Portal Zen - Coletânea de provérbios e contos

Eu reuni alguns provérbios e contos orientais com o objetivo de relembrar as coisas simples, apresentar alguns conceitos diferentes de pontos de vista diferentes e dar oportunidade para que você pare um minuto do seu tempo e pense...

Pense sobre eles e como eles refletem no seu dia-a-dia, nas suas escolhas, nos seus objetivos e principalmente em como tem dedicado sua energia e sua força de vontade para chegar onde quer chegar.

Permita-se esse tempo......



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A atuação do Invisível no visível

Trinta raios convergentes no centro
Tem uma roda,
Mas somente os vácuos entre os raios
É que facultam seu movimento.

O oleiro faz um vaso, manipulando a argila,
Mas é o oco do vaso que lhe dá utilidade.

Paredes são massas com portas e janelas,
Mas somente o vácuo entre as massas
Lhes dá utilidade

Assim são as coisas físicas,
Que parecem ser o principal,
Mas o seu valor está no metafísico.

Retirado do livro “Tao Te King” de Lao-Tse.


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O Mestre e o aprendiz


Um discípulo chegou para seu mestre e perguntou:
Porque devemos ler, estudar, considerar e refletir sobre a sabedoria se nós não conseguimos memorizar tudo e, com o tempo, acabamos esquecendo?
Somos obrigados, constantemente, a retomar o que já não está mais em nossas memórias.
O mestre não respondeu imediatamente ao discípulo.
Ele fitou o horizonte por alguns instantes e depois ordenou ao discípulo:
Pegue aquele cesto de junco, desça até o riacho, encha o cesto de água e o traga até aqui.
O discípulo olhou para o cesto sujo e achou muito estranha a ordem do mestre, mas mesmo assim obedeceu.
Pegou o cesto, desceu os cem degraus da escadaria do mosteiro até o riacho, encheu o cesto de água e começou a subir de volta.
Como o cesto era todo cheio de furos, a água foi escorrendo e quando chegou até o mestre já não restava mais nada.
O mestre perguntou-lhe:
Então, meu filho, o que você aprendeu?
O discípulo olhou para o cesto vazio e disse jocosamente:
Aprendi que cesto de junco não segura água.
O mestre ordenou-lhe que repetisse o processo de novo.
Quando o discípulo retornou com o cesto vazio outra vez, o mestre perguntou-lhe:
Então, meu filho, o que você aprendeu?
O discípulo respondeu, mas com um certo sarcasmo:
Que cesto furado não segura água!
O mestre, então, continuou ordenando que o discípulo repetisse a tarefa.
Depois da décima vez, o discípulo estava desesperadamente exausto de tanto descer e subir as escadarias.
Porém, quando o mestre lhe perguntou de novo:
Então, meu filho, e agora, o que você aprendeu?
O discípulo, olhando para dentro do cesto, percebeu admirado:
O cesto está limpo!
Apesar de não segurar a água, a repetição constante de encher o cesto acabou por lavá-lo e deixá-lo limpo.
O mestre, por fim, concluiu:
Não importa que você não consiga memorizar todos os ensinamentos adquiridos ao longo de sua vida. No processo de se conectar diversas vezes à sabedoria a sua mente e o seu coração vão se depurando.
Inúmeros preconceitos se abrandam; a intolerância cede lugar à lucidez; a destrutividade, à criatividade; a oposição e competição gratuitas e infundadas, à cooperação...
Neste processo, o homem, trabalhando no tempo e sendo continuadamente tocado pela sabedoria, vai “limpando-se” dos seus aspectos grotescos e sombrios e torna-se verdadeiramente humano!

Autor desconhecido


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Não se deixe transbordar de orgulho


Um jovem lutador Chinês, depois de vencer todos os combates que havia feito até aquele momento, ouviu dizer que existia um grande mestre Zen, que habitava nas longínquas montanhas do norte da China.
Tal mestre havia desenvolvido uma técnica de mãos que nenhum lutador daqueles tempos a possuía.
Então o jovem lutador resolveu visitá-lo para aprender as técnicas tão cobiçadas por todos da região.
Caminhou por vários meses à procura do mestre, até que encontrou um antigo mosteiro localizado no alto das frias montanhas, de uma região pouco conhecida.
Perguntou pelo tal mestre.
E os monges que ali habitavam, mostraram o local tanto desejado pelo jovem.
Lá chegando se apresentou ao mestre, como um exímio lutador que já havia aprendido técnicas de todas as formas, com todos os grandes mestres de todas as regiões da China, e que só faltava conhecer as técnicas do velho mestre para se tornar o maior da região”.
O mestre com muita paciência ouviu tudo que o jovem tinha para dizer.
E convidou-o para entrar no mosteiro e tomar um chá.
Primeiro serviu sua própria xícara e depois lentamente começou a servir a outra xícara até que o chá começou a transbordar derramando-se na mesa.
O jovem sem saber o que falar ficou observando o mestre derramar o chá.
Até que não aquentou mais e falou.
- Mestre o chá está se derramando na mesa.
E o mestre continuava a derramar o Chá.
Mais uma vez o jovem falou:
- Mestre, o chá já passou do limite da xícara e o senhor continua entornando-o.
O mestre com muita serenidade, parou de servir o chá e falou:
- Meu jovem, você pode tomar o chá e ir embora, não tenho nada para ensiná-lo.
O jovem abismado respondeu:
- Mas eu percorri montanhas, atravessei rios e caminhei vários meses, para chegar aqui para aprender suas famosas técnicas, e o senhor me diz que não tem nada para me ensinar e que posso ir embora?
- Sim meu jovem, respondeu o mestre.
- Você chegou aqui exatamente igual essa xícara “transbordando”, dizendo conhecer variadas técnicas de lutas passadas por outros grandes mestres de regiões diversas.
- Se você tudo sabe, eu não tenho nada para ensiná-lo.
- Você já chegou aqui com sua xícara cheia , não cabendo mais nada em seu interior, pois tudo que eu possa acrescentar, só irá fazê-la transbordar.

O jovem deu meia volta e tomou o caminho de casa.
Aprendeu que antes de se dirigir a alguém que tenha algo para ensiná-lo há que esvaziar totalmente sua mente, para conseguir captar o que os mais experientes tem a lhe ensinar.

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