Zen, lar, chuva, assim...

Estou em minha casa, onde tudo está quieto, exceto pelo som solto no ar...
Estou sentado, respirando o incenso delicioso de erva cidreira, soltando fumaça e aroma pelo ar, desenhando círculos e retas sem preocupação...
Lembro de repente, do fósforo que usei para acender a pequena vela, quando acende e quando apaga, tem um cheiro que explode no nariz e faz cócegas!
A vela, vermelha, tem gravado o kanji do Amor...
Está tudo calmo, em uma harmonia tremenda, uma calmaria que nos deixa zen...

Zen...
Totalmente zen, me faz lembrar do tempo que passei no Japão, um país encantador; com pessoas educadas, gentis e muito dedicadas; belas paisagens onde a natureza é essencialmente um espetáculo, e eles a respeitam, como a divinidade que representam!
Tomando um chá de maçã com canela, eu me lembro dos chás que tomei com o senhor Takasaki-san de 89 anos; sentávamos no jardim, e observávamos as cerejeiras, as flores, a neve, os pássaros, e o pequeno lago com 3 carpas. Takasaki-san sempre me dizia uma frase, um provérbio, e dele conversávamos enquanto o chá ficava pronto; quando o chá chegava, tomávamos ele todo em silêncio, conversando com o ambiente, com as cerejeiras, as flores, a neve, os pássaros, e o pequeno lago com 3 carpas, sem deixar que nenhuma palavra atrapalhasse aquele momento tão máximo do diálogo....

Mas nada era mais belo, mais completo e mais mágico, que quando chovia; tudo se transformava em um mundo de água e serenidade, e quando os pingos de chuva chegavam a superfície sólida, vindos de sua viagem pelo céu, cada um contava a sua história, cada um com seu som e sua voz, pronta para falar e nos encantar; e era um espetáculo tão belo, que nenhuma outra vibração sonora ousava atrapalhar, era somente o som das gotas de chuva, conversando com a superfície do todo em que tocava e sua resposta daquele breve sussurro de alegria....

Estendi minha mão, para que a chuva pudesse me contar também a sua história; depois de poucos pingos de água estalarem em minha mão, reconheci novamente o que é estar bem, estar zen, estar em mim e no todo à minha volta...
Estava eu, estava feliz!

Comentários

  1. Essa é minha religião, a contemplação do belo. Que é a chuva senão Deus?

    Culpam Deus pelas tragédias. Mas essa intervenção é humana.

    (Fiquei curioso a respeito do autor do blogue.)

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  2. Lindo texto!
    Deu para sentir na pele o que você descreveu e, por um momento,também me senti feliz assim.

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Comente. Há um mar de pensamentos e você pode pescar um peixe que ninguém mais conhece. Assim são as palavras no mar do Umikizu!

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