Escolha uma palavra e deixe o Umikizu falar sobre isso...

Branco...

Escultura de Peter Callesen que achei no MDig

Estou uma folha em branco, mas sem tinta, sem escritor, sem nada mais que isso.
Uma folha em branco, solta, no vento, no tempo, mas espero o alento de descorar.
Que tinta, de que cor, de que dor, qual amor, passará por mim para me alegrar?
Que sentimento, que tormento, vão me olhar, me encarar, vão falar disso?

Não dá pra saber, não se pode perceber os sentimentos de alguém em branco.
Parece pálido, parece triste, parece em paz, parece igual, mas nada é certo.
Espera um pouco, talvez um minuto, talvez alguns séculos, olhe de perto.
Hoje papel, amanhã cinzas, talvez azul, quem sabe rosa, na parede ou num banco?

Parece que estou levíssimo, mas estou pesando mais que o mundo por amar.
Essa obra em branco vale um conto, dois reais, noventa dólares ou um pranto?
Ou num momento de deslize, cai na lama e deita no sono de quem é omisso.

Eu entendo que esse momento branco passa logo, mas o agora é um cancro
Pra quem torce pro branco e preto num mundo todo de arco-íris, como?
Que o branco perca-se. Preencha-se de tons, cores, sombras ou amores...

Doe uma Palavra - Doação...

Palavra doada pela querida Fabiana Mota, que me surpreendeu muito! Danada essa menina, mas me permitiu adaptar uma história me baseando em fatos reais! Gratidão Fabi!
Visitem a página da Fafá Parfum, a Fabi faz com carinho os cheirinhos mais gostosos do mundo!

Uma vez me contaram uma história bonita que tocou meu coração de um jeito sem igual, essa história falava de um certo casal, do interior do Mato Grosso que, vendo a situação de seus semelhantes, começou a ajudar os que não tinham como sozinhos dar conta das demandas do lar.


Eram uma senhora muito pequenina e um cavalheiro muito grande e desajeitado, que moravam numa casa boa e afastada da cidade, cercada por uma plantação de cana de dar gosto de ver! Era o orgulho do seu Carlos! Enquanto dona Vera dava um duro danado na casa pra dar conta de tanta cana e tanto caldo que sobrava depois de dada a colheita. Um casal solitário e muito peculiar, que iam pouco para a cidade, mandavam o menino de um dos trabalhadores resolver as demandas mais simples, como buscar algum ingrediente mais difícil de cultivar, pegar e levar as correspondências, esse tipo de tarefa mais simples. Uma vez por mês apenas, Vera ia ao banco enquanto Carlos fazia as negociações com os comerciantes no Mercado Municipal.

Conhecia-se bem a fazenda dos Tremembé, fazedores de açúcar e que tinham a melhor cana do estado, mas no geral, não se sabia demais sobre seus responsáveis, para falar a verdade, a situação na cidadezinha não ia bem e por isso a fofoca não tinha muita importância.
Verinha decidiu que tinham que fazer algo pra ajudar, mas os Tremembé eram muito reservados para tomar alguma atitude pública, também não queriam ferir o orgulho dos trabalhadores da cidade, que mesmo sofridos, não pensavam em pedir ajuda, mesmo nos momentos mais complicados. Era questão importante, mas não encontravam um jeito de ajudar.

Até que belo dia, seu Carlos percebeu, no meio das gaiolas de seus passarinhos, um em particular, que todos os dias de manhã dava um jeito de se esgueirar pela cozinha, pegava uma migalha de pão seco da dona Vera e ia compartilhar com seus amigos aprisionados no quintal. No outro dia, se escondeu no corredor para ver se o que vira foi só ocasional, mas repetiu-se o fato do passarinho que corria perigo para dividir um pãozinho com seus amigos. Pequenininho, sem ninguém saber, fazia a festa com sua liberdade. Seu Carlos então teve a ideia de ir ele mesmo levar o que podia doar, antes de amanhecer, na casa dos que sabiam ter crianças sem leite e mães sem ter com o que se alimentar.
Passou o dia e antes do galo cantar, seu Carlos foi fazer a primeira doação do dia, mas ao passar pela janela de uma casinha, seu tamanho e desjeito fez uma criança acordar, na meia luz, ao colocar a cesta com leite, 5 pães e um queijo branco fresco na porta da frente, a criança abriu o berreiro e acordou a casa toda!

- O Gigante Veio Me Matar!! Buaaaaa!!

Seu Carlos assustou, agarrou o cesto no impulso e correu pro matagal mais próximo com seus passos largos! Naquele dia, a cidade toda achou que tinha um bicho a solta nas redondezas e ficou em alerta máximo!
Dona Vera ao ouvir a história de seu Carlos caiu na gargalhada!
- Como pode um homem desse tamanho sair por aí de manhãzinha sem ser notado no ato? Mas foi muito bonito o que você fez, se tivesse ao menos deixado o cesto por lá por perto. Vamos pensar em alguma coisa diferente, tá bem?

Durante uma semana, os homens faziam ronda, a polícia dobrou o turno dos guardas e o prefeito fez até uma campanha para que as pessoas não andassem sozinhas, trancassem as portas e janelas, além de colocar cortinas em suas casas para não chamar a atenção da fera. Na outra semana, o pessoal já tinha esquecido do gigante, já que ele não voltou a aparecer. Foi então que Dona Vera numa terça-feira bem calminha resolveu acordar cedinho e partiu para completar a missão que o marido tinha começado, mas dessa vez de um jeito diferente.
Eles tinham uma carroça de garapa, que usavam na época de safra muito boa para aumentar a renda da fazenda e não perder cana que não fosse vendida. Dona Vera escondeu-se no carroção e pediu que um dos empregados saísse pela cidade oferecendo garapa gratuita para as crianças. Foi uma festança da garotada, se lambuzavam de garapa e algumas guardavam um pouco para levar para os pais em casa. Só que enquanto estavam lá na praça, bebendo a refrescante atração dos Tremembé, a dona Vera saiu pelo fundo da carroça com 2 sacolinhas em cada mão, visitou 4 casas que sabia passar por uma difícil situação e deixou na porta da frente uma sacolinha para cada uma. Na sacolinha havia 5 pães, uma garrafinha de leite, 5 ovos e um punhado de açúcar refinado. Não era muito, mas não tinha como carregar sozinha muito mais que isso. Ao acabar a cana que levaram para as crianças, o empregado passou com a carroça pelo meio da vila para voltar à fazenda Tremembé, sem esquecer de pegar dona Vera no caminho.

Ao chegar em casa, estava toda feliz e foi contar a novidade ao seu Carlos, mas não conseguiu o encontrar. Uns 20 minutos depois, seu Carlos chega em casa com dois filhos dos empregados da fazenda, com um sorriso de orelha a orelha estampado no rosto dos três.
- Distribuímos duas cestas cada um para as famílias lá de cima e ainda dei garapa para os meninos, lá na praça onde o Geraldo estava com você. Boa ideia minha pequena.
Durante os períodos de maior crise na cidadezinha, dona Vera e seu Carlos trabalhavam com as crianças para distribuir as sacolinhas e cestinhas para quem precisava de mais ajuda. Não era muito, mas supria o mínimo para as famílias que passavam necessidade.

Claro que depois de um tempo todo mundo descobriu a verdadeira identidade dos benfeitores. Inclusive a menina que o seu Carlos assustou fez uma surpresa para ele, em uma de suas visitas ao mercado.
Jussara ficou andando escondida por onde ele fosse, de barraca em barraca, até que quando percebeu que ele estava bem distraído numa conversa com seus amigos, deixou nos seus pés uma cestinha com flores amarelas. Desajeitado que só ele, ao mudar o passo, seu Carlos tropeçou na cestinha e quase caiu em cima da barraca de tomates, ainda assim, não conseguiu evitar cair de bunda no chão. Quando levantou e sacudiu a poeira, pegou o cesto, sorriu com as flores e percebeu que havia um papelzinho dobrado com elas, desdobrou o pedaço de folha e viu um desenho de criança de um homem muito grande com uma senhora muito pequena ao seu lado e em cima, duas palavras escritas em letras de forma bem grande: DESCULPA E OBRIGADA.
Seu Carlos não conteve as lágrimas, a menina então saiu correndo e abraçou as pernas do seu benfeitor. Depois pediu que ele se abaixasse, pegou o paninho que usou para forrar o fundo da cestinha e enxugou o rosto dele sorrindo.
As famílias que foram ajudadas pelos Tremembé fizeram um apelo ao prefeito, que declarou os dois os benfeitores da cidade. E até hoje é comemorado por lá, no dia 8 de agosto o Dia da Doação dos Tremembé.

Quem me contou essa história foi um conhecido de lá do Mato Grosso, eu nem sei se é verdade ou se ficção, mas eu fiquei tão feliz com a possibilidade do seu Carlos e a Dona Verinha terem feito tão bem para uma porção de gente que eu to ajudando a passar adiante esse bom exemplo pra todo mundo. Para que nunca falte bondade e generosidade quando alguém passar necessidade, não é não?
Passar bem, meus amigos e não esqueçam de, sempre que puder, fazer uma boa ação. Até mais!

Enquantos ciclos...

Ciclos Mayas - Laura S. Dorado
Enquanto somos adultos aprendemos a mostrar que estamos bem, mas por dentro tudo está uma bagunça, a vida segue seu curso natural.
É um eterno baile entre certezas e confusões, mas aos poucos tudo vai fazendo sentido. Um pouquinho a cada dia, a cada pôr do sol com cores estonteantes e cada lua e suas fases, faces e lugares ao lado das estrelas.

Hoje você é uma criança, cheia de esperanças e com o sorriso mais sincero que existe! Cativante, brilhante inocente em cada passo que aventura e gosta de aventuras mais que tudo!
Amanhã, você é um jovem, cheio de medos e inseguranças, preparado para nada, emocional, passional, apaixonante, a beleza é abundante, a idade das experiências, das primeiras vezes!
Depois de amanhã é um jovem adulto, começa a trabalhar enquanto ainda termina a faculdade, define o seu futuro, o que fazer daqui 1 ano, daqui 5 anos, talvez, onde estará quando fizer 30 ou 40. Parece distante, parece eternamente distante, por enquanto ainda é.

Você talvez tome rumos muito diferentes. Diferentes de "todo mundo". Já acabou aquela receita pronta para uma vida de sucesso: crescer, trabalhar numa boa empresa, casar, ter filhos e envelhecer cercado de netos e natureza. Que tolo sou de relembrar essa regra batida! Só que tolo mesmo era quem acreditava, antigamente, enquanto todo mundo fazia coisas diferentes, senão no dia a dia, nas sombras dos segredos! E quantos segredos se guarda nessa fase da vida? Quantos segredos temos quando somos jovens e temos os medos e as vontades em eterno conflito, mas a coragem sempre vence, e a gente bate a cara em vários obstáculos até que aprendemos a desviar.

Semana que vem, porque a juventude é longa e gostosa de viver enquanto a semana não termina, na semana que vem, somos adultos. Pés no chão, dinheiro no bolso, não muito, mas tem, as mesmas incertezas com um pouco mais de experiências, poder de escolha, mente em turbilhão pelas contas, pela rotina, pela parceria e as poucas e boas amizades que ainda são frequentes, tudo parece em ordem. Tudo segue um fluxo que de agora em diante é cada vez menos acidentado. Um pouco mais confortável.
Enquanto houver conforto, tudo parece em paz.

E na outra semana, os cabelos embranquecem, como é mágico envelhecer, ver o tempo fazer suas contas, explodir de alegria, mas com calma para não comprometer as costas, nem o coração! Ai meu coração!
É a vez de aproveitar, desacelerar para quem consegue, acelerar ainda mais para aproveitar tudo que segurou enquanto não tinha a liberdade do tempo e da maturidade.

Enquanto tudo isso acontece contigo, comigo, com todos ao nosso redor, inúmeros outros ciclos, pequenos e rápidos, grandes e lentos, rápidos e gigantescos, e claro, os eternos, estão também seguindo seus ciclos, na grande espiral de enquantos, de entantos, de tantos que somos.
E enquanto isso, respire fundo...

Parando de graça...

Meu rei, se achegue porque tenho algo importante pra lhe falar.
Não to aqui pra rir da desgraça, não! Essa ideia é muito maquiavélica pra quem pensa bem.
Rir do tombo ao invés de ajudar, fazer graça com a morte de inocente, transformar abuso de poder em paródia só pra rir, rir de graça, sem nenhuma frustração? Não, não e não!
Amigo, vem mais perto, pra ouvir direitinho, sem deixar nada de fora dessa cabeça oca que tu tem, rir da desgraça, de graça, não tem graça nenhuma, vice? Rir dos problemas, sem prestar serviço de ajudar quem sofre é a mesma coisa que quando a gente era zoado na escolinha e ninguém te ajudava. Não era legal na época, continua não sendo legal agora, aquele monte de coleguinha rindo de rolar no chão, enquanto você chorava vermelho de vergonha, sem ninguém pra te estender a mão.
Então quando parar de rir, presta bem atenção, que por mais que você não seja mais zoado hoje, outro está sendo feito de bode expiatório no seu lugar, sentindo o que você sentiu quando seu coleguinha te sacaneou, a classe inteira riu, a professora não acudiu e você se sentiu um nadinha no seu canto, sozinho.
Não tem graça, né? Pois é. Acorda piá!
Vamo se ajudá, pra modi'muda um pouquinho o nosso quintal.

A situação no país ta uma caca, não que seja exclusividade, já que o planeta todo ta em crise. Essa crise que não se acha solução, começa na ganância dos grandes e termina na risada dos pobres. Coitados.
Uma crise inventada, acreditada e perpetuada, enfeitada com um período de bonança antes da tempestade, que veio desproporcional, muito mais forte que a festa. Crueldade de quem não passa fome nem tem crediário que não seja milionário. Consequência dos abusos e das impunidades, que continuam como o pó pesado que não foi condenado e voltou ao senado, empurrado pra debaixo do tapete. Tudo isso é pior que bullying. Tudo isso é mais real do que a televisão mostra, com um condenado pra parecer que o problema ta resolvido. A vida real não é filme pra ter um final tão rápido assim, não.
Nosso problema pra solucionar precisa de coragem, muita coragem de gente unida e que não pense só na própria barriga, que abra mão um pouquinho do que quer, pra conseguir pra todo mundo o que a gente precisa!
Vamo se ajuda? Assim é que nossa vida vai miorá de verdade. Sem rir das desgraças e sim tirando a graça de quem se aproveita da gente, acabando com a festa de quem usa nossos recursos e nosso suor pra coisa errada.