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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sem amarras...


Sinto seu cheiro, de todo o corpo, como se assim pudesse ter mais um segundo, depois do passado, e mais um ainda por vir, sem mexer naquela lembrança, do seu beijo ou do seu abraço.

Depois me sinto inútil, por não ter te prendido numa chave de pernas do diabo e deixado o mundo com saudade de nossa presença na cidade, no trabalho e em casa, por estarmos perdidos no infinito.

Se fosse assim você ficaria comigo, embriagado de vinho e carinho, passando de bebida a lambidas num jogo de sexo e disputa?
Sem deixar que escapasse uma gota de prazer, enquanto um gritasse baixinho no ouvido do outro, pra que o tempo passe mais depressa e encontrar essa outra realidade.

Que existisse culpa nessa separação, para acalmar o coração...
Perdendo nos caminhos que trilhamos juntos, cada passo em descompasso, perdidos.
Pedidos pra que se encontre o sabor daquela nupcia lenta que não me deixa te esquecer.

Depois de uma despedida bordada de sorrisos, me faz falta qualquer coisa sua e numa noite qualquer te vejo na parede da memória, esculpido em barro sem nenhum acabamento.
Perfeito, imperfeito como és...

Se gostasse de você, metade do que gosto de gostar, estaria morto!
Assassinado pelo sorriso diabólico daquele vinho barato que dividimos sem amarras...

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