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quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Louco (Gibran Khalil Gibran)

Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

3 comentários :

  1. Amo essa história há anos...

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  2. muito bom, não conhecia essa história

    como não poderia deixar de ser, me reconheci em cada linha. Uma forma linda de explicar o porque de não usar máscaras a muito tempo, antes de muitos deuses terem anscido.

    Abraços de Luciux, aquele que vem com a manhã

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  3. Realmente uma história impressionante que eu também não tinha conhecimento.

    Ótima.....e com um fundo filosófico intrínseco.

    Grande abraço.

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