ A chuva parava...

A chama da vela foi soprada pra longe. Os olhos negros continuaram acesos.
O dia ainda era cinza, mesmo assim a sincronia não acabou, e os olhos que não piscavam apenas piscavam junto dos meus.

As gotas continuaram por mais um tempo.
Cheias que estavam da alegria de cantar e depois juntarem-se no piso daquela casa que já não tinha mais os olhos, que até então as seguia.
As gotas continuavam acompanhadas.
Agora eu também estava...

Junto dos olhos negros numa noite enluarada.

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