A menina com tatuagem de carpa...


A tatuagem de carpa em suas costas era de dimensões reduzidas, assim como a própria menina.
Molhada com a chuva, a carpa parecia viva, e parecia dar seus próprios passos para auxiliar na execução do balé que a menina dançava na chuva, em meio às pedras - próximas do cais -, tendo apenas a distante luz da cidadezinha com seus lampiões...
Como ela era, a menina? Ela era a menina mais linda que você possa imaginar, mas possuía olhos azuis, e eles eram claros como o céu, mesmo durante a noite chuvosa.
E os deuses, e os homens... Ao olharem para essa menina, deuses e homens eram apenas seres, e nenhum deles possuía vocábulos para descrever a beleza do quadro; a menina com tatuagem de carpa dançando balé na chuva em meio às pedras...
Depois de todos os panteões olharem para ela, sem palavras, e depois de alguns pescadores taciturnos e tardios olharem para ela, com menos palavras que os deuses, ela terminou de dançar e cumprimentou o vazio das ondas fracas que arrebentavam hora ou outra no singelo cais de porto.
Sem a mínima noção de que todo o Cosmo a observava, sem nem ao menos acreditar em anjos, a menina de tatuagem de carpa mirou suas duas safiras oculares ao longe, em direção à cidadela de lampiões e pescadores. Enxugou rapidamente os pés numa toalha jogada ao chão, recolheu a mesma e pegou seus livros e seu estojo, que estavam jogados de lado nas tábuas do cais.
Andou, de cabeça baixa, e coração mais tranqüilo em direção às luzes.
Seu único pecado era ignorar-se, quando na verdade, até mesmo os deuses suspiravam ante sua visão...

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Comente. Há um mar de pensamentos e você pode pescar um peixe que ninguém mais conhece. Assim são as palavras no mar do Umikizu!

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