Vem comigo...

Senta aqui, vou te contar uma história de quando eu era criança...

Eu era meio inseguro, não acreditava em mim mesmo e sonhava como se o sonho fosse a realidade. Eu era feliz, totalmente inocente, mas eu não era livre, não podia fazer o que eu queria, tinha medo de mim.

Então eu fui crescendo um pouco mais, me desenvolvendo e fui colocado diante de mim mesmo. Passei um bom tempo no meu mundo, no meu infinito espaço privado, onde fui apresentado a vários "Eus". Cada um deles se apresentava de forma diferente, tinham atitudes e emoções distintas, mas todos eles mostraram se importar muito comigo. De forma particular, eles sempre queriam ter certeza de que eu estava bem durante a nossa viagem. Todos eles se preocupavam comigo e faziam questão de demonstrar isso, a qualquer custo! Na minha viagem eu ia passando por salas, e em cada uma delas eu encontrava uma personificação das minhas emoções.

Na primeira sala conheci o meu eu Triste, ele estava sentado chorando em uma cadeira fofa de veludo vermelho, ele chorava tanto que mal conseguia falar. O que ele me disse foi:
- Chore... ta? Quando você quiser, ou quando precisar, vou estar lá com você... - e voltou a chorar copiosamente sem conseguir falar mais nada.

Na segunda sala eu encontrei meu eu Estressado, estava atrás de uma mesa com vários papéis espalhados, esbaforido, preocupado com o que ia enviar para os outros "Eus", mas quando ele me viu, parou o que estava fazendo para me dizer apressado:
- Você está em todos esses papéis, tudo isso aqui é um pouco de você, e eu faço a minha parte para que tudo corra direitinho, está satisfeito? - ele perguntou ansioso já recomeçando a trabalhar. Quando respondi que estava sim satisfeito, ele abriu um sorriso e continuou o seu trabalho com os papéis, ainda mais frenético que antes.

Na terceira sala, meu eu estava calado, era o Pensativo. Ficamos alguns minutos parados e em pleno silêncio, até que de repente ele me olhou e disse ao meu ouvido:
- Eu penso sempre em você, sabia? - Eu sorri tímido e ele continuou sério: - Você devia fazer isso mais vezes, hum. 

Na próxima sala, meu eu Esperançoso estava me esperando na porta, quando ele me viu, seus olhos se iluminaram e eu fiquei surpreso. Ele me entregou uma carta e disse:
- Sempre esperei te ver pessoalmente, sabia que esse dia ia chegar! Obrigado, este aqui é o meu presente por ter vindo até aqui para me ver, mas só deve abra-la no final da viagem. - Enquanto ia embora, ele dava tchauzinho muito contente.

E assim eu fui me conhecendo, meu eu Amante, meu eu Nervoso, meu eu Deprimido, meu eu Desesperado, meu eu Desiludido, meu eu Destrutivo, meu eu Bem Humorado, e muitos outros.

Na última sala, estava meu eu Feliz, ele estava sentado na mesma cadeira fofa de veludo vermelho que meu eu Triste, só que ele estava rindo, gargalhando, e entre soluços ele me disse:
- Você é o melhor do mundo! Eu sou muito FELIZ por ser VOCÊ! - e descobri que posso ser ainda mais feliz do que eu já sou.

Então o meu eu Paciente, que foi meu guia, me levando de porta em porta, colocou-me em frente à porta de saída, dizendo para que não me esquecesse do presente que havia recebido do Pensador, e disse antes que eu abrisse a carta:
- Foi ótimo dar essa volta contigo, agora espero que possa entender melhor como nos sentimos e acredito que conheceu tudo o que precisava sobre nós, e sobre você, para enfim transformar-se. Está aí, neste presente de todos nós! Tchau, tchau e Obrigado!

Então, eu abri a carta e vi a mais fantástica queima de fogos da minha vida!
Depois olhei no envelope e havia uma folha onde estava escrito: NÓS AMAMOS E SOMOS LEAIS A VOCÊ!

A partir daquele dia, minha vida se transformou no meu espetáculo, onde eu sou o astro e tudo que acontece é bom, me tornei fiel e leal a mim mesmo.
Eu aprendi a me Amar!

Espero que você também aprenda isso, quando conversar com seus vários diferentes e especiais "Eus", quando conhecer o seu Infinito Particular! Procure o bilhete para fazer essa viagem e...
Vem comigo... Eu te levo...

Comentários

  1. Viagens ao centro de si mesmo sempre são desconcertantemente esclarecedoras. O autoconhecimento tem este poder revelador sobre a origem de nossas felicidades, e normalmente trazem belezas à tona, que de outra forma não seríamos capazes de ver. A única coisa ruim (ou nem tanto), é que somos mutáveis... por isso, o autoconhecimento deve ser um exercício praticado com freqüência. E a cada novo mergulho, novas descobertas.

    Eu topo percorrer esta estrada!

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  2. Alan , creio que no portal da entrada do seu inconsciente infinito particular estava escrito "Conhece-te a ti mesmo." Soubeste aproveitar, aprender e agora lança aos ares esse belo convite.

    Parabéns!

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Comente. Há um mar de pensamentos e você pode pescar um peixe que ninguém mais conhece. Assim são as palavras no mar do Umikizu!

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