Memórias e Sentimentos

Quando estamos sozinhos, é impossível impedir nossas mentes, elas começam a vagar por aí perdidas e algumas dessas viagens nos levam a encontrar pessoas, ou momentos, ou até sentimentos que não nos recordávamos e que estavam guardados no nosso baú da memória.

E um desses momentos me remeteu mais uma vez a lembrar do mar, das águas que sempre me foram fonte de inspiração, fonte de vida e proteção, além de um lugar para me distrair e me divertir com os amigos.
Neste mar em especial, eu estou totalmente submerso.

Eu fui criado no mar, treinado no mar e posso contar muitas histórias de sua criação, todas elas são verdadeiras, principalmente as que mais se diferem.
Era engraçado ver as caras assustadas das crianças quando lhes contava as histórias de como o mar foi criado.
Elas imaginavam algo grande e mágico, quando lhes dizia que era apenas formado de amor, felicidade e muito sacrifício, elas ficavam decepcionadas... Elas iriam entender o significado desses sentimentos mais pra frente.

A paixão que tenho pelo mar, me levou a rever um dos momentos mais especiais da minha longa vida, foi quando eu encontrei meu primeiro desafio enquanto pessoa, foi quando tive que mostrar minha fragilidade e paciência, frente a um ser muito puro.

Eu estava preparado para uma batalha, uma vila vizinha à minha estava sendo atacada por um povo rival, e enquanto estava caminhando pela beirada da água do mar, me encaminhando para o lugar do confronto, fui interrompido por uma ninfa. Ela era linda, sua pele era branca e lisa como o gelo, ela estava coberta por flores e algas azuis, envolta em luz e era acompanhada por uma corte de outras seis ninfas, todas montadas em cavalos também brancos.
Ela era a rainha das ninfas e estava me procurando por uma razão especial, eu seria o pai de seu único filho e herdeiro de seu reino, e assim ela me disse:
- O pai da criança que será meu filho deve ter muitas qualidades, mas uma em especial, tem que ser um nobre do mar, alguém que compreenda como é a vida e se alegre somente em vivê-la. Não precisamos de mais nada, mas você possui muitas outras qualidades das quais gostaria de ver em meu herdeiro. E é bom que seja você, pois já nos conhecemos.

Eu não a via a muito tempo, só reconheci quando ela citou que me conhecia. Era uma alegria saber que ela ainda se lembrava de mim.
E então, tudo parou, naquele momento, só existia ela e eu. Nos abraçamos e ela me beijou.
Estávamos unidos pelos laços da amizade da infância que passamos juntos no mar e pelos laços da criação da criança que agora começaria a crescer em seu ventre.

E quando tudo acabou, ela me entregou seu arco, para que eu defendesse a vila que estava sendo atacada.
Lutei contra os inimigos do povo com a bravura de um pai para proteger o seu filho. Lutei imaginando que meu filho dependia disso e junto dos outros cavaleiros, expulsamos os invasores.

Quando voltei para casa ela já não estava mais lá, pois o que ela precisava de mim ela já havia conseguido. E eu sabia que só veria meu filho quando ele já fosse um homem feito, pois assim eram as leis das ninfas.
Aguardo por esse dia... meu filho...

Ah o mar e suas ondas nos trazem muitas lembranças e  muito agradeço por isso! `^^´

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