Eles não sabiam de nada...

Acocorado no precipício, ele observava seu capitão mandar e desmandar, palavras duras e grosseiras, aos seus ex-colegas do pelotão.
"Atire seus bosta" ele gritava babando, enquanto sua granada fazia 5 soldados inimigos voarem sem vida. "Duas horas, atire!" E mais um soldado caía.

Ele não era capitão, já foi nomeado general, mas nunca saiu do campo de batalha. Suas ordens eram diretas, certeiras e com ele nenhum pelotão tinha mais que 4 ou 5 baixas, raras mortes!
Só eu sabia como ele fazia isso, como ele era tão acertivo, e por não ser nenhum segredo é que ninguém percebia. Todos admiravam sua bravura, orgulhavam-se de sua eficacia e o temiam, ah como o temiam!

Eu fui expulso por ele, exilado onde agora ele fazia brilhar mais uma de suas gloriosas e aterradoras vitórias.
Não seria vingança, ele quem gosta desse sentimento, eu gosto de justiça, mesmo que seja um nome mais bonito, mesmo que ninguém vá entender assim. Me importo mais com os batimentos do meu coração que com as conversas neuróticas na cabeça dos outros, sem sentidos e sem vontade própria!

- Toque a trombeta...

Um som grave cortou o campo de batalha, fazendo-se ouvir entre um tiro ou uma explosão. Longo, forte e dolorido. O capitão permaneceu firme, gritando ordens e exigindo que seus homens mantessem posição.
O inimigo começou a recuar, primeiro a reta guarda e, pouco a pouco, as trincheiras iam esvaziando-se, devagar, para que fosse quase imperceptível. E o capitão alerta arrepiou!
"Corram pra montanha, AGORA!"

- Atirem...

Cem guerreiros levantaram-se atrás de mim, cem arcos e somente um alvo barulhento e arrepiado.
"Colados n' montanha, JÁ!" Ele gritava enquanto corria.
Seis projéteis foram anulados pelo capacete e quatro pararam no colete peitoral. Um atravessou-lhe o braço esquerdo.

- Vinte e cinco flechas em cada saraivada...

Quando chegaram até a montanha, ficaram colados nela e alguns segundos se seguiram em silêncio. Somente 2 saraivadas foram disparadas e só uma flecha acertou seu corpo, o capitão era realmente muito bom. Mas ir para a montanha foi seu principal erro.

- Eu assumo daqui. Junte os soldados do outro lado.

Quando saltei, vi 3 granadas passando por mim e matando 17 dos meus arqueiros. Meu alvo estava ao alcance e queria que estivesse me esperando, mas ele estava vindo ao meu encontro. Trocamos 2 socos antes de chegar novamente ao chão. Ele sacou uma pistola semi automática e uma faca da cintura, eu puxei minha espada e minha desert eagle.

Ele já havia dado ordens ao pelotão, eles foram todos para o lado norte da montanha, onde o terreno era acidentado e havia fileiras de rocha que formavam trincheiras naturais, meus guerreiros estavam agora indo em direção ao exército que distraiu o capitão no início, para fortalecer as defesas do lado leste e lançar um ataque massivo ao pelotão, que sem seu capitão ficava vulnerável.

Rápido como um coyote, ele lançou um ataque com a faca e atirou em três pontos com a pistola com incrível velocidade, mirando cabeça, coração e estômago. Parei a faca com a desert, e desci com a espada na diagonal enquanto desviava dos tiros. Atirei uma vez e girei a espada num semicírculo obrigando-o a dar um passo para trás, mais um tiro no colete e ele perdeu o equilíbrio, mas deu mais dois tiros, os dois pegaram de raspão no meu braço, antes de se deixar cair de costas.

Em menor número e sem seu capitão para os guiar, o meu antigo pelotão foi sendo derrotado pouco a pouco, as rochas eram uma excelente defesa, mas era exatamente para onde queria que fossem. Deixei soldados escondidos entre eles e um ataque dos flancos traseiro e dianteiro foi demais para os soldados bem treinados e com equipamento pesado.
O último deles caiu junto com seu capitão.

Quando caiu de costas, rolou numa cambalhota, ficou de cócoras para se tornar um alvo menor e começou a atirar pausadamente. Já era hora de acabar com a brincadeira...
Com um tiro lhe tirei o capacete, outro na coxa o derrubou no chão aturdido.
Já perto dele, o desarmei e o prendi no chão com a espada cravada no seu ombro esquerdo, ele era canhoto.

- Você sempre soube, não é?
"Foi por isso que te expulsei. Mas acreditava que você iria me buscar, seu covarde! Esperou que eu viesse até você e ainda matou seus colegas para vingar-se de mim! - Ha h cof..."
- Vingança? Vingar-me de você teria sido fácil demais, eu queria fazer justiça. Derrotei seu pelotão, e você, que vieram atacar nossa nação, buscar nossa liberdade e oferecer sofrimento em retorno. Não matei ninguém com quem me importasse. Você é somente meu inimigo aqui, não é meu antigo capitão, nem meu carrasco. Eles... nenhum deles teve coragem de defender um colega que foi expulso por ser melhor que seu capitão, por tentar libertá-los de sua hipnose.
"Acha mesmo que acabará assim tão fácil? Eles viram buscar o que não me deixou levar...."
- Eles virão, serão recebidos como meus convidados. E você será o prato principal!

Decapitado, derrotado com seu pelotão invencível. Um titã derrubado e seu sangue regava o deserto.
Justiça foi feita, não por mim, mas pela nação que me acolheu, me fortaleceu e me escolheu seu guardião...
seu Líder!


Comentários

  1. Ótimo conto, tem uma aura mítica com tons de modernidade que me deixaram instigado à descobrir em que época exatamente ele é narrado. E o mais interessante é que esse misto de elementos de diferentes épocas (espadas, arcos e armas de fogo) fazem com que a história seja completamente atemporal!

    Parabéns e grande abraço!

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  2. Cara!
    São 00:23h e já estava para dormir quando terminei o banner e decidi passar por aqui...
    Grata decisão!
    Conto incrível! Se houver um ilustrador entre seus amigos, vale a pena uma grafic novel.
    Parabéns!

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  3. Aee elfo esculachando! \o/
    BRIGA, BRIGA,BRIGA!!! \o/
    Ah gostei de ver!É sempre bom ter uma conquista valorosa deste jeito!

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Comente. Há um mar de pensamentos e você pode pescar um peixe que ninguém mais conhece. Assim são as palavras no mar do Umikizu!

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